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Pacto do Rio: design thinking para resolver problemas urbanos

Resolver os problemas das cidades demanda planejamento e organização da criatividade

9.nov.2015

Outra boa iniciativa que conhecemos nesta Semana Design Rio é o pessoal do Pacto do Rio, iniciativa articulada entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil para pensar melhores soluções de desenvolvimento sustentável para o Rio de Janeiro, de modo a integrar a população e buscar a equidade de oportunidades.

Falando apenas assim, parece um discurso vazio. E o que diabos algo que parece uma ONG estava fazendo em um evento de design?

Uma das pessoas que ajudou a tirar a ideia do papel é um designer, ou melhor, um design thinker. Rique Nitzche apresentou o tal design thinking a uma das organizadoras do Pacto, Eduarda La Rocque, então na administração da Prefeitura do Rio, de Secretária da Fazenda a presidente Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. A ideia de ouvir diferentes partes da sociedade para elaborar ações concretas do poder público aliada a processos de cocriação bem pragmáticos transformou uma primeira reunião em grupo de discussão, um grupo em diferentes grupos e eventos e os diversos anseios em direcionamentos para as ações prioritárias e que demandariam articulação entre governos, empresas parceiras, academia e outros grupos.

Surge então a organização, incubada dentro da administração enquanto La Rocque esteve na Prefeitura. Hoje, funciona como um grupo articulador de interesses com capital composto por poder público (10%), empresas, acadêmicos, grupos e ONGs, população e outros organismos internacionais.

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ouvir diferentes partes da sociedade para elaborar ações concretas do poder público aliada a processos de cocriação bem pragmáticos

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Entre as primeiras ações, destacam-se o levantamento de demandas jovens nas comunidades pacificadas do Rio de Janeiro, de modo a entender com pesquisas quais são as áreas que apresentam maiores vulnerabilidades ao estado alternativo oferecido por milícias e crime organizado. As informações foram geradas por censo realizado por jovens moradores das comunidades, que receberam treinamento e informação de universidades parceiras.

Mas funciona? Enquanto projeto, o Pacto do Rio foi lançado oficialmente no final de 2014, depois de alguns anos de discussões e estudos. Difícil pedir resultados tão cedo, mas é certo que a maneira que o grupo diz conduzir as decisões parece correta. Também é certo que a iniciativa oferece alternativa ao pensamento que espera apenas do poder público a articulação com iniciativa privada em prol de melhorias efetivas de moradia, mobilidade e saneamento. Se sucumbirá a interesses de um determinado grupo ou se servirá apenas de vitrine para alguns interesses pessoais, só o tempo poderá dizer.

E podemos pelo menos vislumbrar o caminho: não dá para discutir qualquer aspecto de futuro se todos não puderem participar ativamente das discussões, não é?

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