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Transcrição – Mamilos 94: Natal e Resoluções de Ano Novo

Jornalismo de peito aberto

27.jun.2017

Esse programa foi transcrito pela Mamilândia, grupo de transcrição do Mamilos

Início da transcrição:
(Bloco 1) 0’ – 10’59”
[sobe trilha]
[desce trilha]

Cris: Mamileiros e mamiletes! Bem vindos a mais um mamilos. Este restinho de ano, esse restinho de Mamilos. Mais um pouquinho pra você refletir, conversar, com essas duas aqui que amam conversar com vocês. Eu sou a Cris Bartis, e essa companhia querida, amada, salve, salve

Ju: Ju Wallauer.

Cris: Estamos aqui juntos para mais um Mamilos. Vem com a gente?

Ju: Caio, seu lindo! Ficou maravilhosa a música da Xênia no último episódio. Encaixou perfeito. E aí, o que a gente vai escutar essa semana?

Caio: Olá Personas! Corraini aqui novamente para trazer a vocês os responsáveis por dar mais cor ao Mamilos dessa semana!

Lembrando sempre que se você quiser colaborar com o conteúdo musical deste programa pode nos recomendar bandas ou artistas independentes no e-mail:
[email protected]
[email protected]

E facilita e muito a minha vida se vocês enviarem os links do site oficial do artista ou então onde nós podemos buscar o download direto das músicas dele para utilizar no episódio.

Nessa edição nós iremos ouvir o Francisco, El Hombre. Uma banda formada por dois irmãos mexicanos que acharam sua casa em Campinas, aqui no interior de São Paulo, e se juntaram com outros três integrantes brasileiros. Então fiquem aí com Francisco, El Hombre no Som do Mamilos.

[sobe trilha]

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

[desce trilha]

Cris: E tem beijo. Tem beijo para Uruçuca – Bahia

Ju: Casa Branca, São Paulo.

Cris: Toronto, Canadá.

Ju: Paulo Cordeiro, muito obrigada pelas castanhas maravilhosas

Cris: Karl Milla muito obrigada pelo livro. Acabou de chegar aqui a gente vai ler.

Ju: E pela dedicatória muito fofa.

Cris: Tatiana Helena Criscione.

Ju: Mona Azevedo.

Cris: Paulo Henrique Pereira.

Ju: Giovana Giberti.

Cris: Franklin Marcelo. E para todos aqueles que compartilharam muitos beijos e corações em nossas redes sociais.

Ju: E… fale com a gente! Eu encontrei, na fila do Rogue One, mamileiros que vieram me abraçar e falaram “nossa, o programa de consciência negra ficou maravilhoso”. E eu falei você mandou e mail? Não mandei, eu tenho que mandar… Pois é. Então, a Cris estava toda chateada. Gente cadê os e mails, cadê os comentários, cadê os tweets? Cadê? Gente! A gente não lê pensamento ainda!

[risos]

Ju: Então se você gostou, fala pra gente! Ai, eu… E assim, fala assim: vocês devem ouvir muito isso. Olha só, se eu gravar o programa hoje eu não preciso nunca mais gravar? Não, né? Vocês querem que a gente grave toda semana. Então toda semana você tem que escrever.

Cris: Sim!

Ju: A gente aqui produz conteúdo e vocês dão feedback. É assim que funciona, tá?

Cris: Isso aí. Manda energia pro restinho de ano.

Ju: Manda energia pra sempre, tá? Se você escutou um programa eu fiz minha parte então você faz a sua daí. Eu faço daqui e você manda daí. Tá bom? [email protected] “Tia Jú, eu não gosto de escrever email, isso é coisa de velho”. Tá bom, a gente está no Facebook, a gente está no Twitter, manda recado pra gente. Tá? Manda uma mensagem.

Cris: E a gente agradece a equipe cheirosa do Mamilos.

Edição e Som do Mamilos – Caio Corraini.
Redes sociais – Luanda Gurgel e Guilherme Yano e Luiza.
Apoio a pauta – Taty Araujo, Jaqueline Costa e Aian Cotrim.
Transcrição dos programas – A maravilhosa, bailarina Lu Machado e equipe.

Ju: E no merchan vamos falar do jornalismo em 2017. O que é isso?

Farol Jornalismo e Abraji convidaram 13 autores e autoras para refletir sobre o presente e projetar o jornalismo no país no ano que vem. São pesquisadores e profissionais com grande experiência de mercado, gente que vem pensando / apostando em novos formatos e gente ligada ao jornalismo mais tradicional: todo mundo refletindo o jornalismo no Brasil no ano que vem.

Cada um fez um texto. São textos sobre transparência, jornalismo de dados, checagem de fatos, empreendedorismo, diversidade, long form, jornalismo investigativo e podcasts. Vale muito a pena ler. A gente discute muito o jornalismo no Mamilos. Mesmo quando a gente não fala diretamente sobre o jornalismo a gente está criticando o jeito da notícia chegar até a gente. A qualidade das informações, checagem, enfim. Valem muito a pena as reflexões que eles colocam lá. O link para ler tudo isso está na pauta ou procurem Jornalismo no Brasil 2017.

https://jornalismonobrasilem2017.com/

Cris: Vamos então para o Fala Que Discuto?

[sobe trilha]

…eu vou descansar. Canto e sempre eu vou descansar

[desce trilha]

Cris: Vamos começar com a Taís Forner.

“Olá mamileiras maravilhosas. primeira vez que escrevo aqui, mas devo dizer que essa parte 2 do episódio 92 foi no mínimo maravilhosa. Me vi em cada trecho desse episódio.
Antes de tudo meu nome é Taís, tenho 29 anos, sou designer e moro na Irlanda. Venho de uma família super miscigenada, negra em sua maioria. Sou negra. Precisei de 28 anos de vida pra me admitir negra. minha pele e a considerada ”parda” (affe), cabelos volumosos e enrolados, nariz largo e dentes grandes.

Cresci num ambiente em que se julgava engraçado dizer que devíamos agradecer ao meu avô branco por clarear a família, e que ele era um homem muito bom por ter casado com minha avó, mesmo sendo preta; um ambiente em que era engraçado me dizer desde criança que meu pai chorou ao ver meu cabelo crespo quando nasci, pois nao tive a mesma sorte da minha irmã de nascer de cabelo liso. Esses episódios sempre se repetiram disfarçados de piadas. Passei a vida ouvindo essa mesma família, negra, absolutamente contra movimentos negros, negando sua própria essência, com um sentimento péssimo de ”conformismo”, de se aceitar inferior, de achar normal ser tratado diferente do branco. Tanto que, meu namorado e irlandês e quando fomos juntos ao Brasil a primeira vez, minha mãe me ligou perguntando se eu já tinha avisado a ele que minha avó era negra, para ele não se assustar (!!!). Como fiquei triste ao constatar que ela acha ok uma pessoa se incomodar com a presença de um negro.
Já tive muita raiva dessa ignorância e negação, mas hoje tento o máximo possível trabalhar a empatia e entender que eles nao tem a menor culpa de pensar assim.

Hoje amo quem eu sou da forma mais natural que posso ser. Queria muuuito que minha família inteirinha ouvisse esses episodios! Me ajudem a convencê-los hahaha
Muito obrigada por esse podcast maravilhoso que me ajuda a cada dia a ser uma pessoa melhor.”

Ju: E a Nara Schall disse:

“Apesar de montar e mails na minha cabeça enquanto escuto os programas acabo não escrevendo sempre, mas esse especial precisa. Precisa porque, como branca, dessas bem brancas que reflete no sol, me sinto na obrigação de levantar a mão pra fazer um mea culpa, de assumir a posição incômoda de privilégio que inevitavelmente ocupo.

Claro que sou capaz de perceber quanto racismo ainda existe no mundo, no Brasil, mas uma coisa é olhar pra ele de longe, outra é estar no olho do furação, sofrendo com ele cada minuto da vida.

Sei que ninguém vai deixar de dar like em mim no tinder por eu ser branca, pelo contrário, já ouvi mais de uma vez coisas como “nossa, como você é linda, tão branquinha”, mas só agora o peso desse “elogio” me atingiu como deveria, só agora consigo perceber que esse racismo estrutural ta intrincado tão fundo nas pessoas que elas acham tudo bem elogiar alguém por não ser negra.

E sobre fazer o mea culpa, precisei fazer uma autoanálise e me questionar se deixo de dar like em um negro por realmente não me identificar com a personalidade que o aplicativo me permite traçar dele, ou se é porque esse racismo está intrincado em mim também, se eu só estou reproduzindo o que aprendi, que bonito é ser loiro, branco, de olhos claros.

Admitir privilégios é fácil perto de admitir que eu posso estar contribuindo pra essa opressão, mas é necessário. Agradeço vocês, ao Oga e a Xênia por me ajudarem a enxergar essas coisas, a entender meu papel e me ensinar como ajudar de forma significativa o movimento negro. Esses programas precisam ser compartilhados infinitamente!

Um grande beijo e, mais uma vez, obrigada pelo serviço prestado.”

Cris: Eu acho muito interessante que me fez lembrar de uma experiência recente. Que eu estava conversando com o Ian Black e ele estava me falando sobre esse comportamento de Tinder. E ele fez meio que um experimento. Ele foi seguir as meninas que deram match na foto dele e percebeu que a esmagadora maioria de mulheres que davam match na foto dele tinham outros amigos e amigas negras. E as pessoas que ele por acaso desse match e não davam de volta ele ia olhar se as pessoas não tinham amigos, se não se relacionavam com outras pessoas negras. O que acaba batendo muito no que a gente conversou aqui no programa. Né? Que quanto mais você convive, mais você enxerga a beleza. Mais você convive com o diferente, mas você enxerga outros tipos de beleza. Então eu achei muito legal isso, essa reflexão que ela fez.

A Degy Sousa disse “Adorei o podcast mas tem tanta informação que é necessário se pensar que terei de ouvir mais vezes pra absorver tudo, questões históricas que nem imaginava… Mais uma vez vcs me fizeram pensar sobre tudo que envolve ser negro no Brasil e muito obrigada!!!”

Ju: Então vamos para o Trending Topics e vamos apresentar quem temos hoje na mesa. Como nós estamos em praticamente clima natalino né, nós estamos em família e trouxemos pela primeira vez um integrante da família B9 de podcasts que nunca veio no Mamilos. Quem é você, apresente-se.
Rafael: Eu sou Rafael Silva e meu podcast no B9 é o Tecnicalidade
Ju: Sobre o que que vocês falam?
Rafael: A gente fala de tecnologia nos mínimos detalhes, esse é o tag line do nosso podcast.
Ju: Muito bem.
Rafael: Só que a gente fala de uma maneira mais crua, não é tão, tão polida quanto o Mamilos.
TODOS RIEM
Cris: Todo mundo que vem aqui é gentil com a gente né, sempre falam assim “ai mas a gente não é como o Mamilos”. Pááára! Pááára!
Ju: E quem mais tá aqui?
Cris: Ela, a diva, a mulher cobiçada pelos podcasts…
Ju: Que fez muito sucesso no Braincast né? Primeira participação já entrou no elenco fixo. Ana Freitas!
Ana: Entrei! Aparentemente entrei. Boa noite pessoas, tô de volta.
Ju: Entrou. Os meninos chamaram.Querem sempre….

(Bloco 2) 11’ – 20’59”
Cris: Todos querem Ana.
Ana: Sempre muito feliz de estar aqui…
Rafael: Eu aprovo. Vou chamar ela pro Tecnicalidade.
Ana: Tecnica… Se eu conseguir falar 3 vezes esse nome, o que qeu acontece?
[ Risos ]
Cris: Você pode entrar…
Rafael: Trava-língua. É a prova.
Ana: Tecnicalidade. Não, sério, obrigada de novo por me chamarem. Eu sempre me divirto muito.
Cris: Booa! Vamo então pro Giro de Notícias? A gente vai fazer um giro de notícia aqui pra mostrar pra vocês que a gente sabe que tá acontecendo um monte de coisa nesse país maluco, cada dia a gente a dorme o país tá de um jeito e quando acorda tá de outro. A gente vai fazer um resumo muito pequinininho dos três principais fatos que aconteceram, porque na real, a gente não vai aprofundar em nenhum deles hoje. Mas vamo lá.
Ju: [interrompe] Por isso que é Giro de Notícias.
[Risos]
Ju: É só pra entrar no radar! É só pra vocês saberem que existe! Aprofundem-se!
Cris: É o ponta pé pra vocês correram atrás. Vamo lá!
Rafael: Fica aí a dica.
Cris: É, hashtag. O primeiro é: Previdência. A apreciação do projeto de reforma de previdência foi adiada. Após a manifestação da oposição ao governo, atrapalhando os planos de e da base, que queriam acelerar a apreciação da matéria no Senado. As obstruções foram apresentadas após o Senador , o relator do projeto no CCJ, submeter relatório favorável à aprovação em menos de 24 horas. Galera tá num corre, né? Tão legal quando interessa que aí anda rápido. Há quem vincule o atraso com as múltiplas citações do presidente da República e da cúpula de seu partido, PMDB, na delação da Odebrecht. O aumento da reprovação popular de , que tem o governo avaliado como ruim ou péssimo por 51% dos entrevistados, aliado à baixa popularidade da reforma proposta, foram outros elementos que contribuíram para esse adiamento. Apesar do revés a expectativa é que a matéria seja apreciada em 2017, o governo mantém expectativa de que o caso esteja encerrado até julho, ou no meio do ano, com aprovação do texto sem grandes modificações, especialmente quanto à manutenção da idade mínima para aposentadoria em 65 anos. É pra ficar de olho, e uma hora a gente vai ter que mergulhar deste xabu, né Ju?!
Ju: Vamo, mas não vai ser hoje!
[Risos]
Ju: Não, a gente sempre coloca no giro de notícias, esse quadro existe porque a gente… Tinha vezes que a pauta já tava pronta e apareceu uma coisa bombástica, ou tinha assuntos que a gente ia aprofundar e tinham outras coisas importantes que ficavam de fora. Então, assim, fiquem de olho gente. Se vocês não tão acompanhando… Muita gente pediu pra gente falar…[fazendo voz de desesperada] ‘Cara, eu não tô entendendo naaada! Me explica!’ A gente provavelmente vai falar lá em fevereiro, quando a gente voltar. Então, aconselhamos que vocês vejam antes disso. Segundo assunto: PEC. Tá, mesmo que você não queira, você tá pelo menos lendo manchete, sabendo que tá acontecendo, a gente já falou no Mamilos sobre isso, mas continua repercutindo. A PEC 55 foi aprovada em tempo recorde no Senado. A proposta foi aprovada por 53 a favor e 16 contrários na segunda votação, que contou com 70 senadores, o presidente do Senado, , não votou. O governo conseguiu apenas quatro votos além dos 49 necessários pra aprovar uma mudança na Constituição. O resultado representa oito votos a menos a favor do governo, em comparação com a primeira votação em novembro, quando 75 senadores votaram, 61 a favor e 14 contra. O senador , do PMDB-SC, foi o único a votar a favor na primeira votação e contra na segunda.
Cris: Vontade de ligar pra ele, né, e falar: Migo, o que mudou?
Ju: Se você tá vendo essas notícias da votação, tá vendo essas pessoas na rua, tá vendo o discurso inflamado, tanto de um lado: ‘Se você é contra a PEC, você é contra o Brasil’ quanto ‘PEC do fim do mundo’; então se você quer uma discussão menos apaixonada, a gente conversou sobre isso no Mamilos 88.
Cris: Que é um programa muito bom, né! E, número um: Odebrecht ou a delação da Odebrecht. As delações premiadas de Marcelo Odebrecht e de mais 50 executivos da sua empreiteira, que por tantos meses ficaram ali assombrando Brasília, começaram a se tornar reais, de uma maneira inclusive bombástica. De um hotel na capital federal, que virou QG da empreiteira, sob o comando de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba desde 14 de Novembro de 2014, foram debatidas estratégias de defesa para atenuar a pena de quase vinte anos ao qual o empresário foi condenado em 1ª instância. Essa semana que que acontece? Vai e me vaza a delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice presidente de Relações Institucionais da Odebrechet e o seu conteúdo atingiu em cheio o governo e toda a base do governo. O nome de aparece 43 vezes num documento de acordo com a delação premiada. , ministro da Casa Civil, é mencionado outras 45 vezes. , secretário de Parceria e Investimentos do governo , 34 vezes, enquanto o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que pediu demissão recentemente após denúncia de tráfico de influência, é citado 67 vezes! Não se assustem ainda…
Ana: [interrompe] Quem ganhou?! Quem ganhou?!
[Risos]
Rafael: Tem placar?
Ju: Peraí que ainda não chegou o recordista.
Cris: O recordista é , líder do governo no Congresso, apontado como o homem de frente nas negociações com a empreiteira na Câmara que é mencionado nada menos que 105 vezes no relatório. Eu só lembro… Quando leio isso, eu só lembro daquela ‘fotinho’ dele nas manifestações do meio do ano fazendo coraçãozinho assim com a camisa do Brasil. Segue o enterro. Em meio a tanta lama, ainda é possível rir de episódios bizarros identificando na planilha da Odebrecht os apelidos que eles deram para vários políticos. Tem uns que de cara você já sabe. Quando fala “mineirinho”, você fala “Aécio!”. Mas o que chama mais a atenção…
Ju: [interrompe] Imagina, não é não.
Cris: Imagina.
Ju: Não é não…
Cris: O “mineirinho” é o …
Ana: [interrompe] O “mineirinho” é o .
Ju: Não, não é. Ele não se envolve com estas coisas.
[Risos]
Ju: Gente, eu acho um absurdo, ele pode ser processado. Não é um…
Cris: [interrompe] Não, inclusive ele não é o “mineirinho”, se fosse “Carioca” talvez seria ele.
Ju: [interrompe] Bom ponto.
Ana: Ôôôôô… Falou que você não para… cê não para em pé… Em Minas, hein? Não deixava…
[Risos]
Cris: Então, vamos lá. Mas o melhor apelido não é esse. Na real, é o “Todo Feio”.
Ana: [interrompe] Tem o “Boca Mole” também.
Cris: O “Boca Mole” é muito bom. O ex-deputado federal Inaldo Leitão nega ter recebido dinheiro e nega nega ser feio…
[Gargalhadas]
Cris: Contesta o seu apelido, chamando o delator de “Todo Horroroso”. Estamos na quinta série. É uma maravilha…
[Gargalhadas]
Ju: [interrompe] No Brasil, cara… Como seria o seu apelido na delação da Odebrecht.
Ana: Ai… Eu não cheguei numa conclusão sobre isso…
Rafael: [interrompe] Já deve ter um teste do “Buzzfeed” para isso, com certeza.
Ana: [interrompe] Eu tenho…
Ju: [interrompe] Qual seria o seu, Rafa?
Rafael: Hãããmmm O meu seria “Quatro Olhos”. Já que é quinta série e eu uso óculos, “Quatro Olhos” com certeza.
Ana: O “Buzzfeed” fez um teste que é quem você seria na delação…
Rafael: [interrompe] Aaaahhhh…
Ana: Para você achar o seu apelido mas dentro dos que já existem.
Cris: Eu acho que a Juliana já ganhou para a delação que é a “Diva Laura”.
Ju: É. Com certeza seria a “Diva Laura”.
Ana: Diva Laura!
Cris: Com certeza! Eu acho que ficaria lindo. É isso, pessoal. Nosso “Giro de Notícias” é esse e vamos entrar de vez agora no “Trending Topics”?
Ju: Bora! Então vamos pro “Trending Topics” 1. A gente vai falar o que? Vamos falar de Natal? Não é mesmo?
Ana: Jingle Bells!
Rafael: Vamos!
Ju: Porque não falar de Natal, não é? Porque todo mundo queria que a gente falasse de previdência, aí a gente escolheu falar de Natal.
Ana: Sim!
Ju: Para cada tema do “Giro”, que vocês viram, que nos sugeriram, vocês vão ver o tema que a gente escolheu.
Rafael: [interrompe] O mais positivo, né?
Ju: Né? É isso, porque a gente também pode, né?
Ana: Sim!
Ju: Então está bom. As editoras somos nós mesmas, a gente aprova a pauta aqui mesmo, sabe? [Risos] Falei com a minha editora e ela disse que estava tudo bem e aí é isso.
Ana: [interrompe] Previdência não, Natal sim.
Ju: Sim, eu acho!
[Risos]
Ana: [interrompe] Quem liga para a previdência quando você tem aí uma expectativa de fim de semana comendo muito, né?
Ju: Boa questão! Vamos lá! Do que é que a gente está falando? Você tem uma cidade toda decorada, eu acho ótimo.
Ana: [interrompe] Bonito.
Rafael: Sim!
Ju: O Benjamim ia passando pelas casas enquanto eu ainda não tinha montado a árvore e falava “Ó, mamãe. Ali já é Natal. Naquela casa já é Natal”.
[Risos]
Ju: Então assim, o Natal já chegou porque a cidade está toda decorada, o trânsito também chegou…
Ana: [interrompe] Tá meio cagado…
Ju: Porque as pessoas estão frenéticas em compras, milhares de Happy hours e confraternizações, você não consegue agenda…
Ana: [interrompe] Centenas… A gente não consegue encontrar ninguém.
Cris: [interrompe] Agenda está ridícula, meu.
Ju: Ou seja, está chegando o Natal, né? Tem que curte demais, tem quem tenha preguiça, tem quem não liga, tem quem sofre demais no Natal. Natal pode ser a oportunidade para reunir as pessoas que a gente ama e se espalharam pelo mundo e pela vida ou pode ser uma convenção chata que nos obriga a conviver com parentes que não tem nada em comum com a gente. Pode ser o momento de sentir doer mais ainda a saudade de quem já foi, pode ter significado religioso, pode ser só uma data comercial. O que a gente vai fazer agora é bater um papo para entender o significado de Natal nas diferentes culturas e pensar se essa tradição ainda faz sentido para gente. E aí, a nossa brilhante equipe de pauta fez uma pesquisa muito legal sobre o Natal em outros países, outras culturas. Então, vamos lá. Agora cada um da mesa vai falar, graças a nossa pauta maravilhosa que essa equipe perfeita fez para a gente, cada um vai falar de uma cultura diferente. Rafa, o que é que você vai falar?
Rafael: Eu vou falar da Venezuela e da “Patinata”.
Ju: Olha, que legal!
Rafael: Durante a época natalina na Venezuela se ouve o Agnaldo.
[Risos]
Ju: Timóteo?
Rafael: Não, não é!
Cris: Rayol.
[Risos]
Rafael: Não é esse. É um estilo de música originalmente espanhol que foi adaptado aos ritmos venezuelanos. A palavra Agnaldo se refere ao presente que se oferece ou que se espera receber no Natal.
Cris: [interrompe] Hhhuummm. Toma o seu Agnaldo.
[Risos]
Rafael: A música Agnaldo também originou a Parranda, estilo musical similar porém acrescido dos sons do Quatro, espécie de guitarra acústica que originalmente tinha quatro cordas e hoje tem dez e de maracas. Maracas vocês conhecem, né? Aquele [som de maraca]…
[Concordância da Cris]
Ana: Parece animado, não é?
[Todos concordam]
Cris: [interrompe] Está meio carnaval, não é?
Ana: [interrompe] Está meio carnaval. Isso que eu ia…
Ju: [interrompe] Vamos fazer uma playlist, Vai.
Rafael: Natal na Venezuela é o carnaval no Brasil. Também são tradicionais as “Patinatas”, sobretudo na capital Caracas. São eventos de ruas onde crianças e adultos festejam e brincam em patins, patinetes ou bicicletas.
Cris: Gente…
Ju: [interrompe] Cara, é o carnaval, é o nosso carnaval.
[Risos]
Rafael: É praticamente o carnaval com… Sobre patins.
Ju: Achei alegre, achei feliz.
Cris: Deixa eu contar de Kwanzaa?
Ju: Conte.

(Bloco 3) 21’ – 30’59”
Cris: Então deixa eu contar para vocês. O nome Kwanzaa vem de uma frase que eu vou tentar falar aqui, que é matunda ya kwanza que significa primeiros frutos no idioma no Swahili que é falado em países como Quênia, Uganda Tanzânia, Moçambique, e Zimbábue,. Durante o Kwanzaa, um candelabro especial chamado kinara é usado. Esse kinara ele porta sete velas, são 3 vermelhas à esquerda, três verdes a direita, e uma vela negra no centro. E em cada noite do Kwanzaa, uma vela é acesa. A vela que tá no centro, a vela negra, ela é a primeira, ela é a partir da qual uma vela de cada lado vai se acendendo alternadamente.
Ana: agora você bota a Nazaré fazendo conta hahaha que eu já tô… – (RISOS) – Que trampo! hahaha

Todos: risos

Cris: Cê entende… Acende a do meio, uma lá uma cá. Vamo lá, uma cá, uma lá, uma cá.

Ana: Beleza, beleza.

Cris: e os 7 dias são as 7 velas do Kwanzaa que representam os 7 princípios da cultura desses países, que são: unidade, autodeterminação, trabalho coletivo e responsabilidade, economia cooperativa, propósito, criatividade e fé. Olha isso que valores mais legais!

Rafael: Que lindo!

Ju: Cara mas é, eu achei muito legal, tudo é voltado pra comunidade assim, sabe? que é uma coisa que a gente sofre um pouco né. Cada vez mais individualista, cada vez menos comunidade.

Cris: Sim. E não, o que que é legal a cada vela que cê acende, se reflete sobre esse pilar da cultura social deles, da comunidade.

Rafael: e eu achei incrível que eles tenham um pilar de criatividade cara.

Cris: Não é muito bom? Usar a criativida… Olha isso: usar a criatividade e imaginação para fazer melhores comunidades.

Ju: Então tá vendo, todos os princípios são voltados pra comunidade né… –

Ana: – Sim. –

Ju: – Então interessante, acho muito legal.

Cris: É. o princípio de trabalho coletividade e responsabilidade é trabalhar pra (para) ajudar uns aos outros. Olha, muito legal isso…

Rafael: Vamo aplicar esses conceitos no Brasil, né gente, vai que 2017 fica melhor né.

Ju: É que parece melhor do que… comércio né.

Ana: É… comprar coisas pra dar de presente pros outros né…

Rafael: Simmm!

Ju: Como que é na Alemanha Ana?

Ana: Então… Vou seguir a pauta, mas vou fazer um pouco free style aqui também porque eu morei lá e aí tem umas coisas legais pra contar.

Cris e Ju: uuiiiiii (tom de risada) hehe

Ana: O Natal na Alemanha – na Holanda é assim também, porque as tradições são muito parecidas – ele começa meio no começo de Dezembro, então é o 4º domingo antes do Natal. E aí os alemães, nesses dias… então sendo o primeiro domingo o quarto domingo antes [do natal], – então esse primeiro domingo das celebrações natalinas é quando os alemães se encontram com os amigos, com a família, eles fazem biscoito, pão de gengibre, vinho quente.
Eles têm uma tradição que eles começam no meio do ano, que é: eles começam a fazer uma compota de frutas com licor, e vai colocando num pote…

Rafael: E vai fermentando ao longo do tempo?

Ana: Então na verdade…

Cris: – Compota né…

Ana: É uma compota alcoólica. Chega no fim do ano você tem aquela bebida cheia de frutas e cheia de álcool e é pra comer no Natal. Comer e beber no Natal, como se fosse um ponche mas com a fruta em conserva. Aí assim: pras crianças, as crianças recebem a visita do São Nicolau que pela tradição, ele vem da Espanha trazendo os presentes no dia 6 de dezembro, e aí ele deixa os presentes, deixa o chocolate, enfim. Aí tem o antagonista do Papai Noel, que é o Rupert que, pras crianças que não foram boas ele pune as crianças. (no final dessa fala há uma entonação de riso de Ana).

Todos riem.

Ana: Que horrível hahaha

Cris: Alemão fazendo “alemãozice” (risos de todos).

Ana: Ele chicoteia as crianças… Assim, acho sendo que por exemplo Berlim que é uma cidade super pra frente, que tem várias ondas e correntes de educação inclusiva e de educação compreensiva dos pais, eles devem anular o Rupert da tradição.

Cris: Tomara né (voz com riso).

Rafael: Assim esperamos hahah.

Ana: É…. Tem outra coisa muito legal que rola na Alemanha que é durante o mês de dezembro né, ser no inverno, um inverno bem frio – tem a tradição das Weihnachtsmarkt que é igual a uma Festa Junina: Tem tudo que tem a Festa Junina. Tem maçã do amor, tem vinho quente, tem as brincadeiras de Festa Junina…

Ju: Pipoca?

Ana: Tem pipoca, tem pirulito, tem churros, sei lá, tudo que tiver numa Festa Junina vai ter no “Weihnachtsmarkt”. É a feira tipo.. sei lá, tradicionalmente é a feira onde as pessoas iam, pra tomar vinho quente no frio e se esquentar, e fazer a social do Natal. Aí rola o mês inteiro de dezembro, geralmente no fim de semana nas grandes cidades e nas pequenas cidades também.

Ju: Eu dei uma dica no último Farol Acesso do calendário do advento, que é uma tradição alemã também – que é de fazer a contagem regressiva. Então tem famílias que fazem com presentinhos; tem famílias que fazem com tarefas…

Ana: – Uhum…

Ju: – Tem famílias que fazem com pensamentos, com orações enfim. Mas é uma contagem regressiva né, você vai… Ou tem umas gravuras que você abre uma janelinha cada dia até o Natal, então…

Ana: Tem uma tradição que foi um amigo meu alemão me contou na época que eu morava lá, que eu achei muito mancada, mas eu achei engraçada… – (tom de riso, acompanhado pelos demais) – que era sonho. Sabe o doce sonho que você compra em padaria? Ele realmente é um doce alemão.

Ju: Ah, por isso que minha vó fazia…

Ana: É um doce alemão. Em algumas famílias ele é servido nas festas: ou no natal ou no ano novo, servido com creme dentro. Só que um deles é com mostarda! Pra tipo enganar a pessoa.

Risadas de todos

Ana: Tipo uma pegadinha de Natal assim….

Ju: Trollagem (entre o riso de todos)

Ana: Enfim, eu ouvi essa história desse meu amigo alemão, eu acho que era verdade, porque ele não ia inventar isso né. Que tipo de pessoa inventa uma história dessa?

Ju: Hahahhah

Ju: Olha, eu curti muito a tradição da Islândia. Eles têm como tradição presentear livros pra familiares e amigos na véspera de natal, e então passar a noite lendo. Esse costume é tão forte na cultura que é comum que se acabem todos os livros à venda entre setembro e dezembro.
Eu achei ótimo, acho que a Su ia super adorar. Posso fazer isso na minha casa tranquilamente…

Cris: Nossa, sensacional.

Ju: Outra tradição interessante é a presença dos duendes que substituem o Papai Noel na tarefa de presentear as crianças…

Cris: Faz mais sentido né.

Ju: Vindos da mitologia islandesa, os chamados…. Não vou saber falar jamais Jólasveinarnir [nome em islandês para duende] duendes, visitam as crianças ao redor do país durante as 13 noites antes do natal. Pra cada noite do Yule, as crianças colocam seus melhores calçados na janela, e um duende diferente deixa presentes para os bons meninos e meninas. E batatas podres para os que se comportaram mal.

Todos riem, com destaque para o Rafael

Ju: Vestidos com os trajes tradicionais, os tais duendes são bastante travessos, e seus nomes dão a dica do tipo de traquinagem que aprontam. Entre eles: O Espiador de Janelas; O Ladrão de Salsichas e o Lambedor de Colheres.

Todos riem.

Cris: Muito bom!

Rafael: Mas tão mais divertido…

Cris: É meio Saci saca?

Rafael: É!

Ju: Se fosse no Brasil ia ser o Saci trazendo os presentes pras crianças

Rafael: Pô, 13 noites de presentes deve ser meio…. –

Ana: – Inclusive né…. –

Cris: – É, eu fiquei meio preocupada financeiramente com 13 noites de presentes (entre os risos dos demais, com destaque para o Rafael)

Cris: Ó, o que eu mais gostei foi o das velas e o da Islândia.

Rafael: Eu gostei muito mais do da Venezuela tá?

Risos

Cris: É que eu achei um pouco difícil de falar…

Rafael: Ahh, que nada. Eu só falei três vezes…

Ju: Mas e como que é? Cê gosta, cê curte Natal Ana?

Ana: Eu curto. É… assim..

Ju: Qual a sua tradição em casa?

Ana: Eu geralmente assim: meus pais são separados desde que eu era criança bem pequena. Meu pai não mora no Brasil, é, eu geralmente passo com minha mãe. Eu vou falar a verdade aqui porque as pessoas de quem eu vou falar mal dificilmente vão ouvir esse podcast.

Todos riem

Ana: Então…-

Rafael: Assim que é bom –

Ana: – Eu vou ser franca. O negócio é o seguinte: A minha família, da minha mãe – eu fui criada principalmente pela minha mãe né, meus pais separados. E a gente era pobre. Quando a gente ficou melhor de vida, a família da minha mãe voltou a se aproximar da gente. Antes a gente não passava o Natal com a família da minha mãe.
Nomeadamente minha avó materna, e minha tia e meu tio. Hoje, no entanto, o Natal é sempre na casa da minha mãe, que é um apartamento maior – hoje né – e… com esses membros da família que misteriosamente sumiram durante alguns anos, nossos anos mais difíceis né.
Daí assim, eu gosto do lance de passar com a minha família, de estar junto com minha família. Só que assim, dessa galera toda, eu só gosto mesmo da minha tia (todos riem levemente) minha tia é legal. Meus primos são legais também. Que a minha vó é muito… Não vou nem começar entendeu? Porque vai que alguém manda isso pra ela um dia, sei lá… (Risos)
Meu tio também… que pessoa! Nossa! (Tom de ironia)

Ju: Nem todo espírito natalino dá conta (em meio ao riso dos demais)

Ana: Aí o que acontece? Vai o meu tio e fica falando groselha. A minha vó, a primeira coisa que ela fala: “Fia liga a tv pra vó ver a novela”… –

Ju: – Ai gente… –

Rafael: – Nossa…-

Ana: Daí vai, ela quer ligar a TV, fica a TV ligada. Odeio TV ligada quando é para interagir com as pessoas, entendeu? –

Ju: É.. –

Ana: – Se está com as pessoas, interage com as pessoas, não é pra ligar a TV. Daí fica ela vendo a TV lá… Minha tia ela e minha mãe… – minha mãe é uma pessoa genial. Incrível. Quando junta com minha tia e com minha vó, ela liga um modo… –

Ju e Cris: – hahahaha

Ana: – Ela liga um modo que é pra entrosar com aquela galera, e aí elas têm 3 assuntos que elas falam: Um é paranormalidades… – (todos riem bastante) – religião… é sério!

Rafael: Eu não estava esperando isso.

Ana: Então elas falam… do… “ah! nossa, tive um sonho premonitório… –

Rafael: – Astrologia…-

Ana: – … Astrologia, entendeu? Uma nova técnica de cura de Reik, elas falam dessas coisas. Esse é o assunto.
Outro assunto: Emagrecer: “não, porque chá de berinjela, com a agrião, não sei o que… novas técnicas…
Terceiro assunto: Estética e beleza em geral… né. Então fica aquele núcleo ali que eu não consigo, tenho dificuldade, altas dificuldades pra penetrar nesse núcleo. Daí já me sinto meio fora. Daí minha vó vendo novela. Meu irmão, assim: Meu irmão tem uma facilidade maior de socializar entendeu? Apesar de ele também não ser conectado, ele é uma pessoa mais afável do que eu; consegue socializar ali.
Geralmente eu fico confabulando com meu primo mais novo – tem 10 anos a menos que eu. Beijo pra ele, vai estar ouvindo. Vou mandar o link pra ele. A gente fica… meu, sei lá, falando umas groselhas, falando de meme na internet, fazendo umas piadas quando alguém fala alguma coisa em casa, que dá pra gente fazer piada que a gente se entende… E aí assim, eu gosto da oportunidade de passar com a minha família; só que eu gostaria muito mais, e eu gostava muito mais quando era: Eu, minha mãe, meu irmão, meu padrasto e meu irmão postiço, que é o filho do meu padrasto. Porque tipo, é a gente e a gente… –

Cris: Fica mais solto? –

Ana: É! Não, e a gente, sei lá, a gente é próximo, a gente se gosta mesmo. A gente têm motivo pra tá junto por quê a gente se gosta muito. E, sei lá, todo mundo se entende, todo mundo se respeita…

(Bloco 4) 31’ – 40’59”
Ju: É que o Natal é mais do que só o Natal. Se for só o Natal não funciona, né? Ele é…
Rafael: Tem que ter o drama familiar.
Ju: Ele é a celebração de um ano inteiro, né?
Ana: Sim.
Ju: Ele não acontece só no dia do Natal. Aí não rola. E você, Rafa, como é?
Rafael: Pra mim é quase igual à parte da Ana, tem a mesma família chata…
[ risos ]
Cris: Não, depois da Ana ninguém fala, vamos combinar assim?
[ risos ]
Cris: Foi maravilhoso!
Rafael: E, assim, a minha família toda, por parte de mãe e por parte de pai, é de Minas Gerais. Eu tenho, vinte tios e tias e é bem grande o número de familiares e sempre tem primo, sempre tem algum parente que briga e tal. No ano inteiro é assim, discute e tal, para de se falar, afasta, aí, no Natal, todo mundo fica “Tô de bem, tô de boa”, sabe? Aquele clima meio estranho. Eu nunca gostei muito, sabe? Sempre foi assim, a gente discute, discute…
Ana: No perfil do Rafa no Facebook tá assim “não gosto de falsidade”. Não gosto: falsidade…
[ risos ]
Rafael: É! Não sou desses. E no Natal tá todo mundo bem, todo mundo enche a cara, todo mundo fala umas verdades de novo e passa, sabe? E eu nunca gostei disso.
Ana: Tem uma coisa que eu esqueci de falar que eu acho que talvez aconteça com todo mundo ou com muita gente. É que, se tem uma parada que me deixa inquieta é esse lance de se arrumar pra fazer nada na sala. Isso aí é foda.
[ risos ]
Rafael: É! Sim, tem isso também.
Ana: Você tá lá, tá cozinhando o dia inteiro, mó função, tal, ajudando a minha mãe, não sei o que, e corre, e vai e não sei o quê…Ah, o pessoal tá chegando! Vai tomar banho e se arrumar. Mano. Pra quê? Pra ficar na sala. Aí, come às nove, enche o cu de comida, às nove da noite. Dá dez, todo mundo já comeu, quer ir embora. Aí vai embora a parte da família que tem que passar Natal com outra família. Aí, fica eu, com sono, tem que esperar dar meia-noite pra falar Feliz Natal. Não posso dormir. O que você faz com isso? Arrumada, de maquiagem, na sala. [risos] Não pode dormir, não pode ver TV, não pode participar dos papos, porque, vai entrar como? [risos] Eu não tive nenhuma experiência paranormal esse ano pra dividir…entendeu? [risos] É foda, velho. Tipo, e aí, quando eu era mais nova, ganhava presente. E agora que não ganha mais presente? Não tem nenhum bright side da coisa, tá ligado? Silver lining… não tem.
[ risos ]
Rafael: Agora você ganha meias!
[ risos ]
Ju: Ai, Jesus…tá bom. E você, Cris?
Cris: Não, não vou falar…[risos]…Bom, a minha família inteira é Testemunha de Jeová, ou seja: não tem Nataaal. Então, eu fui criada sem Natal, mas como qualquer criança que quer aquilo que não tem, eu queria muito ter Natal. Eu queria muito ter Natal, saca? Era uma coisa muito importante pra mim, mas eu não tenho a referência da tradição, né? Quando eu saí de casa e fui morar sozinha, eu era bem jovem e tal, a primeira coisa que eu fiz? Comprei uma árvore de natal em julho! Porque eu queria muito uma árvore de natal.
Rafael: Pelo lado bom, você pegou com desconto, né? Porque não tava em dezembro ainda.
Cris: Tipo isso, aquelas das Americanas, né?
Ana: Cris rodando o país em busca de um pinheiro. A saga sem fim.
[ risos ]
Ana: Essa mulher só queria um pinheiro natalino em julho.
[ risos ]
Cris: Aí, depois que monta a árvore, toma um litro de uísque no bico.
[ risos ]
Cris: Bom, então nunca teve a tradição na minha família, nunca existiu isso. Só que eu gosto da idéia de reunir pessoas, e ficar um tempo juntos e tudo mais. Tem toda essa questão que a Ana falou e tudo. Então, eu nunca tive Natal com a minha família. Eu e o meu irmão até ensaiamos um ano, mas não deu muito certo e agora não tem mesmo. Mas aí, pô, eu tive filho e aí, cara, muda tudo, né?
Ana: Ah, puta, quando tem criança é muito legal!
Cris: Aí, tem árvore legal…Só que a gente vai pra casa do Agê, lá em Assis…
Ju: [interrompendo] Da família dele, a dele é a sua casa, tá?
[ risos ]
Cris: E eu gosto muito porque eu faço comida pra um monte de gente. Então, eu passo o dia inteiro cozinhando, cara, o dia inteiro. Eu faço muuuita comida. Tudo que todo mundo quiser comer, eu vou e faço.
Rafael: [interrompendo] Você não quer ser da minha família, não?
Ju: Não, basicamente, esse é o espírito natalino, né?
Cris: E, aí, dá dez horas e tem que tomar banho, comer muito e esperar. Mas é muito legal porque a Tatá acredita em Papai Noel por conveniência, né? Então, ela fica esperando os presentes, com as outras crianças… aquele monte de crianças e tudo mais, depois vai dormir. É meio isso mesmo. Dá uma vontadinha de beber, apesar de não ter álcool, mas tudo bem. E eu gosto da experiência de estar junto dessas pessoas. A família diminuiu nos últimos anos, então, rola uma coisa meio melancólica no final, de tipo “Ah, que saudades de quem não está aqui mais”, é bem difícil isso, mas o fato de estar todo mundo ali, e, assim, eu fico pensando que eu vou ser essa velha, saca? Tipo, vai ter que ficar comigo, eu não tô nem aí. [risos] Tudo bem que eu vou tentar fazer uma coisa animada e tal, ou talvez não. Mas eu acho muito genuína a alegria dos meus sogros, com aquele tanto de netos correndo pra lá e pra cá, os filhos com saúde, ali juntos, as noras, as coisas meio capengas, aquelas brigalhadas que sempre rolam. Mas é muito genuíno e eu vou por isso. Eu acho lindo ver a alegria deles de ver a família toda unida. E o monte de comida!
Ju: Na minha casa, a minha avó por parte de pai amava o Natal. São sete filhos, duas mulheres e cinco homens e as duas filhas também curtiam. A minha família tinha umas coisas muito legais, tipo, como você equaliza em sete filhos, obviamente nem todo mundo tinha a mesma grana, então, você vai juntar todo mundo e vai ter aquela família que vai dar um monte de presentes pros filhos, e a outra família que não vai conseguir dar nada, vai ter aquela família que vai dar um presente pro irmão e o irmão que não vai poder retribuir porque não tem presente. E a minha família sempre foi comunistinha, então, cada um dizia quanto dinheiro tinha para o Natal, se fazia um fundo, se dividia pelo número de pessoas, se fazia um amigo secreto e existia a cota do amigo secreto. Então, todo mundo ganhava presente do mesmo valor. Minha avó amava decoração de Natal, então, todo ano ela comprava alguma nova, então, imagina que o negócio foi ficando uber assim, eram super produções hollywoodianas no Natal.
Ana: Plot twist, sua avó é o Hans Donner.
[ risos ]
Ju: Tipo isso…
Ana: Está explicado o nome alemão.
Ju: E ela tinha uma tradição que era muito legal. Todo ano ela pegava cem reais, na época que cem reais era muita grana, e escondia em algum lugar pros netos. Então, tinha o jantar, tinha a revelação do amigo secreto, e tinha a revelação de onde está o dinheiro que a vovó deixou pros netos. E eram, assim, vinte netos. Muita gente!
Cris: Você já achou, Ju?
Ju: Tinha pra todo mundo, bem. Não é assim que cada um ganha um. Ela botava pra todo mundo.
Rafael: Cem reais pra todo mundo?
Rafael: Eram cinquenta, eu acho. Mas mesmo assim, era muito dinheiro naquela época.
Cris: Quando a gente é criança, qualquer dinheiro parece muito dinheiro.
Ju: A minha avó guardava dinheiro o ano inteiro pro Natal. Minhas tias guardavam dinheiro o ano inteiro pro Natal, pra botar dinheiro pro bolo ficar maior, então assim, cada um dando o seu dinheiro, a cota ia dar cinquenta reais, a minha tia ia lá e botava uma grana que ela tinha guardado o ano inteiro e a cota subia pra, sei lá, cem reais, numa família gigante. Então, Natal sempre foi um lance assim. E eu acho que é um momento que mostra um monte de coisa. Porque isso que você falou, “ah, todo mundo briga e chega no Natal todo mundo tá bem, e a minha avó fez questão de nos ensinar isso muito com exemplos e, com essas coisas com o Natal, que família é isso, sabe? Porque não é não brigar, porque você vai brigar, e você vai ter um monte de problemas. Família é transcender os problemas pra você continuar tendo uma relação. Então, fosse o que fosse, tinha os perrengues, não sei o que, mas arranjava um jeito de no Natal você conseguir, pelo menos, estar no mesmo ambiente e tal, partilhar ali. Então, o Natal sempre foi uma coisa muito legal, sempre teve uma coisa que eu vejo que nem todo mundo tem, que é: tem que ser uma comida muito especial, então tinha aquelas comidas que era só no Natal que se comia. Então, era o meu primo que fazia o mousse de maracujá com o estrogonofe de nozes, então, sempre, todo ano ele que fazia. A minha tia que ia fazer o peru de não sei quê, mas era o outro primo que sabia cortar o peru. Então, cada um tinha a sua função, sabe? E era uma coisa que era esperada o ano inteiro. Você não ia comer aquele arroz em nenhum outro dia do ano. Você não ia comer aquele pernil em nenhum outro dia do ano, sei lá. Enfim, acho que pernil, não…pernil é de porco, né?
Cris: Mas come.
Ana: Mas come.
Rafael: É o tender, né?
Ju: Mas porco não come lá. Carneiro, acho que comiam. Carneiro era só no natal também. Enfim, era uma série de coisas, era uma data esperada no ano inteiro, então, acho que eu aprendi a celebrar muito.
Cris: E agora?
Ju: E hoje, eu sempre, por outro lado, tive essa dificuldade de pais separados, então, assim, um ano com o meu pai, um ano com a minha mãe, era sempre um drama…onde vai passar?
Ana: É, eu alternava também quando era criança.
Ju: E aí, quando eu casei, piorou tudo, né? Porque, daí, ficou…
Ana: No mínimo três.
Ju: Eram três, e aí, onde vai passar? E, aí, quando o Benjamin nasceu, eu falei assim: ah, não era muito fácil viajar com bebezinho e tal, falei, ó, gente, vamos fazer o Natal aqui em casa, porque daí junta todo mundo e tal. E é isso que a gente faz desde que o Benjamin nasceu.
Ana: Ah, que legal. Nossa, não dá o maior trabalho?
Ju: Dá, mas é isso, eu gosto.
Ana: Mas, assim, eu queria fazer um adendo ao meu range de rabugenta. Eu sei que esse é o Mamilos, é um espaço de conciliação…
[ risos ]
Ju: Mas pode, tá? Você não é obrigada a gostar.
Ana: Eu quero fazer uma observação. Eu acho que tem um lado de sim, família pode ser aquele grupo de pessoas com quem, eventualmente, você vai brigar, e que, sei lá, o Natal é esse momento em que você vai se reunir com as pessoas e aprender a exercitar o perdão etc. Mas eu também acho, e falo porque já pensei muito nisso, uma coisa que eu matutei durante um longo período da minha vida, que, às vezes, a gente toma decisões sobre as pessoas que estão ao nosso redor na família, baseadas em anos de, sei lá, de uma relação que de repente não te faz bem. E você pode ter tentado de várias maneiras olhar pra essa relação, de uma maneira ou de outra e, de repente, essa relação não te faz bem e, sei lá, em alguns casos, na minha família, eu decidi que tinham pessoas que, por algum motivo, eu não entendo qual, elas não pareciam querer o meu bem, porque elas constantemente falavam coisas que me tentavam me deixar pra baixo. Então, primeiro, sei lá, entendi isso, depois, eu trabalhei uma maneira de não deixar essas pessoas me deixarem pra baixo com as coisas que elas falam e, depois, em terceiro, eu decidi que não vou me forçar a estar perto delas se eu de fato não precisar. Não significa que vou tratá-las mal, que eu não vou ser gentil…

(Bloco 5) 42’05” – 51’03”

Rafael: Você vai tolerar a presença delas.
Ana: Não, eu vou ser gentil, vou ser educada, não significa que eu não gosto delas, no caso de pessoas próximas, não significa. Cê tem afeto, às vezes, uma pessoa que foi próxima na sua criação, mas eu decidi, objetivamente, ativamente, me afastar de pessoas que por algum motivo queriam me, sei lá, não sei…
Cris: Não deu certo.
Ana: Sei lá, as pessoas têm os problemas delas, elas têm as neuras delas, as tretas de infância, e elas projetam isso nos outros. Não cabe a mim julgar, ah, essa pessoa é uma pessoa ruim porque ela está fazendo isso comigo. Não é. Eu não sei porque, eu entendo, deve ter um bom motivo, eu só não quero passar por isso. E eu acho que essa é uma escolha que a gente faz, uma escolha muito treta de fazer, tipo…
Cris: Eu concordo porque no Brasil a gente é muito passional, né? E tem muito assim “É seu sangue, como assim você não gosta? Como assim você não perdoa?”
Ana: Sim!
Cris: Então, assim, eu acho que realmente você tem que entender qual é o seu limite.
Ana: Exatamente!
Ju: Não, e perdoar não quer dizer conviver, né? Às vezes é uma pessoa que ok, eu entendo, como você falou, eu entendo, mas eu não preciso conviver.
Cris: Muitas pessoas escreveram pra gente uma determinada época, a gente falou alguma coisa a esse respeito, e as pessoas falavam “mas me faz mal, falam coisas que me agridem muito”. Então, cara, ninguém é obrigado. Serião.
Ana: E a gente não está falando nem de coisas que a galera zoa, tipo, treta de Natal, de discussão política. A gente está falando de coisas mais enraigadas (arraigadas), que sei lá, que, às vezes, machucou quem você é.
Cris: Claro, a pessoa é gay e a família é totalmente homofóbica, e tem que ficar lá ouvindo um monte de desaforo porque é Natal e você tem que ficar…não tem que.
Ju: É, não, mas aí eu também acho que família é o que você constrói.
Ana: Sim.
Ju: Entendeu? E é por isso que eu acho que ao longo da vida você vai construindo essa relação de família com outras pessoas. Você escolhe. O seu marido você escolheu e ele passa a ser sua família. Então, os amigos são os irmãos que você escolhe.
Cris: É a rede que você cria.
Ju: Mas eu acho que você recebe uma família, que aí você vai ver se você tem afinidade ou não e você vai construir o laço ou não e você vai construir a sua. O que eu acho é que depois dos 20, você não tem mais pra onde se esconder, porque você tem escolha, entendeu? Então, acho assim “Ai, eu não gosto da minha família, a minha família não me aceita, não sei que…” Tá, então você construiu uma família melhor que essa? Você construiu uma família ponta firme, você construiu uma família em que as pessoas se aceitam, se ajudam, se apoiam, e estão lá, não importa o que aconteça? Você construiu uma família melhor que a sua? Então é isso, bola pra frente, porque, né?
Ana: Sim.
Cris: E é um trabalho isso, né? Porque uma das coisas que mantém a gente ligada à família é que, assim, não importa o que faça, vai continuar sendo seu tio, seu irmão ou seu primo e aí, a gente no discurso da tolerância, porque se aquela família, por motivos válidos mesmo pra você, essa conexão não foi estabelecida, você vai construir uma família pra você. E construir uma família é muito mais difícil do que aquela que te foi colocada, porque você tem que ter tolerância e aí não tem essa desculpinha de tipo “Ah, eu não posso deixar de ser amiga dela porque, pô, ela é minha irmã, né? Ela é minha prima, né? Então, costuma ser até mais sólido, porque a tolerância está construída única e exclusivamente em cima do amor fraternal, e é foda.
Ana: Eu acho que tem umas noções muito distorcidas de, às vezes, as pessoas piram muito, especialmente agora, com a polarização dos discursos políticos, as pessoas piram muito na importância disso. Assim, acho que cada caso é um caso, tem gente que passa por coisas que eu não faço ideia e as pessoas têm liberdade para, enfim, para avaliar se o ambiente tóxico tá sendo tóxico para elas ou não, mas eu também acho que, num momento desse, muitas vezes a gente acaba tirando, e isso não acontece só com família, hein? Acontece com toda a nossa avaliação circo-social, às vezes, a gente acaba tirando alguém da nossa vida, ou sei lá, acaba tendo uma má impressão daquela pessoa só por causa do posicionamento político dela, o que é uma coisa super esquisita. Eu tenho um exemplo muito claro assim na minha família, que não é nem minha família de sangue, mas são meus padrinhos. Minha mãe engravidou de mim com dezessete anos, de família pobre e tal, foi uma treta, e os meus padrinhos eram os melhores amigos dos meus pais no colégio, e, meu, sei lá, quem é amigo de colégio…tanto que os padrinhos do meu irmão sumiram, não são mais próximos, mas os meus padrinhos são pessoas que tiveram do lado, muito próximos, desde que a gente é criança até hoje, e numas coisas punk, tipo de precisar levar no hospital, sabe? Minha madrinha é médica, quando tinha correria, sei lá, quando alguém estava doente, a minha madrinha que vinha. Quando eu fiquei doente na UTI, minha madrinha saiu às três da manhã da casa dela e foi até a puta que pariu no hospital para dar um barraco lá, porque eles não tinham feito o catéter do jeito que tinha que fazer e, velho, se eu fosse tentar falar de política com a minha madrinha, tipo, acabou a nossa relação. Só que ela é uma pessoa que eu tenho certeza de que se eu ligar pra ela agora e falar que eu preciso dela, ela vai vir, e eu também faria isso por ela, sabe? A gente tem uma relação que é de família, que é de amor, e que a gente sabe das diferenças e isso não muda. A gente se respeita, saca?
Cris: Não, o meu sogro é isso também. Meu sogro bate o dedinho na quina, foi o PT.
[risos]
Cris: O Facebook dele, você lê e fala “não tô acreditando”. E ele é maravilhoso. Ele é um poço de carinho. Ele é queridíssimo, ele carrega água na peneira pra gente, sabe? Ele com a Tatá é um negócio assim, de chorar, o carinho que um tem pelo outro, e brincar…Então, assim, tem que ser realmente alguma coisa muito séria…
Ana: É, tem que ser sério.
Ju: É isso, a minha tia que larga tudo pra vir de Porto Alegre para cá pra me ajudar com as crianças, pra ficar cuidando das Crianças, é isso, assim, sabe? Fica mandando aqueles memes no WhatsApp…não dá pra conversar cinco minutos, mas é isso, assim. Eu até ia perguntar: quanto você já mudou nos últimos cinco anos? Será que você toleraria a pessoa que você era cinco anos atrás?
Ana: Essa é uma excelente pergunta.
Ju: Então, assim, cara, tenha paciência com as pessoas que estão em caminhadas em pontos diferentes. Então, muita gente vem falar com o Mamilos “Ai, gente, só com vocês no ouvido para aguentar a minha família.” Assim, cara, sai do teu Olimpo de justiça social e de todo bem estar mundial e a boa vontade está concentrada no seu coração perfeito e, assim, busca outros assuntos. O que você tem em comum com essa pessoa, entendeu? Então, assim, eu tenho uma tia que foi fazer enfeite de Natal pra mim, ela fez tudo com a minha mãe em cartolina, elas não tinham dinheiro pra fazer uma árvore de natal, elas copiaram os enfeites e fizeram tudo de cartolina e fizeram a árvore de natal pra gente. Cara, eu não sei o que a minha tia pensa de política, acho que nada da minha vida ela teria uma opinião boa para me dar sobre a minha vida, e não importa, sabe? Então, acho que é isso, construa relações que transcendem esse papo. Está muito politizada na conversa e não é isso. “Tia, qual foi o último livro que você leu? Qual foi o último filme que você gostou? Que música que você anda ouvindo?” Se importa com as pessoas que aí o assunto flui.
Cris: Não, e assim, a gente vive falando assim: “Ai, eu vivo numa bolha, tô precisando sair dessa bolha”, mas não convive com a família.
[risos]
Ju: Que boa vontade, né, amigo?
Cris: …mas não convive com a família. Então, assim, a família é oportunidade de exercer a tolerância, a generosidade, a compaixão…
Ju: De misturar, né? De sair da bolha. Porque família necessariamente tem pessoas diferentes.
Cris: Vai ter o tio machista, vai ter o tio racista, a prima homofóbica, tem, porque as pessoas estão em momentos muito diferentes cada uma da vida delas. E aí, é claro que quando isso é dirigido exclusivamente a você, quando tem um negócio pesado, é diferente, mas impedir a pessoa que deu uma opinião e simplesmente não querer nem conviver com ela, sabendo que aquela pessoa é uma boa pessoa e que aquilo faz parte da trajetória da vida dela e do momento dela, aí, cara, aí é se fechar no mundinho do Facebook mesmo.
Ju: E para o que não tá nesse universo que a gente tá falando, existe o programa relacionamentos abusivos, então, ninguém aqui tá falando pra você manter um relacionamento abusivo…
Cris: São duas coisas diferentes.
Ju: Então, assim, família é campeã de relacionamento abusivo. Se é abusivo, você já viu o checklist lá e aí você vai pular fora. Agora, eu queria perguntar uma coisa. Eu sou, às vezes, um pouco zoada pelo meu ateísmo ortodoxo e gostar tanto de Natal. Vocês acham que Natal faz sentido pra quem não tem religião?
Cris: Espero que sim, né?
Ana: O que você acha, Rafa?
Rafael: Eu acho que sim. Eu acho que o Natal transcende religião. Acho que é algo que sim, saiu da religião católica, tem tradições, na verdade, até pagãs né?
Ana: É, vem de antes…
Rafael: Sim!
Ana: Você falar que por causa de Natal você não pode ter religião, você vai ter que voltar antes das tradições que deram origem…Acho que transcende, como o Rafa falou, porque essas tradições vieram mesmo antes do catolicismo e do cristianismo.
Rafael: É, e o Natal, como você falou, é uma época de você se unir com a família, de você ter essa proximidade e tentar realmente exercitar a sua tolerância e tal. Eu não vejo nenhuma contradição em você ser atéia e celebrar o Natal normalmente, porque é algo que não tem religião.

(Bloco 6) 51’04 – 1:00’59” revisado até aqui
Ana: É e tipo, cultura é essa colagem né de coisas, vai acumulando, vai somando, vai ganhando camadas…
Cris: daqui a pouco você vai me falar que não pode ter papai Noel porque a gente mora num país tropical.
[risos de todos]
Ju: eu acho muito legal a gente já arranhou um pouco no Mamilos falar sobre a importância de ritual, isso é uma coisa que me chamou atenção quando eu fiz uma matéria de antropologia que a professora falou que assim, todas as sociedades, todas as culturas têm rituais e que isso é importante, isso nos ajuda a entender o ambiente que a gente vive tal e aí o pessoal nos ajudou e buscou algumas coisas pra falar um pouquinho melhor sobre isso, então assim, o que são rituais? São ações que carecem de uma relação prática entre os meios que se escolhem pra atingir certos fins, então, por exemplo: por que você aperta a mão de alguém quando você conhece essa pessoa? Não tem um objetivo prático pra isso né, não tem nenhuma razão real pra fazer isso, você poderia cumprimentar as pessoas sem nenhum contato físico, por exemplo…
Cris: impossível prum mineiro…
[risos de todos]
Cris: eu não pego na mão de ninguém eu abraço de verdade, dou beijo no rosto, as pessoas ficam um pouco horrorizadas, eu melhorei tá gente…
[risos de todos]
Ju: cada cultura, em cada parte do mundo, em cada época se envolveu em rituais sugerindo que eles são uma parte fundamental da condição humana, rituais foram até chamados de nossa forma mais básica de… Olha ai Rafael porque você está aqui… [Rafael: Olha só….] Tecnologia
Ju: …eles são mecanismo pra mudar as coisas, resolver problemas, executar determinadas funções e realizar resultados tangíveis, a necessidade é mãe da invenção e os rituais nasceram da perspectiva clara, olha só, vê se não é muito importante pra 2016, vem comigo, os rituais da perspectiva clara de que a vida é intrinsecamente difícil e que a realidade não adulterada pode paradoxalmente se sentir incrivelmente irreal [Rafael: uau] os procedimentos ritualísticos são mais racionais do que aparentam, por meio da repetição dos atos ao qual o tempo e a sociedade agregam valor específico pode se reduzir a ansiedade, por meio da simples repetição do procedimento padrão, aumentando a confiança das pessoas que simplesmente reproduzem os atos ainda de que maneira impensada, não é muito legal, porque assim é um pouco isso, sabe, quando eu era adventista eu tinha o ritual do sábado, então sexta-feira, por mais corrido que fosse no pôr do sol eu precisava parar, ai sábado era um dia especial, então a casa era limpa na sexta-feira pra receber o sábado, você assava um bolo na sexta-feira, pra casa ter cheiro de bolo que era o bolo do sábado, a comida especial era no sábado e a família toda se encontrava na sexta-feira e parava e sentava e cantava um hino e rezava, pra esperar o sábado e isso como ritual, como um momento então que a família sempre tinha pra contar o que tinha sido da semana quais eram as preocupações, porque se ia fazer uma oração ia cada um contar o que se preocupava, qual seu pedido, qual era sua preocupação, então esse ritual, esse momento de a cada semana ter um momento reservado pra parar, e durante o sábado não podia se falar de trabalho, não podia, tinha que se desligar de tudo até o pôr-do-sol do sábado em que se fazia o mesmo ritual e começava a semana eu acho que isso tem um Q de faxina mental, um Q de organizar sua semana, organizar suas relações, de organizar o seu tempo que é muito legal
Ana: Tem uma tradição mística de muitas religiões que mudam de nome, mas é o conceito de egrégora que é o conceito de que quando pessoas estão reunidas, focadas em determinada coisa, esse grupo de pessoas meio que forma uma grande energia temática, uma nuvem de tags [risos de todos] espiritual e que essa egrégora ela pode ser acessada depois por outras pessoas, pra fortalecer novamente esse mesmo ritual, então vem daí, vem do conceito de egrégora de que a igreja é um lugar sagrado, de que ao longo da história as pessoas foram na igreja e se comunicaram com deus ali, elas fortaleceram a ideia de deus, então como você tem ali, muitas pessoas com aquela ideia, sei lá, de coisas boas, então a igreja ficou um bom lugar pra você rezar e pensar em coisas boas, vem da ideia de egrégora sei lá, você orar, assim a ideia de você, da oração em latim por exemplo, a medida existe a noção de que se você faz uma oração em latim você tá acessando egrégoras muito antigas, de energias antigas, de energias que são muito poderosas e existe a noção de que se você acessa uma egrégora por meio de um ritual ou de uma palavra de maneira displicente você tá diluindo poder àquela egrégora
Ju: Entendi
Ana: Então…
Cris: [interrompendo] banalizando a parada…
Ana: Banalizando, então assim, se você… vamos supor o termo “graças a Deus” numa época em que o termo “graças a Deus” era usado só em contexto absolutamente religiosos, então falar “graças a Deus” supostamente tinha o poder de acessar uma energia poderosa de que toda hora que alguém falava isso de fato a pessoa pensava pensava em Deus e agradecia a Deus, então é uma egrégora importante de agradecimento, na medida em que se torna um termo comum que todo mundo fala, você perde isso, é como se você diluísse essa força, pensamento isso tudo falando tipo, isso é um misticismo que tem no catolicismo, mas que também tem na cabala, no judaísmo, nas tradições místicas de muitas religiões, agora os rituais ai eu conecto com o que você falou, só pra ficar claro que eu não to brisando aqui [risos de todos] é pras religiões os rituais têm… não assim, você não precisa nem acreditar em religião mas se você acreditar de alguma forma que quando você faz alguma coisa que alguém já fez antes você ta se conectando energeticamente com aquilo, claro que isso é espiritual, mas enfim, os rituais têm essa função na repetição de fazer com que você conecte, se conecte com energias anteriores, de outras pessoas que já fizeram aquilo, que dariam mais substância, mais inspiração pro que você tá fazendo.
Ju: e mesmo que você não acredite em nenhum misticismo, que é isso que eu to falando é em termos antropológicos [Ana: sim exatamente] é uma necessidade humana que te dá pertencimento, que te dá identidade, então quando você parte de uma ideia de e essa pergunta né “poxa, mas eu deveria ensinar pro meu filho, faz sentido eu ensinar pra ele o respeito ao sagrado, faz sentido eu ensinar pra ele alguns rituais e tal, eles tem alguma coisa a ganhar?” e assim é muito interessante ver, vale a pena pesquisar um pouco mais sobre isso, porque a gente foi perdendo um monte de rituais e o complicado é não substituir por novos, porque você não precisa ir pra igreja todo sábado se o que tem ali não te faz bem, mas qual o ritual que você colocou no lugar, né, qual foi o ritual que eu coloquei no lugar do sábado pra mim, qual foi o ritual que eu coloquei, por exemplo poderia ser…
Ana:[interrompendo] poderia ser você ler um livro no sol, todo sábado no mesmo lugar…
Ju: Não, não poderia, porque é pessoas, porque o sábado é sobre família
Ana: ah tá, entendi
Cris: a igreja na minha opinião não é sobre Deus é sobre congregar pessoas
Ju: é então por exemplo, meu ritual de sábado [Ana: ah entendi, vocês tão falando análogo a igreja] é, meu ritual de sábado, ah então eu não vou mais usar esse ritual que eu já tinha pronto que já tava pré-aprovado vai, então meu ritual vai ser toda sexta-feira eu convido uma amiga e eu faço a comida pra ela e a gente senta, come e conversa, pode ser esse ritual
Cris: Pode fazer Ju
[risos de todos]
Ana: é eu acho uma ótima ideia mesmo
Cris: eu do like nesse ritual
Ju: gostou desse ritual [risos] enfim, a questão é, quando a gente fala disso, os rituais organizam a vida, faz uma higiene mental, te ajuda a ter conexão com as pessoas e ai a importância de ter rituais comuns, porque, ok você pode substituir o ritual que você quiser por quinoa, não [risos de todos] você pode substituir o ritual religioso pelo seu, mas quando você tem um mundo inteiro de maneira diferentes valorizando a mesma data, você consegue parar uma guerra por exemplo, que uma coisa que meu ritual hippie não vai fazer entendeu, então assim, o poder eu acho do natal é que não sou só eu ou você que valorizamos essa data, não é só minha vó que valoriza essa data e é uma tradição familiar muito legal, é que no mundo inteiro você tem ao mesmo tempo as pessoas buscando essa mesma esse mesmo sentimento, esse mesmo momento de reunião, esse momento de parar e buscar o entendimento eu acho né, de valorizar os momentos bons, de valorizar as pessoas enfim, então eu acho que fica aí uma reflexão pra quem tava meio rabugento com o natal e eu acho que é um sentimento bom né, a gente já tava numa hora ótima pra fazer o natal né, assim olha isso cíclico né
Cris: esse natal chegou em boa hora né
Ju: Chegou em boa hora o natal não é…
Ana: oh, e quem ainda tiver rabugento, tem mais uma coisa sobre minha família que eu ia falar…
Cris:[interrompendo] tem um fone de ouvido ótimo
[risos de todos]
Ana: tem, faz propaganda né [risos] é o seguinte, mais uma da lista de surpresas da minha família, eu tenho um tio-avô que é papai Noel oficial de um shopping
[todos “uau”]
Cris: que incrível
Ana: de Suzano, você que mora em Suzano na grande São Paulo, cola lá no shopping, eu não sei o nome do shopping, sei que ele trabalha lá todo fim de ano, porque ele deixa crescer a barba, ele é tipo papai Noel ideal porque ele tem olho claro e é barbudo, barba branquinha, mas não adianta falar pra ele que você ouviu falando dele, porque ele é surdo, ele não ouve nada quase
Cris:[rindo] ele é um papai Noel surdo…
Ana: não ele não é completamente surdo, ele ouve muito mal, entendeu
Ju: e isso o deixa muito apto para a profissão de papai Noel no shopping, porque deve ser difícil
Ana: Simm, exatamente, exatamente, mas ele fica lá, é muito 10 e as fotos são incríveis, tem no G1 uma matéria dele
[risos de todos]
[sobe trilha]

(Bloco 7) 1:01’00” – 1:10’59”
Cris: Vamo nessa, então para o Trend Topics número dois sobre: a sequência do Natal! Resoluções do Ano Novo! A gente faz listas interminááveis de resoluções! Todos os anos promete que tudo vai ser diferente e se frustra quando faz o balanço no próximo final de ano. Será que queremos demais? Por outro lado, tem gente que de fato muda de vida! Que emagrece, que aprende a se relacionar melhor com o dinheiro, que finalmente vai morar fora, que foca e consegue entrar na faculdade, que acaba conseguindo reconstruir vínculos, que muda de carreira…Como? Quem são essas pessoas? Do que elas se alimentam? [Risos]
Rafael: [interrompe] O que comem?
[Risos]
Cris: Hoje, no Mamilos…
Ju: [interrompe] Você faz lista de resolução, Ana?
Ana: Eu faço, só que nunca rolou e eu comecei a fazer minhas resoluções no meio do ano e tem dado certo [Risos], tá tudo bem…
[Risos]
Ana: Minhas resoluções são tipo, sei lá, eu deixo elas ao longo do ano e aí….
Cris: Tem algo a ver com ter uma experiência paranormal?
Rafael: Para relatar no final do ano?
[Risos]
Ana: [interrompe] Até agora… Não tem ainda.. É tipo “meu sonho este ano é finalmente”… Não, não tem. É… Não, eu… Geralmente as minhas resoluções ficam, tipo, ano passado eu acho que eu nem cheguei a fazer, ano retrasado eu fiz e foi um desastre!
[Risos]
Ana: Nada completou. Ana passado eu nem cheguei a fazer e esse ano eu acho que não vou fazer não!
Cris: Porque esse ano foi difícil demaaais!
[Risos]
Ana: Não é assim, tipo…
Ju: [interrompe] “Eu não tenho mais desejos”.
Ana: Eu não quero ser essa pessoa, só que…
[Risos]
Ana: Eu acho que tipo, de verdade, as coisas que eu colocaria nas resoluções de Ano Novo que eu gostaria de fazer…
Cris: [interrompe] Não posso falar no Mamilos!
[Risos]
Ana: Parem! Não, eu já tô fazendo!
Cris e Ju: Que lindo!
Ana: Tipo, eu queria voltar a correr e eu já voltei a correr, tô correndo! Ah sei lá, talvez eu fale em ser uma pessoa mais tranquila e ponderada…
Ju: Então, mas não dá para ter coisas tão genéricas, né?
Ana: [interrompe] É então!
Ju: [interrompe] Meta é uma coisa…
Cris: [interrompe] Tem que por meta aí! Vamo por KPI!
Ju: [interrompe] Meta tem prazo! Ó, vamo lá, vamos ensinar as pessoas a fazer resolução de Ano Novo [Risos]: tem que ter prazo e tem que ter objetivo definido!
Ana: [interrompe] Tipo, não “ser uma pessoa mais tolerante” é tipo “conversar com meu tio que eu odeio”…
Ju: [interrompe] Isso…
Ana: [interrompe] Por 10 minutos!
[Risos]
Cris: Eu acho que tem que ter um jeito de mensurar isso aí…
Todos: [interrompe] É… Exatamente…
Cris: [interrompe] Porque sem mensurar fica muito difícil…
Ju: Não… Emagrecer… É quando, quanto, como, é isso…
Ana: [interrompe] É tipo, não é “voltar a correr” é quantos… É tipo, voltar a fazer exercício uma vez por semana, toda segunda, tipo ter uma meta…
Cris: Nossa, segunda miga! Põe quarta que é mais fácil…
[Risos]
Ju: E você Rafa, cê faz as resoluções de Ano Novo?
Rafael: Ah… Eu fazia um tempo atrás, até eu perceber que realmente eu não tava cumprindo haha, e vi que não funcionava comigo, mas eu tenho mais, são metas a longo prazo, sabe? Eu tenho ideais que eu quero ter em determinado ano e nesse ano eu vou trabalhar o máximo que eu puder pra poder chegar nessa meta, sabe? Daqui a três anos, por exemplo, eu quero tá morando fora com meu namorado, já em outro país, fazendo uma… pode ser fazendo a mesma coisa que eu tenho agora, mas em outro lugar, sabe? São metas que eu quero pra minha vida e que eu sei que eu consigo trabalhar para chegar nelas. Mas até lá, eu vou tipo… levando do jeito que dá, sabe? Eu vou de pouquinho em pouquinho, chegando, atingindo essa meta. Resolução de ano novo não acho que seja tão ruim.. porque você não ter metas estabelecidas, dá uma liberdade maior para você ser um pouco relaxado, sabe? Você pode chegar no início do ano e falar “eu quero emagrecer”, não tem meta, não tem um número específico. No final do ano se você emagreceu tipo, 5 quilos, beleza! Cumpri minha meta, sabe? Então tem essa, essa mentalidade de você ter uma liberdade maior se você não estabelece meta… Obviamente é, seria melhor se você tivesse um número…
Ana: [interompe] É por isso que eu acho, tipo, meta, tipo “quero emagrecer”, muito cruel. Porque na verdade…
Cris: Logo no Ano Novo que tem tanta comida!
Rafael: [interrompe] É! Não é a melhor época…
Ana: [interrompe] E outra! Por que que todo mundo pega essa meta “quero emagrecer no ano novo?”. Porque acabou de comer pá cacete e fica culpado!
[Risos]
Ana: Esse é o problema! Não, agora falando sério, tipo, acho que tem uma, um lance de resolução de ano novo muito importante que a gente tem que lembrar sempre de ser generoso com a gente, sabe? Tipo, “puta!, quero emagrecer comi pra…” Meu não! Pera! Você quer emagrecer? Porque que sua resolução não pode ser então é… “vou…”
Rafael:: [interrompe] Comer de maneira mais saudável…
Ana: [interrompe] É! Ou tipo mais objetivo, tipo, “vou fazer meu próprio jantar..” Que não seja o jantar escroto que eu peguei e pus no microondas.
[Risos]
Ana: Ou tipo, vou… Que não seja “quero emagrecer”, é tipo vou… Sair para dar uma caminhada duas vezes por semana, que dia eu consigo? Esse e esse… Tipo, colocar as coisas mais para perto, porque cara, sério… no fim das contas….Que nem! Assim! Tem um endócrino que eu vou porque, tipo, eu sempre fui gorda, sempre fui acima do peso, faz acho que um ano mais ou menos eu tava pesando mais e tal… e meu pai falou “puta, vai lá, no endócrino..”, aí eu falei “mas eu tô bem” daí meu pai falou “eu pago”, daí eu falei “tá bom!”!
[Risos]
Ana: Aí eu fui no endócrino e o endócrino falou… Aí fiz exame e o endócrino falou “meu, cê tá ótima não tem nada. Tá tudo bem, seus exames tão excelentes, MAS diabetes, né? Você pode vir a ter, tem diabetes na família, vamo fazer um esquema aí?”, “vamo”. Eu comecei a comer melhor, perdi peso, mas tipo não fiquei em cima disso pirando nisso…
Rafa: [interrompe] Neurada, né?
Ana: Não fiquei na neura. E tava numa tipo, “caralho! Eu precisava voltar a fazer exercício, porque acho que isso vai ser bom”! Tipo sem meta de peso, meu endócrino também não me deu meta de peso, é tipo vamo fazer aí, cê tá fazendo o que tem que fazer? Tô fazendo. Cara eu voltei… Eu vou a cada dois meses mais ou menos… Eu voltei semana passada, eu cheguei lá, eu pesei e eu tinha tipo engordado sei lá, quatro quilos… e aí tipo, foi muito… foi assim sabe… uma das primeiras vezes na minha vida que eu subi em uma balança engordei quatro quilos e isso, tipo… não teve nenhum… não afetou em nada! Porque, o que eu queria ter feito era: voltar a correr! Eu quero voltar a correr, isso vai me fazer bem. Daí eu voltei a correr, faz um mês que eu tô correndo. Se eu engordei, se eu emagreci, tipo, eu tô saudável, não tô com nenhum problema.. Sei lá o que é! Pode ser inchaço, pode ser músculo que eu ganhei… pode ser que eu comi mais! Mas tipo, eu entendo que eu tô fazendo uma coisa por mim e a minha meta era correr! A minha meta não era, “puta, preciso perder peso”. tipo, eu cheguei numa conclusão que é: se eu me alimentar mais ou menos direito e fizer exercício, exercício que eu gosto, o meu corpo vai naturalmente se adequar numa medida que ele considera saudável para ele. E aí o médico virou pra mim e falou “ah então estranho isso, né?”, falei: “é estranho né?” “ e ele falou “ah, cê tá correndo, né?” e eu falei “tô!”, aí ele “ah, então continua” “beleza!”. Tipo não teve uma..hahaha (todos riem), sabe…não foi nada, ele “não, tá tudo bem, continua correndo. Cê tá comendo igual?” “Tô, tô comendo igual”, aí ele: “ah! Beleza! Volta aí mês que vem, vou pedir mais exame pra você pra ver se continuar tudo bem e tudo bem!”. Obviamente, quando a gente entra nisso tem todo um lance de padrão de beleza, estética, auto estima, etc… Mas mesmo para outras metas que não sejam emagrecer, meu traz, pro dia -a – dia, sabe? Num fala, “Ah, eu quero”… É isso sabe… A zueira do ai…
Rafael: [interrompe] Cria objetivos tangíveis, né? Que você pode adaptar pra sua realidade…
Ana: [interrompe] Eu quero ser… Aí, eu quero ser uma pessoa mais tolerante, eu quero sair da bolha… Velho! Não precisa… Não seja… Não pensa tão grande…
Ju: Isso, isso…
Ana: [interrompe] Vai pro pequeno! Entendeu?
Cris: [interrompe] Conversa com o tio!
Ana: [interrompe] Eu quero sair da bolha! Então, que tal… Você já trocou ideia com seu porteiro? Alguma vez? Você sabe quem ele é? Você sabe o que ele faz, qual é a história dele? Tipo, a sua meta pode ser essa. Tipo uma vez no mês eu vou conhecer uma pessoa que está no meu círculo mas eu… Tipo, pensei nisso agora, hein. Inclusive, a idéia é legal…
[Risos]
Ana: É que eu converso com todo mundo então eu já conheço o porteiro, a tia dele, a prima que ???
[Risos]
Ana: Tipo, pra mim não serviria, mas, sabe, tem umas coisas mais tangíveis que sejam coisas muito… ??? bem pequenos mas que te dem mais satisfação, tipo, de saber que você se superou, tá ligado? Tipo, é só a sua superação do dia anterior: “hoje eu fiz uma coisa que eu não fiz ontem”.
Cris: Ju, você faz?
Ju: Então, já fiz, já não fiz… Então esse ano eu estou com um plano de metas e aí eu vejo assim que é legal você colocar, sentar, parar e pensar assim “cara, que que eu gostaria… Onde eu gostaria de estar”. Quem nem você falou “ah, eu quero ir [viajar] pra fora”. Então beleza. Onde eu gostaria de chegar, né? Onde eu gostaria de estar. Então o que é que eu achei que não foi legal na minha vida esse ano, como eu poderia mudar isso porque na hora em que eu fui organizar eu falei assim “Pô, eu stou muito cansada e cheguei num ponto de estafa, assim… Eu não dou conta. Assim, eu não dou conta e está todo mundo insatisfeito. Meu chefe está insatisfeito, meus filhos, meu marido, nãnãnã… Nunca nada está bom. Eu estou correndo correndo correndo correndo e eu não dou conta de atender nem o básico”. Então, , está óbvio que não está certo. [Concordância da Ana] Então está óbvio que eu preciso mudar algumas coisas e aí você começa a enxergar que às vezes a gente quer coisas demais e que é muito difícil, principalmente para a nossa geração… Que a gente aprender que é a geração do “E” e não do “OU”, que você não precisa escolher, que você pode ter tudo. Então você pode trabalhar E ter filhos, você pode ser isso E aquilo. Tudo é E, tudo é E. Só que chega numa hora em que você está estafada e que você demora mais para fazer as coisas porque você está cansada demais e que você não tem mais prazer pelas coisas. E aí eu ouvi de uma pessoa assim que, eu falei, “você faz muitas coisas mas você tem pouca realização. Eu não te vejo realizada porque você está sempre pensando na próxima tarefa, na próxima tarefa, na próxima tarefa”. E aí, você para para pensar assim “Cara, é um bom momento…” Se você vai fazer no final do ano, no meio do ano, no seu aniversário, por exemplo, que é o seu Réveillon particular e pensar assim “será que você não está querendo coisas demais?”, né? Será que suas metas são realistas? [Concordância da Ana] Né? Será que você não precisa abrir mão de algumas coisas para poder, o que você realmente tiver, você aproveitar? Será que você não precisa organizar de novo as suas prioridades porque a gente adora falar de prioridade mas a gente não gosta de falar de abrir mão, a gente não gosta de falar… Então, priorizar quer dizer perder, então eu vou priorizar uma coisa então outra coisa eu vou abrir mão e não é que essa coisa não é legal, não é que essa coisa não é boa, mas eu vou abrir mão. Então eu acho assim… Eu fiz bastante reflexão, eu tenho que renegociar contratos em todas as áreas da minha vida. Eu acho que pode ser… Essa questão de Resolução de Ano Novo, eu acho que pode ser bem útil para você… Sabe, eu acho que às vezes a gente fica rodando atrás do rabo muito, só resolvendo problema, problema, problema e de repente no final do ano você para e se afasta e olha o geral, o todo e fala “É isso? Se eu continuar repetindo exatamente o que eu fiz esse ano, onde é que eu vou chegar? Onde que isso vai dar, entendeu? Se eu continuar desse mesmo jeitinho, onde isso vai dar? É onde eu quero ir. Não” Que nem você falou: “tudo que eu fiz esse ano não está me levando um milímetro mais perto de morar fora.”. O que é que eu tenho que mudar para que eu chegue mais perto de morar fora? Então assim, eu não quero chegar [em] 2017 estafada do jeito que eu estou. Não acho mais saudável, ouvi o Naruhodu do sono e fiquei noiada.
[Risada do Rafael]

(Bloco 8) 1:11’00” – 1:20’59”

Ju: Não acho mais que dá pra abraçar o mundo e dormir três horas por noite, quatro horas por noite. Não é sustentável no longo prazo. Como é que eu faço pra minha vida caber nas horas que eu tenho? Na grana que eu tenho? No corpo que eu tenho? Né? E aí, negociar coisas, e eu acho muito legal o que você falou, Ana, de ter generosidade consigo na hora de fazer [Ana: Sim, sim.] essas metas, que assim. Pô, entender que você não pode tudo, entendeu? Então assim.

Ana: Não e tipo, e não se cobrar, é irreal, sabe…

Ju: Não, porque daí é… daí é isso, sabe, não, eu quero ganhar meu primeiro milhão. E aí eu quero viajar pelo mundo inteiro, e eu quero ter três filhos e ser uma mãe super presente, mas ser uma ótima profissional, mas ter isso… E daqui a pouco ‘cê olha assim: cara, você tá sendo legal com você mesma? Porque obviamente você vai chegar em 2017 e não vai ter atingido suas metas porque né, você não cuidou de você, você não pensou no que você podia realmente fazer, né.

Rafael: E eu acho que aliado ao que você falou e ao que a Ana disse de ter essas metas pequenas e de ter objetivos tangíveis, é uma coisa que a gente não faz muito, que é comemorar nossas pequenas vitórias, sabe. [Ju: Sim, perfeito.] É uma coisa que, de ser gentil consigo mesmo inclui isso, de você ver: ah, caramba, hoje eu fiz o meu jantar, e essa semana toda eu fiz o meu jantar sozinho, cara. Isso é uma coisa bacana de você colocar no seu pensamento, sabe? A gente não comemora pequenas vitórias. [Cris: Sim.] A gente tá sempre focando no negativo, “olha, não consegui fazer isso, não consegui fazer aquilo”. Mas quando a gente faz alguma coisa que a gente quebra esse ciclo, de negatividade, a gente já tem uma motivação pra continuar, né.

Cris: Uma cobrança, né? [Rafael: É!] A gente se cobra demais, então ‘cê não enxerga uma vitória como uma pequena vitória.

Ju: É por isso que a gente falou assim, o senso de realização, né. Até nas coisas grandes que você faz, você drena o sabor delas, porque você já tá devendo a próxima, entendeu?
Cris: É, eu nunca fui uma pessoa de fazer muitas resoluções, seguir muitas resoluções, mas eu to passando uma fase muito diferente na minha vida agora. E 2017, eu sei que vai ser um ano muito desafiador porque eu to mexendo na estrutura, e mexer na estrutura é muito difícil. Então, 2015 foi um ano muito difícil, 2016 foi um ano assustador [risos] e 2017 eu entendo que vai ser um ano de mudança. Ela vai ter que acontecer. Eu acho que é um momento que eu me torno protagonista real da minha vida. Eu sempre vivi muito de convites. [risos] Muito de convites. E agora eu acho que eu quero fazer esses convites, eu tô me organizando pra fazer isso de uma maneira melhor. E aí tem aprendizados dificílimos nesse meio termo. Aprender a celebrar, aprender a falar não, aprender a abrir mão, aprender a chorar, aprender a ser vulnerável, aprender a… gente, é muito difícil isso. É muito difícil. [Rafael: É muito aprendizado.] É muito difícil. Então isso é muito estrutural, né? Porque é uma coisa que eu acho importante as pessoas refletirem, até que ponto você tá sendo humano, até que ponto você tá sendo máquina? Até que ponto você não tá no automático num nível que você não tá sentindo dor, nem cheiro, nem sabor, ‘cê tá muito no automático. E a vida, principalmente em metrópole, leva muito a gente pra esse lugar. Então eu costumo falar assim, mas nossa, ‘cê tem que fazer atividade física, seus filhos vão estudar numa escola bacana, ‘cê tem que comer orgânico, você tem que estar por dentro das notícias, né, ser uma pessoa interessante, culta, você tem que ser uma excelente profissional, você tem que estar presente com os seus filhos, seu marido tem que estar muito feliz com a vida no casamento, você tem um papel ali dentro, a sua casa tem que ser bem bacana e você ainda tem que ser um profissional autônomo brilhante, né, independente do mercado. É insustentável. Você vai ter que escolher suas batalhas e é aí que é o tornar-se humano. Que é olhar e falar, amigo, não dá. E isso não te quebrar. Você falar que não dá e isso não te quebrar. Isso até te trazer um certo prazer. Não é que… não é do fracasso. É da melhor escolha. [Ju: É.] Então, esse ano, eu tenho grandes propósitos, e eu to muito feliz de estar com esses propósitos. Pro Mamilos, eu e a Ju estamos super se organizando pra tornar isso cada vez mais sustentável. E na carreira, com filho. E eu espero que ter mais paz de espírito torne todos esses processos mais saborosos. Sabe, eu ouço muito as pessoas que param de fumar falando “nossa, eu to sentindo um sabor na comida agora, que legal, eu to sentindo todos os cheiros”. E é uma ambição gigantesca essa. Voltar a sentir todos os sabores e todos os cheiros.

Ju: Ser menos trator, né?

Cris: Ser bem menos trator, né. [risos] Até porque pra sentir os cheiros, você vai ter que, você vai ter que perceber. Então você vai ter que deixar de ser trator.

Rafael: Então, ao invés de virar ex-fumante, você vai virar ex-machina.

Cris:É. ExMachina. [risos] Mas eu acho que é uma boa. Uma resolução muito ambiciosa, muito ambiciosa. Eu tenho a Juliana pra me ajudar. [risos]

Ju: Na verdade, é péssimo, porque é o bêbado cuidando do outro bêbado.

Cris: Exato!

Ju: Mas tudo bem! É tipo no AA, né.

Cris: Não, a gente já tava… A gente tava falando outro dia, que a gente não pode uma… e é importante refletir isso com os amigos, com o marido, com todo mundo. A gente não pode reforçar o ponto cego do amiguinho, né? Porque não pode! Porque senão você deixa a pessoa entrar no que você também é meio aquilo e junta o sujo com o mal lavado, é uma beleza.

Ju: Aliás, uma boa dica, pra sua resolução de ano novo virar. Você tem que se cercar de pessoas que vão te ajudar nisso, né? Então, por exemplo. Você quer ir morar fora. Aí, o seu namorado morre de medo de ir morar fora porque ele não sabe falar inglês. Aí, sem querer, ele vai te boicotar! Não conscientemente, mas ele vai te boicotar. Sua mãe. Você tem sua mãe sempre perto, ela quer você aqui, ela vai te boicotar. Então assim, aí você tem um amigo que já foi pra lá, que já foi morar fora, aí você tem amigos daqui que também… então, a vibe é essa. E a energia é esse e te ajudam a ir, né? Então assim, isso é importante. Então ah, você colocou suas metas, quem vai te ajudar? Quem vai te dar o meio do caminho?

Cris: Constrói nisso de suporte, eu que o diga. Hoje Tamires passou o dia na casa de Juliana, porque não tinha quem ficar com ela. Eu tinha reunião, o Agê tinha reunião, tá de férias, [Ju: O Oga não podia.] É, o Oga não podia, Fiuza tá trabalhando. Juliana, por favor, Tatá pode ir pra sua cada hoje? Quem ficou com a Tatá? A mãe do Merigo! [risos] Su, um beijo! Muito obrigada por me ajudar!

Ju: Porque a Ju trabalha, no caso, né, a cobertura é curta…

Cris: É! Então, assim, a Su mandou um videozinho assim, eles super felizes, brincando. Esse contar com o outro, que é mostrar essa vulnerabilidade, né, quer dizer que você, de verdade tá ali pelos outros também. Então é uma via de mão dupla. Um ano que foi tão difícil e que nos separou tanto, parar pra pensar sobre o que que a gente quer construir é urgente. É urgente, mais do que a reforma da previdência. [risos] É urgente parar pra pensar nisso. Como que a gente vai se reconectar com o mundo. Como comunidade, como nação, o que que a gente vai perseguir, porque migo… [risos] A avalanche tá forte.

Ju: É, eu acho… Eu fiz um curso de liderança. Vai, um workshop de liderança semana passada, e aí o cara deu, assim, milhares de pontos que um líder tem que ter, né, então os perfis de líder. Então cada perfil que ele dava, ele fazia um desafio. E aí no final, ele falou assim “Agora, escolhe uma coisa pra você botar em prática. Uma. Não põe uma lista gigante de coisa, ah, eu gostei disso, eu gostei disso… não, uma coisa. Porque você não vai botar mil coisas em prática, mas uma você pode.” Então é isso, sabe, simplifique, ponha poucas linhas na sua planilha aí, sabe, acho que às vezes você tá numa encruzilhada. Eu amei o jeito que a Diane Lima explicou encruzilhada. Ela falou de um jeito muito poderoso. Como que é?

Cris: Não sabe fazer escolha quem nunca esteve numa encruzilhada.

Ju: E aí, você pode estar numa encruzilhada, e aí você vai ter que fazer uma análise que nem eu e a Cris, a gente tá fazendo, que é uma coisa mais profunda, de, ok, o que eu tô fazendo até aqui me leva pra onde eu quero ir? Ou você pode estar num momento feliz, leve, faceira, e simplesmente botar uma. Não faça uma lista de metas. Ponha uma meta.

Cris: Ou não faça, né? A nossa meta, Juliana, na real, é fazer menos, né? [risos] Isso é muito louco. O que você colocou na sua lista? Eu tirei tudo. [risos] É meio isso, né? Então talvez tenha isso também. Não faça metas, sabe? Tire.

Rafael: Seja feliz.

Cris: A Xênia falou um negócio no programa de consciência negra que eu achei incrível. Assim, ela dá uma respirada funda, e ela fala “Deixa ir, gente, deixa acontecer, as coisas vão se conectar a hora que tiver que acontecer, deixa caminhar!” E é meio isso mesmo. Talvez deixa o seu eu aí brotar, nascer. Eu, nos últimos seis meses, eu to me gerando, e eu preciso entender se eu vou conseguir me parir agora.

[risos]

Ana: Nossa, Inception total. [risos]

Cris: Vamo lá, tamo nesse trabalho de parto aí.

Ju: Então tá, ficamos com o desejo de que vocês tenham ótimas resoluções de ano novo, ou decidam não ter resolução de ano novo nenhuma. Mas eu acho, que assim, quando você precisa dar um passo importante, é aquela coisa que a gente conversou de rituais. O Ano Novo, a semana nova, a segunda-feira, o aniversário. São momentos de virada que você se enche de energia e que as pessoas também vão te ajudar e também vão te acompanhar. Então assim, tá ruim a vida? Tem muita gente que nos escreve que vida tá ruim, que o relacionamento tá ruim [Cris: Exato.], que a família tá ruim…. então beleza, final de ano é um ótimo momento. Olhou pra sua vida. O que me trouxe até aqui, eu não quero repetir. Assim isso não tá bom. O que que a gente vai fazer pra não ser… então erre coisas novas. 2017, o mantra do Mamilos é: erre coisas novas. Tem muito erro por aí, pra você tá errando sempre a mesma coisa. Erre coisas novas. Então, se a vida não tá boa, pára e pensa, o que que você tá fazendo, e o que que você vai fazer de diferente pra pelo menos tentar erros novos.

Cris: É, eu queria fazer só uma sugestão, pra todas as pessoas que estão ouvindo. Risque da sua lista “quero emagrecer”. [risos] [Rafael: Boa!] Risca. [Ana: É!] Coloca assim, “quero ser mais saúdavel, por isso eu vou me alimentar melhor”.

(Bloco 9) 1:21’00” – 1:30’59”

Cris: Ou: Quero fazer uma atividade física, qualquer coisa que não seja…
Ju: Quero ter energia.
Cris: Quero ter energia.
Ju: Quero ter disposição. Quero ter bom-humor. Quero ter inteligência.
Cris: Porque aí você vai fazer outra coisa. O foco não é o peso. O foco é ter uma vida que te faça mais feliz. Isso é muito mais legal de perseguir do que emagrecer.
Ju: Quero viver bem.
Cris: Então, corta o emagrecer. Substitui por algo que efetivamente é um keep eye, é algo que você vai conseguir mensurar e vai conseguir fazer.
Ju: Muito bem. Temos um mamilo auto-ajuda?
[risos]
Cris: Temos, né? Não sei. Fiquei um pouco constrangida agora.
[risos]
Ju: Vamos pro farol acesso?
Cris: Vamos sim.
[sobre trilha]
Y se vá abrir como una flor…
Esse vento que leva a gente…
[desce trilha]
Cris: Vamos então para o farol acesso. Vamos começar com o estreante da casa? Rafa, que que tem de bom pra indicar pra gente?
Rafael: Ahn, eu vou indicar então meu bot, do nosso podcast Tecnicalidade [link: https://www.facebook.com/Tecnicalidade/ ]. É um botzinho que a gente programou com… eu e o Rodrigo durante uns dois diazinhos rápidos assim, a gente viu quais perguntas as pessoas…
Cris: [interrompe] Gente eficiente…
[risos]
Rafael: …que a gente ia fazer. Na verdade, a ferramenta que é bem fácil de… tipo, até uma banana consegue fazer um botzinho.
Cris: Ouviu, né, Juliana?
[risos]
Ju: Eu tô abaixo da banana, pessoal, tá tudo certo, tá?
[risos]
Rafael: E eu tô abaixo também. Então, tipo, bem no fundo. É uma coisa bem simples, é o facebook.com/tecnicalidade e ele responde perguntas de tecnologia de uma forma bem legal. E recomendar outros podcasts da família b9, também. Inclusive um certo Mamilos…
Ju: Muito bem.
Cris: Que legal.
Rafael: E ouçam meu podcasts também que é no mesmo nome, na mesma página…
Ju: Dos mesmos criadores…
[risos]
Rafael: Estamos lá!
Cris: Ana querida! Que que tem de bom?
Ana: Talvez seja meio old pra algumas pessoas, mas eu terminei essa semana, ou no fim da semana passada, a primeira temporada de “Westworld” [link: http://www.imdb.com/title/tt0475784/?ref_=nv_sr_1 ], que eu demorei pra ver porque tive que buscar na locadora do meu amigo na Suécia.
[risos]
Ana: E, cara, eu fiquei muito, muito impressionada com a série. Ao contrário da Cris…
Cris: Não. Pára. Não fala isso. Eu ainda não vi.
[risos]
Ana: Mas assim. Se tornou a minha série preferida, eu acho, assim, de todas.
Cris: Da galáxia?
Ana: Da galáxia!
Cris: Caraca!
Ana: Eu achei… assim, além das atuações impecáveis e da fotografia incrível, figurino incrível…
Cris: Rodrigo Santoro pelado…
Ana: Rodrigo Santoro pelado. Eu achei a premissa, uma premissa que é batida, desenvolvida de um jeito muito sensível, muito rico e que gera uma reflexão muito importante, na minha opinião, sobre o que que difere a gente, de fato, como humanos. O que faz a gente humano? Numa possibilidade que nem é tão remota já, de uma máquina com inteligência artificial que simule a nossa, se aproxima da nossa, o que que diferencia a gente dessa máquina? O que que é consciência? E eu achei que a série trata disso com uma sensibilidade muito incrível. Assim, a maneira como ela te pega pela mão e te leva num caminho em que você começa completamente cético quanto, de fato, a qualquer humanidade desses robôs. Só pra quem não sabe, a premissa da série é um parque de diversões num futuro, enfim, daqui uns 50 anos, possivelmente, em que os… esse parque é… As pessoas desse parque que são tipo, os atores, né? Um parque de diversões temático do velho oeste…
Cris: Como é que chama aquele videogame que as pessoas viviam lá dentro?
Rafael: The Sims, não?
Cris: É, um The Sims da vida real, né? Assim, com pessoas de verdade…
Ana: É um jeito de você explicar… confuso isso que você falou. [risos] Mais fácil imaginar um jogo, de velho oeste, onde os NPCs, ou seja, os personagens que não são jogáveis, são robôs e tem que usar os humanos.
[risos]
Ana: Que foi, Cris?
[risos]
Cris: Eu fiz que nem o esquilo da internet, agora. [risos] Em NPCs…
Ana: Então é um parque onde os atores desse parque são robôs, robôs que são idênticos aos humanos e as pessoas do mundo basicamente visitam esse parque pra tocar o terror.
Ju: Pra fazer tudo que não é socialmente aceito fora do parque.
Ana:Tipo, violências, em geral. E, é muito incrível como a série te pega pela mão e no começo você… quando alguém se fere, você “Ah, pera, isso é um robô. Ah, então beleza”. Tipo, não te sensibiliza. E na medida em que essa narrativa vai sendo construída e que os robôs ganham profundidade… Eles continuam sendo robôs, a profundidade deles é uma profundidade rasa em muitos casos, em muitos deles. Mesmo assim, você já começa, na medida em que a consciência deles ou a simulação de consciência deles se aproxima da nossa, a empatia já começa a aparecer e aí, em determinado momento não importa mais pra você se esse robô é um robô ou não, porque ele foi ferido e você entende que ele foi programado para sentir dor. E aí você começa a se perguntar “Tá, mas ele foi programado pra sentir dor e eu sinto dor, qual que é a diferença”? Eu também fui programado para sentir dor. “Ah, mas esse cara só tem uma lista de frases que ele consegue falar ou de assuntos que ele consegue improvisar, porque ele foi programado para isso”. Tá, mas em que medida a gente também não é assim? Nossa lista de frases só não é um pouco maior. Tipo, tem uma série de reflexões interessantes que eu acho que a série gera assim, sério, eu achei muito foda.
Ju: E a gente vai fazer um programa só pra falar sobre a série. A gente raramente faz. Com o Pedro Calabres, neurocientista, e com o Fê Duarte, psiquiatra. Justamente porque o que nos interessa do recorte dessa série é falar sobre até onde a gente tem liberdade, até onde a gente tem escolha, o que é construção de personalidade, o que que é padrão, o que que é roteiro, o que que é consciência…
Cris: Bot.
[risos]
Ana: Posso outro?
Cris: Ah, gente, só mais uma coisa. Assiste a série que quando a gente voltar vamos fazer esse programa e vocês já tem que ter visto, hein?
Ana: É… não pra… porque aí vai ter spoiler e quero só ver reclamação…
Cris: Tipo… Rafa…
Ana: Aquelas que se apropria, né? Quero só ver reclamar. Não quero ver. Não, então…
Rafael: Posso ou não ter soltado um spoiler antes da gravação.
Ana: Depois que eu assisti “Westworld” eu lembrei desse livro que eu li que eu gosto muito que é do cientista polonês que chama Leonard Mlodinow [link: http://leonardmlodinow.com/], eu não sei como fala isso. E é um livro em que ele basicamente discute e reúne evidências, ou as evidências mais aceitas na ciência, de percepções humanas que a gente acredita uniformemente que sejam escolhas nossas, conscientes, mas que não são.
Cris: O nome do livro é bom, né? “Subliminar, como o inconsciente influencia nossas vidas” [link: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2013/03/1240729-leia-trecho-de-subliminar-como-o-inconsciente-influencia-nossas-vidas.shtml ].
Ana: Então assim, ele fala de maneira bem abrangente, vários aspectos da vida, de todas as maneiras como as percepções do inconsciente do cérebro não só tomam decisões sem que a gente saiba, como fazem a gente acreditar que essas decisões são conscientes. Elas não são. Ele fala de, por exemplo, como o reconhecimento de testemunhas e, sei lá, quando uma pessoa que reconta um crime ou um episódio que ela viveu como testemunha em um tribunal, por exemplo, como isso deveria ser muito mais questionado, porque tem milhares de evidências de que você reconstrói as suas memórias por momentos (1:27:54) inconscientes. Ele fala de percepções de sentidos, que são inconscientes. Tem um exemplo muito foda, que eu nunca esqueço, que é de um cara que ficou cego depois de um acidente. Por algum motivo que eu não me lembro, fizeram alguns testes com esse cara, e botaram esse cara num corredor cheio de obstáculos e ele desviava dos obstáculos. Ele não enxergava, mas é como se o software que transmitisse as imagens e lesse no cérebro dele estivesse quebrado, mas o hardware que fazia a visão continuava operando. Então, conscientemente ele não enxergava, inconscientemente o cérebro dele via e, inclusive, ele conseguia desviar de objetos no… enfim, num corredor. Então, esse livro é muito legal. Ele é um argumento muito bom pra quem talvez termine de assistir “Westworld” e pensa “Será que eu sou tão diferente dos robôs assim”? Porque aí você vai ver que talvez não.
Rafael: Uau!
Ju: Huuumm… Muito bem! Cris, que que você tem?
Cris: Então, falando de resoluções de Ano-Novo, e desafios e tudo o mais. Eu lembrei de um TED [link: https://www.ted.com/talks/shonda_rhimes_my_year_of_saying_yes_to_everything] que você me mandou. Você, Juliana, me mandou. Que é da Shonda Rhimes. A Shonda Rhimes [link: http://www.imdb.com/name/nm0722274/?ref_=nv_sr_1] é uma roteirista, de seriados de grande sucesso em diversos países, como o…
Ju: “Grey’s Anatomy”.
Cris: “Grey’s Anatomy”.
Ju: “Private Practice”.
Cris: Isso. Qual que é o último?
Ju: “How to get away with murder”.
Cris: Obrigada. Com a Viola Davis [link: http://www.imdb.com/name/nm0205626/?ref_=nv_sr_1] e tudo o mais. Então, ela é muito famosa e ela faz um TED que são 18 minutos de tapa na cara. O nome do TED é “Meu ano de dizer sim para tudo” [link: https://www.ted.com/talks/shonda_rhimes_my_year_of_saying_yes_to_everything]. Então, tudo que ela falava não, ela passou a dizer sim e ela começou a vivenciar diferentes experiências. Ela é uma mulher que lida com a fama, com o dinheiro, com muito dinheiro, grandes budgets.
Ju: Poder.
Cris: E muito poder. E ela fala sobre esse processo de se humanizar nessas novas experiências que ela topou fazer diante da vida, das escolhas que ela tinha pra fazer e como que isso envolveu também a vida familiar dela e a relação com as filhas. Dezoito minutos, dá o play, está na pauta, acabou de ouvir o programa? Assiste esse talk porque ele vai te fazer refletir sobre a vida que você tem levado e a que você deseja levar. Vale muito a pena. Ju, que que você tem?
Ju: Eu fui na pré-estreia do “Rogue One” [link: http://www.imdb.com/title/tt3748528/?ref_=nv_sr_2] com o Merigo e eu vou deixar pra ele comentar, tá? Vou falar o que… eu vi dois filmes esse fim de semana, que provavelmente o Merigo também vai comentar, mas paciência, né? Eu vi com ele. Então vocês aguentem a versão dele da história e a minha aqui. O primeiro, assim, eu sou… acho que vocês, pelos meus comentários, vocês já viram que eu sou uma pessoa pouco aberta a novidades, né? [risos] Eu tenho um tipo muito específico de filme que eu gosto e tal, e tem um monte de coisa que eu tenho uma certa preguiça. Eu sou aquela pessoa que olha a premissa do filme e já fala “Ah, isso não me interessa” e aí eu sei que eu estava vendo esse filme que chama “Sully” [link: http://www.imdb.com/title/tt3263904/?ref_=nv_sr_1], deu dois minutos do filme eu falei “Jura que você vai querer que eu veja esse filme?” Cara, o filme de uma história… O que que é a história? Aquele piloto, lembra? Que pousou o avião no Rio Hudson? Na hora que começou, dez minutos, eu falei “Cara, a gente já sabe essa história. Todo mundo já sabe essa história. Por que você veria um filme sobre essa história”? Só que assim, como contar uma história? Chame pra diretor o Clint Eastwood [link: http://www.imdb.com/name/nm0000142/?ref_=tt_ov_dr]e chame pra interpretar o personagem principal, o Tom Hanks [link: http://www.imdb.com/name/nm0000158/?ref_=tt_ov_st_sm]. Então aí o que que acontece? Mesmo uma história que você já sabe todos os pontos, ele consegue te contar de uma maneira nova. Tem um elemento no filme que eu não sabia e que acaba sendo um drama que te deixa na ponta da cadeira. Você fica “Poutz, que que será que aconteceu”? Principalmente a atuação muito precisa do Tom Hanks, permite que não descambe pro melodrama. Porque poderia ser “Nossa! Um grande herói! Veio e salvou as pessoas”! E aí ia ser qualquer nota o filme, né? E aí, assim, realmente ele faz ser muito humano e faz você entender que, assim, cara, eu lembro de na época ter ficado com essa memória de que o cara fez um feito incrível, mas depois de assistir esse filme você entende que é impressionante. Provavelmente inigualável, ninguém nunca vai fazer o que que esse cara fez e ele explica muito bem…
Ana: Nossa, que legal.
Cris: A Juliana tá ótima de crítica de cinema. Toda semana ela faz isso.
Ana: Eu vi o trailer e fiquei curiosa porque eu nunca esqueci dessa história. Eu lembro que quando aconteceu essa história eu achei essa história muito incrível.
Ju: Não, cara, mas ela é mais incrível. É mais incrível, assim, cara… as reações que o cara teve, assim, ele tinha acabado de decolar, perdeu as duas turbinas, ele estava no meio de uma cidade e assim, o tamanho da merda era gigantesco. Ele teve tipo, cinco segundos para decidir, sabe? Ele decidiu por uma coisa que nunca tinha dado certo antes. Então, assim, cara é muito bom, eles explicam muito melhor e desenvolvem essa trama muito melhor.
Ana: Ele deu sorte ou foi uma mistura de sorte com disposição (1:32:24) e habilidade?
Ju: Ah, eu acho que vale a pena assistir, mas, porque eu acho que você fica na dúvida. Acho que o filme te leva no limite da dúvida de… eu não sei se eu vi coisa demais na história, mas em algum determinado momento eu achei que poderia ter rolado uma má-fé. Porque ele era um consultor de segurança que estava meio com problema de grana. Então, assim, se ele conseguisse fazer essa, né, mano? Pareceu… tem um determinado momento que pareceu que ele meio que deu um all-in ali. Se der certo, deu certo grandão e se der errado, bom, morreu todo mundo, né?
Ana: Nossa! Mas quem faz essa aposta?
[risos]
Cris: UAAAAUUU!
Ana: O que que é o pior que pode acontecer?
Cris: Morreeeeeer…
Ana: Mas eu acho também que numa situação dessa, talvez já esteja com tudo perdido, né? Então qualquer coisa que você tentar você ganha vantagem.
Rafael: Tá no lucro, né?
Ju: Não, mas assim, sei lá. Assim, talvez isso é [seja] muito viagem da minha cabeça. Isso foi numa hora que eu estava tentando… “Tá, por onde esse filme vai me levar”? Então assim. Realmente ele te deixa na dúvida de qual é a história que ele está contando. Será que ele está contando que por trás dessa história de herói, tinha realmente um cara sacana que só quis publicidade, tal? Enfim. Você vai descobrindo aí se esse cara foi bom mesmo. Ele tomou a decisão certa ou ele colocou as pessoas em risco desnecessariamente? Tinha uma alternativa? Porque essa é a grande questão do filme. Assim, os caras falam “Cara, você devia [deveria] ter pousado numa pista e não no Hudson”.
Ana: Mas deu tudo… [Risos]
Cris: Mas deu tudo certo… que…
Ana: Ah gente, que saco! Haters! Ah, deu tudo certo. Vocês só falam isso porque vocês queriam conseguir e não conseguiram.
Rafael: É tudo inveja.
Ju: Então assim, é muito certinho o timing por causa do Tom Hanks, de não ficar novelão mexicana. Mas assim, no final eu ainda fiquei com aquela sensação, tipo, “Tá, beleza, eu gostei do filme, foi ótimo o tempo que ele me entreteve”. Mas fiquei pensando assim, é um filme total Sessão da Tarde, pra ver gostosão, assim, de tarde, sabe? Assim, ah gente, mas é gastar muita bala na agulha colocar o Tom Hanks pra contar essa história, saca? E aí você entende que assim, pô, você sabe como é que é o Clint Eastwood, você sabe qual é a bandeira dele. Então, é um típico filme pra ele falar make America great again [link: https://en.wikipedia.org/wiki/Make_America_Great_Again], sabe? Ele está contando uma história de um episódio do melhor da América, sabe? Do momento em que a gente foi grande juntos e a gente pode ser isso de novo. Então, enfim, mas vale muito a pena, o filme é bem legal. E eu vi um outro filme, chamado “Capitão Fantástico” [link: http://www.imdb.com/title/tt3553976/?ref_=nv_sr_1], mas talvez seja um pouco mais difícil. Eu fui na mesma locadora do amigo da Ana, na Suécia, locar.
[risos]
Cris: Acabei de ver aqui que tem no Paulo Coelho.
Ana: É boa essa locadora.
Ju: Tem. Cara, essa locadora tem tudo.
Ana: Ela é demais.
Cris: Tem todos os títulos.
Ju: Cara, esse filme, ele me pegou num… Ele é muito bom esse filme, assim ó. Ele fala de um cara malucaço, que tem seis filhos e vive no meio da floresta e o cara ensina os filhos ele mesmo, todo mundo sobrevive do que pesca, do que caça, do que costura, e aí é aquela coisa do tough love, né? Todos os filhos são independentes, conseguem fazer tudo e tal. E aí você olha praquelas crianças e fica pensando assim “Cara, que merda que a gente está fazendo, né”? Porque os nossos filhos não sabem fazer nada, não sabem… a gente dá comida pra uma criança de quatro anos, ele a criança já estava caçando seu próprio alimento, já estava… sabe?
Cris: Fazendo cabanas.
Ju: Está fazendo cabanas e tudo. Cara… e o filme te leva para reflexões muito boas sobre liberdade, risco e, principalmente pra mim, eu acho que é um filme muito bom pra quem tem filhos, tá? Principalmente pra quem tem filhos, porque ele me fez pensar o seguinte. A gente fala que a gente não tem tempo pros nossos filhos porque a gente precisa trabalhar para entregar pra eles as coisas que eles precisam. E aí esse cara fez uma escolha muito radical. Que é de assim “Não. A gente escolheu não ter nada além do estritamente necessário, mas aí eles têm todo o meu tempo. Então, eu estou 100% lá. Eu e a mãe deles estamos 100% do tempo com eles. Então a gente… os nossos filhos são muito melhores que os filhos de vocês porque eles têm a gente. Eles não têm roupa, eles não têm carrinho, não tem milhares de coisas, mas eles têm a gente. Cara, é uma… o filme é uma queda de braço entre o modo dele educar e o modo da sociedade de educar, que traz reflexões muito boas e ele não é óbvio, ele não é “Não, então esse é o modelo certo e esse é…” Não. Ele não é nada óbvio. É um filme bem provocativo. Acho que não precisa concordar com um monte de coisa pra você se questionar e pensar nas coisas que você está fazendo, nas escolhas que você está fazendo, principalmente porque a gente tá falando de resoluções de ano-novo e tal. Então, quais são as suas prioridades? Eu achei o filme muito bom.
Cris: É isso então?
Ju: É isso.
Cris: Temos um mamilos?
Ju: Temos o último mamilos do ano!
Cris: Aaaaahh… temos, né? É iiissooo! Fica a gostosa sensação de mais um ano inteirinho que nós passamos com vocês. Essa jornada de crescimento onde a gente teve tanta troca. É difícil agradecer esse tanto de coisa boa que vem dos ouvintes e o quanto a gente consegue crescer a cada semana conversando com vocês. Então, meu muito obrigada, muito obrigada de verdade.
Ju: E até fevereiro. Fevereiro, no máximo em março, estamos aí.
[risos]
Cris: Beijo galera.
Rafael: Não fazemos promessas.
Ju: Beijo!
[risos]
[sobre trilha]
Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só
E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar

[desce trilha]

Mamilos 94

Bloco 1 – 15 minutos
Olar + Trilha sonora + Bj para + Merchand + Mamilos Cromados + Fala que discuto

Olar: (1 min):

________________________________________________________

Som do Mamilos: (3 min): Caio lindo, como a música da Xênia encaixou perfeito na conversa do programa passado né? E o que vamos escutar essa semana?
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Bj Para: (2 min)
. Uruçuca – Bahia
. Casa Branca/SP
. Toronto, Canadá
. Paulo cordeiro obrigada pelas castanhas maravilhosas
. Karl Milla obrigada pelo livro

Tatiana Helena Criscione
Mona Azevedo
Paulo Henrique Pereira
Giovana Giberti
Franklin Marcelo
(e todos que compartilharam seu <3 em nossas redes sociais) . ________________________________________________________ Ouvidoria Mamilos: (2 min) Fale com o mamilos no Facebook, Twitter, na página do B9 ou no email [email protected] 1 EQUIPE CHEIROSA MAMILOS Edição e Som do Mamilos - Caio Corraini Redes sociais - Luanda Gurgel e Guilherme Yano e Luiza Apoio a pauta - Taty Araujo, Jaqueline Costa e Aian Cotrim Transcrição dos programas - Lu Machado ________________________________________________________ Merchand (2 min): Jornalismo em 2017 Farol Jornalismo e Abraji convidaram 13 autores e autoras para refletir sobre o presente e projetar o jornalismo no país no ano que vem. São pesquisadores e profissionais com grande experiência de mercado, gente que vem pensando / apostando em novos formatos e gente ligada ao jornalismo mais tradicional: todo mundo refletindo o jornalismo no Brasil no ano que vem. Nos últimos anos, especialmente de um, dois anos pra cá, muita coisa vem acontecendo no mercado jornalístico brasileiro. Muitas crises e muitas oportunidades. O projeto O jornalismo no Brasil em 2017 reúne as críticas e reflexões sobre um panorama que está aí ao mesmo tempo que tenta projetar os próximos meses. Propondo essas reflexões, ajuda a melhorar a prática do que já tá rolando e tenta enxergar o que vem por aí. Transparência, jornalismo de dados, checagem de fatos, empreendedorismo, diversidade, longform, jornalismo investigativo, podcasts são alguns dos temas abordados. https://jornalismonobrasilem2017.com/ _______________________________________________________ Fala que discuto (5 min): Tais Forner ola mamileiras maravilhosas. primeira vez que escrevo aqui, mas devo dizer que essa parte 2 do episodio 92 foi no minimo maravilhosa. me vi em cada trecho desse episodio. Antes de tudo meu nome e Tais, tenho 29 anos, sou designer e moro na irlanda. venho de uma familia super miscigenada, negra em sua maioria. Sou negra. precisei de 28 anos de vida pra me admitir negra. minha pele e a considerada ''parda'' (affe), cabelos volumosos e enrolados, nariz largo e dentes grandes. cresci num ambiente em que se julgava engracado dizer que deviamos agradecer ao meu avo branco por clarear a familia, e que ele era um homem muito bom por ter casado com minha vo, mesmo sendo preta; um ambiente em que era engracado me dizer desde crianca que meu pai chorou ao ver meu cabelo crespo quando nasci, pois nao tive a mesma sorte da minha irma de nascer de cabelo liso. Esses episodios sempre se repetindo disfarcados em piadas. passei a vida ouvindo essa mesma familia, negra, absolutamente contra movimentos negros, negando sua propria essencia,com um sentimento pessimo de ''conformismo'', de se aceitar inferior, de achar normal ser tratado diferente do branco. tanto que, meu namorado e irlandes e quando fomos juntos ao Brasil a primeira vez, minha mae me ligou perguntando se eu ja tinha avisado a ele que minha avo era negra, para ele nao se assustar (!!!). como fiquei triste ao constatar que ela acha ok uma pessoa se incomodar com a presenca de um negro. Ja tive muita raiva dessa ignorancia e negacao, mas hoje tento o maximo possivel trabalhar a empatia e entender que eles nao tem a menor culpa de pensar assim. Hoje amo quem eu sou da forma mais natural que posso ser. queria muuuito que minha familia inteirinha ouvisse esses episodios! me ajudem a convence-los hahaha Muito obrigada por esse podcast maravilhoso que me ajuda a cada dia a ser uma pessoa melhor. Nara Schall Apesar de montar emails na minha cabeça enquanto escuto os programas acabo não escrevendo sempre, mas esse especial precisa. Precisa porque, como branca, dessas bem branca que reflete no sol, me sinto na obrigação de levantar e mão pra fazer um mea culpa, de assumir a posição incômoda de privilégio que inevitavelmente ocupo. Claro que sou capaz de perceber quanto racismo ainda existe no mundo, no Brasil, mas uma coisa é olhar pra ele de longe, outra é estar no olho do furação, sofrendo com ele cada minuto da vida. Sei que ninguém vai deixar de dar like em mim no tinder por eu ser branca, pelo contrário, já ouvi mais de uma vez coisas como "nossa, como você é linda, tão branquinha", mas só agora o peso desse "elogio" me atingiu como deveria, só agora consigo perceber que esse racismo estrutural ta intrincado tão fundo nas pessoas que elas acham tudo bem elogiar alguém por não ser negra. E sobre fazer o mea culpa, precisei fazer uma auto análise e me questionar se deixo de dar like em um negro por realmente não me identificar com a personalidade que o aplicativo me permite traçar dele, ou se é porque esse racismo estar intrincado em mim também, se eu só estou reproduzindo o que aprendi, que bonito é ser loiro, branco, de olhos claros. Admitir privilégios é fácil perto de admitir que eu posso estar contribuindo pra essa opressão, mas é necessário. Agradeço vocês, ao Oga e a Xênia por me ajudarem a enxergar essas coisas,a entender meu papel e me ensinar como ajudar de forma significativa o movimento negro. Esses programas precisam ser compartilhados infinitamente! Um grande beijo e, mais uma vez, obrigada pelo serviço prestado. <3 (aproveitar pra citar o experimento do Ian no tinder) Degy Sousa Adorei o podcast mas tem tanta informação que é necessário se pensar que terei de ouvir mais vezes pra absorver tudo, questões históricas que nem imaginava... Mais uma vez vcs me fizeram pensar sobre tudo que envolve ser negro no Brasil e muito obrigada!!! ________________________________________________________________________________ Bloco 2 - TT: 40 minutos Apresentação dos colaboradores (2 min): - Rafael Silva - Ana Freitas _______________________________________________________ Giro de notícias 3. Previdência Resumo A apreciação do projeto de reforma da previdência foi adiada, após manifestações da oposição ao governo, atrapalhando os planos de e da base, que queriam a célere apreciação da matéria na Comissão do Senado. As obstruções foram apresentadas após o Senador , relator do projeto na CCJ, submeter relatório favorável à aprovação em menos de 24 horas. Há quem vincule o atraso com as múltiplas citações do Presidente da República e da cúpula do seu partido (PMDB), na delação da Odebrecht. O aumento da reprovação popular a , que tem o governo avaliado como ruim ou péssimo por 51% dos entrevistados, aliado à baixa popularidade da reforma proposta, foram outros elementos que contribuíram para o adiamento. Apesar do revés, a expectativa é que a matéria seja apreciada em 2017. O governo mantém a expectativa de que o caso esteja encerrado e Julho de 2017, com a aprovação do texto sem grandes modificações, especialmente quanto à manutenção da idade mínima para aposentadoria em 65 anos. Link Atraso na reforma da previdência ameaça apoio a proposta e impõe derrota ao governo Reprovação a gestão dispara, mostra Datafolha 2. PEC Resumo PEC 55 foi aprovada em tempo recorde no Senado. A proposta foi aprovada por 53 votos a favor e 16 contrários na segunda votação, que contou com 70 senadores --o presidente do Senado, (PMDB-AL), não votou. O governo conseguiu apenas quatro votos além dos 49 necessários para aprovar uma mudança na Constituição. O resultado representa oito votos a menos a favor do governo na comparação com a primeira votação, em novembro, quando 75 senadores votaram (61 a favor e 14 contra). O senador (PMDB-SC) foi o único a votar a favor na primeira votação e contra na segunda. Para governo e aliados, a aprovação da PEC é a resposta para a desordem nas contas públicas. O crescimento do gasto público é insustentável, e desde 1991 as despesas do governo crescem a taxas superiores à média do PIB. A PEC coloca uma trava para a expansão do gasto público. Segundo seus defensores, Isso fará com que, aos poucos, a dívida pública caia e traga sustentabilidade financeira ao país. Para a oposição, a PEC é temerária e colocaria o país ainda mais nas mãos de bancos. A medida desvincula o orçamento primário da arrecadação - abre então possibilidade de repassar o bolo inteiro pra dívida. Pagamentos de juros e arrolamento da dívida já constituíam por volta de 47℅ do orçamento da União, mais superávit primário. A dívida é em sua maior parte indexada a reais de bancos nacionais - que, em paralelo a tudo isto, estão sendo investigados pelo CADE por manipulação da cotação do real. Sobre a PEC, falamos no Mamilos 88. Mas esse assunto ainda não acabou…. Links: PEC que restringe gastos é aprovada http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/12/13/pec-que-restringe-gastos-publicos-e-aprovada-e-vai-a-promulgacao CADE investiga bancos por manipulação da cotação do real durante o governo https://www.google.com.br/amp/m.economia.estadao.com.br/noticias/geral,cade-chega-a-acordo-e-multa-cinco-bancos-em-r-181-milhoes-por-manipulacao-da-cotacao-do-real,10000093147.amp?client=ms-android-motorola 1. Odebrecht Resumo As delações premiadas de Marcelo Odebrecht e de mais de 50 executivos de sua empreiteira que por tantos meses assombram Brasília começam a se tornar reais. De um hotel na capital federal, que virou QG da empreiteira – sob o comando de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba desde 14 de novembro de 2014 – foram debatidas as estratégias de defesa para atenuar a pena de quase 20 anos a que o empresário já foi condenado em primeira instância. Esta semana houve vazamento da delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, e seu conteúdo atinge em cheio o governo e sua base. O nome do presidente aparece 43 vezes no documento do acordo de delação premiada. , ministro da Casa Civil, é mencionado outras 45 vezes. , secretário de Parceria e Investimentos do governo , 34 vezes, enquanto o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que pediu demissão recentemente após denúncia de tráfico de influência, é citado 67 vezes! Não se assustem ainda... O recordista no entanto é , líder do governo no Congresso, (PMDB-RR), apontado como o "homem de frente" das negociações da empreiteira na Câmara: são 105 menções no relato. Em meio a tanta lama, ainda é possível rir de episódios bizarros: identificado na planilha de propinas da Odebrecht como “todo feio”, o ex deputado federal Inaldo Leitão nega ter recebido dinheiro irregular, e contesta seu apelido, chamando o delator de “todo horroroso” Links Trechos da delação transcritos https://www.google.com.br/amp/m.folha.uol.com.br/amp/poder/2016/12/1840250-nome-de--e-citado-43-vezes-em-delacao-de-executivo-da-odebrecht.shtml?client=ms-android-motorola A revelação dos primeiros detalhes do acordo de delação premiada da Odebrecht elevou a temperatura da crise política no Brasil ao levar o presidente e integrantes do primeiro escalão de seu governo ao centro da Operação Lava Jato http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38292351 Aliados de irão defender anulação de delação: Aliados do presidente vão reforçar nesta semana as críticas ao vazamento da delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. A estratégia é questionar a legalidade da divulgação, o que, para deles, poderia comprometer a delação, assim como ocorreu com o depoimento do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Com base nisso, o esforço é para tentar invalidar o depoimento https://www.google.com.br/amp/m.politica.estadao.com.br/noticias/geral,aliados-de--defenderao-anular-delacao-de-executivo-da-odebrecht,10000093872.amp?client=ms-android-motorola Inaldo Leitão, o “todo feio”, rebate acusação e apelido https://www.google.com.br/amp/www.em.com.br/app/noticia/politica/2016/12/12/interna_politica,831827/amp.html?client=ms-android-motorola ________________________________________________ Trending Topics 1 - (10 min): . Tema: Natal . Fato: Cidade toda decorada, trânsito frenético de pessoas em compras, milhares de happy hours e confraternizações, tá chegando o natal. Tem que curta demais, tem quem tenha preguiça, tem quem não ligue, tem quem sofra. Natal pode ser a oportunidade pra reunir as pessoas que a gente ama e se espalharam pelo mundo e pela vida, ou só uma convenção chata que nos obriga a conviver com parentes que não tem absolutamente nada em comum conosco. Pode ainda ser o momento de sentir doer mais a saudade de quem já foi. Pode ter significado religioso, pode ser uma data comercial. Vamos bater um papo pra entender o significado do natal em diferentes culturas e debater se essa tradição ainda faz sentido pra gente. . Roteiro Natal importa? O que significa natal em diferentes culturas e religiões, e a importância de rituais para qualquer sociedade Presentes: Existe de menino e de menina? Animal é presente? Trocar presentes é importante? . Polêmicas Brinquedos e Gêneros: A cena é comum: ao entrar numa loja de brinquedos, a mesma está organizada em dois setores: brinquedos de menina e brinquedos de menino. Mas o que faz um brinquedo ser para um gênero ou outro? Na opinião de Dame Athene Donald, professora de física experimental da Universidade de Cambridge, os brinquedos promovidos como “de meninas” tendem a direcionar para uma forma de brincar passiva, em lugar de atiçar a imaginação e encorajar o desenvolvimento de habilidades criativas. Enquanto o “setor de meninas” é preenchido com casinhas, fogões e itens ligados à manutenção da aparência como escovas de cabelo e cosméticos, a “área dos meninos” tem jogos de aventura, ferramentas de brinquedo, blocos de montagem, carrinhos e naves espaciais. Ao dar apenas esses brinquedos, é criado o estereótipo social, que acaba gerando preconceitos no futuro, como a mulher ter que tomar conta da casa, ou o homem ter que saber furar paredes ou dirigir melhor o carro. Nas palavras de Dame: “We introduce social constructs by stereotyping what toys boys and girls receive from the earliest age. ‘Girls’ toys’ are typically liable to lead to passivity – combing the hair of Barbie, for instance – not building, imagining or being creative with Lego or Meccano.” A divisão de brinquedos por gênero acaba influenciando as escolhas profissionais, por isso se vê poucas mulheres na área de exatas como engenharia por exemplo. Bicho não é Brinquedo Natal se aproxima e, com ele, toda a ansiedade das crianças pelos presentes sob a árvore decorada. Quase toda criança sonha em ter um animalzinho de estimação, e muitos pais não resistem aos pedidos insistentes, ainda que não tenham espaço em suas agendas para prover os cuidados que a posse de um animal demanda. Quando um bichinho chega a uma família sem real comprometimento dos adultos em cuidar dele por toda a vida, o abandono/repasse é quase certo. Ninguém sab e dizer o número, mas é certo que depois de festas tradicionais como páscoa e natal, aumenta o número de animais abandonados nas clínicas e parques de São Paulo. O mesmo acontece em todo o mundo: segundo a WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), mais da metade dos coelhos, cães e gatos adquiridos nesses períodos são abandonados. No Brasil, o número de animais abandonados entre novembro e fevereiro aumenta em 70% em relação aos outros meses. Em São Paulo são 25 mil cães e gatos recolhidos anualmente pelo Serviço de Controle de Zoonoses, dos quais apenas 1.200 conseguem um novo lar. Além dos cães e gatos abandonados por famílias que desistiram do animal quando perceberam que ter um pet dá trabalho, demanda tempo e atenção, há também aqueles abandonados por criadores ilegais. Animais que não são vendidos são jogados nas ruas ou sacrificados. Na Inglaterra, 3 pets abandonados a cada hora durante o período de Natal. O principal motivo: vendas não realizadas de ninhadas por criadores ilegais Em 2013 a OMS estimou que no Brasil havia 30 milhões de animais abandonados, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. A maioria dos animais é abandonada sem castração, o que contribui para o problema: um casal de cães não castrado pode gerar até 80 mil descendentes, e 70 mil para cada casal de gatos. Assim, mesmo com ONGs e protetores se esforçando e correndo contra o tempo para arrumar um lar para esses animais,não é possível alocar todos eles.Se nada for feito a respeito, o ciclo irá continuar se repetindo, com mais animais de rua, mais gestações indesejadas, mais ninhadas abandonadas e assim por diante. Para reduzir o número de animais abandonados em todo o país é essencial que a população se conscientize. Se você não deseja adotar um pet, aproveite a oportunidade para educar seu filho e mostrar que ao longo da vida nem sempre o momento em que queremos algo é o melhor para que o desejo seja realizado. Se deseja, entenda antes de mais nada que uma criança não pode ser responsável por uma vida, e aquele pet precisará de seu cuidado e atenção. Adotar é um compromisso para vida inteira. E não esqueça da importância da castração. Essa atitude, por simples que pareça, contribui para que seu pet tenha uma vida mais saudável e ajuda a prevenir ninhadas indesejáveis que podem não receber a mesma oportunidade de ter um lar e receber os cuidados básicos que precisam. As vantagens do procedimento são muitas: redução do risco de doenças como câncer de mama, útero, próstata, testículos e infecções, a eliminação da gravidez psicológica e a diminuição no roubo de animais de raça para a procriação e venda clandestina. Abandono é crime: caso você veja ou saiba de maus-tratos cometidos contra qualquer tipo de animal, não pense duas vezes, vá à Delegacia de Polícia mais próxima para lavrar Boletim de Ocorrência. Abandono e maus tratos à animais é crime. A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) e o Art. 164 do Código Penal, prevê o crime de abandono de animais para aqueles que introduzirem ou deixarem animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o fato resulte prejuízo: Como educar seu filho para ter responsabilidade com seu cachorrinho: desde pequeno, você deverá explicar ao seu filho que seu cão não é um brinquedo. Você tem que lhe ensinar que: Seu amigo de quatro patas é um ser vivo e que não deverá ser machucado e nem tratado de forma violenta. Que ele deve ter atendidas as suas necessidades de alimentação, saúde e higiene. Que é importante respeitar os momentos em que o bichinho não quer brincar. Ele não deverá ser incomodado quando dorme e nem ser interrompido quando come. Hora certa de ter um animal, e como dizer não: Antes de dizer sim e se render aos encantos de um peludo, é preciso levar muita coisa em consideração. Aqueles filhotes fofos e gordinhos que encantam qualquer criança - e você também, claro - são mesmo irresistíveis, mas, então, você se pergunta: "Será que meu filho já tem idade suficiente para ter um animal de estimação?" "Existe algum risco de ele desenvolver doenças?" "E se eu decidir que ainda não é a hora, como explicar isso à criança sem magoá-la?" Merchan? Posso? Projeto SalvaCão, de São Paulo. iniciativa de um grupo de amigos que se uniu para ajudar os animais de rua ou em situações de maus-tratos e violência. O objetivo é devolver a dignidade e o respeito que lhes é devido, uma questão não apenas de compaixão, mas de saúde pública, cidadania e direito à vida. Natal: História Natal vem de “nascimento”, e foi a palavra adotada em português para a festa religiosa cristã que celebra o nascimento da figura central do Cristianismo. Em inglês, Christmas vem de Christ-Mass - a comunhão ou eucaristia é chamada também em inglês de Mass service. No Natal a Comunhão ('Christ-Mass' service) era a única refeição permitida entre o pôr e o nascer do Sol, por isso as pessoas a faziam à meia-noite. Não há na Bíblia qualquer referência ao dia exato do nascimento de Jesus Cristo, e a celebração do Natal não fazia parte das tradições cristãs iniciais. De fato, originalmente o Batismo de Cristo era visto como mais importante que seu nascimento, já que foi ali que Ele iniciou seu ministério. Com o tempo e na tentativa de facilitar a aceitação do Cristianismo entre os praticantes da religião romana e os pagãos, começou-se a celebrar o Natal em Dezembro - conjunção com a festa da Saturnália, em honra do deus Saturno, que por tradição ocorria entre os dias 17 e 25 desse mês, e com o Solstício de Inverno, um evento celebrado nas religiões pagãs. E, claro, o Festival das Luzes judeu, Hanukkah, que se inicia no 25o dia do Kislev, mês do calendário judeu que quase coincide com Dezembro. O registro mais antigo de celebração do Natal no dia 25 de Dezembro data do ano de 336 d.C., durante o governo de Constantino, primeiro imperador romano cristão. Alguns anos mais tarde, em 350 d.C., o Papa Julio I tornou a data oficial entre os Católicos. Símbolos do Natal O Pinheiro ou Abeto:os abetos eram usados tradicionalmente nas religiões pagãs durante os Festivais de Inverno, por serem árvores que se preservam verdes por todo o ano. Os religiosos pagãos usavam galhos de abetos para decorar seus lares durante o Solstício, para celebrar a Primavera que estava por vir. Este costume foi absorvido pelos romanos, que usavam abetos para ornamentar seus templos durante a Saturnália. Mais tarde esta tradição foi assimilada pelos cristãos, para quem as árvores simbolizam a eternidade da vida com Deus Sinos de Natal: tanto para a Igreja Católica quanto para a Anglicana, o “dia da Igreja” se inicia com o pôr-do-sol, de modo que qualquer missa iniciada após o pôr-do-sol é a primeira missa do dia. Assim sendo, a missa da véspera de Natal é de fato a primeira missa do Dia de Natal. Nas igrejas que possuem um ou mais sinos, eles são tocados para sinalizar o início desta missa. Em algumas igrejas do Reino Unido é tradição soar quatro vezes o maior sino do templo às onze horas da noite, e à meia-noite tocar todos os sinos em celebração. Estrela de Natal: colocada no topo da árvore de Natal, simboliza a estrela que guiou os magos até o local do nascimento de Jesus, segundo o relato do Evangelho de Mateus, na Bíblia. O uso inicial da estrela pode no entanto ter outra explicação: seria a estrela de Davi, símbolo dos Judeus, colocada ali para celebrar as raízes judaicas das primeiras famílias cristãs. A própria origem da estrela de Davi é controversa - o símbolo seria também (ou originalmente) pagão, e representa a união do masculino (triângulo regular) com o feminino (triângulo invertido). Velas: mais uma tradição assimilada das celebrações pagãs do Solstício do Inverno, quando velas eram usadas para enfatizar que a Primavera está por vir. No Cristianismo as velas ganham nova importância, simbolizando a Estrela de Belém e mesmo o próprio Cristo, comumente referido como “A Luz do Mundo”. Papai Noel, Santa Claus, Pai Natal, São Nicolau: São Nicolau foi um rico bispo que viveu na Ásia Menor - hoje Turquia. Ficou órfão jovem, recebendo grande herança, e se tornou conhecido por presentear crianças e ajudar os pobres. Por sua bondade foi feito santo da Igreja Católica. Uma das lendas acerca de São Nicolau diz que um homem era muito pobre para pagar o dote para o casamento de suas três filhas. Nicolau então, querendo ajudar sem no entanto revelar-se, colocou ouro em uma bolsa e jogou-a pela chaminé da casa deste senhor. A bolsa caiu dentro de uma meia que estava pendurada na lareira para secar. Desta história evoluíram as lendas de que Papai Noel desce pela chaminé, e que coloca presentes dentro de meias pregadas nas lareiras. Já pelo século XVI as tradições e histórias de São Nicolau se tornam impopulares no Norte da Europa, devido à Reforma Protestante. Mas alguém tinha que entregar presentes às crianças, então no Reino Unido, e mais particularmente na Inglaterra, São Nicolau se torna Father Christmas ou Old Man Christmas. O nome é levado para Portugal, traduzido para Pai Natal, enquanto para o Brasil veio o nome adotado na França, Pére Noel, Papai Noel. Santa Claus, por sua vez, nasce das histórias de São Nicolau contadas aos americanos pelos colonos holandeses - para quem o santo se chama Sinterklaas. Ah, e sobre Papai Noel e as cores da Coca-Cola… mais uma das lendas urbanas que reproduzimos. Muitos anos antes da invenção do refrigerante, São Nicolau foi representado em roupas vermelhas de bispo. Durante os anos vitorianos e mesmo antes ele vestiu diversas cores (verde, vermelho, marrom, azul), sendo vermelha a cor favorita. Troca de Presentes: Presentear pessoas queridas era uma forma de transmitir alegria e bençãos de fim de ano - portanto a prática era ligada à festa de reveillón, com a abertura dos presentes do 1o dia do ano novo. Foi durante o século XIX que esta tradição começou a ser direcionada para o Natal, ligando-a a um simbolismo com os presentes trazidos pelos reis magos para o bebê Jesus. O Natal em Outras Culturas Hanukkah História: Por volta de 200 antes de Cristo o governo Grego-Assírio inicia a tentativa de apagar a memória judaica do povo judeu desejando misturá-los e torná-los parte da cultura do helenismo grego. Para isso, Antiochus Epiphanes (“Antioco o Deus Visível”) declarou o cumprimento de leis judaicas e culto proibidos, incluindo nisso o próprio ensino da Torah, Um grupo de judeus se rebelou contra tais medidas, liderados por Mattitiahu e seu filho Judah (Judas Macabeus). Antiochus enviou uma legião de seu exército para sufocar a rebelião, mas os soldados de Israel conseguiram vencer a batalha e entrar no Templo de Jerusalem no mês de Kislev no ano 164 antes de Cristo, que havia sido “profanado” pelos estrangeiros - no centro do templo havia uma estátua do deus grego Zeus, com a face de Antiochus. Os judeus procederam com a purificação do templo, porém não encontraram suficiente óleo puro de oliva para as celebrações. Somente conseguiram achar uma medida suficiente para um dia. De forma sobrenatural, o óleo que era suficiente para um dia durou por mais de uma semana, tempo o suficiente para se preparar e trazer o novo e consagrado óleo para o grande candelabro (Menorah) do templo. Desde então, até os dias de hoje, comemora-se a multiplicação do azeite por oito dias - e esta é a razão do Hanukkah ser chamado o Festival das Luzes. Como é celebrado: O Hanukkah começa no 25o dia do Kislev e é celebrado por 8 dias consecutivos. Todas as casas judaicas e templos expõem hanukiahs, candelabros com um braço principal, cuja veja é chamada Shamash (servente) e é usada para acender as velas dos outros oito braços, uma vela por dia. Ao final da celebração de oito dias do Hanukkah, todas as velas da hanukiah estão acesas. Todos os dias é feita uma oração de agradecimento a Deus, além de canções tradicionais. Como a festa é alusiva ao óleo milagroso, todas as comidas tradicionais são fritas: panquecas de batata (latke) e donut recheado de geléia (sufganya) Kwanzaa O nome Kwanzaa vem da frase 'matunda ya kwanza' que significa “primeiros frutos” em idioma Swahili (falado em países como Quênia, Uganda, Tanzânia, Moçambique e Zimbábue). É celebrado principalmente nos EUA. Durante o Kwanzaa um candelabro especial chamado kinara é usado. A kinara porta sete velas, três vermelhas à esquerda, três verdes à direita e uma vela negra no centro. A cada noite do Kwanzaa uma vela é acesa. A vela negra, ao centro, é a primeira, a partir da qual uma vela de cada lado, alternadamente, será acesa, iniciando pelas velas “de fora” para “dentro”, num rito similar ao do Hanukkah judeu. Os 7 dias e 7 velas do Kwanzaa representam os Sete Princípios (Nguzo Saba): > Umoja: Unidade – unidade da família, comunidade, nação e raça
> Kujichagulia: Autodeterminação – ser responsável por sua própria conduta e comportamento
> Ujima: Trabalho coletivo e responsabilidade – trabalhar para ajudar-nos uns aos outros e à comunidade
> Ujamaa: Economia cooperativa – trabalhar para construir lojas e negócios
> Nia: Propósito – relembrar e restaurar as culturas africanas e afro-americanas, seus costumes e história
> Kuumba: Criatividade – usar a criatividade e imaginação para fazer melhores comunidades
> Imani: Fé – acreditar nas pessoas, nas famílias, nos líderes, nos professores, e na justiça e integridade da luta afro-americana

Islândia e a tradição de trocar livros
Os islandeses têm como tradição presentear livros para familiares e amigos na véspera de Natal, e então passar a noite lendo. Este costume é tão forte na cultura islandesa que é comum que se acabem todos os livros à venda entre Setembro e Dezembro – o Jolabokaflod.
Outra interessante tradição da Islândia é a presença dos duendes, que substituem o Papai Noel na tarefa de presentear as crianças. Vindos da mitologia islandesa, os chamados “Jólasveinarnir” visitam as crianças ao redor do país durante as 13 noites antes do Natal. Para cada noite do Yule, as crianças colocam seus melhores calçados na janela e um “duende” diferente deixa presentes para os bons meninos e meninos, e batatas podres para os que se comportaram mal.
Vestidos com trajes tradicionais, os tais duendes são bastante travessos e seus nomes dão a dica do tipo de traquinagem que aprontam. Entre eles “o “espiador de janelas”, o “ladrão de salsichas” e o “lambedor de colheres”.

Alemanha
A celebração se inicia no período do Advento, celebrado a partir do 4o domingo antes do Natal – o 1o Domingo de Advento. Durante estes dias os alemães se encontram com amigos e familiares para juntos fazerem biscoitos, pão de gengibre e beberem vinho quente.
Na noite de 6 de Dezembro as crianças recebem a visita de São Nicolau, que deixa em suas botas e sapatos pequenos presentes e chocolates. Mas só para os meninos bons. Os maus são punidos pelo auxiliar Rupert (Knecht Ruprecht), um tipo estranho de barbas e roupas negras que traz consigo uma vara ou um chicote.
Na véspera de Natal é a vez do anjo Christkindl visitar as famílias, trazendo presentes.

Venezuela e a patinata
Durante a época natalina na Venezuela se ouve o aguinaldo, estilo de música originalmente espanhol que foi adaptado aos ritmos venezuelanos. A palavra aguinaldo se refere ao presente que se oferece ou que espera se receber no Natal. A música aguinalda também originou a parranda – estilo musical similar porém acrescido dos sons do cuatro (espécie de guitarra acústica que originalmente tinha apenas quatro cordas, hoje tem dez) e de maracas.
Também são tradicionais as patinatas – sobretudo na capital, Caracas. São eventos de rua, onde crianças e adultos festejam e brincam em patins, patinetes ou bicicletas.

Colômbia e a Noite das Velinhas
A Noite das Velinhas (la noche de las velitas) marca o início das festividades de Natal na Colômbia. Em homenagem à Virgem Maria e a Imaculada Conceição, as pessoas deixam velas e lanternas de papel nas janelas, sacadas e pátios de suas casas na noite entre os dias 7 e 8 de Dezembro.
Esta tradição remonta à bula papal Ineffabilis Deus, emitida em 1854 por Pío IX, onde se afirma que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original. Diz-se que neste dia, católicos de todo o mundo acenderam velas e tochas para celebrar o acontecimento.

Austria e Krampus
Similar à Alemanha, na Austria também a celebração se inicia no Advento, e tal qual seus vizinhos germânicos, austríacos recheiam o período com biscoitos de gergelim, vinho quente e canções de Natal.
Possivelmente por influência alemã, onde o auxiliar de São Nicolau, Rupert, cuida dos meninos que não se comportaram, na Áustria crianças más não só não ganham presentes, como recebem a visita de um ser destinado a puni-las. No caso, Krampus, criatura meio bode e meio homem, que bate com uma vareta nas pessoas para dissuadi-las a serem boas, e carrega um saco no qual enfia as crianças más para levá-las consigo para o submundo

A Importância dos Rituais
Ritual pode ser definido como “uma ação que carece de uma relação prática entre os meios que se escolhem para atingir certos fins”. Por exemplo, apertar as mãos quando se conhece alguém pode ser considerado um ritual, pois não há nenhuma razão real pela qual agarrar a mão de outro e sacudi-la por um segundo ou dois levará a conhecimento mútuo. É um gesto culturalmente relativo; Poderíamos muito bem cumprimentar uns aos outros com um tapinha no ombro ou até mesmo nenhum contato físico.
Lavar as mãos para limpá-las não é um ritual, uma vez que existe uma clara relação prática entre a sua ação e o resultado desejado. Mas se um padre salpica água em suas mãos para “purificá-las”, isso é um ritual, uma vez que a água é em grande parte simbólica e não de fato destinada a livrar as mãos das bactérias.
Cada cultura, em cada parte do mundo, em cada época envolveu-se em rituais, sugerindo que eles são uma parte fundamental da condição humana. Rituais foram até chamados de nossa forma mais básica de tecnologia – eles são um mecanismo para mudar as coisas, resolver problemas, executar determinadas funções e realizar resultados tangíveis. A necessidade é a mãe da invenção, e os rituais nasceram da perspectiva clara de que a vida é intrinsecamente difícil e que a realidade não adulterada pode, paradoxalmente, se sentir incrivelmente irreal.
Os procedimentos ritualísticos são mais racionais do que aparentam. Por meio da repetição dos atos, aos quais o tempo e a sociedade agregam um valor específico, pode-se reduzir a ansiedade, por meio da simples repetição do “procedimento padrão”, aumentando a confiança das pessoas que simplesmente reproduzem os atos, ainda que de maneira impensada.

O mundo moderno é quase desprovido de rituais – pelo menos da maneira que tradicionalmente pensamos deles. Aqueles que permanecem – como aqueles que giram em torno dos períodos festivos – perderam em grande parte seu poder transformador e são frequentemente mais suportados que apreciados. Este desligamento no entanto pode ser perigoso à medida que os rituais tradicionais abandonados não são substituídos por novos ritos. Os rituais têm por séculos sido as ferramentas que os humanos usaram para liberar e expressar emoção, construir sua identidade pessoal e identidade de sua tribo, trazer ordem ao caos, orientar-se no tempo e no espaço, efetuar transformações reais e trazer camadas de significado e textura para suas vidas. Quando os rituais são despojados de nossa existência, e este anseio humano fundamental não é satisfeito, inquietação, apatia, alienação e tédio são o resultado.

Trégua de natal de 1914: armistício informal durante a Primeira Guerra. Durante a semana que antecedeu o natal, soldados franceses, britânicos e alemães que, naquele momento, ocupavam a Frente Ocidental, “suspenderam” a guerra para celebrar com música, troca de presentes e comidas em comunhão.
A trégua ainda se repetiu em 1915, com menor publicidade dos comandos dos exércitos, que passaram a proibir a confraternização. A partir de 1916 não houve mais notícia de congraçamento entre as forças militares

. Links
Brinquedo não tem gênero

Brinquedo não tem gênero. Neste Natal diversifique.


Nem de menino nem de menina, apenas brinquedo
https://www.nexojornal.com.br/especial/2016/06/08/Nem-de-menino-nem-de-menina.-Apenas-brinquedos
Hanukkah – o que é, como é celebrado
http://www.chabad.org/holidays/chanukah/article_cdo/aid/102911/jewish/What-Is-Hanukkah.htm
Menorah vs Hanukiah – só pra confundir/elucidar

What is the Difference Between a Hanukiah and a Menorah?


Os Ritos da Humanidade – a necessidade do homem de ter rituais
http://www.artofmanliness.com/2013/12/16/the-rites-of-manhood-mans-need-for-ritual/
Por Que Rituais Funcionam
Why Rituals Work – Scientific American
Kwanzaa – site oficial
http://www.officialkwanzaawebsite.org/index.shtml
History Channel – com vídeo
http://www.history.com/topics/holidays/kwanzaa-history
O Natal em diferentes culturas
http://www.terra.com.br/noticias/educacao/infograficos/natal-culturas-diferentes/
[slides do portal Terra com curiosidades de natais em outros lugares]
Filme “Feliz Natal” (Joyeux Noël. 2005/Alemanha)
http://www.history.com/topics/world-war-i/christmas-truce-of-1914
Remembering a Victory For Human Kindness
35 Costumes Bizarros de Natal
http://www.huffingtonpost.com/2013/12/24/world-christmas-tradition_n_4479333.html
Tradições de Natal na Austria
http://www.austria.info/us/activities/culture-traditions/cherrished-traditions/christmas-season-in-austria
Krampus
http://news.nationalgeographic.com/news/2013/12/131217-krampus-christmas-santa-devil/
Tradições venezuelanas de Natal e Ano Novo
http://www.venezuelatuya.com/tradiciones/tradiciones_navidenas.htm
Patinata da Igreja Sagrada Família de Nazaret, Caracas (Vídeo)

https://www.homify.com.br/livros_de_ideias/12139/natal-na-alemanha-costumes-e-tradicoes
http://www.vistawide.com/german/christmas/german_christmas_traditions.htm
https://www.aciprensa.com/noticias/la-noche-de-las-velitas-la-fiesta-de-colombia-por-la-inmaculada-96922/
Tudo sobre Natal (do ponto de vista cristão): tradições, história, símbolos
http://www.whychristmas.com/
http://www.treehugger.com/culture/icelanders-give-books-christmas-eve.html
http://www.jolasveinarnir.net/en/page/about-the-yule-lads
Lenda Urbana – Papai Noel e as cores da Coca-Cola
http://www.snopes.com/holidays/christmas/santa/cocacola.asp
5 fatos surpreendentes sobre o Natal, incluindo suas raízes pagãs
http://www.livescience.com/25779-christmas-traditions-history-paganism.html

Dê presentes no Natal, não animais!


Brinquedos “de meninas” direcionam as mulheres para fora das carreiras científicas – entrevista com Dame Athene Donald
https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/science/2015/sep/04/toys-aimed-at-girls-steering-women-away-from-science-careers?client=ms-android-motorola
Brinquedo não tem gênero. Neste Natal diversifique.

Brinquedo não tem gênero. Neste Natal diversifique.


[Textinho incentivando a quebra de estereotipos na hora de presentear crianças, acompanha video]
Nem de menino nem de menina, apenas brinquedo
https://www.nexojornal.com.br/especial/2016/06/08/Nem-de-menino-nem-de-menina.-Apenas-brinquedos
[Texto de junho, abrange a divisão de gêneros q fazemos com tudo, mas foca na parte dos brinquedos, explicando um pouco da campanha britânica Let Toys be Toys. Dá uma aprofundada no assunto, falando da História, mercado, etc etc]
Site: http://projetosalvacao.org/
Loja (toda a arrecadação é revertida para o Projeto): http://loja.projetosalvacao.org/
Twitter: https://twitter.com/projSalvaCao
Facebook: https://www.facebook.com/ProjSalvaCao/?ref=ts&fref=ts
http://revistacrescer.globo.com/Familia/Rotina/noticia/2013/12/hora-certa-de-ter-um-animal-de-estimacao.html

Crianças e cães: a cada idade uma responsabilidade


http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2014/02/noticias/cidades/1479085-aumenta-em-70-o-numero-de-animais-abandonados.html
http://apacaxambu.blogspot.com.br/p/abandono-e-maus-tratos-animais-e-crime.html
https://www.theguardian.com/money/2010/dec/31/three-pets-abandoned-christmas-rspca
http://www.guiavegano.com.br/vegan/bem-estar-animal/artigos/bem-estar-animal/a-cada-ano-centenas-de-caes-sao-abandonados-porque-seus-donos-se-cansam-de-brincar-com-eles
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Trending Topics 2 – (10 min):

. Tema: Resoluções de ano novo

. Fato: A gente faz listas intermináveis de resoluções, todos os anos promete que tudo vai ser diferente e se frustra quando faz o balanço no próximo fim de ano. Será que não queremos demais? Por outro lado tem gente que de fato muda de vida. Que emagrece, que aprende a se relacionar melhor com dinheiro, que finalmente vai morar fora, que foca e consegue entrar na faculdade, que reconstrói vínculos, que muda a carreira. Como?

. Roteiro
Você faz resolução de ano novo?
Adianta fazer resolução de ano novo?
A gente quer coisas demais?

. Polêmicas
Entrevista da Exame com o Gustavo Cerbasi, um dos maiores educadores financeiros do país. Nela, ele fala como fez um plano de arrocho nas próprias contas durante 7 anos para atingir a independência financeira com a esposa. É um approach bem mais financeiro, mas mostra de forma prática e real o que é possível fazer com um pouco de conhecimento do mercado financeiro, sem deixar passar as oportunidades do dia a dia, como vender seu apartamento, aplicar o dinheiro na bolsa e alugar a unidade de cima da sua com menos do que vc ganha na aplicação original. Não é exatamente uma resolução de ano novo, mas é alguém que mudou a vida de fato. O link com o tema de ano novo pode ser o planejamento de curto, médio e longo prazos. Exemplo bom são as renúncias de coisas simbólicas da vida por um prazo determinado de tempo em troca da busca dos sonhos reais. Ele cita que pararam de jantar fora, trocar flores etc. Por outro lado, conseguiram ter uma lua de mel de 3 semanas na Europa, fora um casamento para 350 pessoas do jeito que queriam. Pitaco pessoal: acho que pode ser feito um link com o programa (se não me engano) da PEC 55, no qual foi falado sobre a capacidade do governo de fazer escolhas. Agora não é mais o governo, mas sim no ambiente doméstico. Reclamamos do governo, mas fazemos escolhas melhores?
5 motivos para não esperar o ano novo para fazer resoluções. Acho que o principal ponto da matéria é o número 1. Simples: não é necessário esperar. Planos futuros são uma desculpa para passar o final de ano em hibernação e é o período em que as pessoas mais engordam. Usar datas especiais (aniversário, ano novo, 2ª de manhã) pode ser um bom truque psicológico, desde que usado da forma correta.
Resoluções de final de ano atrapalham a carreira. Professora de Harvard (Amy Cuddy) diz que normalmente essas listas são ambiciosas demais. Ao não conseguir atingi-las, sua auto-estima leva a porrada. Fora que tais listas tendem a surgir de sentimentos ruins, como querer perder peso (pessoa se acha gorda), parar de fumar (pessoa sabe que faz mal), ser menos tímido (pessoa está se fazendo uma crítica), etc. Outro ponto importante é que tais listas focam demais no resultado e não no processo para chegar lá. Mudar de emprego seria um bom exemplo, pois não depende só de vc e o processo é complexo.

. Links
Como o guru Gustavo Cerbasi planejou a própria aposentadoria

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5 motivos para não esperar o Ano Novo para fazer resoluções
Resoluções de ano-novo atrapalham a carreira, diz psicóloga

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Trending Topics 3 – (10 min):

. Tema: redação Minhas férias

. Fato: Aaaaaaah tem gente que vai morrer de saudades. Um pouco mais de um mês sem Mamilos! O que eu vou fazer todo esse tempo tia Ju? Além de maratonar e se dedicar a espalhar a palavra da polêmica com empatia, vamos dar algumas sugestões. Não sem antes nos entregar a algumas memórias de férias inesquecíveis.

. Roteiro

contar histórias de infância de férias. Amores de verão. Viagens.
Indicar uma programação de férias

. Polêmicas
Programação de férias: Para quem estiver no eixo Sorocaba-Campinas e tiver uma criançada a bordo, sugiro o Parque Rocha-Moutonnée, que fica em Salto (Rodovia Rocha Moutonnée – Antiga Estrada das Sete Quedas – s/nº – Salto/SP). Como diz no próprio site “O Parque da Rocha Moutonnée é um atrativo turístico voltado a realização dos estudos do meio, pois permite uma abordagem didática sobre as eras geológicas e a evolução da vida no Planeta Terra. Com 43.338 metros quadrados de área, o parque oferece aos visitantes diversos painéis explicativos sobre o surgimento da vida no planeta, bem como nove réplicas de dinossauros que entretêm e divertem os estudantes interessados em investigar a era mesozóica. O parque ainda conta com resquícios florísticos que indicam as alterações climáticas na escala geológica, bem como oferece um dos mais importantes vestígios geológico de nosso país: a rocha moutonnée.”.
. Links
https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g2343079-d4048735-Reviews-Parque_da_Rocha_Moutonnee-Salto_State_of_Sao_Paulo.html

Stella Artois | The Trap

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Bloco 3 – Farol Aceso: 5 minutos

Ju –
ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS – http://www.adorocinema.com/filmes/filme-218395/

SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON – http://www.adorocinema.com/filmes/filme-238330/

Sense8 especial de natal – http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/12/1841494-sense8-tera-especial-de-natal-antes-de-segunda-temporada-chegar-a-netflix.shtml

Filme Capitão Fantástico – http://www.adorocinema.com/filmes/filme-227320/criticas-adorocinema/

Cris –
Shonda Rhimes TED Talk: Meu ano de dizer “sim” para tudo — TED Talk 2016

Ana Freitas
Serie Westworld – http://www.adorocinema.com/series/serie-16930/
Livro Subliminar – Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas http://www.saraiva.com.br/subliminar-como-o-inconsciente-influencia-nossas-vidas-4710002.html

Rafael
Podcast Tecnicalidade http://www.b9.com.br/podcasts/tecnicalidade/
Bot do Tecnicalidade facebook.com/tecnicalidade

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Pre-pauta

Sugestão do Facebook:
Falar de renovação, desapego e sobre escolher lutas (do dia a dia mesmo) que valem a pena. E planejamento para 2017. Resoluções de ano novo
Coisas boas de 2016? Acho que podiam fazer uma retro do que aconteceu de bom este ano, afinal todo mundo só criticou 2016! Então, a questão é: teve algo de bom em 2016? A pessoa falou em 2015 que 2016 vai ser um ano bom, ai chegou 2016 foi bom mesmo? 2017 vai ser um ano melhor que 2016? Afinal todo ano é melhor que o último ou todo ano é pior que o último? Tem alguma lógica nesse raciocínio? Melhor de 2016. Indicações de 1 livro, 1 álbum e 1 filme do ano, ou tudo embolado mesmo, pra fechar com chave de ouro
Olimpíadas Rio 2016. Lembra daquela sensação maravilhosa durante o evento? Se alienarmos a questão política, e os efeitos práticos da coisa o que sobra é tão bom. É um pouco do que temos de melhor. Ótimos dias aqueles.
Fala de Natal. Curiosidades de Natal, lendas urbanas, etc sobre Natal. Presentes de natal: micos, erros e acertos, segurança em brinquedos pra crianças, separação por gênero…. Natal: a importância ou não da crença,fé e magia na primeira infância.
Acho legal abordar a questão dos brinquedos para as crianças e esse diferença imposta pela propaganda de coisas de menino e menina
Levar pessoas que tiveram suas vidas mudadas pelo mamilos
Poderiam falar sobre como diferentes culturas e religiões comemoram o fim do ano.
Bicho não é brinquedo – acho um tema importante pra abordar, todo ano as ONGs se vêem loucas com a quantidade de animais abandonados um, dois meses depois do Natal…. Tem um link aqui sobre http://www.petmag.com.br/7398/de-presentes-no-natal-nao-animais/
Histórias das suas férias na infância! ^^ (e o q não rola mais nas férias das crianças de hj)
O Lúdico e a falta que ele faz na vida
Culinária mamileira
Se é para dar leveza ao tema, nada melhor do que comida. Falar sobre coisas boas de natal. Comida de alma, tradições familiares, fugindo, é claro, das divergências mortais (passas, frutas cristalizadas e chocottone etc.)
A vida moderna nos pressiona a fazer mais, entregar mais e trabalhar mais e para isso somos constantemente tentados a dormir menos. Dá para conseguir isso? E é recomendável? Neste podcast, o Nexo conversou com uma especialista sobre o assunto.
Que tal falar sobre motivação? Motivação para trabalho, atividades físicas etc … poderiam falar com pessoas que tiveram casos de sucesso e superação etc. Acho que daria muito pano pra manga e é um tema leve =). Gosto da ideia de motivação. Olhares diferentes – motivação interna, motivação externa, como controlar os períodos de desmotivação. Acho que o ano e o momento são propícios

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