Vibrador ganha prêmio de inovação em robótica, mas CES pede título de volta por considerar produto “imoral”

Episódio trouxe discussão sobre sexismo, já que brinquedos sexuais sempre estiveram na feira, incluindo sessões pornográficas para homens na seção de realidade virtual

por Soraia Alves

Está rolando em Las Vegas a Consumer Electronics Show 2019 (CES), uma das maiores feiras de tecnologia e inovação do mundo. Mas um fato peculiar chamou atenção na edição deste ano.

Tudo começou quando o vibrador Osé, criado pela empresa Lora DiCarlo, levou o Prêmio de Inovação CES, na categoria robótica. O aparelho é capaz de proporcionar um orgasmo combinado com as mãos, através do uso de microrrobôs projetados para imitar os movimentos de um parceiro humano.

via GIPHY

No entanto, mesmo depois de liberar o prêmio, a CES não permitiu que a empresa o mantivesse, apesar de, obviamente, o resultado ter passado pelo processo de verificação do evento. De acordo com a Lora DiCarlo, um mês após a entrega do prêmio, que acontece anteriormente à feira, a empresa recebeu uma mensagem dizendo que o prêmio estava sendo retirado e que a empresa não teria permissão para expor na CES 2019.

Ainda segundo a Lora DiCarlo, a Associação de Tecnologia do Consumidor (CTA), organização por trás da CES, citou uma regra no comunicado dizendo que “as inscrições consideradas pela CTA como sendo imorais, obscenas, indecentes, profanas ou não de acordo com a imagem da CTA serão desqualificadas.”

Acontece que produtos similares – de caráter sexual, no caso – sempre tiveram espaço nas edições da CES. Em 2016, inclusive, o mesmo prêmio também foi dado a um brinquedo sexual.

Quando procurado pela The Newt Web, a CTA informou que “o produto não se encaixa em nenhuma das categorias de produtos existentes e não deveria ter sido aceito no Programa de Prêmios de Inovação”. Ainda assim, a organização não explicou porque em outros anos produtos similares foram aceitos.

Em carta aberta, a CEO da Lora DiCarlo, Lora Haddock, questiona porque a CES aceita a exposição de sessões de pornografia em Realidade Virtual voltada para o público masculino: “Por que a CES é ameaçada por mulheres com poder e pelos produtos que as capacitam?”.

O caso acabou levantando um debate sobre um possível sexismo na CES. Como alguns veículos lembraram, a conferência serve como vislumbre para o futuro, mas acaba projetando o mesmo dominado por profissionais homens e seus produtos.

Em 2018, a feira recebeu a exposição de produtos de saúde sexual para homens, como robôs sexuais na forma de mulheres. Já em eventos anteriores, as chamadas “booth babes” – mulheres de biquínis e salto alto – andavam por toda a feira distribuindo brindes e explicações de como funcionavam uma VPN.

Imagine ser uma mulher que trabalha no mercado de tecnologia, andando por um espaço cheio de profissionais homens e que quando finalmente vê outra mulher, ela está assim?

Por outro lado, neste ano a CES, olhou com mais atenção para a sua divisão de palestrantes, colocando 50/50 masculinos e femininos.

A organização não se manifestou sobre as acusações.

Compartilhe: