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Expo 2015: O mercado do futuro

E aparentemente, acham que vamos continuar comprando do mesmo jeito

22.set.2015
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Na contramão de uma série de tendências que apontam para um ganho de força cada vez maior da produção local aliada ao ambiente digital para a realização de compras, os italianos exibiram a sua visão do que será o supermercado do futuro, dentro do Future Food District na Expo 2015.

O projeto é bancado pela Coop e conta com a concepção da Carlo Ratti Associatti. E o que era para ser um passeio pelo que imaginamos ser o ambiente em que compraremos nossa comida e outros itens domésticos no futuro tornou-se uma enfadonha exibição de conceitos talvez ultrapassados até pela tecnologia de hoje. Um monte de telas que vão avisar tudo sobre o produto que estou pensando em tirar da gôndola? Acho que já tem um app para isso. Um robô que vai pegar a fruta para mim quando eu apontar qual eu quero? Soa como uma máquina de Rube Goldberg… E sinceramente, não vai ser no supermercado que vamos querer saber todas as informações sobre a fundação da Barilla.

O mercado funcionava de verdade, isto é, todos os produtos dispostos ali estavam realmente à venda, e o caixa era de autosserviço, ou seja, após jogar tudo no carrinho, ainda era necessário passar toda a compra nos leitores de código de barras e então calcular o preço final, que seria passado num cartão de crédito comum. Tão futurístico quanto qualquer farmácia nos EUA.

Soa interessante a visão de que teremos produtos impressos e conservados de uma maneira que minimize a necessidade de freezers e grande consumo de energia

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Até QR Code eles ressuscitaram, sendo que existem apps para vinhos que reconhecem marca, uva e safra pelo rótulo. Não acredito que haverá muito mais gente escaneando QR Codes num trambolho no supermercado do que existem hoje em dia.

Sobre o tipo de produto que levaremos do mercado, há um vídeo explicando sobre a impressora 3D de alimentos que permitirá a inteira customização de uma refeição que será embalada no fim a vácuo para preservar o frescor. Soa interessante a visão de que teremos produtos impressos e conservados de uma maneira que minimize a necessidade de freezers e seu grande consumo de energia. Ainda que as opções de customização tenham sido pequenas (só um tipo de prato feito em que se poderia variar o formato da carne), há na proposta o que talvez seja o único palpite futurista de toda a instalação.

Num rápido resumo, o conceito desenvolvido esqueceu-se da maior conectividade das pessoas e apenas soou como o bom e velho supermercado que tomou um banho de lojas, mas que continua sendo o mesmo em sua essência. Com tantas ameaças ao grande varejista – questionamentos que vão desde as políticas adotadas com fornecedores à demanda por produtos menos industrializados e comprometidos com o meio ambiente – não dá para apenas pagar de descolado colocando publicidade em hologramas e umas telinhas interativas, não é? Além de desconectado com a tecnologia atual, o mercado do futuro nasce velho porque é inteiramente substituível por um web app que entregará todos os produtos em casa.

Esperávamos mais, ainda mais sendo o Arduino uma invenção italiana. De excelente surpresa, só mesmo o Parmigiano Reggiano consumido durante as filmagens, que até hoje é lembrado com muita saudade por todos aqueles que o provaram (no caso, eu e Luiz Hygino, o diretor do filme acima).

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