Como parte de ação contra redes de desinformação, Facebook deleta 73 contas falsas ligadas a Jair Bolsonaro

Foram deletadas 38 perfis do Instagram e 35 contas, 14 páginas e um grupo do Facebook, que juntos acumulavam um alcance de mais de um milhão e meio de pessoas

por Pedro Strazza

O Facebook anunciou nesta quarta (8) uma operação interna para a remoção de quatro redes diferentes de desinformação ao redor do globo, incluindo uma no Brasil que é ligada diretamente à administração do atual presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a rede social, foram deletadas 35 contas de Facebook e 38 do Instagram, além de 14 páginas e 1 grupo da primeira plataforma, por conta do que a companhia define como um “comportamento coordenado inautêntico” focado em audiências domésticas. Dado que todos estes sítios trabalhavam com a propagação de notícias falsas antes e durante o mandato de Bolsonaro, o dano obviamente é profundo: cerca de 883 mil contas seguiam uma ou mais destas páginas e perfis no Facebook, enquanto 917 mil acompanham os perfis no Instagram. Gastos com publicidade por estes núcleos nas plataformas chegaram à altura dos 1500 reais.

A grande revelação feita pelo Facebook, porém, é que a investigação conduzida pela empresa conseguiu encontrar conexões destas contas e páginas com indivíduos associados ao Partido Social Liberal e a “alguns dos funcionários nos gabinetes de Anderson Moraes, Alana Passos, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro”. Embora uso direto não tenha sido atestado, o gerente de políticas de cibersegurança Nathaniel Gleicher declara à Reuters que “O que podemos provar é que os empregados destes escritórios estavam engajados nas nossas plataformas e neste tipo de comportamento”.

Ainda segundo a companhia, os conteúdos vinculados na rede desinformação incluíam notícias e eventos locais como política e eleições, memes, críticas à oposição política, organizações de mídia e até a pandemia do coronavírus – há alguns exemplos listados no anúncio oficial. O Facebook declara que as contas foram derrubadas por conta do comportamento e não do conteúdo, ainda que a segunda já tivesse gerado algumas denúncias e remoções pontuais.

As outras redes derrubadas pelo Facebook na investigação foram identificadas nas regiões do Canadá, Equador, Ucrânia e Estados Unidos. Neste caso, enquanto a atividade tinha origem no Canadá e Equador, as publicações miravam países como El Salvador, Argentina, Uruguai, Venezuela, Chile e o próprio Equador. Nestes casos, as redes usavam “uma combinação de contas reais e falsas, algumas das quais já tinham sido detectadas e removidas por nossos sistemas automatizados” e miravam um leque mais concentrado de assuntos, de críticas a presidentes até partidos inteiros.

O governo de Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

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