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Anfitriã do Airbnb que cancelou reserva com comentários racistas é condenada

É a primeira vez que uma pessoa é condenada por caso de racismo na plataforma

13.jul.2017

Não é novidade que o nome do Airbnb é citado em polêmicas racistas por parte de seus anfitriões, mas é inédito que uma pessoa é efetivamente condenada por discriminação racial na plataforma.v

O caso aconteceu em na Califórnia, E.U.A., onde Dyne Suh havia reservado uma cabana para passar um final de semana esquiando com o noivo e amigos. Minutos antes de chegar ao local da reserva, Suh enviou mensagens à Tami Barker, a anfitriã, afim de avisar que estavam perto do local e confirmar os detalhes da reserva. Foi quando Baker se negou a recebê-los alegando não ter acertado a presença de hóspedes extras (amigos de Suh) e, quando Suh disse que faria uma reclamação formal à Airbnb sobre o caso, Baker respondeu com mensagens que diziam “Eu não alugaria para você ainda que fosse a última pessoa do mundo. Uma palavra diz tudo: asiáticos.” e “É por isso que temos Trump … eu não permitirei que este país seja guiado por estrangeiros”.

Abaixo um vídeo de Dyne Suh logo após de ter sua reserva cancelada:

“É por isso que temos Trump … eu não permitirei que este país seja guiado por estrangeiros”.

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Meses após o ocorrido, em um acordo histórico entre o Departamento de Equidade de Emprego e Habitação da Califórnia (DFEH) e o mercado de alojamentos sediado em São Francisco, a anfitriã Barker foi condenada pelo caso a pagar danos monetários no valor de US$ 5.000, participar de um curso de nível universitário em Estudos Asiáticos Americanos, cumprir as leis antidiscriminação e pedir desculpa pessoal à Suh, além de participar de um painel de educação comunitária e se voluntariar com uma organização de direitos civis.

O acontecimento é histórico pois o Airbnb, assim como outras empresas de “economia colaborativa”, incluindo Uber, repetidamente resistem aos regulamentos estatais ou da indústria a que se encaixam, argumentando que são uma “plataforma” e, por isso, não sujeitos às leis e requisitos locais aplicáveis a negócios similares.



Mas, desta vez, o Airbnb permitiu que o DFEH regulasse o caso por viés racial, após uma investigação de 10 meses com base em um número crescente de relatórios sugerindo que os hospedeiros regularmente se recusam a alugar para os hóspedes devido à sua raça, um problema que já foi exposto anteriormente por usuários do aplicativo sob a hashtag #AirbnbWhileBlack.

Economia colaborativa, mas nem tanto

Em 2016, um estudo realizado por pesquisadores da Harvard Business School sobre discriminação racial em empresas de economia colaborativa descobriu que, na plataforma AirBnB, “solicitações de hóspedes com nomes distintamente afro-americanos são aproximadamente 16% menos propensos a ser aceitos que hóspedes idênticos com nomes distintamente brancos”.

O estudo descobriu que, na plataforma AirBnB, “os pedidos de convidados com nomes distintamente afro-americanos são aproximadamente 16% menos propensos a ser aceitos que convidados idênticos com nomes distintamente brancos”.

Kevin Kish, director of DFEH disse que “ espera que este primeiro caso envie uma mensagem aos anfitriões”.

Mais do uma mensagem aos anfitriões, a gente espera que casos como este sejam tratados com mais seriedade e transparência por empresas como Airbnb. Afinal, o mínimo que se espera é que sejam comprometidos com a respeito, valor que figura nas políticas de padrões e expectativas estabelecidas pela empresa, com base em “confiança e segurança”. A pergunta que não quer calar é: confiança e segurança para quem?

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