9 filmes para ver na 44ª Mostra de Cinema de São Paulo

Edição de 2020 será a primeira inteiramente online do evento e traz títulos interessantes (em especial do cinema asiático)

por Matheus Fiore

Marque no seu calendário: dia 22 de outubro começa a 44ª Mostra de Cinema de São Paulo, um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil. A edição de 2020, claro, será inteiramente online e pela plataforma Mostra Play, que permite o aluguel de cada um dos filmes por seis reais para você assistir do conforto de sua casa.

Todo ano, a Mostra de São Paulo é, junto com o Festival do Rio, a principal oportunidade para conferir antecipadamente alguns filmes que, na temporada de premiações que se avizinha, são destaque. Mesmo que o próximo Oscar ainda esteja bastante nebuloso em virtude da pandemia que congelou todo o mercado cinematográfico norte-americano, ainda assim a 44ª Mostra apresenta uma seleção bastante interessante para conferirmos.

Como no ano passado, o B9 mais uma vez elenca uma lista de nove títulos da seleção que são imperdíveis dentro do festival e devem dar o que falar nas redes sociais durante as próximas duas semanas.

A Mostra de Cinema de São Paulo 2020 acontece até o dia 4 de novembro. A programação completa está no site oficial do evento.

“City Hall”, de Frederick Wiseman

Frederick Wiseman já recebeu prêmios honorários da Academia e do Festival de Veneza, e este prestígio já faz com que mereça uma atenção do público. O documentarista norte-americano sempre tem obras interessantes exibidas nos festivais brasileiros, e em 2020 “City Hall” é o da vez. O filme mostra os esforços do governo da cidade de Boston para fornecer serviços básicos para os moradores, além de revelar as variadas formas pelas quais a administração municipal faz parte do discurso e imaginário da população local.

“Coronation”, de Ai Weiwei

O documentário de Ai Weiwei é um dos primeiros a falar sobre a pandemia do novo coronavírus sob o olhar interno de Wuhan. “Coronation” examina o controle político do Estado chinês do primeiro ao último dia da quarentena e registra a resposta militarizada e brutalmente eficiente do governo para controlar o vírus, os amplos hospitais de campanha que foram erguidos em questão de dias, os 40 mil médicos e enfermeiros que foram trazidos de ônibus de toda a China, além dos moradores locais, que foram trancados em casa. Ai Weiwei dirigiu, produziu e completou a pós-produção do longa remotamente da Europa, com as filmagens sendo feitas por cidadãos comuns que moram em Wuhan.

“Dias”, de Tsai Ming-Liang

Com um Leão de Ouro de Veneza e um prêmio do júri no Festival de Berlim, o cineasta malaio Tsai Ming-Liang é sempre um nome para se ficar de olho quando a temporada de festivais começa. Não por se tratar de um diretor que vá concorrer aos prêmios da indústria hollywoodiana, já que seu estilo é muito distante dos padrões americanos, mas por ser um artista que sempre traz um olhar interessante. Seu novo filme, “Dias”, traz a história de dois homens que se encontram em um quarto de hotel e compartilham sua solidão.

“Gênero, Pan”, de Lav Diaz

O filipino Lav Diaz costuma testar a resistência do público com filmes um tanto quanto… grandes. “Gênero, Pan”, porém, acaba sendo uma porta de entrada ideal para o cinema de Diaz graças a seus “meros” 157 minutos e a possibilidade de assistir ao longa do conforto de sua casa. No filme, depois de deixarem seus empregos em uma mina de ouro, três trabalhadores viajam para sua aldeia natal a pé pela selva hipnotizante, porém implacável, da mítica ilha de Hugaw. À medida em que o tempo avança e suas conversas se intensificam, histórias enterradas emergem e uma sensação estranha passa a tomar conta deles.

“Nadando Até o Mar se Tornar Azul”, de Jia Zhangke

O chinês Jia Zhangke têm sido muito bem recebido nos festivais internacionais nas últimas duas décadas. Agora, ele volta a ter um filme exibido no Brasil com este “Nadando Até o Mar se Tornar Azul”, documentário que acompanha importantes escritores e acadêmicos chineses durante uma reunião em um vilarejo na província de Shanxi, na China – que, por acaso, é a província natal do diretor. As imagens desse evento literário iniciam uma narrativa em 18 capítulos que abrange a história da sociedade chinesa desde 1949, contada por meio das memórias do falecido escritor e ativista Ma Feng e dos testemunhos de três grandes escritores: Jia Pingwa, Yu Hua e Liang Hong, nascidos nas décadas de 1950, 1960 e 1970, respectivamente.

“O Pequeno Refugiado”, de Batin Ghobadi

A crise dos imigrantes se agravou consideravelmente nos últimos anos, o que faz com que, como de costume, a arte reflita nossa realidade. Ficções e documentários que abordem o assunto das mais variadas formas se tornaram não só mais numerosos, mas mais reconhecidos e interessantes para o gosto do grande público.

Em 2015, o menino sírio Aylan apareceu morto na praia de Bodrum, na Turquia. A imagem chocou e alertou o mundo para a crise dos refugiados. “O Pequeno Refugiado” imagina o que teria acontecido com essa criança até o dia de sua morte, quando o bote em que estava com a família rumo à Grécia virou em alto-mar. 

“Shirley”, de Josephine Decker

O filme de Josephine Decker talvez seja a obra do catálogo da Mostra em 2020 com mais potencial para chegar com força na temporada de premiações.“Shirley” conta com nomes de peso no elenco, como Elisabeth Moss, Logan Lerman e Michael Stuhlbarg, e retrata duas personalidades imponentes no centro de seu drama atmosférico: a escritora de terror Shirley Jackson e seu marido, o crítico literário e professor universitário Stanley Hyman. Quando um estudante de graduação e sua esposa grávida vão morar com o casal no outono de 1964, eles se veem envoltos sob o encanto e o magnetismo dos brilhantes e pouco convencionais anfitriões. A necessidade de Jackson em alimentar sua criatividade e escrita, porém, é uma força voraz que ameaça devorar o relacionamento do jovem casal.

“Sibéria”, de Abel Ferrara

Conhecido por filmes como “O Rei de Nova York” e “O Funeral”, o norte-americano Abel Ferrara ainda mantém uma carreira ativa – em 2019, o Festival do Rio exibiu “Tommaso”. Na Mostra de 2020, o cineasta retorna aos festivais brasileiros com um filme protagonizado por Willem Dafoe, “Sibéria”, no qual o ator vive um homem atormentado pelo passado e que decide se isolar em uma casa nas montanhas.

Nesse ambiente frio e hostil, ele vive sozinho e, em alguns raros momentos, interage com viajantes e nativos que não falam seu idioma e que visitam sua cafeteria. O isolamento, porém, não é o bastante para que Clint encontre paz. Certa noite, confrontando seus problemas, ele acaba embarcando em uma viagem interna por meio de sonhos, memórias e delírios. 

“Sportin’ Life”, de Abel Ferrara

Além de “Sibéria”, Ferrara e Dafoe também estão na 44ª Mostra de São Paulo com o documentário “Sportin’ Life”, que é uma espécie de diário do diretor a partir de fevereiro de 2020 – justamente a data da apresentação de “Sibéria” no Festival de Berlim – até agosto. O cineasta expõe com um olhar íntimo a própria vida, seu mundo refratado por meio de sua arte – música, cinema, seus colaboradores e inspirações, como os seus primeiros trabalhos e suas parcerias criativas com o ator, Joe Delia, Paul Hipp e os músicos que inspiraram este trabalho.

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