Prometheus

Prometheus: Clássicos não nascem do dia para a noite. Eles são construídos.

17.jun.2012

Mitos de origem são constantes nas sociedades humanas. Assim como suas variáveis e, claro, contrapontos. Crianças escolhidas, representantes deídicos profetizados por séculos, reencarnações das deidades caminhando sobre a Terra vivem lado a lado com seus algozes, com seres malignos enviados com a única missão de destruir a vida e instaurar o caos.

Ridley Scott jogou um holofote poderosíssimo na direção das sombras que tão habilmente criou em 1979, e a claridade pode ser assustadora.

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Bem e Mal ainda são as duas maiores variáveis, independente de quanta “área cinzenta” a cultura moderna insista em empurrar goela abaixo, afinal de contas, vida sempre vai se opor, pelo menos temporariamente, a morte. E criador sempre vai antagonizar sua criatura. E a coisa só piora quando encaramos as relações familiares, conflitos de gerações e a maior de todas as jornadas: o jovem que se torna pai e vê, muitas vezes inerte, a revolta do filho atingir níveis extremos até a inevitável conclusão dramática.

Ridley Scott vive os dois papeis dessa dicotomia criativa em “Prometheus”, seu esperado retorno à Ficção Científica.

Quem vence a briga: o pai ainda repleto de perguntas ou o filho curioso e irresponsável arriscando tudo por uma única pergunta?

A resposta está na origem de tudo, tanto da vida quanto do universo de “Alien”.

Ridley Scott no set de Prometheus

Sugerir questionamentos e postular teses, por vezes assustadores, sempre foi um dos grandes atrativos da Ficção Científica. Fomos ao espaço, ao centro da Terra, às entranhas do corpo e aos labirintos da mente por conta desse gênero nativamente desprovido de limites. Boas ficções fazem pensar sobre o amor, como em “O Homem Bicentenário”, ou sobre o futuro de nossa raça e de nossas criações, como em “Matrix”, logo nada melhor do que encarar essa natureza inquisitiva com bons olhos, especialmente num momento de engessamento criativo e de lideranças hollywoodianas cada vez mais decididas a nivelar por baixo. Esse é um dos pilares de “Prometheus”, já invocativo pela referência ao mito grego do “homem buscando se igualar aos deuses ao roubar o fogo do Olímpo”, e igualmente provocativo em suas teses sociais e religiosas.

Quem somos? Até onde estamos dispostos a ir? Qual preço é aceitável? E, acima de tudo, Estamos Prontos?

Muito se pergunta e pouco se responde no roteiro de Damon Lindelof (“Lost”) e mesmo a única resposta é ousada. “Prometheus” foge da batida regra da “revelação no final” e joga a bosta no ventilador logo de cara, dando sua resposta e abrindo espaço para analisar as reações provocadas por ela em seus personagens, humanos ou não.

Afinal, o androide David é instrumental na trama em mais um grande trabalho de Michael Fassbender. Se sabemos que, no universo Alien, confiar nos autômatos é um erro, também sabemos que, invariavelmente, as interpretações serão memoráveis. Vide Ian Holm e Lance Henriksen. Idolatra de “Lawrence da Arábia” e em busca de sua própria alma, ou razão no universo, David mescla o melhor e o pior da Humanidade.

“Imagine a mente de uma criança, deixada sozinha a mercê de sonhos, filmes e todo tipo de pesquisa por quatro anos, em solidão, traçando suas próprias teorias”, disse Fassbender, quando nos encontramos em Anahein, há alguns meses.

“As ramificações são infinitas e isso vai refletir em suas ações; assim como os humanos, ele também tem suas perguntas e quer algo”.

Começar com a revelação é uma estrutura complicada de se trabalhar. E, de certa forma, antagônica a “Alien – O Oitavo Passageiro”. No primeiro filme, Ridley Scott foi claustrofóbico e preciso na análise do instinto de sobrevivência, tanto do alienígena quanto da Tenente Ripley. Demos cada passo com Ripley, sentimos cada nota da trilha de Jerry Goldsmith e sentimos, numa grande experiência coletiva, o alívio com a vitória da nossa campeã. Foi um exercício de compartilhamento social, de sensações espelhadas, de identificação total com a mistura de incapacidade e crescimento forçado para sobreviver.

É um mito da caverna às avessas, no qual o mistério se revela quando alguém ilumina as sombras.

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Basicamente, ao escapar do confronto, Ripley ganha o direito de renascer e sua trajetória facilmente se equipara à natureza de diversas espécies colocadas contra seus predadores tão logo respira pela primeira vez. Gosto do tratamento a esse conceito dado por Stanislaw Lem, em “Solaris” (assim como a versão de Steven Soderbergh), quando faz a pergunta: Como reagir se sua primeira ação como ser vivo e consciente é matar para ter o direito de continuar a viver? Lutar. E ponto. Ripley luta e sobrevive, nesse novo drama, acreditamos ser os senhores, aqueles que vão apontar o dedo, dar as ordens e perguntar.

“Prometheus” poderia muito bem se chamar Icarus, pois da mesma forma como o homem que tentou tocar o Sol, seu destino foi ser subjulgado pela força dos deuses. Ao buscar igualdade e, até mesmo, comando sobre os criadores, a criatura se vê isolada, alienada e imersa numa realidade incompreensível, onde suas habilidades são ineficazes e suas perguntas são vazias; desnecessárias. “Prometheus” explora essa dinâmica, do ser humano como peça diminuta num cenário desconexo e cuja compreensão está além de sua capacidade.

“Prometheus” encontrará seu espaço e sobreviverá a seus críticos, propondo questionamentos e desafiando mentes.

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Balancear a ousadia de confrontar um deus e a inexorável limitação física, sensorial e emocional da Humanidade é impossível, pelo menos até nossa raça dar um salto social como o proposto por Gene Roddenberry em “Jornada nas Estrelas” (especialmente na Nova Geração). Até segunda ordem, claro que deixamos de ser o hominídeo de Arthur Clark e Stanley Kubrick, mas ainda somos próximos demais do sujeito tribal idolatrando a Lua, e seus mistérios, na “Guerra do Fogo” de Jean-Jacques Annaud. E é esse homem que Ridley Scott lançou ao espaço. Esse ser deslumbrado vai confrontar seu criador. As respostas vão desagradar.

Além de provocar consequências extremas pela irresponsabilidade de exploradores com muito arrojo e pouca precaução, essa expedição darem vida a algo capaz de extinguir nossa espécie e criar mais uma cena emblemática para o cinema, quando Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) luta pela sua vida no momento de desespero, coragem e dor imensurável.

A crítica à natureza destrutiva do homem é clara, também como seu papel problemático como agente transformador, sempre pleiteando as “melhores intenções” e, invariavelmente, subvertendo tudo à sua volta para atender a seus desejos. Os personagens de Prometheus encontram-se num momento de revés, pois, ao entrarem na gigantesca estrutura alienígena, deixam de ser agentes transformadores e tornam-se, imediatamente, nas coisas a serem transformadas. É um mito da caverna às avessas, no qual o mistério se revela quando alguém ilumina as sombras.

O filme é contemplativo, transcorre em sua própria velocidade sem atender à expectativa do público para mais, mais e mais.

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Ridley Scott jogou um holofote poderosíssimo na direção das sombras que tão habilmente criou em 1979 e a claridade pode ser assustadora. Não torcemos pela vitória, somos incomodados por nossos próprios erros, egocentrismo e convicções. Somos tirados da zona de conforto com a resposta à grande pergunta (vou omitir referências claras por conta de spoilers) e isso, mesmo hoje em dia, incomoda. Pessoas não gostam de ver suas certezas religiosas ou crenças serem rechaçadas, questionadas ou desacreditadas com tanta petulância e velocidade. O público é acuado, logo, provocado a reagir. Por isso o ponto de não-retorno de “Prometheus” é tão decisivo. Aceitar a postulação de Scott faz parte do jogo, mas para isso é preciso estar disposto a encarar seu criador e pagar o preço.

Dele é a mão que cria. Seja o estilo e velocidade proposto por Ridley Scott, seja a misteriosa razão que provoca a criação da vida nos primeiros minutos de estonteante beleza de “Prometheus”. Dele é a mão que pune. A decisão de voltar a esse universo foi do diretor, que trocou a dinâmica sensorial pela grandiosidade do universo e o minimalismo dos agentes transformadores (“Grandes coisas tem começos diminutos” – David) ou do próprio criador arrependido ou cheio de ódio pelo sucesso excessivo ou fracasso retumbante de sua criatura.

O filme é contemplativo, transcorre em sua própria velocidade sem atender à expectativa do público para mais, mais e mais. Daí a justa comparação a “A Árvore da Vida”, de Terrence Mallick. E isso faz sentido. A vida também é lenta e acontece a despeito de nossos desejos. Tentamos transformar tudo, mas não somos mestres do tempo. Como diria Gandalf, “precisamos decidir o que fazer com o nosso tempo”, não como encontrar mais tempo ou acelerar o andamento das coisas. E Ridley Scott transporta esse elemento para “Prometheus”. Ele recria a vida numa situação tão próxima de seu fim. É como se ele traduzisse o conceito de dobra espacial para uma equação matemática, colocando início e fim tão próximos que as chances de colisão, ou anulação, aumentam a tensão e colocam tudo em risco.

É outro tipo de suspense, mas não uma nova Ficção Científica. Nisso Ridley Scott não ousou (deixando sua inventividade para os uniformes, capacetes com campo de visão total, a belíssima nave Prometheus e a tecnologia da Weyland). O roteiro de Lindelof transborda obviedade em alguns pontos, criando o clássico “set up / pay off”, ou seja, arma a situação para depois utilizá-la na conclusão (o casulo de sobrevivência, a máquina cirúrgica, os sonhos de Elizabeth Shaw), e apresenta falhas. Fato.

Entretanto, a eficiência técnica e o subtexto – há muito que ser visto, interpretado e inferido – incorporado a Prometheus supera o desejo do espectador óbvio ao sentar na cadeira disposto a montar um quebra-cabeça, do jeito que ele acha que deve montar, em vez de aceitar a obra pelo que ela é. A expectativa era inevitável, assim como sua quebra absoluta. Prometheus pode ser um grande filme se visto pelo que é, não pelo que torcemos tanto para que fosse.

Clássicos não nascem do dia para a noite. Eles são construídos. “Prometheus” encontrará seu espaço e sobreviverá a seus críticos, propondo questionamentos e desafiando mentes, maravilhando pelo visual e provocando pelo conteúdo.

Não diria que Ridley Scott fez de novo, nem foi sua intenção, ele mesmo me disse que “voltar ao gênero foi libertador, pois pode fazer o que bem entendeu e não ficou se preocupando com cada detalhe do primeiro filme [quem fez isso foi Lindelof]”, mas pode garantir que ele fez suficientemente bem para se destacar em meio a tanta oferta, num mundo novo em relação a “Alien” (mídias sociais, milhares de ‘críticos’, marketing excessivo, feira livre instantânea de opiniões, e com o gênero que ajudou a definir deveras usado, abusado e reinventado trocentas vezes), e ser lembrado.

“O gênero é um canal, não uma finalidade. Hoje posso estar voltando a fazer Ficção Científica, mas sempre fiz filmes, onde eles se encaixam é algo que não define o objetivo”.

Curioso notar que a nova dinâmica criada pelo sucesso desse estilo nas bilheterias transformou sua essência: filmes, ou séries de FC, nasceram como nicho, eram ignoradas e ridicularizadas pelo mainstream e por quem não gostava; hoje em dia, nós, os aficionados e adoradores, somos os primeiros a atirar asteroides dignos dos insetos de Robert Heinlein na direção de tudo e todos. O sucesso criou um mecanismo de falha compulsória embutido e, infelizmente, apertamos o botão ao primeiro sinal de problemas.

Em alguns anos, olharemos para trás com nova perspectiva. Mas com as mesmas perguntas. Fica a cargo das novas gerações redescobrir as perguntas, imaginar respostas e descobrir se, naquele momento, seremos dignos do sacrifício de Prometeu, cuja chama roubada nos guia enquanto seu sofrimento nunca acaba.

Nota: 9/10

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  • Victor Hugo

    Caramba.. muito boa a critica ao filme.. esta de parabéns!!!!

  • jonvit

    Por mais que tenha curtido muito o filme, recomendo esse post pra quem não vê falhas na narrativa: http://www.juliansanchez.com/2012/06/11/whats-wro

    Essas "coisinhas" me irritaram muito. Certo, grande parte dos problemas pode ser justificado ou corrigido em futuros filmes – e certamente esse foi o plano dos roteiristas e do Scott, mas grande parte parecem ser falhas ridículas e um roteiro muito mal escrito.

    É um fantástico filme pipoca, mas que morde muito mais do que consegue comer e acaba sendo superficial ao invés de instigar um debate filosófico.

    • Ed Jr

      Sobre alguns "errinhos" q muitos apontaram:
      1)A nave não estava mapeada quando os cientistas se perderam lá, aliás não havia nem sido descoberto que a caverna era um nave! As sondas ficam quase todo o filme mapeando..
      2) o capitão larga tudo pra dar uns pegas na Charlize. Nao é errinho né…
      3) Os co-pilotos resolvem se sacrificar junto com a nave e seu capitão, nada mais normal! Isso é classico.
      4) sim o capitão sabe q tem q destruir a nave, ele é um militar, e é superlucido quanto ao uso de armas quimicas, biologicas, isso fica claro como a agua no filme.
      5) o cientista se deixa hipnotizat pela "naja", que veio das larvas, certo, conhecço cinetistas que fazem é pior na vida real quando querem provar algo ou entram em contato com seus objetos!
      6) os personagens, os cientistas em especial, nao agem com verosssimilhança,aqui acho que temos um pulo do gato do filme que até agora não vi ninguem comentar, e me lembrou muito o Blade Runner: ESTAMOS NO FUTURO NAO SABEMOS AO CERTO COMO É O IMAGINARIO E A PSICOLOGIA DAS PESSOAS, EM ESPECIAL DOS CIENTISTAS, HÁ UM CLIMA SIM DE SUPERCIALIDADE E PRAGMATISMO DOS PERSONAGENS, QUASE TODOS, MAS ISSO ACREDITO EU PODE SER ENTENDIDO COMO UMA CARACTERISTICA DE UM MUNDO MAIS FRIO E DESUMANO, UM MUNDO MAIS SEM VALORES E MAIS FRIO E NILISTA DO QUE O NOSSO ATUAL.
      7) As cenas de ação do final nao são verossímeis, cenas de ação no cinema nunca são criveis! por isso chamam-se cenas de ação. quem não gosta não gosta e quem gosta gosta, e pronto, nao ha o que fazer… eu gosto e torci muito para que as duas não morressem no final.
      8) no site citado é dito que o filme devia ser mais narrativo do que simbolico, bingo!! o filme é mais simbolico, por isso algumas coisas sao mais corridas, isso pra mim foi acerto, não erro!
      9) cada um tem sua opinião sobre o filme e isso fará o que é acerto ser erro e vice-versa, eu acho q maioria das cenas está no lugar, somente 3 ou 2 cenas eu editaria melhor com o resto do filme, o que é muito pouco… O fime é econômico em termos de tempo, é tudo muito rápido, muitas coisas acontecem em pouco tempo q eles estão lá, gostei disso, não me soou falso, mas isso é minha opinião. Mas uma coisa é certa o filme provoca o debate! Ah provoca. Em especial provoca o debate sobre quem assiste o filme! Grandes filmes fazem isso…

      • Aplaudo de pé o seu comentário. Tem gente que tem sarampo na alma e paga de intelectualoide e fica procurando pelo em ovo.

        Triste, mas parece ser a natureza de alguns seres humanos.

        • jonvit

          Não é pagar de intelectualoide, cara, é esperar mais de um trabalho que não me agradou completamente e que claramente tem furos.

          Não disse nada demais, apenas minha opinião, a qual justifiquei com fatos.

          • To falando basicamente da critica do maluco lá que você postou, é cada argumento sem sentido que você vê que o cara estava apenas tentando achar algo pra dizer que não gostou, desmerecendo a obra, sendo muito mais simples ele dizer que não faz o estilo dele.

            Respeito não gostar do filme, mas os motivos desse gringo ai não faz sentido.

        • Aplaudo de pé o seu comentário. Tem gente que tem sarampo na alma e paga de intelectualoide e fica procurando pelo em ovo.

          Triste, mas parece ser a natureza de alguns seres humanos.2

          Hoje em dia isso virou uma PRAGA. TUDO é ruim TUDO tem furo e mimimimi e ainda posam de detentores do ''senso critico'' por isso não discuto mais com 'isso'' não vale a pena. é como diz o sábio. é se rebaixar e perder por falta de experiencia.

      • SilmarGeremia

        Tem gente que é muito chata mesmo.
        O cara faz realmente uma lista gigante com "defeitos" do filme. Cara, É UM FILME.
        Fui ver o filme completamente desarmado, não vi trailer, não li quase nada, nem sabia quem estrearia o filme e me diverti MUITO. Claro que tem coisas no filme que eu não gostei. Aliás, esse é um filme que vai ficar melhor ainda na versão do diretor, acho.

        PS.: A personagem da Charlize é muito chata, ELA eu queria que morresse.

        TFA

        Silmar

        • jonvit

          "É um filme" E isso quer dizer que não tem que ser bom? O Ridley Scott não imaginou Prometheus só como "um filme". Não é pagando de intelectual não, mas qualquer trabalho bem feito tem que ser… bem feito, oras. Tem que ser bem pensado, bem montado. Prometheus é uma obra de arte VISUAL, mas tem muitas falhas de roteiro.

          Eu também me diverti – e muito – vendo Prometheus, mas isso não anula o fato que há vários erros no roteiro (até que tenhamos explicações melhores ou uma palavra oficial dos produtores – q não virá – são erros sim).

          Cinema é arte. Arte é feita pra ser analisada, apreciada e julgada. Ser "UM FILME" não quer dizer que tenha q ser completamente mal pensado e agradável somente a quem esperava um blockbuster à la Michael Bay.

          • SilmarGeremia

            Não vou entrar no mérito da opinião, cada um tem a sua, nem precisa escrever isso, pq se é vc escrevendo, é claro que é a sua opinião.

            Mas, quando eu digo que é "só um filme" e de Hollywood, quero dizer que não é pra levar tão a sério, como estressar muito com os erros, pois ele é feito pra ser entretenimento acima de tudo.

            Acho que ir pro cinema hoje em dia é mais pra entreter mesmo, e eu deixo os erros passarem batidos mesmo, apesar de percebê-los.

            Aliás, os erros que mais me incomodam não são nem os erros científicos e estruturais de roteiro, mas aqueles que me tiram da imersão, do "mundinho" que a gente entra quando está vendo um filme (e teve vários durante o filme).

            Mesmo assim foi uma experiência muito divertida, das quais eu só tenho três ou quatro vezes por ano, pq Hollywood tá difícil, é muito filme ruim saindo.

            Abraço,

            Silmar

            PS.: Comparar com Michael Bay foi cruel :-)

  • FelipeSotana

    Excelente! Melhor crítica que já li sobre "Prometheus".

  • carlos

    Podem dizer o que quiser, vi o filme na sexta, e no domingo ainda não saiu da minha cabeça…Já é um clássico, mais um do Ridley.

    • carlos

      E Ridley, você já está com 74 anos, por favor, nem pense em mais 30 anos para uma sequência…rsrs. Vamos fazer como o combinado, daqui a dois anos…

  • Ótima crítica !

  • Jefferson Sampaio

    Espero que que o Barretão compareça no RapauraCast sobre Prometheus dessa semana, no aguardo …

  • Paulo Lima

    Ótima crítica!
    Mas ainda tenho a convicção de que grandes filmes não encontram barreiras nas expectativas de seu público, sejam elas positivas, negativas, megalomaníacas… Prometheus não supera as expectativas do "expectador óbvio", porque se desmancha em obviedades, tirando todo o trabalho do mesmo. Sua premissa é tão incrível quanto sua qualidade técnica, mas peca justamente em pouco instigar, em não "plantar uma inception". Ao sair do cinema, já não se tem tanto gosto de Prometheus na boca pra render um bom debate, ou simplesmente, pra recordar.

  • Henrique

    Barreto mais uma excelente crítica, e apesar de não ter gostado tanto do filme e achado um pouco decepcionante tenho que concordar que até agora estou pensando em algumas coisas do filme. E depois e ler teu texto resolvi dar uma outra chance para o filme, com certeza vou tentar ver com outros olhos.

  • nowadzki

    Não importa se o filme é na sua essência resoluto à proposta e ao universo do Alien 1. Muito foi feito pela franquia e muita cagada diga-se de passagem. Todo mundo gosta de continuações, prelúdios e explicações de mitologias e nada melhor que poder ver isso pelos olhos do próprio criador. Fica impossível não gostar.

  • matheus

    nota 2 de 25…

    A trilha utilizada na vinheta "comentando os comentários" é do podcast English as a Second Language", não é isso?

    Abraço.

  • matheus

    A crítica conseguiu ser melhor do que o filme.

  • Filmão filmão filmão… um dos filmes da minha vida, se duvidar é O filme da minha vida, até o momento… Só não dou nota 10 por causa do Guy Pearce, aquela maquiagem horrenda e pelo fato de não saber se vai ter ou não a continuação. Tudo depende de estúdio. E esse filme não é uma obra fechada – Merecemos saber o porque disso tudo! -.

    • Do 10 pela maquiagem horrenda, é um filme de simbolos e a imagem decrépta ele é mais um dos vários presentes no filme.

  • Parabens ao review! melhor que já li sobre o filme.
    Sinceramente nao esta muito motivado a assisti-lo – estava considerando apenas mais um apelativo baseado no filme Alien e branches mas agora, sobre esta ótica, estou bem empolgado para tirar minhas conclusoes! Obrigado!

  • Marcelo

    Que complexo!

  • Too much! Dá um tempo!

  • SilmarGeremia

    A crítica está excelente.

    Agora,
    cada vez mais me convenço que minha política de não ver trailers e ler o mínimo possível sobre os filmes antes de vê-los é a mais acertada.

    Eu simplesmente odiaria o filme se tivesse visto este trailer aí antes de ver o filme. Como fiz, achei o filme sensassional e fui surpreendido por cada cena.

    TFA,

    Silmar

  • Filipe

    Excelente critica, bem que podia estar no CCR.

  • André

    "milhares de ‘críticos". Curioso escrever isso, já que o próprio texto que o cito é fruto de uma resenha (e não uma crítica) claramente buscando algo a elogiar no filme e se preocupando menos em analisá-lo. "O filme é contemplativo". É sim em poucos momentos; no geral, a correria faz com que não exista nenhuma antecipação dramática para os eventos (a raiva do geólogo com o defunto, por exemplo, estourou do nada).

    Prometheus é covarde o suficiente para deixar pontas soltas tentando mascará-las atrás daquele papo de "perguntas são melhores do que respostas". Algumas das questões sem resposta são parte essencial da trama e fazem falta à lógica da história (por que eles queriam nos matar? por que nos guiaram até aquele lugar? como um deles sobreviveu? por que David muda de atitude com relação a uma determinada personagem?). Alguns filmes usam o mistério para trabalhar com o que ele causa (como Caché), mas, sendo essas questões não parte da história, mas a própria história (as personagens são unidimensionais demais para que exista qualquer tentativa de analisá-los através de um contexto diferente), elas deviam ser respondidas.

    "A crítica à natureza destrutiva do homem é clara". Onde? O homem saiu em uma jornada pelo conhecimento. Suas intervenções no ambiente não são destrutivas, ao contrário, até ajudam a criar vida.

    "deixam de ser agentes transformadores (…) nas coisas a serem transformadas". Novamente devo perguntar: onde? (isso pode até aparecer no filme, mas a crítica deve basear seus argumentos em situações do filme, citando exemplos). Qual é a transformação pela qual o homem passa no filme?

    "Somos tirados da zona de conforto com a resposta à grande pergunta" Que resposta? Não há resposta – a menos que esteja se referindo ao início do filme, uma "resposta" tão impactante e incômoda que já havia sido usada pelo fraquíssimo "Missão Marte".

    "em vez de aceitar a obra pelo que ela é". Esse foi o ponto que me motivou a escrever esta longa resposta. Uma resenha rebuscada e vazia tenta ignorar as falhas do filme e colocá-las no público? O questionamento entre "público x arte" até pode ser interessante, mas não quando utilizado como argumento de "se você não gostou, não é inteligente o suficiente para entender". É um argumento raso, arrogante e pretensioso.

    Digno de Prometheus, se for parar pra pensar.

    • Jota

      Ok chatonildo, pode voltar pro omelete.

    • Sheila

      Sim André, o que se poderia esperar de um filme cujo roteiro foi escrito por um roteiristsa do "Lost"? Aquela série foi uma tentativa de ver se ao mudar de assunto a cada semana, eles conseguiriam manter a atenção do público. Não tinha fermento para desenvolver as próprias propostas. Mas é isso aí, a FC também reflete este vazio pelo qual passamos.

  • Quaaaanta palavra bunita pra argumento de menos!

  • Fabio Barreto é foda!

  • Deborah

    Nem sei quantas críticas li sobre o filme… e essa foi de longe a melhor. Parabéns!

  • cartasdocaos

    Sensacional! Sensato e sensível! Enfim alguém que parece ter assistido o mesmo filme que eu! Valeu!

  • Talvez pra quem é super fã, seja difícil separar o Prometheus dos outros trabalhos do Ridley Scott. O texto tem muito mais do que o filme… e não porque o filme era subjetivo, mas porque ele simplesmente não deu conta. Bom filme? Sim. Tudo isso? Não na minha opinião… Mas quem disse que isso ruim? Entretenimento é sempre válido =D

  • NILSON

    Quem viu Alien o oitavo passageiro, sabe que esse Prometheus tem o roteiro mais covarde q já se viu no cinema, pois tudo caminhava para o inicio do primeiro filme do alien (mesmo o Ridley Scott afirmando q não seria um prequel) e no final, do nada, ele resolve “dar pra trás” e mesmo criando o alien por acidente (afinal não é toda vez q se cria uma forma de vida alien engravidando uma humana, e não me venha com não foi gravidez porque existia cordão umbilical) ele não coloca o et gigante acordando (como o hospedeiro da contaminação do primeiro filme do alien) se sentando no cockpit de sua nave e o alien-mãe saltando de seu estomago e colocando duzia de ovos em hibernação na nave antes de morrer, exatamente o cenário do começo do primeiro filme.
    e isso tudo pra q ele pudesse colocar numa continuação que tb não vai explicar [email protected] nenhuma (fechar o filme redondinho,q é bom, NADA)
    O espectador é representado pela protagonista q quer acreditar e procura uma resposta que NÃO EXISTE.

    • …prefiro pensar numa história mais complexa: existem várias naves de equipes de Engenheiros em diversos planetas, conduzindo sabe-se lá o quê com diversas espécies de seres estranhos. Quem dirá que no planeta do primeiro Aliens era outro? O que aconteceu com David sem corpo e a cientista? O que sucedeu com a espécie que sai do Engenheiro no final do filme? O que realmente acontece com quem ingere a substância negra, porque temos uma dica na abertura do filme? A nave enviou todos os dados para a sede da Weyland, na Terra? Fica evidente que na trilogia de Aliens, esta corporação queria os espécimes para usar como arma biológica, e foi esta a motivação oculta deste reboot?

      …como pode ver, prefiro pensar nesta obra de Ridley Scott como um exercício de imaginação, o que prefiro fazer do que criticar puramente qualquer coisa que eu assista sem um critério mais profundo do que dizer "que porcaria".

      • A cientista provavelmente morreu de fome a não ser que David criasse alimentos sintéticos para ela poder sobreviver.

  • superangetrox

    Fábio M. Barreto gostei muito do que você escreveu… estarei sempre acompanhando os seus comentários e críticas. Quanto a Prometheus o gosto é agridoce como já postei várias vezes… mas ninguém imaginou o filme desse jeito que ao meu ver já o torna diferente, claro que embora tenha lido e relido a proposta do Ridley esperava muito mais, no sentido de que eu quero muito os aproximadamente 20min extras… embora inicialmente ele falou que não teria versão do diretor, mas é impossível porque vemos claramente que o que foi registrado, o que os atores viveram não está tudo no filme… gostaria que ele não tivesse limitado a 2h porque eu e qualquer um assistiria a 3 horas de Prometheus com certeza… mas fazer o que… aguardaremos mais informações enquanto isso vamos comentar… porque mesmo você não gostando de PROMETHEUS falaremos dele por muito tempo.

  • NILSON

    É coisa de filme B:
    – Milionário financia uma entrevista com ets e não providenciar o mínimo de segurança (ele tinha mais fé, que a protagonista).
    – Até Buzz lightyear sabe que não se abre o capacete de um astronauta em um ambiente estranho.
    – Criar uma morte idiota (não se corre reto para fugir de uma rosquinha sendo q outra pessoa só rolou para o lado e se livrou da mesma) para um personagem (a filha do ricasso) achando q o público ia se sentir vingado do fato dela ter feito o correto (impedir q um individuo extremamente irresponsável contaminasse o restante da nave).
    – Ser contratado para um trabalho (biologo e geologo), perder dois anos da sua vida dormindo, e quando chegar na hora dizer “o meu Deus! um corpo de et morto a milhões de anos me recuso a fazer meu trabalho, vou voltar e ficar dois anos dormindo até voltar pra casa, vou voltar pela caverna pelo mesmo caminho q vim, afinal eu sou geólogo, reconheço as formações rochosas por onde passamos”
    “Nem precisa agente tem comunicadores, quando vcs sentirem a falta de um veiculo lá fora, saibam q foi o q nós usamos para voltar a nave, ou vcs ia achar q eu biólogo, ia para pra beijar uma forma de vida completamente desconhecida? sendo q até um ferrão de arraia mata biólogos famosos”.
    – A presença de zumbis denota filme classe B.
    – O q fez o público ansear por uma continuação no alien I foi uma criatura extremamente interessante e um roteiro sem pontas soltas, não um filme com um roteiro ridiculamente incompleto, e uma criatura (gosma preta) sem nenhuma característica definida.
    – A proposta de o Hobbit, de Volta para o futuro II e III, o Senhor dos Aneis II e III, é quebrar o roteiro para ter continuação no filme seguinte, mas nesse caso parece mais com Eragon, um arremedo de filme q vai se explicar (ou vai deixar Fabio Barreto, viajar na maionese de sua própria explicação) nos próximos 20 filmes.

  • NILSON



    !

  • Irineu

    Ola,pessoal
    O que entendi do filme.
    O cara que se sacrificou deu origem ao homem,DNA igual.
    Os símbolos,não eram convite e sim um alerta,e pedido de socorro.
    O planeta era o vilão, os carecas tavam tentando fugir do planeta mas não conseguiram .
    A carga que eles levavam era para ajudar e não destruir só que ao entrar em contato com o ar do planeta se modificou em algo que eles não queriam,e tavam tentando fugir.
    Os cientistas não sabiam o que estava acontecendo e perderam o controle de tudo e julgaram que os carecas eram destruidores.

  • Leonardo Henrique

    Assisti ao filme com quase 2 meses de atraso…

    Bom alguém poderia me dizer qual foi a intenção do andróide em fertilizar a pesquisadora Shaw através do namorado dela???? Não deram muita importância a isto no filme, e ela se quer questiona como isso aconteceu…

    Os engenheiros estavam fugindo de quem afinal? Daquelas criaturas que eles mesmos carregavam na nave para trazer até a terra? Eles estariam trazendo até a terra os embriões do alien??? Foram pressionados a isto???

    A unica coisa que ficou claro pra mim, os engenheiros vieram a terra no passado para perpetuar sua espécie, acho que é isto.

  • Ai vem a produtora FOX e joga na lama qquer argumento sobre o filme. Mais um blockbuster e só.

  • Rômulo Krause

    Melhor crítica que já li sobre o filme. Parabéns!

  • Gilberto Miranda

    Gostei bastante da crítica ressoa bastante a minha visão do filme, apenas gostaria de oferecer minha interpretação, alternativa à sua, a uma questão central:

    Scott é extremamente pessimista, e acredito, isso enviesa sua percepção das questões apresentadas. Na minha visão, discordo da perspectiva de consenso, de que estava “o próprio criador arrependido ou cheio de ódio pelo sucesso excessivo ou fracasso retumbante de sua criatura”…

    Entendi o filme da seguinte maneira: Se existir um criador da humanidade, é um erro antropomorfizá-lo. Ele certamente não é humano e não pode ser medido por nenhum tipo de escala humana, certamente que não a escala humana moral. A hipótese de Scott é que Deus é por definição desumano!

    Deus não quer destruir a humanidade, quer utilizá-la. Deus certamente está além do limiar biológico, não está nem vivo porque não morre. Do meu ponto de vista, o Engenheiro na nave não estava ‘vivo’ e nem ‘morto’. Foi ativado! Está além do limiar biológico. Imagine uma espécie capaz de separar corpo e mente (ou consciência). Simples assim.

    Da maneira que entendo, somos um subproduto para gerar a criatura que Deus quer ver pronta, o Alien. (É, aquele baratão imenso!) No primeiro filme, ele é altamente inteligente (consegue compreender tecnologia em nível instintivo!), eficaz, agressivo e fisicamente perfeito (os outros filmes, um pouco mais simplórios, o reduziram a um tipo de besta selvagem). Ele tanto pode ser uma arma de Deus, quanto pode ser a “perfeição de projeto” que o mesmo almeja. Considere que somos todos (e tudo é) “software”… Achei esse aspecto muito interessante, Ian Holm chama o Alien original de “O Filho de Kane”. Não. Ele, em algum sentido (assim como nossos filhos também o são) É KANE!

    Nesse caso a terra é uma granja. E nós somos um bando de ridículos patéticos que entendeu tudo errado. Não era pra ir lá. Não era pra mexer em nada daquilo. Somos uma mera etapa de um processo de produção. E acho que quando é ativado, o Engenheiro apenas percebe que pode retomar o planejamento original. E os ratos de laboratório malucos simplesmente entram em pânico.