Corote: ao alto e avante!

De “marca B” à queridinha do público jovem em um Carnaval

por Mark Cardoso

O enredo campeão do Carnaval 2019 foi, definitivamente, o Corote.
Se você não estava bebendo-a, estava com alguém que bebia ao lado. Se não, estava ouvindo falar dessa garrafinha arredondada e colorida ou recebendo memes sobre isso e correndo atrás, no Google, para saber o que era. Se nem isso, certamente você estava tirando férias em Marte.

Parece o sonho de qualquer marca?

“Como se tornar o assunto da vez?” é a pergunta de um milhão de dólares no marketing e, se algum profissional de comunicação afirma saber a fórmula, certamente está mentindo. Afinal, existe o que deve ser feito para que as chances sejam grandes, mas nunca garantidas.

Se tudo dependesse de mídia (a.k.a dinheiro), não estaríamos, hoje, fazendo piada com a Bettina, e o Procon não estaria ameaçando multar a Empiricus em R$ 9 milhões, certo?

Qual o segredo de bebidas hiperpopulares e de consumo local ou regional que alcançam apelo nacional e se tornam desejo de consumo de diferentes classes sociais?

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No carnaval 2017 do Rio, casal se diverte com a identidade visual da bebida

Um pouco antes de 2019 virar a esquina (e levar consigo a Democracia as we know it), a Catuaba era a vedete deste grande feito. Eu mesmo, até pisar no Centro-Oeste (2015), sequer tinha ouvido falar de Catuaba. E de repente, ela estava presente em todo e qualquer tipo de festa, balada, com copos daquele ‘vinho’ agridoce nas mãos das mais variadas tribos. Tempo depois, a garrafa da Catuaba se tornou onipresente nos blocos de rua de todo o País… chegando a inspirar fantasia de foliões.

Foi por essa porta aberta, anos antes, pela Catuaba que Corote parece ter entrado e conseguido seu lugar ao sol.

Conversando com a faixa etária mais jovem da bebida, a sensação que fica é de que o ‘conjunto da obra propício ao jovem’ foi a grande razão do sucesso: o formato incomum da embalagem, as cores neon do líquido, o sabor adocicado, o preço baixo e o alto teor alcoólico – sem contar o fato de que, para os jovens de paladar mais sensível, ela é uma alternativa à cerveja.
Na prova dos nove: visual divertido, deixando bêbado rápido, sem ter que gastar tanto. Semelhanças com as possibilidades da popularização da Catuaba não seriam meras coincidências.

Tom, linguagem, narrativa e ocasião de consumo alinhadas com a faixa etária do público que fez o Corote conquistar as ruas do País, nesse Carnaval

No discurso do conteúdo do seu conteúdo, o Corote – que curiosamente usa a mesma tipologia da Corona – já demonstra estar ligada nessa porta aberta, aproximando-se cada vez mais do público jovem e das peculiaridades da narrativa desta faixa etária. Durante o Carnaval, por exemplo, a marca perguntou, em seu Instagram: “O Corote quer saber se você beijou na boca neste carnaval ou só pagou boleto como sempre”. Em uma postagem mais recente, incorpora diretamente o atitudinal do target: “Aquela cena típica de quando é terça-feira e você já está sonhando com a sexta…”. Mas o caminho ainda é longo. Pesquisa aponta que a relação do target com o produto ainda é muito racional e pragmática. Os valores e motivações do consumo, apontados pelo público passam por razões que envolvem quantidade/variedade, preço e efetividade.

E se há um plus da marca Corote sobre a Catuaba na faixa etária mais jovem, é a seguinte: como sabemos, millenials e seus 20 e poucos anos ainda gostam muito de ser únicos, imprimir uma identidade, estabelecer tendência e co-criar. Os diferentes nove sabores de Corote já andam sendo misturados pela turma, que se sente dona de sabores únicos e autorais, veja só.

Abaixo, você pode conferir o resultado da breve pesquisa que fizemos, na semana passada, com 100 jovens que são target do produto:

18-25 anos somam, juntas, 83%
As festinhas, sejam elas em casa ou evento universitário, dominam a ocasião de consumo
As motivações ainda são pragmáticas, abrindo espaço para o marketing do produto trabalhar os laços emocionais e, possivelmente, até afetivos no target
Outro indício desta oportunidade em trabalhar o lado emocional da relação do consumidor com o produto é a neutralidade, ou até vergonha, ao consumir
E como já podíamos imaginar, Corote foi a grande estrela do Carnaval 2019, na faixa etária que é target principal da marca

Quando abrimos para uma manifestação mais ‘quali’, na pesquisa, pedimos que esse consumidor falasse o que quisesse quanto ao produto e a comparação com a Catuaba, sua antecessora:

  • Gosto dos dois por serem baratos e de certa forma palatáveis;
  • Corote me lembra adolescência quando ninguém tinha dinheiro;
  • Amor. Corote é bem melhor q catuaba;
  • Minha relação: compro pouco, mas bebo pq é bom, barato e da grau mais rápido. Gosto de catuaba e corote;
  • Os dois são uma opção barata para ficar bêbado;
  • Corote maior e melhor;
  • Corote pra mim é bebida de festas sem muito critério, como o Carnaval, onde a gente só quer beber qualquer porcaria mesmo;
  • Ambas bebidas que eram muito baratas e agora estão mais caras devido a popularização;
  • Catuaba > Corote;
  • Catuaba é melhor q corote porém o preço aumentou muito nos ultimos anos;
  • Gosto de corote e nao gosto de catuaba, gosto de pt;
  • Catuaba está para 2017 assim como Corote está para 2018;
  • Corote substituiu a catuaba como a “bebida do jovem”;
  • Consumo bem mais a corote com sabor;
  • Acho que corote são muito parecidas em termos de público, situações que as pessoas bebem, etc. mas corote é bem melhor que catuaba em termos de sabor!
  • Acredito que a Corote viu a oportunidade de mercado a partir da Catuaba, que é um produto semelhante (se o objetivo for beber muito pagando pouco), e adaptou seus serviços pra agradar aos jovensSão opções baratas de bebida, mas catuaba enjoa;
  • Nojo, só bebi pra brincar de eu nunca;
  • É uma bebida exótica, as vezes bebo ela só pelo fato de ser barata e quando quero ficar loco;
  • Confesso que não tenho mais vontade de beber mas se tiver no role bebo;
  • Pqp, o auge nega;
  • Corote é mais doce que catuaba e tem mais opções de sabor, porém tomo os dois;
  • Corote é o substituto da catuaba no meio universitário. E é bem melhor;
  • Corote reizinho catuaba nadinhaA ressaca do dia seguinte é horrível.
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