Grupo de pesquisadores da USP cria ventilador pulmonar de emergência barato e de rápida produção

Aparelho "Inspire" leva 2 horas para ser fabricado e tem custo orçado em mil reais, valor 15 vezes menor que o modelo mais em conta do mercado

por Pedro Strazza

Um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) anunciou nesta quarta-feira (1) o desenvolvimento de um ventilador pulmonar de emergência que tem baixo custo e tempo de fabricação. Batizado de “Inspire”, o aparelho leva duas horas para ser produzido e tem orçamento de mil reais, um valor quinze vezes mais barato que o modelo mais em conta do mercado – que hoje está na altura dos R$ 15 mil.

De acordo com o G1, o grupo está envolvido no projeto do Inspire desde o último dia 20 de março e é formado por 40 pesquisadores, entre estudantes, representantes da iniciativa privada e engenheiros biomédicos, mecânicos, mecatrônicos, eletrônicos e de produção. A proposta era mesmo de elaborar um aparelho de baixo custo, criado com tecnologia e componentes fabricados no país, que pudesse suprir uma demanda maior durante o período mais crítico da pandemia.

Nas palavras de Raul González Lima, engenheiro biomédico que é um dos coordenadores do projeto, buscou-se “montar um equipamento que pudesse utilizar ao máximo componentes que já existem no mercado brasileiro, não dependendo muito de importação, e que pudéssemos acionar os fabricantes para aumentar sua produção”. O pesquisador também comenta que o grupo gostaria de ver a indústria nacional se desenvolvendo para exportar a tecnologia que o país possui a outros países em necessidade.

O grupo afirma que o protótipo está pronto e agora deve ser testado em laboratório antes de entrar na fase de produção em massa para uso hospitalar – e a previsão neste sentido é que o projeto entre nesta fase ainda em abril, quando o estado de São Paulo espera chegar ao pico de casos da doença. Ainda não se sabe quem será responsável pela fabricação do Inspire, com a empresa escolhida devendo receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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