Funcionários negros do Facebook escrevem carta reclamando de racismo

Aplicativo interno de mensagens anônimas tem sido utilizado por racistas para desdenhar das demandas dos trabalhadores negros da empresa

por Matheus Fiore

Há mais ou menos um ano, um funcionário negro do Facebook acusou a empresa de ter fracassado com seus funcionários negros. De acordo com alguns trabalhadores da empresa, o Facebook não sabe lidar com problemas como o racismo, que estão presentes dentro do próprio ambiente corporativo da maior rede social do mundo.

Agora, um novo grupo de funcionários negros se manifestou. Os trabalhadores escreveram uma carta anônima para a empresa de Mark Zuckerberg, dizendo que o ambiente têm piorado para todos que não são brancos. A carta foi publicada no Medium, e por ser lida na íntegra, em inglês, aqui.

“Nós podemos estar sorrindo. Podemos postar no Instagram com celebridades e influenciadores da indústria. Nós podemos até mesmo usar o filtro “Share Black Stories” no Instagram e aparecer em ações de marketing. Nós podemos até mesmo nos motivas e compartilhar sobre o quão felizes estamos sobre ter a oportunidade de trabalhar em uma empresa que impacta em três bilhões de pessoas. Por dentro, nós estamos tristes”, afirma um trecho da declaração. “Nós estamos com raiva. Oprimidos. Deprimidos. E tratados todos os dias com micro e magro agressões, como se nós não pertencêssemos ao ambiente”, completa o mesmo trecho.

O texto foi publicado próximo ao evento anual “[email protected]” da empresa, destinado a falar sobre a valorização, inclusão e empoderamento de pessoas negras. A carta inclui, inclusive, capturas de tela de ofensas e ameaças a pessoas negras, feitas por meio do Blind, um aplicativo interno utilizado para mandar mensagens anônimas. Em uma das mensagens, um anônimo afirma: “Os negros são realmente mal tratados, ou eles só gostam de reclamar?”

Outra reclamação é que o Facebook possui mais campanhas contra o racismo do que ações efetivas. A carta reclama, por exemplo, que há mais cartazes “Black Lives Matter” do que pessoas negras nos prédios da empresa. Além disso, as reclamações resultam em pessoas brancas chamando os negros de “hostis” ou “agressivos” por não compactuarem com o desrespeito.

Um ponto importante da carta é que ela relata que os momentos mais absurdos não estão em grandes eventos ou falas de importantes executivos da empresa, mas nas relações do dia a dia, nos olhares e, como dito, nas mensagens anônimas. O ambiente racista cria, então, um cenário hostil para os funcionários negros, que não se sentem confortáveis no próprio ambiente de trabalho.

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