Buscando liderança em outras regiões, Uber Eats encerra operações em 7 países

Companhia também vendeu sua estrutura nos Emirados Árabes à subsidiária Careem; plano é redirecionar investimentos a mercados onde chances de retorno financeiro são maiores

por Pedro Strazza

O Uber Eats confirmou nesta segunda (4) o encerramento das operações de seu aplicativo de delivery em sete países ao redor do globo, incluindo a Tchéquia, o Egito, a Honduras, a Romênia, o Uruguai, a Ucrânia e a Arábia Saudita. O serviço de entrega de comida do Uber também anunciou a transferência de sua estrutura nos Emirados Árabes para a subsidiária Careem, plataforma de corridas com foco específico para o Oriente Médio.

Em formulário submetido à Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos, o Uber Eats declara que as decisões são parte da estratégia atual da companhia de “ser o primeiro ou segundo lugar em todos os mercados do Eats ao redirecionar seus investimentos em alguns países e sair de outros”. O plano é reafirmado por porta-vozes do Uber, que também desmentem qualquer relação da decisão com os impactos da pandemia no mercado – a mesma que na semana passada gerou mil demissões na rival Lyft.

Ainda no documento, o Uber escreve que deve “procurar reinvestir estas economias em mercados prioritários da plataforma”, onde a companhia esperar ver um retorno mais efetivo dos gastos com o Eats. De acordo com fontes do TechCrunch, isso significa o aumento do foco da empresa em novas iniciativas, incluindo o de entrega de compras de mercado que foi inaugurado durante a pandemia.

Esta ação não é exatamente inédita no histórico da companhia ou do mercado de aplicativos de delivery. Enquanto o próprio Uber Eats no início do ano abandonou a operação na Índia, vendendo-a à concorrente Zomato em troca de uma fatia de quase 10% nas ações da companhia, a espanhola Glovo também anunciou em janeiro a saída de quatro mercados (incluindo o Oriente Médio) para alavancar os índices de lucratividade da empresa até 2021.

Esta questão do lucro no fundo é o cerne de toda a preocupação da área no momento, intensificada em especial pela crise do coronavírus. Com um cenário crescente de demissões em diversas companhias, o segmento do delivery cada vez mais se mostra viável apenas às empresas que mantém a maior faixa da clientela na região, não havendo espaço para terceiros – o que a longo prazo também pode significar a criação de monopólios.

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