9 grandes filmes que estrearam no SXSW

Desde a estreia de cineastas hoje premiados até a primeira exibição de obras que marcaram a história do Oscar

por Matheus Fiore

Com foco em promover a criatividade, não é novidade para ninguém que o South By Southwest é um dos mais importantes eventos de cultura e tecnologia do planeta. O que às vezes é pouco falado, porém, é que o festival também é palco de estreias de muitos filmes e acaba marcando a carreira de cineastas talentosos.

Desde grandes blockbusters como “Velozes e Furiosos 7” a filmes menores que ao longo de suas carreiras pelo circuito mundial ganharam notoriedade, obras cinematográficas de vários tipos viram a luz do projetor pela primeira vez no festival sediado em Austin, no Texas.

Com a nova edição do festival abrindo seus trabalhos nesta semana, resolvemos listar 9 desses filmes e comentar um pouco sobre o contexto que faz de cada um deles especial. Essa lista, obviamente, não visa trazer um grupo definitivo com os melhores longas-metragens já exibidos no SXSW, apenas lembrar que algumas obras de enorme sucesso crítico ou comercial foram vistos pela primeira vez em Austin.

O SXSW 2019 acontece até 17 de março e conta com cobertura especial do B9. Fique ligado!

“Anjos da Lei”

A comédia de Phil Lord e Christopher Miller é uma das mais bem sucedidas na década. Estrelada por Channing Tatum e Jonah Hill, ela adapta a clássica série de televisão e acompanha dois policiais que trabalham infiltrados em um colégio para encontrar um grupo de traficantes.

A obra, que foi bem recebida no SXSW, chegou a ganhar uma continuação em 2014, repetindo o elenco e a equipe originais.

“O Ato de Matar”

Dirigido por Joshua Oppenheimer, Christine Cynn e um indonésio anônimo, o filme “O Ato de Matar” chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2014, quando perdeu a estatueta para “20 Feet from Stardom”. O filme ganhou o Prêmio do Cinema Europeu em 2013 como melhor documentário.

A obra alcançou grande notoriedade por expor fatos sobre os executores responsáveis pelo golpe militar que ocorreu na Indonésia em 1965. O governo indonésio chegou a pronunciar-se sobre a obra, quando o porta-voz presidencial de política externa, Teuku Faizasyah, afirmou que a obra mentia sobre o passado do país.

“Boyhood: Da Infância à Juventude”

A obra de 2014 é, até hoje, o grande sucesso da carreira de Richard Linklater (de “Jovens, Loucos e Rebeldes” e da trilogia “Antes do Amanhecer”). “Boyhood” acompanha a juventude de um rapaz de classe média, desde sua juventude até a adolescência. O que mais alçou o filme ao sucesso, porém, foi o fato de Linklater ter filmado a obra ao longo de 12 anos, pois o cineasta queria utilizar os mesmos atores em diversas fases de suas vidas.

“Boyhood” foi indicado a seis categorias do Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor, Montagem e Roteiro Original. Venceu apenas um, o de Melhor Atriz Coadjuvante para Patricia Arquette.

“Dente Canino”

“Dente Canino” não é o primeiro filme do cineasta grego Yorgos Lanthimos – este é “Kinetta”, de 2005 –, mas é o primeiro divisor de águas na carreira do diretor. Com “Dente Canino”, Lanthimos viu a indústria olhar com carinho para seu cinema pela primeira vez.

O filme já havia tido uma exibição no Festival de Cannes, quando recebeu o prêmio Un Certain Regard, mas foi no SXSW sua primeira exibição fora da França. A obra apresenta um olhar peculiar para as relações de uma família composta por um homem, sua esposa e os três filhos do casal.

“Dente Canino” rendeu a Lanthimos uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa. Foi o primeiro de uma carreira que, ainda que curta, já é bem sucedida. Lanthimos voltaria a ser indicado em 2017, quando “O Lagosta” concorreu em Melhor Roteiro Original. Seu grande sucesso, porém, só veio em 2018, com “A Favorita”, que foi indicado a 9 Oscar na edição de 2019 do prêmio, e saiu vencedor na categoria de Melhor Atriz para Olivia Colman.

“Ex-Machina: Instinto Artificial”

Assim como “Dente Canino”, “Ex-Machina: Instinto Artificial” foi o filme que popularizou seu diretor. No caso, porém, a obra de 2015 foi de fato a estreia de seu diretor e roteirista, Alex Garland, como cineasta. A trama acompanha um programador que visita a casa do CEO da empresa onde trabalha e acaba descobrindo que seu chefe faz experimentos sociais com inteligência artificial.

Exibido primeiro no SXSW, o filme conquistou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais e alavancou a carreira de Garland, que em 2018 lançou seu segundo longa-metragem, “Aniquilação”, que foi comprado pela Netflix para ser distribuído mundialmente apenas por streaming. Garland é hoje um dos cineastas que a crítica mantém um olhar atento. É curioso pensar que seu filme, que fala sobre tecnologia e inteligência artificial, estreou justamente num evento de tecnologia e criatividade.

“Guerra ao Terror”

Comercialmente, “Guerra ao Terror” talvez seja o maior sucesso dessa lista. A obra também representou a maior conquista e um divisor de águas na carreira da americana Kathryn Bigelow, que faturou dois Oscar: o de Melhor Filme (o prêmio é entregue aos produtores do filme, e Bigelow é uma delas) e o de Melhor Direção. Vale lembrar: Bigelow foi a primeira mulher a ganhar um Oscar de direção.

O drama sobre soldados americanos que atuaram no Iraque também faturou os Oscar de Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som, além de ter conquistado também seis prêmios BAFTA. A obra bateu um dos maiores sucessos comerciais de todos os tempos naquele Oscar, o “Avatar” de James Cameron.

“Operação Invasão”

Em contrapartida a “Guerra ao Terror”, “Operação Invasão” talvez seja o menos popular dos filmes listados, o que não quer dizer que não tenha sua importância. Lançada em 2011, obra de Gareth Evans se tornou um dos pilares da nova onda do cinema de ação focado em uma mise-en-scene fotografada sem truques que ocultem a ausência de uma coreografia. São filmes feitos para enaltecer a ação e o combate, sem que estes sejam forjados pela montagem; na verdade, “Operação Invasão”aposta justamente em coreografias complexas e uma ação visualmente clara.

Não é exatamente um legado, mas é nítido que o sucesso de “Operação Invasão” possui certa influência em obras posteriores que fizeram enorme sucesso comercial, como a ótima saga “John Wick” e “Atômica”.

“Um Lugar Silencioso”

Dirigido e co-protagonizado por John Krasinski – que atuou ao lado de sua esposa, Emily Blunt –, “Um Lugar Silencioso” talvez tenha sido, juntamente a “Hereditário”, o grande sucesso de 2018 entre os filmes de terror.

A obra, que acompanha uma família presa em um mundo onde o barulho pode significar a morte, já que misteriosos seres caçam e matam tudo que emite algum som, vai inclusive ganhar uma continuação. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Edição de Som e marcou presença em muitas listas de melhores filmes de 2018 na imprensa internacional.

“Remédio para a Melancolia”

Pelo título, talvez “Remédio para a Melancolia” não te faça lembrar de nada, mas o filme que estreou no SXSW em 2008 marcou a estreia em longas-metragens de Barry Jenkins, diretor do multi-premiado Moonlight: Sob a Luz do Luar e de Se a Rua Beale Falasse.

Jenkins, que hoje é um dos jovens cineastas mais observados de Hollywood, filma a repentina amizade entre dois jovens que acordam juntos após uma noite de festa. O fato de o SXSW ter sido o palco para a estreia de um cineasta de ascensão tão meteórica (já que seu segundo longa-metragem já conquistou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado) mostra como o festival é espaço não só para cineastas aclamados, mas também para jovens e talentosos artistas.

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