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Crianças decorando painel na parte de criação do SxSW

SxSW 2016: “O mundo é bão, sebastião”. Pode confiar.

Um leque de possibilidades criativas e empoderadoras pra pessimista nenhum botar defeito

14.mar.2016
seção apresentada por
SxSW 2016

Foram dois dias imersos em mais de 10 conversas sobre empoderamento feminino e discussões de gênero, sobre as coisas incríveis que a Geração Z está fazendo acontecer, sobre o olhar dos dados na construção de políticas públicas mais humanas… Foi uma imersão de positividade.

Hoje vou dedicar o texto a falar das nossas crianças. Essa Geração Z vem com tudo e está dominando as discussões do SxSW. Mas eles não são de bullshitagem. O negócio é mão na massa, colocar a ideia em prática.

Tem muito Y e X que poderia descer dois degraus e simplesmente abrir espaço para conversas com uma galera que está cheia de vontade e energia para fazer o mundo girar, mas ainda está no Ensino Médio. E me pergunto: porque não estamos mais próximos das feiras estudantis? Porque os espaços abertos em empresas e agências de publicidade/comunicação se limitam a “vamos contar para vocês como funciona isso aqui”.



Está na hora de mudarmos o tom. Passou da hora. Temos que sentar do outro lado da mesa e perguntar: “e aí, o que vocês estão fazendo por aí que pode nos ajudar, ou inspirar aqui? Qual a sua paixão?”. Explico: em comum aos jovens empreendedores temos 3 ingredientes: paixão, internet e empoderamento. O que antes ficava restrito ao mundo das grandes universidades e centros de inovação e indústrias, agora é acessível a todos. Num dos painéis sobre geração Z (Generation Z: science fair to science fact: gen z scores an A) ouvi de um dos jovens palestrantes:

O que antes ficava restrito ao mundo das grandes universidades e centros de inovação e indústrias, agora é acessível a todos

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“Use sua paixão para lutar por mudanças. Depois vá até o YouTube e procure como fazer isso”, disse Pia Sen. Ah, e se não acharem por lá a resposta, eles acrescentam: “perguntar no Facebook e no Twitter também ajuda”.

Apresento então a Pia Sen, como ela mesma se define: “sou uma engenheira biomédica aspirante com uma paixão para a robótica, microbiologia, biologia molecular e debate político”. Pia tem 16 anos e “simplesmente” descobriu uma forma de tratar bactérias cancerosas resistentes a antibióticos. O incentivo? Veio do professor de Ciências e do aprendizado de robótica. A soma das disciplinas na vida dessa garotada traz um exponencial gigantesco quando pensamos em internet como meio pra esse aprendizado.

Crianças em oficina usando robôs e madeiras; e painel pintado por crianças para enfeitar Austin

Crianças em oficina usando robôs e madeiras; e painel pintado por crianças para enfeitar Austin

Assim como Pia, vi mais uma vez o Shubham Banerjee, menino que criou, aos 12 anos, uma impressora feita de LEGO que imprime em braile. Shubham tinha um LEGO Robotics e pensou “porque não tentar?”, depois de uma conversa com um amigo cego. Sem contar com o projeto empoderador de Salina Visram com a mochila que capta luz solar e serve de fonte de energia para os estudos das crianças no Quênia. E, para terminar, uma alternativa no campo da medicina criando por um jovem preocupado com sua avô por conta de Alzheimer. Keneeth Shinozuka desenvolveu um sensor que ajuda na segurança das pessoas com esse tipo de doença, avisando seus cuidadores quando elas se levantam da cama.

Enquanto os negócios não estiverem na mesma direção que a da sensibilidade, continuaremos criando iniciativas premiadas, mas sem impacto social

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Qualquer uma dessas ideias poderia ter saído dos centros de inovação ou a partir do desenvolvimento grandes marcas. Talvez a diferença esteja para a seta que aponta para onde está o propósito. Enquanto a seta do modo business não estiver na mesma direção que a da sensibilidade, continuaremos criando iniciativas premiadas, mas sem impacto social, impacto real. Enquanto a máxima “cada um no seu quadrado” permear o universo das agências e empresas não entraremos no mood de misturar as disciplinas e perceber a potência que sai disso.

Enfim, que estejamos abertos a entender qual o nosso papel nessas histórias, que sejamos mais acessíveis, porque com espaço e apoio, a gente pode fazer parte da corrente do bem que está transformando o mundo.

O futuro é tão brilhante…

#BrasilAtSXSWA cobertura B9 do SxSW 2016 tem apoio da Apex-Brasil

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