Filmes com estreia simultânea nos cinemas e streaming estão banidos do DGA Awards, termômetro do Oscar

Mudança afeta apenas a categoria principal do prêmio, que agora é chamado de Melhor Direção em Filme Para os Cinemas

por Pedro Strazza

A briga entre Hollywood e o streaming parece ter esfriado um pouco desde o último Oscar e a reunião interna da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que decidiu que os filmes lançados nestes serviços – pelo menos por enquanto – poderão ser inscritos na corrida pela estatueta sem maiores senões. O que soava resolvido se mostrou longe de terminado, porém, conforme o Sindicato de Diretores de Hollywood (DGA) anunciou hoje que à partir do ano que vem as produções que estrearem simultaneamente nas telonas e telinhas não poderão concorrer na principal categoria do seu prêmio que é um dos principais termômetros dos Academy Awards, o DGA Awards.

“O DGA afirma com orgulho que a janela de uma semana de exibição nos cinemas é um elemento distinto do nosso prêmio” declarou o presidente do sindicato Thomas Schlamme no anúncio da mudança, que também marca a renomeação do prêmio principal para “Outstanding Directorial Achievement in Theatrical Feature Film” (algo como “Melhor Direção em Filme Para os Cinemas”). “Nós celebramos o importante papel que o cinema mantém ao aproximar públicos enquanto eles coletivamente experimentam filmes da forma que os cineastas planejaram que eles fosse vistos.” Schlamme continua no comunicado; “Nós também temos grande orgulho de reconhecer todo o trabalho criado por nossos membros por tantas categorias e formatos que são parte do DGA Awards”.

Ainda que o prêmio de Melhor Direção tenha seu regulamento modificado para atender produções que passaram pelas telonas do circuito estadunidense, a categoria de Melhor Primeiro Filme que é hoje tida como a segunda honraria mais importante do sindicato não passará pelo mesmo escrutínio e permitirá que longas lançados simultaneamente no streaming e nos cinemas sejam qualificados para a corrida. O anúncio acontece pouco mais de quatro meses após a vitória de Alfonso Cuarón e “Roma” no prêmio do sindicato, tendo se qualificado depois da Netflix ter exibido o filme com exclusividade nos cinemas estadunidenses duas semanas antes de lançá-lo em seu catálogo.

Com a empresa de Reed Hastings e a Amazon já planejando as campanhas de seus próximos longas para a temporada de premiações deste ano e novos canais de streaming prestes a debutar no mercado no segundo semestre (incluindo a Apple TV+ e o Disney+), a medida soa bastante como um ato de reafirmação do DGA em defesa do circuito e da preservação do trabalho da categoria, especialmente em longas prestigiados cuja experiência é sempre desenvolvida para ser desfrutada na sala de cinema. Em termos práticos, a mudança por enquanto deve ajudar a Netflix a chegar a uma decisão sobre o lançamento de “O Irlandês”, novo trabalho de Martin Scorsese que é sem dúvida a maior aposta do serviço para o Oscar do ano que vem.

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