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Google Street View: um papo sobre privacidade, graça e sinceridade

5.abr.2011

Sim, para alguns o Google Street View é assunto datado, essa discussão já deu e falar de privacidade em 2011 é caído, cala a boca, seu gordo.

Mas o caso é que a Corte Administrativa Federal da Suíça anunciou ontem, mesmo reconhecendo que se trata de uma operação caríssima, que o Google deve fazer as mudanças necessárias nas imagens antes de publicá-las ou obter as autorizações das mesmas para publicação, a fim de zelar pela identidade e privacidade de fulanos e sicranos que aparecem na ferramenta.

O que alega a justiça suíça:

A exclusão de custos adicionais e livre de impostos comercialmente atraentes no Google Street View são, em princípio, reconhecidas como interesses com fins lucrativos dos réus e não deve ficar acima dos interesses dos indivíduos em questão

Pensemos numa hipótese distante, à primeira vista: seu pai morreu num cruzamento. Não é freak e triste demais pensar que ele pode virar um meme (e, na boa, isso é imprevisível) tipo o ex-marido da Susana Vieira trajando sua fatídica sunga branca?

Ou mesmo, vá lá, você descobre que sua prima/irmã/filha/namorada/esposa/mãe (ou todas elas) é (são) prostituta(s) da pior forma: depois de todo mundo. Literalmente.

Peter Fleischer, advogado de privacidade global do Google, resmungou:

Nós estamos muito desapontados porque o Street View provou ser muito útil para milhões de pessoas, assim como empresas e organizações de turismo

E ele tem razão. Mas também tem razão quem reclama.

É diferente do artista que chora porque baixaram música dele. A princípio, a obra do cara, uma vez publicada, em disco, MP3 ou raios gama, é maior que qualquer controle, seja ele o Vitinho Sou Foda ou o Chico Buarque.

Já o Zé Mané que tá indo na padaria e pisa na merda não tem que obrigatoriamente achar incrível aparecer no Google Street View.

Ou mesmo a turma da já tradicional reunião de super heróis do seu bairro.

E você, o que acha de tudo isso?

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