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SBT copia nome do canal de YouTuber brasileiro e registra como sua própria marca

Isso não tem graça, SBT

14.dez.2016

Já tem algum tempo que as fórmulas de sucesso da internet começaram a ser levadas para a TV, mas em alguns casos a inspiração vira cópia e gera muita confusão.

Foi o que aconteceu com o YouTuber Eder Nascimento, que viu o nome do seu canal no YouTube se transformar em um quadro do programa Eliana, do SBT. Nome esse, que ele descobriu depois, foi registrado no INPI pelo próprio canal.

Intitulado “Tem Graça ou Não“, o canal de Eder possui mais de 20 mil inscritos e publica curtos vídeos de humor, fazendo jus ao nome. O YouTuber inclusive já chegou a participar do programa da Eliana em 2012, no quadro “Famosos da Internet”.



O problema começou em novembro, quando o programa Eliana estreou um quadro que, além de levar o mesmo nome do canal de Eder, usa a mesma trilha. Coincidência? Veja abaixo a comparação.

Trilha usada no canal “Tem Graça ou Não”:

A mesma trilha é usada na abertura do quadro na TV:

Depois de duas semanas no ar e após a procura do YouTuber, a direção do programa resolveu atualizar o nome do quadro para “Disputa do Riso“, com direito a nota publicada no blog do jornalista Mauricio Stycer:

“O SBT informa que houve uma infeliz coincidência com a marca ‘Tem Graça ou Não?’. Apesar do SBT ter feito o depósito do título do quadro junto ao INPI, e portanto ter direito sobre a marca, a expressão ‘Tem Graça ou Não?’ não será mais usada pelo programa Eliana.

O título foi usado como nome de um quadro de humor do programa Eliana e também intitula um canal no YouTube, sendo certo que os respectivos formatos dessas atrações são totalmente diferentes apesar de coincidentemente terem a mesma nomenclatura.”

Nomenclatura e trilha, né? Mas segue o jogo, “coincidência” assumida, vão abrir mão do nome e registro da marca no INPI, certo? Errado.

Na tarde de ontem Eder publicou em seu perfil no Facebook um texto em que conta detalhes sobre o pedido de registro junto ao órgão e que para fazer qualquer tipo de contestação seria necessário desembolsar cerca de R$4.800,00. A alternativa seria o canal abrir mão do registro, o que facilitaria para o YouTuber, porém Eder disse que a emissora se negou a liberar o registro da marca.

O B9 entrou em contato com a assessoria do SBT questionando o motivo da não-liberação do registro e que uso seria feito para a marca quando o canal obtivesse o registro. Até a publicação desse post, o canal não havia se manifestado.

Conflitos entre criadores de conteúdo na internet e a TV não é novidade. Em fevereiro desse ano um caso que chamou bastante a atenção e que acabou não dando muito certo foi o do Fine Brothers, responsáveis por produzir vídeos no formato “react“, termo que a dupla queria registrar e que acabou gerando bastante confusão.

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