Birth of a Nation

“The Birth of a Nation” bate recorde como a maior negociação do Festival de Sundance

Filme foi comprado por 17.5 milhões pela Fox Searchlight. Netflix ajudou a inflacionar o preço.

26.jan.2016

O Festival de Sundance é sobre experimentação, diferentes vozes e nichos. Mas também é uma excelente mesa de compras para os grandes estúdios de cinema. Todo mês de janeiro, executivos – com milhões de dólares no bolso – vão para Park City, em Utah, em busca do que virá a seguir na indústria.

Este ano tivemos um recorde. “The Birth of a Nation”, do diretor Nate Parker, foi comprado pela Fox Searchlight por 17.5 milhões de dólares.

É o maior valor já pago por um filme em Sundance. O recordista anterior era “Pequena Miss Sunshine”, adquirido por 10.5 milhões de dólares pela mesma Fox há uma década.

A Netflix teria feito uma oferta de 20 milhões de dólares

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“The Birth of a Nation” foi aclamado por quem viu, e conta a história de uma brutal rebelião de escravos em 1831. Nate Parker escreveu o roteiro, dirigiu e atuou no filme, cujo título faz referência ao “The Birth of a Nation” mudo de 1915, a famigerada obra racista de D.W. Griffith.

O alto preço, porém, não foi apenas por conta do potencial do filme nas bilheterias e premiações. Segundo o Deadline, a Netflix teria feito uma oferta de 20 milhões de dólares por “The Birth of a Nation”.

A agressividade dos serviços de streaming nessas negociações, incluindo aí também a Amazon, ajuda a inflacionar os preços. Só não conseguem vencer ainda o desejo dos produtores por grandes lançamentos em cinemas e milionárias verbas de marketing, já que a distribuição apenas online ainda sofre preconceito por parte do mercado.

Por outro lado, “The Birth of a Nation” aparece em um momento propício de discussão sobre diversidade no cinema, com a maior premiação da indústria dominada por brancos em 2016.

Comente

  • Rafael Eugênio S. Correa

    pô, sobre a questã mercadológica, não tem como lançar no cinema e, simultaneamente ou não, no netflix???

    • Hess Grigorowitschs

      A galera do cinema jamaaaaais iria topar isso, por acreditarem (estando certos ou não) que a maioria esmagadora dos expectadores iria preferir ver o filme de graça no Netflix a pagar pra ver no cinema. Discussão semelhante a que vc propôs surgiu com o tigre e o dragão 2, vale a pena dar uma procurada ;)

    • A Netflix tentou com “Beasts of No Nation”. As redes de cinema ameaçaram de boicote, pois não queriam que o filme estivesse disponível online ao mesmo tempo, e nas poucas salas que foi exibido não teve grande público.

      Consequência ou não, o filme foi completamente ignorado no Oscar. Alguns dizem que o preconceito por ser streaming – e não um grande lançamento nos cinemas – foi o principal motivo.

      • Mariana Neri

        Talvez, se ao invés de promover um boicote e promovessem o filme anunciando duas disponibilidade nas duas mídias ele poderia ter mais visualização no mercado, teoricamente!

        Porque daí, é só o público escolher onde lhe agradaria mais assistir. Ou não? Muito utópico?

  • Rene Junior

    Quando no cinema, Final do ano só?