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A saga de uma mãe que escondeu sua gravidez dos robôs rastreadores da internet

Ela não queria ver anúncios relacionados à chegada do seu bebê, e fez disso um experimento social

28.abr.2014

Basta uma simples cotação de passagens de avião para o feriado, ou quem sabe uma pesquisa rápida sobre pousadas em uma cidade próxima, para que as propagandas exibidas no seu Gmail, Facebook e em outros banners da sua navegação se tornem uma enxurrada de sugestões de itens relacionados.

Baseado nos dados rastreados das suas compras anteriores, itens pesquisados e até interações sociais, os anúncios de muitas plataformas digitais são segmentados para exibir conteúdos do mesmo ramo – o que, irritantemente, não te deixar esquecer nem por um minuto do seu interesse (mesmo que breve) naquele tema.

Janet Vertesi, professora assistente do curso de sociologia da Universidade de Princeton, nos EUA, não queria ter essa irritação durante os meses em que estava grávida. Para evitar ficar soterrada com propagandas de carrinhos de bebê, roupinhas, chupetas e toda sorte de itens para recém-nascidos, ela fez quase que uma cruzada pessoal contra o rastreamento de dados através de cookies e de robôs coletores de dados. Ela contou sua saga em uma apresentação na conferência Theorizing the Web, que aconteceu em Nova Iorque no último fim de semana. “Essa é uma história com uma perspectiva bem pessoal, sobre o esforço que é necessário para evitar ter seus dados coletados, ser rastreado e inserido em bases de dados”, explica ela.

O assunto é sério, mas ganha ares cômicos de acordo com que ela conta os detalhes das suas estratégias, como o uso de vales-presentes para compras online (para evitar que a bandeira do cartão de crédito identificasse os itens comprados), preferência por pagamentos em dinheiro, uso de serviços de emails pagos, entregas realizadas em uma caixa postal, e até mesmo o uso do navegador Tor, para evitar que seu acesso fosse rastreado.

“Eu praticamente concorri ao prêmio de Uso Mais Criativo do Tor. Ele ganhou má fama por ser usado para compra de drogas e de bitcoins, mas eu o utilizei para acessar o site BabyCenter.com”

Houve também toda uma força-tarefa para evitar que a gravidez fosse mencionada nas redes sociais. Janet fez ligações e mandou emails para todos os seus familiares, contando a novidade e pedindo a eles que não comentassem nada sobre isso no Facebook, nem mesmo através de mensagens privadas. “Muita gente não entendia que nem as mensagens privadas não eram realmente tão particulares assim”, contou, esclarecendo que chegou a tomar medidas mais drásticas, como remover um tio da sua lista de amigos do Facebook após ele ter enviado a ela uma mensagem felicitando pela chegada do rebento.

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Será que um futuro onde tudo o que fazemos pode ser rastreado, medido e monitorado é mesmo um caminho sem volta?

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O mais curioso, contudo, é que parte do esforço dela em não ser monitorada e rastreada acabou ativando alguns alarmes das instituições financeiras e do governo. Ao tentar adquirir 500 dólares em vales-presente da Amazon para a compra de um carrinho de bebê, o marido de Janet foi avisado que aquela compra seria reportada às autoridades, por ser considerada um comportamento suspeito. “Essas iniciativas [de tentar evitar o rastreamento] são exatamente as mesmas que indicam que você poderia estar se preparando para uma atividade criminosa, e não apenas comprando itens para o seu bebê”, contou ela, que aproveitou para provocar: será que algum dia será possível fazer compras e navegar pela rede escolhendo quando queremos oferecer nossos dados pessoais de navegação para as plataformas?

Winter Mason, cientista de dados do Facebook que também estava nesse painel da conferência, não acredita que isso seja possível daqui para frente. Considerando que o uso de informações pessoais para exibição de publicidade é um dos pilares do negócio do Facebook, ele não poderia dizer nada diferente, né?

Será que um futuro onde tudo o que fazemos pode ser rastreado, medido e monitorado é mesmo um caminho sem volta?

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    além do próprio B9

    • Luciano Leão

      boa kkk

    • Victor

      Onde você consegue essa informação?

      • Ghostery extension pra Chrome

  • Felipe Saldanha

    Não dava para simplesmente usar o AdBlock?

    • Luciano Leão

      kk

    • RafaelLisboa

      Foi isso que eu pensei inicialmente, mas acho que o Ad block vai apenas mascarar os ads que aparecem naquele navegador. Os dados continuam sendo coletados, não?

      • Felipe Saldanha

        Não sei ao certo, talvez os códigos de rastreamento embutidos nos anúncios nem cheguem a ser carregados. Porém, parece que essa mãe estava mais preocupada em não visualizar propaganda do que em não ter seus dados coletados. Se ela quisesse se prevenir completamente contra esse rastreamento, não poderia sequer ter uma conta no Facebook.

        • RafaelLisboa

          Bem, se ela só queria realmente não ver os anúncios, foi um pouco “ingênua”… o ad Block funciona com perfeição há anos pra mim. Já quanto a coleta de dados, concordo com os amigos…

  • Gabriel Maciel Campanini

    E o que isso trouxe de bom para ela ou o bebê? Qual a conclusão do experimento? Deve ter algo além de dizer que “estamos sendo monitorados”, porque isso é chover no molhado.

    • Marina Rodrigues

      Partilho dos mesmos questionamentos: qual a conclusão?

    • jacquelinelafloufa

      Oi, Gabriel – acho que o principal ponto do experimento é mostrar o tanto de trabalho que dá ‘fugir’ desse monitoramento. Não sei se havia uma hipótese a ser comprovada ou refutada, ou se o objetivo era o de chegar a uma conclusão. Contudo, acho que o relato da mãe é interessante por mostrar quão complicado é se esforçar em não ser rastreado, e quais as implicações de tentar fazê-lo (como o caso em que a compra de diversos vales-presentes acabou acionando alertas do governo e de instituições financeiras, como atitudes de quem está prestes a cometer um crime).

      • Gabriel Maciel Campanini

        A minha encrenca com qualquer texto que fale sobre esse tipo de monitoramento (para anúncios) é que eles nunca falam qual é a consequência de o Facebook ou o Google saber do que você gosta, ou o que você come, ou se está esperando bebê.

        Porque essa consequência não existe. Não existe nenhum dano sendo causado a você pelo fato de o Foursquare saber que você come sushi. Assim como não existe nenhuma vantagem em esconder essa informação. Ela só deixou de ver anúncios voltados para ela sobre a gravidez. Mas mesmo assim via anúncios, aqueles de “como ganhar dinheiro em casa”.

        Analise friamente e você verá que esse estudo não leva a lugar nenhum.
        – É difícil esconder informações pessoais das grandes corporações.
        – Pois é, elas estão sabendo de tudo.
        – Que coisa né?
        – É…

        • felipe

          Discordo do teu comentário. O objetivo desse trabalho dela é como é dificil manter a privacidade na internet. Talvez pra ti não seja importante se o facebook, google e afins saibam se tu gosta ou não de sushi, mas pra algumas pessoas importa, sem contar que hoje pode ser sushi quem sabe o que o amanhã reserva.

          Porém respeito tua opinião ;)

        • Gabriel, não pense em termos de “consequência”, mas em termos de “significado”. Esse quadro de monitoramento é – em si mesmo – uma violação da privacidade, um desrespeito ao direito à intimidade, porque restringe a liberdade de cada pessoa – quanto aos metadados do uso de Internet – dizer qual parte da sua vida (online e offline) é pública, e qual parte é privada.

  • layloca

    Adorei a tradução de “all sort of things”: “…carrinhos de bebê, roupinhas, chupetas e toda sorte de itens para recém-nascidos”

    • layloca

      Toda sorte de itens para recém-nascidos

      • jacquelinelafloufa

        Oi, Layloca,
        Não entendi o seu comentário. Eu usei a expressão “toda a sorte de” para referir variedade.
        Segundo o Houaiss:
        “toda sorte de
        completa variedade de; conjunto de (coisas, pessoas) as mais variadas”

        • layloca

          Entendi, faz sentido… Obrigada por esclarecer :) Adorei o texto

        • Aline Marques de Oliveira

          Acho que o que a Layla quis dizer é que não é muito comum usarmos esta expressão no português que é mais comum no idioma inglês (de onde parece ter sido traduzido). Aqui falaríamos “todo o tipo de itens para bebês…” ou “qualquer tipo de itens para bebês…”. Esta tradução literal apenas não pareceu natural. :)

          • Na verdade, há a expressão “itens sortidos”, que é sim bem comum. E o termo “toda a sorte de XIS” também é levemente popular. Google it.

          • Aline Marques de Oliveira

            Não falei que não existe a expressão, só disse que não é tão comum no nosso idioma.
            “Itens sortidos” sim, é bem popular, mas a construção que foi usada foi “toda a sorte de itens”, que é não é tão comum.

            Quando usamos a palavra sorte como um substantivo, o primeiro significado que vem à cabeça é a que tem relação com destino/fado.

            Na verdade, usei uma ferramenta do Google para comprovar o que digo: comparei no Google Trends as duas construções, e claramente, “toda sorte de” é muito menos comum.que “todo tipo de”

            http://www.google.com/trends/explore#q=%22toda%20sorte%20de%22%2C%20%22todo%20tipo%20de%22&geo=BR&cmpt=q

          • Carlos Vergara

            Sempre ouvi essa expressão, inclusive faço uso dela às vezes. Não vejo nada demais nessa expressão.

          • Pedro Luis Prospero Sanchez

            Ainda que não fosse usada a todo momento, quando no Brasil se sabia português essa expressão era usada para toda sorte de coisas. :-)

  • exidco
  • Marina Rodrigues

    O assunto é muito interessante, mas o texto está tão mal escrito, com tantos erros de concordância e de fluidez que dá desânimo de ler até o final.

  • Richard
  • Buga

    Em “uso de vales-presentes para compras online (para evitar que a bandeira do cartão de crédito identificasse os itens comprados), ” é uma afirmação de quem não sabe o que está falando!