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Morte ao compartilhamento automático

23.abr.2012

Recentemente os sites de notícias, portais (surpreendente, né?) e a velha mídia descobriram o poder das redes sociais. Mas ainda assim, continuam a ter a mesma postura de sempre: Eu sei o que é melhor para você.
O último exemplo dessa maneira de pensar são os malditos aplicativos de notícias em que, magicamente, você pode descobrir novas notícias que seus amigos estão lendo.

O aplicativos de notícias no Facebook têm sido mais úteis para os veículos do que para o público.

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Na teoria, isso é bom. Na prática, não tanto. Eu entendo a vontade de tirar qualquer fricção na hora do compartilhamento mas me parece que a maneira que isso está sendo feito é falha. Compartilhar sem fricção é não ter que pagar um ingresso para ler. E ter que aceitar um aplicativo as vezes soa exatamente como isso.

Estou tendo que pagar para te dar audiência. Apenas um lembrete. Não existe compartilhar sem fricção. Sabe por que? Porque a vida tem fricção. Não é um favor inventar esse tipo de funcionalidade. É, na verdade, forçar um comportamento que não é natural.

Compartilhar ou não compartilhar é uma opção e não algo obrigatório. Você compartilha o que é importante para você, o que acha que será importante para as pessoas com quem você está compartilhando e etc.

O compartilhamento de conhecimento e conexões é uma maneira de fazer com que você seja reconhecido, que a sua relevância para esse público seja notada. Ao vulgarizar o ato de compartilhar, esses apps simplesmente tiram do leitor a opção de usar esse conhecimento como uma maneira de se destacar e isso desequilibra toda a cadeia das redes sociais.

Se a maior parte das notícias que as pessoas lêem são de amenidades e fofocas e o que parte dessas pessoas quer ser reconhecida por seu conhecimento em outras áreas, esses apps são um desfavor a essas pessoas.

Enquanto os apps estimularem um compartilhamento anêmico, estarão usando premissas erradas.

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Compartilhar é algo que deve ser estimulado através de outros métodos e não imposto por outros tipos de recursos. O Twitter faz isso muito bem. Se eu compartilhar que eu adoro Jailbreak 74 do AC/DC e que eu acho que a fase com o Bon Scott é bem melhor que a do Brian Johnson, isso é um endosso real de que aquilo é a minha opinião. Agora, se um aplicativo compartilha que eu estou ouvindo um disco no Spotify ou no Rdio, a única coisa que está fazendo é exatamente isso. Informando o que estou fazendo.

Claro que isso pode ser apenas uma maneira de começar a gerar novas conversas de como esse artista é bom ou ruim. Outro dia eu vi que o Asian Dub Foundation tinha um disco novo e resolvi o ouvir no Rdio. Esse dado foi compartilhado com a minha timeline no Facebook antes de eu ter uma opinião sobre o disco. Ao tentar facilitar a geração de assuntos e contato entre as pessoas, esses apps tiram o que é de mais importante do compartilhamento: a opinião.

Eu poderia ouvir o disco e achar que é fraco, pior que o Rafi’s Revenge e nem falar nada para a minha timeline. Aquele fato é irrelevante para mim. Se eu amo eu compartilho, se eu odeio, eu também compartilho mas se aquele assunto não me causa nenhuma reação, eu simplesmente o ignoro.

Enquanto os apps estimularem esse compartilhamento anêmico, acho que estão usando premissas erradas. É legal descobrir novos assuntos mas é bem mais legal quando isso é associado ao que eu gosto e ao que meus amigos têm feito.

Eu não quero saber que alguém leu um artigo sobre quem está pegando a ex-BBB que vai sair pelada em alguma revista ou que a economia no Cazaquistão não está bem das pernas, esses assuntos não me interessam. Agora se eu notar que meus amigos que também gostam do tipo de música que eu gosto, leram um artigo e recomendaram para mim, aí sim eu vejo vantagem. E esse tipo de compartilhamento está sendo trocado pelo tipo automático simplesmente por comodidade. Será que isso é um reflexo ou a causa do excesso de conteúdo compartilhado?

Ou seja, da maneira que as coisas estão sendo conduzidas, esses aplicativos de notícias, na minha opinião, têm sido mais úteis para os veículos do que para o público.

Uma pergunta: você acha que se esses apps fossem realmente legais, eles condicionariam a leitura de seu conteúdo no Facebook a aceitação de um app ou simplesmente te levariam ao conteúdo e perguntariam depois se você gostaria de usar o app?

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