Magazine Luiza compra a Netshoes por US$ 62 milhões

Venda saiu barata graças à crise da Netshoes após abrir seu capital, mas não deixa de ser uma grande aquisição para a rede de varejo

por Pedro Strazza

A Magazine Luiza anunciou ontem (29) que fechou negócio na aquisição da Netshoes, rede de varejo de artigos esportivos que é hoje uma das maiores do país. A compra foi firmada no valor de 62 milhões de dólares e superou ofertas da B2W (atual dona da Submarino e da Americanas.com) e do Mercado Livre, que também tinha interesse na empresa.

Firmado em dólares devido ao fato da sede da Netshoes ser registrada nas Ilhas Cayman, o acordo ainda precisa ser aprovado pelos acionistas e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas caso aconteça tornará a empresa numa subsidiária da Magazine Luiza, revertendo ganhos e prejuízos diretamente para a receita da rede varejista.

Para a Netshoes a venda acontece num ótimo momento, dado que sua situação financeira andava desastrosa depois da companhia abrir o capital na bolsa de valores de Nova York. Além do valor de suas ações despencar em 85% desde a abertura, a Netshoes registrou perdas da casa dos 332 milhões de reais no ano passado, atingindo um ápice de quedas iniciado em 2016. Em comunicado aos acionistas, o presidente Marcio Kumruian inclusive escreveu que o negócio com a Magazine Luiza foi realizado devido a uma “reavaliação de perspectivas” causada pelos “resultados financeiros e o aumento da pressão de fluxo de caixa”.

E pelo menos de início, a compra não ajudou a levantar a moral da empresa no mercado. De acordo com a InfoMoney, a notícia de que a Netshoes foi vendida por um valor “barato” fez as ações da companhia despencarem ainda mais na bolsa, com ativos desabando em 28,30% na manhã de hoje, 30 de abril.

Aos olhos da Magazine Luiza, porém, a compra é bastante oportuna. Com especialistas afirmando que a aquisição da Netshoes por outra firma maior pode ajudar a colocá-la nos eixos, a rede de varejo adquiriu no processo uma companhia que é hoje a segunda maior empresa no ramo de artigos esportivos, representando cerca de 4,6% das vendas de artigos esportivos – só a Centauro supera este valor, com 5,4% das vendas.

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