SXSW 2022: adversidade e resiliência, a nova dicotomia da humanidade
Imagem: ROBERT A TOBIANSKY/GETTY IMAGES

SXSW 2022: adversidade e resiliência, a nova dicotomia da humanidade

Relatório de tendências de tecnologia de John Maeda aponta as formas pelas quais a resiliência pode ser aproveitada no meio corporativo

por Juliana Vilhena Nascimento

Nos últimos anos, o SXSW tem tornado alguns palestrantes “habitués” do evento. John Maeda é um deles. Junto com Amy Webb e Rohit Barghava, ele sempre figura no meu lineup de escolhas. 

John Maeda se intitula um “tecnólogo humanista”. Autor de livros, professor do MIT e CTO da Everbridge Technologies, o homem é um pensador daqueles que tira o chão da gente. Ele publica anualmente seu “Tech Report”, o qual apresenta no SXSW e que nos dois últimos anos falaram muito sobre uma habilidade que é cada vez mais importante pra gente habitar esse mundão em que vivemos: a resiliência. 

Definida como a capacidade de se levantar depois de um evento adverso e evoluir ou se transformar com isso, a resiliência vem sendo estudada e debatida intensamente no mundo dos negócios. É ela que nos ajuda a não responder aos nossos impulsos reptilianos de lutar ou fugir quando somos confrontados com adversidades. 

Segundo Maeda, a resiliência pode ser aprendida por pessoas e por empresas também – Nassim Taleb pensa como ele. O primeiro passo? Virar um aprendiz de mudança. Estudá-la, entender como ela impacta você e o mundo à sua volta. O segundo é praticar o modelo mental ABC: 

Adaptar-se à mudança; 
Ter “Beginners mind”: abrir a cabeça e manter um mindset curioso. Escutar para aprender; 
Entender que há coisas que a gente simplesmente não Controla

Ele também falou sobre a resistência dos seres humanos à mudança e de como é difícil pra gente não se afetar com ela. Segundo ele, o impacto de uma mudança de tamanho razoável na vida de uma pessoa é comparável a um momento de luto – e que nós passamos pelas mesmas fases para lidar com ambos: choque, negação, entendimento, e assim vai. 

O modelo de Martin Seligman, que também usa um acrônimo pra nos ajudar a processar e lidar com a mudança, é o preferido de Maeda. Para segui-lo, você deve refletir e escrever sobre Adversity, a adversidade que você encontrou; Belief, ou como você acredita que será impactado por ela; Consequências desta crença; Disputar a crença (no sentido de pensar em cenários alternativos a ela); ou Distrair-se para recomeçar. 

O interessante é que estes modelos podem ser aplicados a pessoas e a empresas, também. Maeda falou das “all weather companies” – as companhias “à prova de tempestades”. Segundo ele, empresas que se antecipam e estudam os cenários adversos pelos quais podem passar antes deles acontecerem se beneficiam de várias formas: minimizam o impacto destes eventos no seu negócio, se recuperam mais rápido e precisam de menos recursos pra se recuperar. 

No passado, era muito difícil prever estes grandes problemas. Mas hoje, com a abundância de dados que temos, até os carros estão conseguindo criar caminhos para “prever o futuro”. O modo “Active Safety” da Tesla é um exemplo.

Maeda terminou nos lembrando que tudo o que é demais não é bom – e que isso vale pra resiliência. Quando em excesso, ela pode prejudicar pessoas e empresas. Ele diz – e Brené Brown concorda! – que um pouquinho de vulnerabilidade pode nos levar longe, também. #ficadica.

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