Autor de “Maus” acusa Marvel de censura em ensaio com menção a Donald Trump

Art Spiegelman afirma que o ensaio que ele escreveu, no qual se refere a Donald Trump como Caveira Laranja foi censurado pela empresa que deseja se manter "apolítica"

por Soraia Alves

O cartunista Art Spiegelman, ganhador do Prêmio Pulitzer de 1992 pela graphic novel “Maus”, acusou a Marvel de censurar um ensaio seu encomendado para o livro “Marvel: The Golden Age 1939-1949”, que será lançado em setembro.

O texto de Art seria a introdução da antologia que se passa num período de tempo que abrange durante e logo após a Segunda Guerra Mundial. Mas o autor afirma que o ensaio que ele escreveu, no qual se refere a Donald Trump como Caveira Laranja – uma referência ao personagem Caveira Vermelha, inimigo nazista do Capitão América – não foi aprovado pela Marvel.

No ensaio, Art fala sobre a linhagem judaica de muitos profissionais que ajudaram a construir a indústria dos quadrinhos nos anos 1930 e 1940, como Jerry Siegel e Joe Shuster, Jack Kirby e Stan Lee. O autor ainda compara o atual momento político mundial à ascensão do fascismo nos anos 30: “No mundo real de hoje, o Caveira Vermelha, o vilão mais maligno do Capitão América, está vivo nas telas, e um Caveira Laranja assombra a América”.

O cartunista diz que recebeu um pedido diretamente de Isaac Pelmutter, presidente da Marvel Entertainment, para alterar a citação a Trump. A alegação do presidente para a mudança é que a Marvel Comics quer se manter apolítica diante o atual cenário, e por isso não está permitindo que suas publicações tomem qualquer posicionamento.

Art se recusou a mudar o texto, e o publicou na íntegra no jornal The Guardian. Ao final da publicação, Spiegelman lembra que Perlmutter “é amigo de longa data de Donald Trump, conselheiro não oficial e um membro influente do resort de luxo Mar-a-Lago, em Palm Beach (Flórida), de propriedade do republicano”.

Vale ressaltar ainda, como o próprio cartunista faz, que recentemente Perlmutter fez uma doação de US$ 360 mil ao comitê de arrecadação de fundos para a campanha de reeleição de Trump.

Spiegelman conclui que, embora não achasse que o que escreveu seja polêmico, politicamente falando, a reação da Marvel o ajudou a perceber que “talvez tenha sido irresponsável ser brincalhão sobre a terrível ameaça existencial com a qual agora vivemos”.

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