9 filmes do Festival de Sundance 2019 que você vai querer assistir este ano

De documentário sobre vítimas da pedofilia de Michael Jackson a comédias estreladas por Emma Thompson e Awkwafina, evento viveu ano disputado pelos estúdios na procura de seu próximo sucesso

por Pedro Strazza

Terminou no último domingo mais um Festival de Sundance, mostra de cinema independente que acontece anualmente na cidade de Park City, nos Estados Unidos, e que marca o início do circuito de grandes festivais. O festival é também o principal lar para a atual produção estadunidense independente, tendo servido nos últimos anos de ponto de partida para que longas como “Pequena Miss Sunshine”, “Brooklyn” e “Me Chame Pelo Seu Nome” alcançassem as principais categorias do Oscar no ano seguinte.

Este ano a situação não deve ser muito diferente. Ainda que a leva da edição passada não tenha gerado buzz o suficiente para chegar ao principal prêmio da temporada (no Spirit Awards a história foi outra, porém), em 2019 as produções que circularam pelas tendas e telonas do evento foram alvo de leilões disputadíssimos por alguns dos grandes estúdios, que certamente saem do estado de Utah com algumas apostas formadas para o Oscar 2020 – ou, pelo menos, para gerar bons retornos nas bilheterias.

Mas como em qualquer outro festival, houve de tudo para todo mundo em Sundance este ano. Abaixo, listamos alguns dos nomes do evento que mais borbulharam nas redes sociais nos últimos dias, seja por suas especulações para o futuro, suas consagrações em Park City ou mesmo sua qualidade. É bom lembrar, nenhum dos longas abaixo teve sua distribuição confirmada no Brasil mesmo quando seus direitos foram assegurados por estúdios lá fora.

“Divino Amor”


Ainda que os filmes norte-americanos sejam o objeto de discussão maior em toda a Park City, o brasileiro “Divino Amor” acabou gerando algum burburinho ao fazer seu debute mundial no festival. Antes de seguir para a competitiva do Festival de Berlim, o novo trabalho de Gabriel Mascaro – diretor do alardeado “Boi Néon” – ganhou elogios da imprensa em Sundance pela poesia de suas imagens para retratar uma história ambientada em um 2027 distópico em que uma mulher (Dira Paes) faz de tudo para impedir os casais de se divorciarem.

“Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile”

Talvez a maior sensação do evento nas redes sociais, a cinebiografia do serial killer Ted Bundy ganhou fortes elogios em Sundance pelo trabalho de Zac Efron como o psicopata e, por conta da coincidência do debute do filme de Joe Berlinger com a série documental sobre o mesmo tema na Netflix, desencadeou um intenso debate na mídia sobre a fetichização de assassinos do tipo. Foi a gigante do streaming, por sinal, que ficou com o longa, pagando nada menos que nove milhões por direitos domésticos e internacionais do projeto que ainda conta com Lily Collins, Kaya Scodelario, Haley Joel Osment e Jim Parsons no elenco. Desde já uma das apostas para o páreo dos prêmios de Melhor Ator da próxima temporada de premiações.

“The Farewell”

Depois de ter alavancado sua carreira para o nível de Hollywood no ano passado com “Oito Mulheres e Um Segredo” e (em especial) “Podres de Ricos”, a rapper Awkwafina pelo visto se arrisca com um projeto de vias mais dramáticas com este “The Farewell”. Dirigido por Lulu Wang, o longa tem um quê de autobiográfico, acompanhando a viagem de uma jovem à China para acompanhar os últimos dias de sua avó, que teve diagnosticado um câncer terminal. O longa já teve os direitos mundiais de distribuição garantidos à A24.

“Honey Boy”

Da cota “bizarro” que todo festival carrega, um filme que saiu de Sundance bem comentado este ano foi o “Honey Boy” que pelo visto é semi-baseado na vida dele, o ator Shia LaBeouf. Escrito e co-estrelado pelo próprio, o longa é comandado por Alma Har’el e acompanha a celebridade quando jovem e tentando remendar os laços com o pai alcoólatra – que, bem, é vivido por LaBeouf. Quem deve lançar o filme em algum momento dos próximos meses é a Amazon, que garantiu a compra dos direitos com “meros” 5 milhões de dólares.

“Late Night”

Sem dúvida o filme mais disputado pelos estúdios no festival este ano, a comédia escrita por Mindy Kalling e ambientada nos programas de variedade noturnos dos Estados Unidos foi vendida a inacreditáveis 13 milhões de dólares à Amazon, que agora tem em mãos um filme que muitos analistas acreditam ser um sucesso de bilheteria garantido. A comédia acompanha uma host de um late show (Emma Thompson) que certa noite começa a perceber que seu programa talvez possa ser derrubado pela emissora.

“The Last Black Man in San Francisco”

Vencedor dos prêmios de Direção e do Prêmio Especial de Colaboração Criativa do júri, o segundo projeto de Joe Talbot foi sem dúvida um dos filmes mais elogiados de Sundance este ano e já é da posse da A24. O longa trata da jornada de um homem chamado Jimmy Fails (interpretado por… Jimmy Fails!) para tomar de volta uma velha casa construída por seu avô no meio de São Francisco. A crítica estadunidense se derreteu em elogios ao comentário do projeto ao atual processo de gentrificação da cidade, que resulta na tal condição do “último negro da cidade” do título.

“Leaving Neverland”

Era apenas lógico que um filme sobre as acusações de pedofilia a Michael Jackson se tornasse o grande destaque da safra de documentários do festival este ano. Com imensas quatro horas de duração, “Finding Neverland” explodiu na imprensa depois que a família do cantor emitiu uma nota condenando o projeto dirigido por Dan Reed, que dá voz ao testemunho de duas das vítimas de Jackson em visitas a seu rancho. Para o azar de quem busca suprimir o relato, a HBO já garantiu que deve exibir o longa em duas partes durante algum momentos dos próximos meses.

“The Report”

Como já deu pra perceber, a Amazon foi quem mais gastou em Sundance este ano. E não foi pouca coisa: relatos apontam que mais de 47 milhões de dólares foram investidos pela empresa em filmes presentes no festival, incluindo aí os dois maiores acordos do evento em 2019, o “Late Night” acima e este “The Report” que foi negociado a inacreditáveis 14 milhões – para se ter uma ideia, o único gasto maior que este em Park City foram os 17,5 milhões usados pela Fox Searchlight para comprar os direitos de distribuição de “O Nascimento de Uma Nação” em 2016.

Foi uma grana, porém, que não parece ter ido embora à toa, dado que o filme de Scott Z. Burns não só recebeu uma imensa quantidade de elogios como conta com um elenco de peso, encabeçado por nomes como os de Adam Driver, Annette Bening, Jon Hamm e Michael C. Hall. A premissa é outra que está altura do investimento, recontando o estudo do senado norte-americano que levou à conclusão de que o programa de apreensão e interrogação da CIA era ineficaz e demasiado violento.

“The Souvenir”

Outro produção bastante elogiada pelo público e a crítica foi “The Souvenir”, o novo trabalho da britânica Joanna Hogg sobre uma jovem estudante de cinema que passa a desafiar a família com um namoro intenso. Vencedor do Grande Prêmio do Júri na seção mundial do evento, a produção conta com Tilda Swinton e Richard Ayoade no elenco e foi celebrado pelo estilo silencioso e inusitado da narrativa, algo que garantiu a distribuição pela A24 – e fica o aviso, o longa já teve a sequência assegurada pelo estúdio, que já está em pré-produção.

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