Comitê de ética sobre inteligência artificial do Google é dissolvido uma semana depois de anunciado

Montanha de polêmicas e renúncias envolvendo os membros do comitê levaram empresa a repensar criação da entidade

por Pedro Strazza

Há uma semana – mais precisamente no dia 27 de março de 2019 – o Google anunciava ao mundo a criação do Conselho Consultivo Externo de Tecnologia Avançada (ATEAC), que ajudaria a empresa a monitorar o uso de inteligência artificial em seus projetos. Formado por especialistas de diversas origens e campos acadêmicos, o comitê funcionaria como uma vigilância independente, atento a quaisquer violações de princípios éticos sobre a tecnologia que a companhia viesse a cometer internamente.

Tudo parecia feito nas melhores intenções, mas o que doce aparentemente azedou rápido: pouco mais de uma semana depois de anunciado ao mundo, o conselho já foi dissolvido oficialmente pelo próprio Google na última quinta-feira, vulgo dia 4 de abril de 2019. O motivo, segundo a Vox, seria todo o criticismo que tomou a notícia do comitê à partir de sua divulgação, seja na mídia ou mesmo entre os próprios funcionários do Google, que chegaram a lançar uma petição interna pedindo a remoção de Kay Coles James, presidente da Heritage Foundation, como um dos membros do conselho por conta de seus comentários preconceituosos recentes sobre transgêneros.

A inclusão de James, porém, foi apenas um dos vários problemas enfrentados pelo conselho nesta curta semana de vida. Além do apontamento da CEO da Trumbull Unmanned Dyan Gibbens também ter gerado sozinho toda uma onda de críticas por conta dos casos de mau uso de drones da sua empresa para operações militares, outros escolhidos acabaram renunciando publicamente ao cargo ou sendo tomados por inúmeras demandas nas redes sociais sobre seus compromissos com o conselho do Google.

No anúncio oficial da dissolução do comitê, o Google declara que “Ficou claro que no atual ambiente o ATEAC não conseguiria funcionar como gostaríamos” e que “continuará sendo responsável pelo nosso trabalho nas questões importantes levantadas pela IA”, além de buscar “formas diferentes” de conseguir opiniões externas sobre o uso da tecnologia.

A grande questão é saber como a empresa fará esta consultoria, dado que os avanços da inteligência artificial seguem acontecendo no mesmo vapor com o qual as preocupações sobre a tecnologia aumentam.

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