O que podemos aprender com phishing

O que podemos aprender com phishing

por Daniel Sollero

É até engraçado escrever isso. Várias pessoas vão pensar no trocadilho fácil que é “Ah! os publicitários já enganam as pessoas o que será que eles podem aprender com esses emails falsos que vão do Banco do Brasil à TIM e do governo de Angola à última notícia polêmica (sejam fotos de acidente de avião até vídeo “que vazou” do bola-gato que uma atriz famosa praticou num ex-namorado)?”

O que podem aprender? Exatamente esse senso de oportunidade ímpar que esses caras com uma noção moral e ética questionável fazem para pegar a sua senha do banco, email e etc. Eu explico. Antigamente, nós víamos mais peças de oportunidade na publicidade. Eu não sei explicar os motivos de não vermos mais tantas propagandas de oportunidade. Levanto algumas dúvidas, totalmente baseadas no chute, mas que eventualmente podem nos levar a algum motivo real. Aqui vão elas:

– Será que é porque a publicidade não está mais na sua época de ouro em que podia fazer quase tudo como nos anos 80?

– Será que é porque os processos internos de aprovação se tornaram mais longos e com isso perde-se o timing?

– Será que é porque os gestores de marca hoje estão mais preocupados em não errar do que arriscar e deixar a sua marca na empresa?

– Será que é porque agora que os consumidores podem se expressar em redes sociais, o medo de danificar a marca aumentou?

– Será que é porque hoje há uma noção melhor do que é a essência da marca? Ou porque hoje há menos marcas com a fama de ousadas do que antigamente?

Ou será que é porque, como diz o MrManson (em relação a internet mas que eu adapto para a propaganda) isso era coisa da época da propaganda “moleque, alegre e descompromissada”?

Pensei alguns minutos e lembrei que a Nike, volta e meia faz uma propaganda de oportunidade mas, geralmente, essa peça pode ser planejada (ex.: Ronaldo volta a fazer gol, a conquista de um campeonato, etc) claro que o tom pode ser adequado de acordo com o que houve.

O que muitas vezes acontece é que as agências várias vezes fazem um banner, um anúncio de oportunidade, geralmente em seu tempo livre e depois tenta vender para o cliente, que fica surpreso, agradece o esforço, dá uns pitacos mas até o negócio ser aprovado o timing já foi para o espaço.

Outras vezes a peça criada é realmente ousada demais, não se adequa à personalidade da marca e é barrada pelo atendimento da conta e acaba indo para portifolios e para o Desencannes. E muitas vezes nem isso segura uma boa sacada. Para o público leigo, fora do nosso mercado, não importa se foi autorizado pelo cilente e se é real ou não. Quantas vezes não recebemos spams de familiares com peças do Desencannes e que eles juram que eram propagandas proibidas em algum lugar do mundo?

Esse post é um apelo aos clientes para arriscarem um pouco mais. Nem tudo precisa ser de apenas um jeito. Aliás, nem tudo precisa ser sempre do seu jeito. Dê chance para os criativos da sua agência serem criativos.

Mesmo que você não tenha feito lembre-se que podem criar vídeos que usam a cena de A Queda -As Últimos Horas de Hitler e que já criticou todo mundo. De times de futebol ao iPad. Aliás, E o intestino? Não tem nenhuma paródia com o Hitler? É um filme tão polêmico, né? Nenhuma marca está livre dessas paródias. Será que se as marcas não se levassem tão a sério, isso poderia ser usado como uma oportunidade?

O fato é: boa propaganda, associada a um timing certo vira uma propaganda histórica. E essa parte do timing, é algo que, aparentemente, está sendo mais usada pelos profissionais de phishing do que por nós publicitários.

Claro que corro o risco de ser detonado com uma lista de anúncios de oportunidade. Mas, se eu não lembrei na hora, o recall deve ter sido baixo. Se não gerou o fator “Você viu o anúncio da _______ (marca que eu esqueci)?” nem no nosso mercado, é mais uma vez, algo que não marcou tanto. Mas a idéia é arriscar sempre porque uma hora emplaca. E aí, ninguém segura.

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