Clicky

Capa Mamilos 61, usando o template do programa (as capas são sempre iguais, com o logo do programa, só personalizadas com nome, número e fotos). Título: Libertação animal e paternidade.  Na capa constam também as fotos de Rodrigo Hilbert e de um pai negro segurando seu bebê.

Transcrição Mamilos 61

Jornalismo de peito aberto

21.mar.2016

A transcrição do Mamilos 61 é resultado do esforço coletivo dos Melhores Ouvintes: Rafael Coiro, Fagner Coelho,
Jonas Rocha, Ysabel Myrian, Gabriel Joseph e Ana Flávia Tavares.

Obrigada seos lindos <3

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Locutores: Cris Bartis, Ju Wallauer, Caio Corraini, Itali e Marco Túlio.

Vinheta de abertura: “Este podcast é apresentado por: B9.com.br”

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Cris: Bem vindo ao Mamilos! Mamileiros e mamiletes, esse é o nosso número 61. Eu sou a Cris Bartis e a aniversariante da semana…

Ju: Ju Wallauer.

Cris: Juntas estamos aqui, com as nossas parcas energias para conversar com vocês mais uma vez. Vamos juntos?

Ju: Som do Mamilos. Caio, nosso eterno ministro, rola a poderosa da Karol Konka hoje?

Caio Corraini: Olá, personas! Corraini aqui novamente para trazer a vocês os responsáveis por dar mais cor, mais cheiro e mais vida ao Mamilos dessa semana. Lembrando sempre que se você quiser colaborar com o conteúdo musical deste programa, você pode nos recomendar bandas independentes brasileiras no e-mail: [email protected] e hoje nós iremos ouvir a Karol Konka. Uma rapper de Curitiba que desde os seus 16 anos vem acreditando na música como uma forma de expressão, então fiquem aí com a Karol Konka no “Som do Mamilos”.

Cris: E tem beijo? Tem beijo para Pentecostes no Ceará.

Ju: Para Miami.

Cris: Para Catuçaba em São Paulo, Especial pra querida Yentl.

Ju: Para Guarapari no Espírito Santo.

Cris: Guarujá em São Paulo.

Ju: Para Wilmington em Delaware nos Estados Unidos.

Cris: São Luis do Maranhão.

Ju: Para Lucile mãe do Renan. Todo sucesso do mundo na sua volta a sala de aula! Felizes as crianças que vão aprender com uma professora tão destemida.

Cris: E para a Maria Lucia Belo mãe da Renata. A gente AMA quando vocês evangelizam as mães e dão um upgrade nas conversas em casa. Cabô a falta de assunto com tanta polêmica na mesa, não é mesmo?

Ju: E fale com o Mamilos. Vem falar com a gente. Escolha o canal: Pode ser pelo Facebook do Mamilos. No Twitter, Periscope, Instagram e Pinterest com o perfil @mamilospod. Pelo email: [email protected] ou ainda na página do Mamilos no B9.

Cris: Você também pode contribuir com esse projeto lindo no Patreon: patreon.com/mamilos. E gente, se marquem no mapa de mamileiros que tá legal demais da conta! Agora no War a gente já conquistou a África do Sul, né, Ju?

Ju: O Brasil tá uma coisa linda todo pintadinho, tem gente do Rio Grande até Macapá.

Cris: E aí? Você já se marcou no mapa? A gente tá doida agora para conquistar a Rússia. Vamos lá! Vamos colocar o link aqui e todo mundo descobrindo quem que escuta mais próximo de você na sua cidade.

Ju: E a gente tem um merchand muito legal. O Cannes Lions, em parceria Unicef, vai promover o Young Lions Health Award, um prêmio dentro do Lions Health que desafia jovens criativos a desenvolver uma campanha para sensibilizar aos profissionais de saúde sobre a importância de brincar para o desenvolvimento infantil. Para quem não tem ideia de como trabalhar este tema, a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, especialista em Primeira Infância, pode ajudar. Este ano, eles vão lançar o longa-metragem “O Começo da Vida”, em parceria com o Instituto Alana, Fundação Bernard van Leer e a Unicef, sobre o assunto.

Cris: A gente vai colocar o link aqui para você já conhecerem o projeto, o filme vai ser lançado daqui a pouquinho. Eu já tive a oportunidade de assistir antes e acho que ele aborda a Primeira Infância de uma maneira muito ampla e tem job para todo mundo, então, assistam. Esperamos que inspire você a participar desse trem. E gente, tipo, né.. Pagamos peitinho.. Tinha um tempo que a gente não pagava peitinho..

Ju: Mas tão feio assim?

Cris: Foi.. foi horroroso.. Foi tipo os dois.. Foi tipo quando a onda passa e leva o biquini.. Foi bem isso..

Ju: Ou quando você vai com tomara-que-caia levar a criança na piscina.. Não é que dá super certo??

Cris: Super! Aquele biquini cortininha também.. Quando a onda vem de frente e ela vai parar debaixo do braço.. É bem isso!

Ju: Foi bem isso!

Cris: Foi bem isso, põe o milho aí, Juliana. nós dissemos que a sucessão presidencial levaria aos deputados mais votados chegando ao Tiririca (ai que mico). Não, gente.. Tá errado. Em caso de impossíbilidade de Temer, Cunha e Renan, quem assume é o presidente do STF, que é o Superior Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Muito obrigada aos 484 mil pessoas que nos reportaram com essa informação (risos).. A gente falou errado de propósito para ver se vocês estavam prestando atenção (risos).

Ju: E você prestam super! Obrigada!

Cris: Obrigada! Vamos então para o “Fala que eu discuto”?

Ju: Bora.

Cris: A Carolina disse: “Gosto muito do Mamilos e escuto sempre.. Mas esse programa incomodou. Eu entendo que vocês criaram uma identidade pro Mamilos e normalmente conseguem cumprir muito bem o objetivo que estabeleceram, mas acho que seria bacana reavaliarem essa postura de “somos neutras”, afinal, a problemática disso foi tratada no próprio programa. A forma como os argumentos foram construídos e demonstrados tinham um viés claro e de forma pretenciosa (me desculpem, mas o programa soou assim para mim) no final vocês “fecharam o caso”. Tipo, ouvintes queridos, estamos aqui entregando pra vocês o jeitinho certo de pensar e eu fiquei “como assim??”. Você quebrou meu argumento propositalmente no ponto mais fraco dele e vem me dar um “apenas pare” por não ter acompanhado/concordado com o raciocínio? Enfim, acho legal quando vocês trazem pro jogo a opinião pessoal de vocês, mas não acho legal quando ela vem camuflada de neutralidade. O formato de argumentação e contra-argumentação foi bacana quando vocês esgotam (ou tentam) as questões, mas, nesse caso, não houve uma tentativa, foi pura manipulação para que chegássemos onde vocês pretendiam. Grande abraço e beijo em vocês e obrigada por fazer parte da minha rotina!” Então, Carol, rolou uma discussão enorme mesmo.. Dessa vez eu acho que o programa conseguiu desagradar a gregos e troianos. Foi tiro, porrada e bomba pra todo lado. Teve quem dissesse que a gente tava passando pano pro PT, e teve gente que falou “finalmente caiu a nossa máscara, que a gente assumiu um lado”. A gente ficou um dia inteiro analisando se colocava ou não o programa no ar, tanto que ele só saiu no sábado.. A gente acabou decidindo colocar, porque a gente chegou a conclusão que o programa misturou sim um pouco de Teta com um pouco de Trending Topics, porque teve sim muita opinião pessoal e ele acabou sendo um pouco menos neutro do que a gente pretendia, mas ainda assim a gente acreditou que poderia suscitar conversas importantes. Então está aí, Mamilos expostos!

Ju: Eu quero agradecer as pessoas que nos ajudaram a fazer a análise desse programa, que escutaram o programa antes de ir pro ar, que deram opinião, então.. Especialmente o pessoal do NBW, pessoal do Lexcast, a Cris de Luca, que como sempre participou da pauta, de como fazer, do que botar no ar e tal.. O Alê Maron que nos ajudou também, o Alec.. Então, assim, várias pessoas que se disponibilizaram a escutar e a nos dar inputs, muito obrigada pela ajuda!

Cris: E também para o pessoal que transcreveu depois o programa, que cada vez mais estão engajados e fazendo um trabalho muito legal.

Ju: Aliás, se você quiser transcrever é só mandar um e-mail pra gente no [email protected]

Cris: Com o título “Transcrição”. Eu vou ler mais um comentário aqui, que é o da Evelyn Carvalho que ela disse: “Olá meninas queridas, bom, só para elucidar quem é esta pessoa que vos fala, ou melhor escreve. Eu tenho 27 anos, sou fisioterapeuta e vivo num mundo de plantões atrás de plantões. Passo as vezes 24h no hospital cuidando de meus pequenos… E muitas vezes só tenho vocês como referência (me julguem mas é verdade), de algo que está acontecendo aí fora das janelas da UTI. E este mamilos 60 foi um teste de resistência para mim, primeiro não entendia toda história de lava jato até agora, segundo eu tenho uma visão mais a esquerda da coisa e terceiro, na minha opinião, a mídia manipula e acaba com qualquer um. Daí, eu venho aprendendo com vocês toda semana, vamos abrir o peito, a mente, pensar fora da casinha e por fim, o que fiz foi ler tudo sobre a lava jato, tudo mesmo, li os artigos que vocês listaram, li sobre o golpe de 64. Enfim, estou aqui para fazer o que? ABRAÇAR (sério, sintam-se abraçadas, tipo aquele abraço de urso!! ) e AGRADECER! Porque, eu posso não concordar 100% com o último programa, mas vocês me tiraram da zona de conforto, me tiraram do sofá e me jogaram num mar de opiniões, e puxa, não tem como não agradecer por isso!” Vamos, então, para o bloco 2?

Ju: Bora!

Cris: E quem está aqui com a gente hoje?

Ju: Apresente-se, Itali!

Itali: Oooi! Tudo bem?

Ju: Nessa noite super tranquila de quarta-feira enquanto as ruas estão tomadas por protestos, as panelas batem..

Itali: Eu fui completamente assustada no Itaim por gritos, xingamentos, panelaços e vaias.. Estava com um pouco de medo de sair na rua, no entanto enfrentei tudo isso (..)

Ju: Para vir aqui!

Itali: (..) E aqui estou!

Ju: Quem é você, Itali? De onde você vem? Do que você se alimenta?

Itali: (risos) Eu sou a Itali, eu me alimento de chocolate, exceto quando não tem larva que dá pra comer, porque eu hoje eu fui comer um chocolate e tinha uma larva (..)

Ju: Eu vi a foto.. Bem nojento..

Itali: Foi tenso o meu cafézinho.. Não foi legal.. Tirando isso, eu sou economista, feminista.. Eu tô aí, né? (..)

Cris: Massagista.. (risos)

Itali: É.. Tô aí na vida.. Acho que algumas pessoas já devem ter me ouvido de outros programas.. Tamo aí na atividade!

Cris: E quem está do lado de cá? Com essa cara compenetrada de quem está dando like no perfil alheio..

Marco Túlio: Oi, gente! Boa noite!

Cris: Apresente-se, Marco Tulio.

Marco Túlio: Bom, eu sou o Marco Tulio.. Sou jornalista, eu trabalho num projeto chamado “Escola de Dados” aqui no Brasil e em outros países também..

Cris: Quase um correspondente internacional do Mamilos! (risos).

Marco Túlio: Mais ou menos.

Cris: Vamos rapidinho então pro giro de notícias? Número 3: Startup francesa usa bactérias para iluminar fachadas de ruas sem gastar eletricidade.

Cris: A gente colocou esse giro, só porque é muito legal. Vê só… é uma Startup e eles estão utilizando um método que não consome energia. A ideia surgiu, após eles assistirem um documentário sobre peixes das profundezas marinhas, que produzem sua própria luz. A empresa então utiliza a bioluminescência, que é emissão de luz por seres vivos que resulta numa reação química por um gene, pra produzir essa iluminação. É muito legal isso!

Ju: É muito legal!

Ju: O segundo é a Karol Conka tombando no “Lola”. Ela nunca tinha tocado no Lollapalooza antes e arrasou nessa primeira apresentação. Dona do “Tombei”, um dos hits dançantes dos últimos anos, que se tornou quase que um adjetivo pra Karol, que chega onde quer, tombando. Karol Conka é uma das poucas vozes femininas que conseguiram quebrar a barreira do rap nacional (gênero em que há a predominância de homens e muitas letras machistas). Já MC Carol, negra, gorda e feminista rompe os padrões de beleza em suas canções e discursos.

Cris: Quem poder assiste o vídeo das duas cantando, é uma coisa de energia!

Ju: Eu amei o figurino! É figurino que fala? Caramba eu achei incrível!

Cris: E assim… um monte de atração internacional que teve no “Lolla” e eu só vi notícia da karol!

Cris e Ju: Parabéns!!

Ju: Nossa, bombou na minha timeline.

Cris: Como não poderia deixar de ser… O número: As manifestações de domingo. As manifestações contra a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o PT aconteceram no último domingo, dia 13, todos os estados do país e mais de 300 municípios… tá sendo chamado como maior protesto desde as “diretas já”, tomou Avenida Paulista em São Paulo. Tem muito “meme”, tem muita gente se justificando, tem gente falando que foi… tem gente tentando desqualificar principalmente utilizando ali, os mais revoltosos presentes que acabam sim, por falar bobagem, mas que não se representam todo mundo que tava lá. E dentre os “memes”, o que eu mais gostei, foi uma foto do Sid do alto da paulista e você só vê o pato né? Ele fala que se um alienígena chegasse agora, ele iria falar que o líder é o pato, porque todo mundo amarelo e aquele pato gigante. Teve de tudo, mas acima de tudo o que teve foi uma manifestação pacífica, onde as pessoas tiveram oportunidades de expor o que elas pensam. Eu achei muito legal um post que tem do Marcelo Rubens Paiva falando que isso mostra o amadurecimento, o fato das pessoas terem saído na rua protestar independente do que ela estão falando. Ela tem todo direito de fazer isso, e que o fato de ser pacífico, ou seja, a gente tava com tanto medo no programa da semana passada de acontecer alguma coisa, tinha gente falando de guerra civil e não foi isso que aconteceu. Então acho que amadurecemos aí um pouco.

Cris: Vamos então ao trending topics número um, o tema é: Rodrigo Hilbert e a ovelha
Cris: O programa Tempero de Família comandado pelo Rodrigo Hilbert está no centro de uma polêmica… No programa que foi ao ar na última quinta-feira, o apresentador estava fazendo um churrasco de ovelha. Para isso ele capturou uma ovelha de 6 meses, abateu animal e limpou… pronto tava feita a bagunça. Pessoas atacando e outros defendendo o apresentador. Alguns horrorizados, como ele foi capaz de matar o bichinho e mostrar isso na TV ao vivo e outros só queriam mesmo a receita. E aí, ju? Faz churrasco sem matar bicho?

Ju: Assim, eu entendo que as pessoas sejam sensíveis e não queiram ver, é uma imagem chocante mesmo né? Mas eu acho que assim… Embora a primeira reação sua seja falar “cara que bárbaro e como você pode pôr isso na TV?”, eu imagino que o segundo minuto seu é de falar assim “pô como que a minha carne chegou até aqui?”, eu não queria ver isso, mas o fato é que eu como. Então se eu como, eu tenho que saber que o custo de eu comer é que um animal seja morto. Então é um pouco hipocrisia da minha parte, sair querendo jogar tochas em cima dele, pelo fato dele expôr a questão, expôr o problema pra mim. Porque eu acho que assim… tudo que a gente faz hoje, tá no sentido de afastar cada vez mais da gente esse contato entre matar e comer né? Então assim a carne vem, já bonitinha, embalada numa bandejinha… então assim… pra você não tem nada a ver com você… matadouro, o sistema de produção da carne e tal… eu entendo super quem ficou chocado, mas eu acho muito difícil de entender quem ataca o programa dele e pede pra tirar do ar e tirar cenas do ar, porque assim… cara, na boa… ele não está mostrando uma coisa muito distante, é o que leva comida pro seu prato todo dia. Todo mundo que come carne é solidário com isso. Chega a ser bobinho essa coisa de “nossa mas tinha só seis meses”, “era só um bebezinho”, então tipo… gente, o que vocês acham que é indústria leiteira? O que mais ou menos vocês imaginam que seja?

Cris: É que, assim… eu fui criada, né… “menino criado com vó”… e assim, tinha chácara, tinha bicho… e eu fui criado em uma família que mata os bichos pra comer, e tal. E eu lembro que quando eu entrei na faculdade, eu sei lá… no primeiro período, não lembro que papo que rolou, que eu falei que matava um frango, porque minha avó tinha uma granja e a gente ajudava a limpar e tal pra vender o frango… cara! As pessoas ficaram horrorizadas! “Como assim você mata uma galinha com suas próprias mãos?”, e aquilo pra mim fazia parte da minha cultura, era muito normal.. E eu falei: – “como assim gente, se você for pra uma ilha deserta e tiver só você e uma galinha, quem vai comer quem?” – “Eu morro de fome”, “eu não mato bicho”…

Ju: mas come o frango, né?

Cris: risos

Ju: então, assim, eu acho que me expressei mal, assim… eu enxergo duas respostas possíveis, eu enxergo de quem fala “cara isso é bárbaro, matar um animal é bárbaro” e enxergo também super bem quem fala “gente isso é só comida”. Enxergo super… o que eu não enxergo é a galera do meio termo, a galera do “nossa que horror, que bárbaro… me dá meu bife”, isso eu não consigo entender.

Itali: Então, eu acho complicado, porque eu não cresci em sítio, mas meu pai sempre… sei lá, ele caçava… e eu já comi, tipo, carne de quati, carne de tatu, carne de porco do mato…
Cris: E dá dor nas costas?

Todos risos

Itali: Saudades dos Mamonas…

Cris: #velha, né?

Itali: E ele já me mostrou vídeo dele limpando… então assim, antes eu tinha um pensamento muito… “cara, parem todos de ser hipócritas, a gente precisa matar pra comer e é isso o que acontece” e eu ficava incomodada quando mostrava as fotos pra amigas minhas e falava “olha que legal” e tipo, era meu pai limpando o porco (risos), e elas “ai que horror!” e eu tipo… meu, é assim que a comida vai pro seu prato… só que aí depois eu comecei a ter contato com visão vegetariana, vegana e tal… e antes eu tinha muito preconceito, assim, se alguém falava que era vegetariano eu falava: mas você é vegetariano porque você não gosta de carne ou porque você tem dó do bicho? Porque eu aceito quem não gosta de carne, mas eu não aceito quem tem dó do bicho. Tipo, eu era assim… “Itali reaça”. Como assim dó do bicho? É a natureza e tal. Aí depois obviamente, como todas as outras coisas que eu fui evoluindo, fui conseguindo me colocar no lugar dessas pessoas, que tem uma outra visão da relação entre o ser humano e o animal. E aí eu consigo entender perfeitamente o incômodo de um vegetariano ou de um vegano de ver um vídeo desse, assim, deve ser ultrajante e também deve doer.

Ju: É engraçado porque tenho mixed feelings aí, por que o vegano ao mesmo tempo que não quer ver o sofrimento animal de maneira nenhuma…

Cris: A Juliana pode em causa própria, ela conhece, convive com essa cultura.

Ju: Não, é que o Merigo é vegetariano, né… meus filhos são vegetarianos, mas eu não sou. Mas… eu até perguntei pra ele o que ele achava disso, porque assim… Óbvio, o Merigo acha bárbaro, ele não veria inclusive, o cara esfolando uma ovelha. Pra ele é barbárie, porém, ele não acha que deveria tirar o programa do ar, porque justamente ele tem uma função educativa tipo, se você come carne então esteja super OK com o programa, tipo eu Merigo posso ficar chocado e eu Merigo posso falar: “gente não queria ver”, “é horrível fazer isso na TV”, “espetáculo triste” e tal… mas você que come carne se chocar com isso, não. O Rodrigo Hilbert lidou com isso com uma naturalidade de incrível, que assim, gente mas é isso… é daí que vem… tá tudo certo, sabe?

Marco Túlio: Eu acho que a gente que está acostumado a ver carne em supermercado, acha que a carninha que está lá empacotada, é igual a uma latinha de feijão. A gente tem um distanciamento emocional que a gente está acostumado, então não me surpreende as pessoas ficarem chocadas… Acho que isso é um sintoma mesmo desse distanciamento emocional, da pessoa que reclama do bichinho tá sendo morto e tal.

Ju: não… e eu não quero ter nada a ver com isso, não me linque com isso, entendeu? Não me coloca nessa posição.

Marco Túlio: mas faz sentido, assim… não é que as pessoas estão sendo contraditórias, eu acho que faz sentido por ser um efeito colateral da indústria que a gente tem. E isso dá força para o argumento vegano e vegetariano, a gente produz carne de uma forma desenfreada e irresponsável, a indústria da alimentação…. e eu acho que… assim… eu não sou vegano, não sou vegetariano (ainda), mas eu acho que é uma questão de mudança de mentalidade que vai se incorporando aos poucos, mas faz todo sentido. É indispensável o argumento pró carnívoro, pró-indústria animal e não tem como se defender. Em última análise, a gente não precisa, a gente tem tecnologia suficiente, a gente tem inteligência, engenhosidade suficiente pra poder superar isso, então a gente não precisa ficar produzindo carne, do jeito que a gente produz e comendo do jeito que a gente come.

Cris: Eu acho que é uma desconstrução gigante, né? Eu sou da época e da cultura que não ter carne na mesa era uma coisa triste, era assim “nossa não tem dinheiro pra comprar carne”, então assim, ter carne todos os dias quer dizer que a família tá bem. Então se passa metade da sua vida assim, pra por exemplo, que na idade que eu tô agora, você vê o próprio Ministério da Saúde confirmando e falando que não é necessário comer animais nem qualquer secreção vinda deles… (quando eles falam secreção, é leite e ovo). Pra ter uma dieta balanceada, a OMS também já falou isso. Mas aí é aquilo que a Itali falou. Você vai evoluindopra entender como isso acontece e existe aqui toda uma construção de uma nova dieta.

Cris: É. Eu acho que é uma desconstrução gigante, né? Eu sou da época e da cultura que não ter carne na mesa era uma coisa triste! Era assim: Nossa! Não tem dinheiro para comprar carne. Então, assim, ter carne todos os dias quer dizer que a família tá bem. Então você passa metade da sua vida assim pra, por exemplo agora, a idade que eu tô e tudo mais, cê vê o próprio Ministério da Saúde confirmando e falando que não é necessário comer animais e qualquer tipo de secreção vinda deles (quando eles falam secreção é leite e ovo) pra ter uma dieta balanceada. A ONS também já falou isso. Mas aí é aquilo que a Itali falou, cê vai evoluindo para entender como que isso acontece e existe aqui toda uma construção de uma nova dieta.

Marco Túlio: E não só pela dieta também, né gente.

Ju: E tem toda uma cultura, um paladar.

Cris: Sim! Um paladar.

Ju: Essa coisa que se você não tem uma mistura você vai passar fome daqui uma hora, de que a criança não vai crescer bem. Então tem uma série de desconstruções que tem que fazer, néam.

Itali: E não só da carne… agora expandiram um pouco. Vocês viram aquele vídeo de como é feito o leite, extraído o leite no Brasil e tipo… o quanto é aceito de células de pus, assim, no meio do leite porque, com a extração do leite tipo de maneira intensiva as tetas das vacas elas ficam machucadas, elas ficam inflamadas e boa parte do seu leite tem célula com pus. Então assim… é… você tem que assistir aquele video, você está tomando leite.

Cris: O leite passa por vários processos de esterilização depois que ele sai dali.

Itali: Claro mas mesmo assim! O ponto é…

Cris: Ele nem vira leite no final, ele é outra coisa.

Marco Túlio: Não, mas eu acho que esse ponto é bom Itali, porque assim, levanta a questão que já é discutida há décadas, gente. Que é se a gente vai ou não vai extender, que nós somos aqui…

Ju: Não espécie-fica… não… como é que fala?

Marco Túlio: A gente tem uma questão de raça aqui, ou de espécie. Somos a espécie humana e a gente está interessado na sobrevivência da espécie humana. A gente vai ou não… A gente declarou direitos humanos, né?

Ju: Sim.

Marco Túlio: Tem uma auto declararão aqui dessa espécie. A gente vai ou não vai extender, parte desses direitos que a gente confere a indivíduos humanos pra animais. Ou todos. Né? Porque assim eu não acho, sob o ponto de vista filosófico, ético… não tem como você defender porque que você tem direitos humanos e porque que você não tem direitos dos animais. A não ser que você diga assim, de bate e pronto: porque foda-se os animais, não humanos e o que me interessa é a espécie humana.

Ju: Sim. Eu vou defender o meu e que foda-se.

Marco Túlio: Se for só assim… só sob o ponto de vista filosófico: porque que a gente deve proteger seres humanos? Porque que ele tem que ter dignidade. Porque tem que ter acesso a privacidade. Porque… Enfim! Defender…

Cris: …a raça animal.

Marco Túlio: …os direitos. Porque que isso não se estenderia aos animais também. E se, se, se estende, acabou! Acabou a indústria animal. Né? A gente come ser humano?

Ju: Não.

Marco Túlio: A gente caça ser humano?

Cris: Bom… ultimamente… rs.

Marco Túlio: Não deveria, né? Não deveria…

Ju: Em tese não.

Marco Túlio: Não deveria então assim, eu acho que… não dá.

Cris: Não, mas é. Quando abateram aquele leão, a gente até falou aqui. No continente africano no ano passado. Eu fiquei muito mal com aquilo. E aí ce fala “não mas você come carne”, né? Então, claro, lá é uma caça esportiva, ela não tem fim de alimentação. Ela te choca mais ainda. Mas cê tá comendo um animal morto. Então assim, eu acho que quem assistiu… a gente falou…

Marco Túlio: É um cadáver, né?

Cris: É. Não pode prestar isso, né? A gente falou aqui. A gente já falou do “Conspiracy” algumas vezes, que é um documentário que tem no Netflix, que fala sobre isso que o Marco Túlio está ressaltando, dessa indústria, a pecuária, e acho que é essa discursão que a gente vai evoluindo. E não quer dizer assim que todo mundo tem que parar de comer carne amanhã. Eu acho que você vai tomando consciência, você consome um pouco menos. Eu acho que esse negócio de comer carne todos os dias em todas as refeições é insustentável. Pra mim isso está posto. E aí tem que ir entendendo como você pode ir transformando esses hábitos.

Então eu entendo também o fato das pessoas se chocarem porque ninguém quer ver, mas é o que o Merigo falou com a gente, quando você vê é melhor porque você dá o estalo.

Ju: É.

Cris: É o gatilho pra você pensar sobre isso. O Rodrigo Hilbert chegou a se desculpar, e ele foi com a visão tipo a minha assim… “não é normal fazer isso?”

Ju: Sim.

Marco Túlio: É. Eu acho que se você se chocar uma vez, tudo bem. Se você se chocar duas vezes, aí é falta de introspecção, né? Faltou pensar sobre o assunto. Porque se você está comendo carne, aí você vai no supermercado, e come carne… e cê… O animal morre, né? Alguém morre. Tem um processo. Gente! Só fazendo um parêntese rápido, mas é porque assim, isso é… Eu não sou vegetariano mas eu acho isso um absurdo. Imagina que tem uma profissão em que a pessoa, que ela é paga pra pensar em formas eficientes de matar animais. Ela pensa em formas de fazer um, uma granja, por exemplo, super produtiva.

Itali: Que doa menos pra deixar a carne mais macia.

Marco Túlio: É.

Itali: Mas outra coisa que eu vi no filme do leite…

Marco Túlio: Mas é que, doa menos não é porque você está pensando no bem estar.

Itali: Não! É pra não deixar a carne ruim.

Marco Túlio: Que é horrível.

Itali: Mas outra coisa que eu vi no filme do leite era que as vacas elas tinham que estar meio grávidas o tempo todo. E aí você tem um processo que o cara enfia o braço inteiro, tipo… na vagina da vaca, cê tá ligado? Enfia o braço o braço inteiro pra poder fertilizar ela. E eu fiquei só imaginando se aquilo era uma pessoa. Tipo assim… Imagina que legal, cê tá lá numa boa, tipo… comendo seu pasto, tal, daí de repente vem algo…

Cris: “Você estava numa boa comendo o seu pasto” é muito bom… rs.

Itali: É… Aí de repente vem um… Sei lá! Um ser diferente de você, assim, e fala – não, vem aqui um pouquinho – e começa a enfiar a mão no seu rabo, velho! Tioo, velho! WTF? Tá ligado?

Cris: É…

Ju: Uma coisa que… eu só quero voltar na… num ponto que o Marco Túlio estava falando sobre a primeira vez tudo bem você se chocar, a segunda vez falta introspecção. Tem uma coisa que é mais complicada do que isso, Marco Túlio, que é o seguinte: Sabe quando você … uma coisa… As vezes o processo de conscientização ele não é um estalo. E para algumas pessoas… Para muitas pessoas não é uma coisa a nível consciente. Então tem alguma coisa te falando que isso não tá certo. Então, no fundo de dentro de você e não de fora de você está vindo um aviso de que isso não é legal.

As pessoas que ficam profundamente incomodadas com isso e que abafam isso são as pessoas mais insuportáveis com vegetariano. Elas são… é… impressionante o que vegetariano passa, cara. Nenhuma outra escolha que você passa fazem esse tipo de bulling o tempo inteiro. Então assim… Ninguém me pergunta se eu não estou comendo, se eu estou com… de dieta ou não sei o que. Mas com o vegetariano, toda hora tem que fazer uma brincadeirinha “ah! Porque é vegetariano”, “ah, porque não sei o que”. E assim, não são todas as pessoas, tem pessoas específicas que gostam muito de brincar com isso. De te fazer assim, te constrangido. Sendo que assim, o Merigo é uma pessoa que não fala sobre vegetarianismo, ele não prega, ele não quer falar sobre isso porque ele já sabe que não adianta querer ter esse tipo de conversa. Você vai ter a conversa quando você estiver pronto e aí você vai perguntar pra ele e ele vai te falar o que você quer saber. Então ele nunca faz você se sentir constrangido. Ele nunca vai ficar olhando feio se você estiver comendo carne. Pode ter carne na minha casa, eu faço carne na minha casa. Não tem problema nenhum. Ele não fica pregando, e não fica moralizando. Mas eu acho que o fato dele estar ali…

Cris: O contrário acontece, né?

Ju: Não, é que o fato dele estar ali e ele não comer carne faz você pensar sobre o fato de que você está comendo carne. Isso incomoda profundamente algumas pessoas que não conseguem conviver, cara. Não conseguem. É impressionante!

Marco Túlio: É… mas não…

Ju: E não é um bulling tipo…

Marco Túlio: Não tira o fato de que falta introspeção, né?

Ju: Então mas é que…

Marco Túlio: A falta está aí, tudo bem. Mas falta.

Ju: É… Mas é que eu acho que assim… Isso é mais profundo do que isso, sabe? São pessoas que estão em conflito e elas te dão… é… Levam o conflito pra você. Sabe? Então assim… elas tentam te calar pra tentar calar a voz que está dentro delas que não para de falar. Sabe?

Cris: Eu só queria encerrar esse tema com o melhor comentário a respeito disso, né? Porque as pessoas começaram a pedir pra tirar a imagem do ar e realmente o programa foi editado, tiraram essa imagem do ar. E concordando com um comentário que eu li aqui na internet que tem que tirar do ar mesmo. O cara além de bonito é macho e cozinha. Tá muito difícil competir desse jeito. Então acho que essa é a melhor justificativa mesmo. Vamos encerrar esse assunto por aqui.

Marco Túlio: Bastante introspecção, esse comentário… rs.

[sobe trilha]

[desce trilha]

Ju: Vamos para o Trending Topics dois, então? O tema é “Licensa Paternidade de 20 Dias”. Agora a licença paternidade passa de cinco para vinte dias. Mas para ter direito ao período ampliado a empresa em que o pai trabalha precisa estar vinculada ao programa “Empresa Cidadã” do governo. Se a empresa não fizer parte do programa o pai tem direito a cinco dias apenas. O empresa cidadã é um programa do governo que foi criado em 2008 e já dava isenção de imposto para empresas que aceitem aumentar de quatro para 6 meses a licença maternidade das funcionárias.

Cris:E aí gente? O quê que entra nesse assunto aí pra gente debater?

Itali: Olha entra… De primeira já entra o fato de isso ser um custo pro mercado de trabalho e na verdade uma entrave, pra visão de muitas pessoas.

Marco Túlio: Mas tem isenção de imposto

Itali: Que, eu não me incluo nessas pessoas mas eu estou aqui pra falar sobre a visão dessas pessoas. Mas é que assim, quando a gente fala de economia e incentivos a gente sabe que quando tem alguma lei regularizando, né? Alguma determinada atividade, você vai ter outros incentivos contrários a isso. Então, por exemplo: Quando alguns usam o argumento de que as mulheres elas ganham menos porque elas tem filhos, não é necessariamente porque elas tem filhos mas por que elas saem pra licença maternidade e isso representa um custo para a empresa, e as empresas repassam isso contratando menos mulheres ou até mesmo mandando elas embora depois que passa o período de licença maternidade. Isso no mercado financeiro, pelo menos até onde eu pesquisei, era um grande medo de várias mulheres. É… por, por mais que elas tivessem filhos, depois de cinco meses que elas voltassem da licença maternidade, o risco de serem demitidas era grande. Então, o que é que acontece aí? Você tem um incentivo para com as mulheres, que é a licença maternidade, e você tem um desincentivo para o empregador. Que acha que isso representa um custo. Da mesma maneira isso vai acontecer com a licença paternidade extendida, que é onde os empresários podem reconhecer um custo imediato de você aderir, né, à licença paternidade. E isso pode impactar no salário dos homens. E isso é interessante porque, assim, eu conheço todo esse argumento liberal e ele vem de uma ideia de que a economia é racional e que o mercado se comporta racionalmente. E eu tive essa discussão no ambiente de trabalho há pouco tempo. E o que eu tava tentando argumentar é o seguinte, é que esse custo que a gente tem agora, imediato, que seria o custo pras empresas. Ele é mínimo perto do custo de longo prazo que a gente vai ter se a gente não começar a fazer a equivalência de funções. Porque as mulheres tão tendo menos filho de acordo com o tempo, e isso pode impactar na nossa existência como sociedade.

Ju: Na pirâmide produtiva, que seja. Já que a gente tá no âmbito econômico, né?

Itali: Também.

Ju: Menos filhos, menos jovens pra formar a população economicamente ativa.

Cris: Pra produzir.

Itali: E, geralmente quando a gente fala de benefícios como esses, como licenças. As pessoas, elas, no meio em que eu trabalho, né? Que é mercado financeiro, as pessoas falam que isso é ideológico… Que a gente quer dar um benefício se a gente não sabe que outra parte da população vai pagar por esse benefício. Não, a gente sabe, a gente só tá medindo o que vale mais, a gente tem que colocar na balança. Esse custo agora, pra um benefício futuro muito maior. Que seria a maior participação dos pais na criação dos seus filhos, a ideia de que pra mãe não seria tudo nas costas dela.

Cris: Tem um custo até de saúde pública embutido aí.

Itali: Em custos de saúde pública… Então, assim, tem várias dessas coisas e algumas pessoas argumentam que a gente não pode fazer isso, que a gente não pode delimitar as opções das pessoas. Por exemplo, eu falei “Se a gente continuar assim, a gente vai virar um Japão. Onde as pessoas não têm mais filhos e a população tá envelhecendo.”.

Cris: Só pra te ajudar e dando um dado…

Ju: Te dou um dado.

Cris: É… o custo da política pra esse benefício seria estimado em R$ 99 milhões agora em 2016. Do que é que a gente tá falando? Quando sai um profissional você precisa colocar esse profissional num lugar, e esse profissional está em casa recebendo. Então esse custo representaria aí dentro de uma média dos homens em idade pra se tornarem pais, com carteira assinada. O cálculo giraria em torno de R$ 99 milhões durante esse ano. E se você comparar isso, por exemplo, com o déficit da Previdência, de R$ 82 bilhões em 2015, você consegue perceber que é um benefício com um custo…

Itali: 0,1%

Cris: Exatamente. É um custo ainda pequeno, diante disso que a gente tá falando. Que é um… É aquele negócio, né? A gente não tem muita cultura de longo prazo. De ver como isso pode ser uma economia.

Itali: Não, e assim… Eu… é interessante que eu escrevi um texto sobre esse assunto logo quando tava tramitando. Porque eu vi um post de um empresário falando assim “O país com essa crise e o governo toma essa medida populista de aumentar a licença paternidade. As pessoas tinham que tá é trabalhando.” E aquilo… né? Mexeu com o meu âmago. (risos) E eu fui escrever o texto justamente pra explicar isso, que a relação de licença paternidade e economia, na verdade ela é muito mais positiva do que negativa. Eu acho que assim, muitas pessoas podem colocar, que nem eu já ouvi o argumento “Ah, mas isso vai acabar onerando outra parte da população.” e também “Ah, a gente tem que viver num mondo onde não tem tanta lei trabalhista pras pessoas poderem ser admitidas e demitidas o mais rápido possível”, coisas assim. Eu já ouvi vários desses argumentos, e o contra exemplo é por exemplo, a Dinamarca onde você tem… é um país que você pode admitir e demitir pessoas tão rápido quanto e você tem uma licença maternidade de meses. Então, assim, o problema não é a licença paternidade, entendeu? O problema do mercado de trabalho é o machismo pras mulheres e homens. Porque essa é uma característica da sociedade que não é racional. E é muito difícil você explicar isso pra economistas que acreditam que o mercado trabalha totalmente racional. Porque eles falam assim “Ah, se realmente existisse diferença de salário entre homens e mulheres, se as mulheres realmente ganhassem menos, todos mundo só ia contratar mulher. Então é mentira que mulheres ganham menos.”. Não, não é mentira que as mulheres ganham menos. O ponto é que o mercado não é racional assim. O mercado não é racional assim “Olha, a gente pode pagar menos pra mulheres, então vamos todos contratar mulheres.”. Não, o mercado é irracional a ponto de pensar “Mulher engravida, é menos produtiva, não quero ela aqui.”. Ou então “Ah, nessa área eu não quero mulher porque mulher é frouxa, porque mulher é fraca, porque mulher chora demais, blá, blá, blá…”. Então tem diversas áreas onde que as mulheres, elas não são bem quistas nas posições, e isso não é racional. Então não adianta você colocar um argumento econômico racional e falar que “Olha, não existe diferença salarial tão alta porque se existisse, a gente só contrataria mulheres.”. Porque nós não estamos trabalhando no campo racional. Eu sinto muito, liberais, eu sinto muito. Porque a sociedade, ela não funciona sob aspectos 100% racionais, se ela funcionasse a gente não teria problema de homens que contratam só seus semelhantes. Por exemplo, em cúpula de poder de empresa, por exemplo. Onde você tem muitos presidentes que acabam indicando outros homens, entendeu? Então, o que acontece? Eu tive uma discussão essa semana onde a gente chegou nesse debate, nesse impasse. E chegou ao ponto de “Ah, mas as mulheres, elas não são contratadas porque são homens que tão do outro lado contratando.”. E aí eu falei “É, realmente, não é racional.”. Entende como a gente tá seguindo uma linha pra chegar à conclusão de que a gente precisa mudar a cultura? E aí sim, quando a cultura tiver um pouco mais equitativa pra homens e mulheres é que você vai poder colocar modelos econômicos 100% racionais.

Cris: Que é que ‘cê acha, Marco Túlio?

Marco Túlio: Não incomoda vocês essas argumentações assim, que partem de um ponto de vista estritamente econômico assim, não?

Cris: Porra…

(risos)

Marco Túlio: De… é meio que… Fugindo um pouco do assunto, mas é… Me assusta um pouco a gente “ah, o mercado disse isso” ou “a bolsa disse vai fazer aquilo”, ou…

Cris: Na verdade, a…

Marco Túlio: A gente tomar decisões centrais pra vida social, assim, né? Centrais pra o que a gente chama de sociedade. Com base nisso, em números e…

Cris: Na verdade, assim… Quando a gente tá estipulando – e, inclusive o viés que a gente quis dar pra isso é econômico – justamente porque já tá posto que em uma mesa cheia de feministas, a gente entende o benefício emocional e social que isso tem. Mas quando você dá um benefício, ele tem custo. E é importante falar sobre esse custo.

Ju: E lei não cria dinheiro, é isso. Era sobre isso que a gente queria conversar.

Cris: E mostrar essa saída e mostrar que é possível ter sim é importante. Porque o benefício social e isso como vínculo de família tá posto. E a gente tá falando também de criação de nova cultura. Porque hoje os homens tiram muito poucas férias junto com o nascimento dos filhos. Acompanhei…

Marco Túlio: Que seria o recurso, né?

Cris: Exatamente.

Marco Túlio: Pra eles passarem um pouquinho…

Cris: Pra você ter uma ideia, eu acompanhei isso de perto. A Avon fez uma pesquisa pra saber quantos homens emendavam a licença paternidade junto com as férias. Num universo de 6500 funcionários, 38% homens, só 1% fazia essa emenda. Então a Avon começou a fazer uma campanha de comunicação interna incentivando os homens a fazer isso, e aumentou esse percentual pra 8% em 6 meses. Então você tem que analisar, por que que os homens hoje não tiram férias quando as esposas têm filho? E isso também não tá só nas costas dos homens. Tá em também a mulher entender que o homem pode e deve participar. Então é uma conversa que gera dos dois lados e o benefício social tem que ser colocado.

Ju: O que eu acho que é uma discussão que é interessante de colocar. Porque assim… Tá… pra mim tá muito claro qual é o benefício, e a gente– É que assim, esse não é um tema novo no Mamilos, a licença paternidade. Né? A gente… já até falei brincando “Eu to de boas de discutir gap salarial, eu nunca vou trazer essa conversa pra mesa. Vamos simplesmente igualar a licença maternidade e paternidade e eu paro de discutir.”. Porque eu acho que isso é uma das coisas que mais pesa, e eu acho que isso faz bastante diferença. Então, assim, que isso é importante, eu acho que a gente já defendeu ao longo de vários programas. Então pra trazer um olhar diferente, o que eu queria falar é o seguinte. Eu sinto falta, toda vez que a gente combina como sociedade que a gente tem um direito novo, da gente conversar do custo. Então, por exemplo, em casa você faz isso. Todo mundo sabe que a gente quer um sofá novo, entendeu? Mas mamãe e papai, quando vão comprar um sofá novo, falam assim: “Gente, a gente sempre viveu com essa grana, e a grana nunca sobrou. Sempre fechou o mês. Ou, no caso atual, não tá fechando o mês. Como é que a gente vai ter um sofá novo agora?” Não é uma questão de dizer que o sofá não é bom novo, a questão é: podemos comprar um sofá novo agora ou não? Agora é o momento ou não? Tipo, gente, vamos trocar o exemplo do sofá porque o sofá é supérfluo, vamos falar de fogão. “Mãe, como é que eu vou ficar sem fogão?”, né? Então agora é a hora, não tem o que fazer, e não importa se é o melhor momento econômico ou não, precisamos desse fogão. Tudo bem. Então aí a conversa é: “Gente, pra gente comprar o fogão, o sacrifício que a gente vai ter que fazer pelos próximos X anos é isso, isso e isso. Tá todo mundo de acordo? O custo vale o benefício? Todo mundo sabe o que que vai ter que colocar na balança? Então tudo bem, então vamos”. Eu não vejo essa transparência, essa preocupação de mostrar o custo. De mostrar o que que a gente cede quando a gente ganha um direito. Porque, na verdade, não existe direito. A verdade é essa: não existe varinha mágica, entendeu? Ele tem que sair de algum lugar, você tem que produzir essa riqueza, você tem que fazer isso! Então para os pais ficarem em casa, o custo fica maior. Pro custo ficar maior, como é que a conta fecha no final? Eu acho que é isso que falta a gente conversar. Eu não estou dizendo que não vale a pena. Eu sinto falta dessa conversa. Eu sinto falta de isso ser mais… De um lado eu acho que tem muita varinha de condão, e do outro lado eu acho que tem muito essa conversa racional que você falou… Dá pra enriquecer o diálogo.

Itali: Dá pra enriquecer e chegar no que seria o debate meio termo. Eu acho que tem algumas pesquisas que conseguiram fazer isso. Demonstrando o impacto, porque aí elas usaram o argumento econômico, então elas demonstraram o impacto monetário em empresas que deixavam os pais saírem de licença paternidade. E algumas pesquisas dizem que esse impacto é positivo porque o que acontece: as pessoas ficam mais produtivas quando elas têm um pouco mais de certeza sobre se elas vão conseguir cuidar dos filhos delas, se elas vão ter flexibilidade… Isso já servia para mães, e agora vai se estender mais para pais, porque hoje você não espera você… Bom, pelo menos no meio onde eu vivo, é meio difícil você ver “Ah, o pai vai sair do trabalho pra levar a criança ao médico”. Geralmente sempre perguntam “Ah, sua mulher não pode levar?”, coisa assim. Então é esperado que o homem participe menos, e aí, com isso, você passa a esperar que ele participe um pouco mais e ele acaba tendo um pouco mais de confiança de que ele pode fazer isso sem sofrer represálias no trabalho, entendeu? Então eu acho que o caminho dessas pesquisas que mostram o ganho monetário em produtividade do cara que conseguiu ter licença paternidade, conseguiu participar mais, acaba satisfazendo ambos os lados, entendeu? Acaba satisfazendo o lado econômico e o lado social.

Ju: Pode até ser que a conta não feche nessa equação e feche no todo, entendeu? Então assim, para aquela empresa, isso vai ter um custo, mas para a gente, como sociedade, no final faz sentido. Tudo bem, eu só quero saber qual é o cheque que eu tô assinando, Entendeu? Eu acho que é necessário isso. Da onde eu vou tirar esse dinheiro, como é que eu vou fazer para pagar isso… Eu só acho que tem que ser mais transparente e a gente tem que ser mais responsável com gastos, entendeu?

Marco Túlio: Eu queria abrir um pouco essa conversa, então. Já que você puxou para esse lado, às vezes eu fico pensando o seguinte: o que me incomoda é que a argumentação parte de um ponto em que se custa caro, não vamos fazer. Ou então assim: encontre um jeito de pagar, porque se não encontrar um jeito de pagar, a gente nem começa a conversar. Parte de um argumento econômico. Parte de um ponto de partida econômico. Mas assim, será que não há situações em que vale a pena o esforço? Tipo assim, olha, a gente vai ter que tirar dinheiro de algum lugar, é verdade, mas a gente tem que começar a fazer, porque o isso precisa ser feito.

Ju: Só me fala aonde! É que eu uso o mesmo raciocínio que na minha casa! Por exemplo, se estourar um cano na minha casa, não interessa, eu vou ter que resolver. Mesmo que eu não tenha de onde tirar o dinheiro, eu vou pedir emprestado, eu não tenho problema com isso, Marco Túlio. A questão é: isso é urgente? A gente decidiu que é urgente? A gente vai tirar daqui, vai tirar dali, vai pedir emprestado pro tio, pro primo, não sei o quê? Não tem problema, mas tem que estar muito claro. Primeiro qual é a urgência, como é que a gente vai pagar, qual é o esforço que a gente vai fazer… Eu acho que isso é conversa madura. Não é simplesmente wishful thinking, sabe? Tipo “Gente, isso é importante, então vamos fazer”. A gente não faz isso em casa. “É importante, gente, é muito importante, a gente precisa agora”. Quantas vezes, em casa, no orçamento familiar, você deixa de fazer coisas que são importantes ou coisas que você quer muito, que você acredita muito porque não dá pra fazer tudo que quer?

Cris: É muito importante esse primeiro passo, porque vai existir uma organização para que isso aconteça. Tá provado que ela é possível. O incentivo é muito bem vindo para que aconteça, e esperamos, claro que esse seja o primeiro passo de muitos. É o que a Juliana tá falando: a gente vai se organizando e a gente vai estendendo isso até chegar o ponto de licença compartilhada.

Ju: É. O que a gente tem falado aqui, até, é que assim… Eu acho que a gente tem que chegar em um novo pacto social, sabe? Por que assim, qual é a nossa ideia de como a gente vai criar a criança? Porque isso é um trabalho. É um trabalho de tempo integral. E aí assim, se antigamente a renda de uma pessoa conseguia sustentar uma família e hoje você precisa de renda de duas pessoas, qual é o nosso plano como sociedade pra gente criar criança, entendeu? É muito esquizofrênico você ter, ao mesmo tempo, uma Organização Mundial de Saúde falando que tem que amamentar até os seis meses e a licença ser de quatro. Como que eu vou fazer isso, sabe?

Marco Túlio: A gente segue péssimos exemplos, né? Os EUA são o país que ninguém deveria seguir…

Itali: É, então… Me citaram os EUA como exemplo de país onde você tinha uma total liberdade para contratar e demitir pessoas… Isso não é bom… Isso não necessariamente é bom, entendeu?

Cris: É, eu acho que dá pra fazer bench, é sempre importante, mas a gente precisa flexibilizar leis trabalhistas, mas levando em consideração uma série de coisas que foram adquiridas e que precisam ser revistas, sim, mas não é… Né? Não virou bagunça!

Marco Túlio: Cris, o que e fazer bench, né? Eu acho que isso precisa ser esclarecido. Temos muitos ouvintes aqui no Mamilos que provavelmente não sabem o que é bench.

Cris: Tá certo, é ridículo usar esses termos, desculpa. É, realmente, pesquisar a experiência de outros países para levar em consideração o que a gente pode fazer para evoluir. É isso então. Vamos pro Farol Aceso.

***Farol Aceso***

(Vinheta musical Carol Conká)

Cris: Vamos, então pro Farol Aceso. Puxa aí, Jú!

Ju:Eu vou indicar um livro chamado Décimo Primeiro Mandamento, que é um livro escrito por um médico indiano… Ele é um livro sobre medicina, eu gosto de livros sobre esse assunto. Ele não é tão bom quanto O Físico, do Noah Gordon, e ele também não escreve tão bem quanto a Chimamanda. Mas ele fala sobre medicina que é praticada na África… Sobre Índia, África, enfim… Tira um pouco o olhar da onde a gente está acostumado a ir, e é um romance bem envolvente… Vou te falar, tem uns plot twist carpado ali, que você fica “O quê??? Não acredito que isso aconteceu.” Cara é muito bom. Faltam cem páginas para eu terminar, já li umas quatrocentas e poucas, mas é sério…

Marco Túlio: É ficção?

Ju: É ficção. Eu comecei meio tipo… Não tava tão envolvida, mas o livro realmente consegue te prender e eu gostei bastante. Indico. E a segunda indicação é de um podcast que eu já indiquei aqui, mas que na verdade eu vou indicar um episódio que eu achei super interessante, que é do Radiolab, sobre debates… É Debatable o nome do episódio, e eu achei interessante porque assim, a gente não tem isso aqui, né? Como uma disciplina na escola, concursos de debate, tal… Essa coisa de valorizar o debate. Me pareceu muito sintomático do momento que a gente tá passando. Então assim, é um esforço que a gente faz para aprender a debater, mas isso não é uma coisa natural e que a gente exercita muito, e que explore muito a arte de fazer isso, as técnicas de fazer isso, enfim. Eu achei super bacana o episódio. Itali o que que você recomenda?

Itali: Eu tenho duas recomendações. A primeira é o Portal Justificando, que é basicamente: eles têm site, eles têm canal no Youtube, página no Face, mas o que eu tenho acompanhado mais agora é o canal no Youtube, porque eles têm uns programas bem legais sobre o que rola no meio jurídico ou então, tipo, como que é que funciona o Congresso, o Senado… Um dos programas chama “Coisas que você precisa saber”, que é bem interessante. O último que eu assisti foi sobre a filha do ministro do STF que virou desembargadora com 35 anos, num total exemplo de meritocracia do Brasil, e foi bem interessante. E o outro programa deles que chama “Jogos do Poder” que fala, explica como funciona o Congresso, Senado. É bem interessante. E a segunda dica é o novo portal Jogo de Damas, que vai ser lançado amanhã. Ele vai ser lançado em Porto Alegre num evento que chama Virando o Jogo. E nesse portal eu vou ser uma das colunistas – Yay –

Cris: A gente deixa, tá, Itali? A gente vai te liberar.

Itali: Eba! E o meu primeiro texto, né, o primeiro texto de todas as colunistas vai ter como tema: virando o jogo. Então algum acontecimento nas nossas vidas em que a gente virou o jogo. Então fiquem atentos que amanhã já vai estar no ar.

Ju: Marco Túlio?

Marco Túlio: Gente, eu não sei quando eu vou voltar aqui, então eu vou recomendar um tanto de coisas…

Cris: Nossa! Que dramático!

Ju: Marco Túlio é cidadão do mundo…

Cris: Ele não sabe se ele vai sobreviver após esse Mamilos… Se vão amarrar ele na rua…

Marco Túlio: É! Eu não sei se vai ter Brasil amanhã, gente!

Ju: É. Hoje ele tá aqui, amanhã ele tá em Beirute, depois de amanhã ele tá em Londres, depois de amanhã ele tá em Seattle, depois de amanhã ele tá na Austrália.

Cris: Ele sempre traz presentes lindos pra gente, né, Ju?

Ju: Sempre!

Itali: Só que não.

Cris: Fala, Marco Túlio!

Marco Túlio: Então vamo lá, gente, olha só: fresquinho aí, Stanford e Columbia lançaram um estudo super legal sobre jornalismo de dados e jornalismo computacional nos Estados Unidos. E assim, parece que é uma coisa muito de nicho, mas não é, é uma análise que eles fizeram sobre o estado da arte lá da educação americana pra levar letramento de dados pra jornalistas, mas o legal desse estudo é que mostra várias abordagens, assim, de como que as pessoas aprendem dados, aprendem a lidar com dados. Então tem sites bem legais, isso nunca tinha sido feito antes, e serve como um manual mesmo de como levar esses cursos pra outros lugares também. Então saiu isso na semana passada, na quinta feira, é bem legal, o estudo tá aberto na internet pra todo mundo ver, tô colocando aqui no Farol Aceso. Ah, outra coisa que eu queria indicar é um curso online, todo em português, feito pelo Fernando Masanori que se chama “Python para zumbis”. Assim, gente, aprendam a programar computadores, de verdade, você não precisa ser um analista de sistemas, você não precisa ser um cientista da computação, mas se você entende como transformar problemas do mundo real, quebrar ele assim, traduzir ele de jeito que o computador consegue resolver, isso abre assim a sua visão de mundo de maneiras que a gente não consegue prever, então aprendam a programar, esse curso do Fernando Masanori é gratuito, é online, você pode fazer no tempo que você quiser, e é muito bom. Python é uma linguagem muito facinha e tal, vocês vão se divertir muito. Ah, outra coisa que eu queria indicar é, pô o Umberto Eco morreu né…

Ju: É.

Marco Túlio: … E eu era muito fã do Umberto Eco, ainda sou muito fã, eu conheci ele quando eu era moleque ainda, eu tinha uns 12 anos e o primeiro livro dele que eu li é o livro que eu queria indicar hoje, que é “O nome da rosa”. Virou um filme famosão e tal, é um CSI da idade média assim, é bem legal, uma história bem bacana, então recomendo: “ O nome da rosa”, Umberto Eco. E a última coisa, que a Cris deu uma risada aqui na hora que ela viu…

Cris: (risos)

Marco Túlio: … É, gente, a gente tá precisando de amor e carinho aí nesses tempos difíceis, então vou sugerir…

Ju: Amor em tempos de cólera.

Marco Túlio: … Vou sugerir uma playlist no Spotfy que se chama forrozeira chamegada.

Cris: Sente isso.
(risos)

Marco Túlio: Curada por este que vos fala, então é a minha coleção de forrós favoritos assim, tá. Forro pé de serra e tal, tudo bem tradicional, bem legal. Escutem, forró é bom gente.

Ju: Muito bem. Cris.

Cris: Olha, eu vou sugerir uma coisa bem simples, mas que me chamou bastante atenção, achei bastante rico, um artigo da BBC, o titulo do artigo é “Como a guerra ao politicamente correto explica a ascensão de Trump”. Ele é um artigo que tá um pouco mais aprofundado, e eles fazem uma análise muito interessante de discurso, de dificuldade de desconstrução social, e tem um pouco a ver com o que a Juliana falou aqui do negocio da carne, que muitas vezes o fato de você não conseguir trabalhar uma coisa em você acaba com que você ataque o outro que já tá fazendo isso de uma forma diferente que você, eu gostei bastante do artigo, recomendo. Essa é a minha dica de hoje. É isso, temos um programa Juliana?

Ju: temos

Cris: Temos um mamilos?

Ju: Temos.

Cris: Fica a gostosa sensação então de completar mais uma conversa aqui, mamilos 61, muito obrigada a vocês, nos falamos em breve!

Ju: Brigada gente.

Itali: Brigada.

Marco Túlio: Caramba, mamilos 61, valeu gente, tchau.

(trilha instrumental)

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