CCXP2019_Dia1_cinemark_avesderapina_diegopadilha_ihf-7503

Em clima de rave, Warner Bros. introduz as “Aves de Rapina” à CCXP 2019

Painel dominado pela figura de Margot Robbie se limitou a introduzir o filme e seus personagens ao público, mas não esqueceu de proporcionar um bom show e revelar cenas inéditas da aventura solo da Arlequina

por Pedro Strazza

Se o bom painel de estúdio na CCXP é definido por uma espécie de equilíbrio entre tempo e o conteúdo que se leva para o evento, a Warner Bros. talvez tenha tomado a melhor decisão possível ao destacar a apresentação de “Aves de Rapina” do resto dos seus trabalhos na feira este ano e tornado o filme na grande atração solo do primeiro dia da convenção. Enquanto a Comic Con ganhou um painel extra num ano em que menos distribuidoras resolveram apostar no auditório Cinemark, a Warner conseguiu com que o público focasse todas as atenções em um filme que a princípio não tem o sucesso tão garantido por aqui quanto “Mulher-Maravilha 1984” – o que significa em si um esforço muito mais necessário de divulgação.

Assim, talvez não deva surgir como surpresa mesmo que o derivado de “Esquadrão Suicida” tenha produzido um painel relativamente introdutório em seu conteúdo, focando muito mais as atenções em explicar e mostrar aos presentes a premissa e as personagens do longa que entrar em mais detalhes sobre o projeto. O truque, porém, é que ao contrário de outros anos a Warner Bros. entendeu que na CCXP há dois pontos que são fundamentais para o sucesso de qualquer apresentação maior e que vão além do mero ato de trazer estrelas ao evento.

O elenco e a diretora de “Aves de Rapina” no palco do auditório Cinemark

O primeiro é o show, algo que o estúdio parece ter feito questão de tirar da frente logo de primeira. De posse do último e principal painel do dia, a Warner Bros. soube aquecer o público ao mergulhar o espaço do auditório Cinemark no que só pode ser descrito como um clima de rave, com direito a distribuição de brindes (no caso um agitador em forma de martelo), DJ (a primeira vez na história da CCXP), animadoras vestidas de Arlequina no palco e, claro, muita música. Foi acima de tudo uma boa estratégia para cobrir quaisquer atrasos e arrumar o auditório, junto de trazer ao lugar uma animação necessária aos presentes que já estavam lá dentro desde o início do dia.

Já o segundo ponto é sem dúvida a presença de material exclusivo. Além de trazer Margot Robbie, todo o elenco feminino principal – incluindo Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Rosie Perez e Ella Jay Basco – e a diretora Cathy Yan, o painel não se limitou à missão básica e buscou proporcionar aos presentes os “gostinhos” necessários, incluindo aí prévias e cenas inéditas do filme. Foi uma medida que atendeu a necessidade de todos os envolvidos – enquanto imprensa e os mais familiarizados ganharam aquilo que procuravam, quem estava ali pelo show também foi agraciado – o que para uma apresentação de pouco menos de uma hora já soou perfeito.

“Arlequinas” dançam no palco para animar o público; painel contou com pré-show em clima de rave

Mas em meio ao show de luzes e a oferta de conteúdo, quem realmente dominou as atenções de cabo a rabo no auditório Cinemark foi mesmo Margot Robbie. Centro do projeto em todos os sentidos (além de protagonista, Robbie também atua como produtora do filme), a atriz australiana não apenas despertava as emoções mais agudas do público mas comandava com muita sutileza os caminhos da apresentação, intermediando o papo com a serenidade de quem estava sentada na cadeira principal do palco.

Isso inclui, claro, as “escapadas” rápidas do plano de usar o evento como ponto de introdução ao filme. “O mundo da Arlequina é louco, colorido, divertido, enfim, uma viagem muito doida, mas é também uma história sobre as Aves de Rapina” afirmou Robbie logo no início da apresentação, revelando pouco antes que havia sido ela quem tinha proposto o longa à Warner Bros. quatro anos atrás e ganhado grande carinho pelo papel da anti-heroína. Depois, quando ouviu Smollett-Bell comentar sobre a necessidade constante do feminismo na sociedade, ela não hesitou: “É importante dizer que o feminismo não é só para as meninas, mas também vale para os meninos. Se você é um cara feminista, grite!” disse, incitando a galera a vibrar no auditório.

Foi a própria Robbie inclusive quem fez a chamada para os dois vídeos exclusivos do filme para a CCXP, incluindo os primeiros cinco minutos não finalizados do projeto e um trailer estendido. Enquanto o último deu mais detalhes da história e revela com melhor precisão qual o objetivo do vilão Máscara Negra na trama, mostrando que o mafioso vivido por Ewan McGregor está atrás de ocupar o lugar deixado pelo Coringa em Gotham, a introdução revela que “Aves de Rapina” deve seguir parte do esquema pop de “Esquadrão Suicida” com um pouco mais de organização.

O prólogo no caso é centrado na Arlequina e seu momento imediatamente pós-término de relacionamento, revelando que a personagem está atrás da tal “emancipação” do subtítulo e que sua busca para superar os abusos recebidos do vilão passa por atitudes à altura de sua loucura. Em determinado momento e pouco antes do título aparecer, ela decide roubar um caminhão de gasolina e explodir a sede da ACE Chemicals – local onde o Coringa a mergulhou em um tanque de ácido – depois de ouvir “amigas” comentando que ela nunca será capaz de sair de namoros tóxicos e embriagada. E falando em álcool, a produção não esconde que o objetivo final é fazer com que o filme pegue uma censura alta: enquanto nos trechos mostrados não faltam em violência (há uma perna sendo devorada por uma hiena), no painel as atrizes não hesitaram em falar palavrões e fazer piadas com chutes no saco e ir ao banheiro.

A cineasta Cathy Yan se emociona ao agradecer o público do auditório

Ainda na apresentação, quem se mostrou especialmente emocionada com o público da CCXP foi Cathy Yan. Em seu primeiro projeto grande para um estúdio após algumas produções independentes, a diretora não escondeu a felicidade de ver a empolgação dos presentes enquanto assistiam os materiais, algo que ficou mais claro após a exibição dos primeiros cinco minutos do filme quando parou o andamento do painel para agradecer a todos e reafirmar o compromisso da equipe em criar uma nova visão sobre aquele mundo e personagens: “É uma nova Gotham City, uma Gotham da Arlequina, e nós trabalhamos com o time de design de produção para garantir isso” afirmou empolgada na hora.

Mas apesar destes momentos de empolgação, o painel no fim seguiu o programado com boa agilidade. Se Robbie reafirmou a paixão pelo projeto e a Arlequina – com direito a um aceno à produção já em andamento do próximo “Esquadrão Suicida” e a declaração de que o vestido de Marilyn Monroe é seu figurino preferido – cada uma das outras atrizes se restringiram a explicar aspectos gerais de suas personagens: Winstead focou-se na preparação física, Perez brincou sobre ser seu primeiro filme de super-herói, Smollett-Bell confirmou o “grito da Canário” da Canário Negro e Jay Basco ressaltou que é sua Cassandra Cain quem reúne o grupo para combater o Máscara Negra. E depois de uma tradicional foto com o público do auditório, o elenco se despediu sem maiores cerimônias.

Para o fim de um primeiro dia de CCXP, foi mais do que suficiente; para uma apresentação com objetivos muito nítidos, o trabalho foi ideal.

Compartilhe: