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Imagem: Divulgação

Reino Unido revela design da nova nota de 50 libras com rosto (e easter eggs) de Alan Turing

Fórmulas matemáticas, data de aniversário em código binário e frase sobre o futuro das ciências da computação fazem parte do visual da cédula que será introduzida em julho

por Pedro Strazza

O Banco da Inglaterra revelou nesta quinta (25) o design da nova nota de 50 libras, que deve enfim entrar em circulação no próximo dia 23 de junho depois de dois anos da confirmação da mudança. A grande diferença da cédula antiga pra nova é a escolha do cientista Alan Turing como homenageado, que substitui a dupla Matthew Boulton e James Watt em ordem de celebrar o seu trabalho revolucionário na matemática e sua participação fundamental no combate ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

O bacana é como esta homenagem está sendo feita na moeda, porém. A instituição por trás da manutenção da libra incorpora todo tipo de detalhe para celebrar o legado de Turing na ciência e na história. Antes de tudo, vale conferir o visual da cédula:

No caso do lado com o rosto de Turing, a nota traz elementos como um desenho da máquina bolada pelo matemático para decodificar o código de comunicação do regime nazista; uma sequência em código binário no topo cuja tradução é o aniversário do homenageado; uma tabela de fórmulas matemáticas que faz parte de um dos relatórios mais famosos do cientista; e até mesmo a assinatura de Turing, retirada de um livro de visitas do Bletchley Park de junho de 1949.

O registro fotográfico do matemático vem de um arquivo da National Portrait Gallery. Já a citação usada é a “Esta é apenas uma prévia do que está por vir, e apenas uma sombra do que vem por aí”, que Turing usou durante uma entrevista ao The Times de Londres para divulgar sua máquina e tratar do futuro das ciências da computação, então uma “mente mecânica” sem previsão de que iria chegar à vida do público.

Além do legado científico, a homenagem de Turing também é importante por servir de mais um capítulo no longo processo de reconhecimento do governo britânico dos erros e absurdos cometidos durante os anos de perseguição criminal a homossexuais. A morte do matemático, afinal, se deveu a efeitos da castração química ao qual foi condenado em 1952, ao ser preso por “indecência grotesca” junto de outros homens, e que o afetaram nos seguintes e últimos dois anos – ele se suicidou com o que se especula ser uma maçã envenenada com cianeto.

Junto da homenagem, Turing fez parte das dezenas de cidadãos perdoados postumamente pelo governo em 2017 por sentenças do tipo, uma medida por sua vez fruto de uma campanha de dez anos movida por grandes nomes do cenário inglês. O trabalho continua, porém: à BBC News, o neto do matemático Dermot Turing alega que o processo de honra ao legado do avô segue em assuntos como a representação de mulheres na ciência e de negros e minorias étnicas em assuntos científicos nas escolas, temas que segundo ele “Turing gostaria que nós estivéssemos pensando”.

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