Nike lança tênis robótico que dá “impulso motorizado” e anuncia era de inovações biotecnológicas

Depois de uma queda de US$ 28 bilhões em valor de mercado e acusações de ter perdido sua faísca criativa, a Nike tenta reescrever o próprio mito da inovação. A empresa apresentou em Beaverton (EUA) uma nova geração de produtos que mescla corpo, máquina e mente — numa guinada que aponta para o futuro do desempenho humano e da própria marca.

A estrela do evento foi o Project Amplify, um protótipo de tênis robótico desenvolvido em parceria com a empresa de robótica Dephy. Equipado com um motor acoplado ao calcanhar e baterias presas à panturrilha, o sistema oferece um “impulso motorizado” sincronizado com o movimento natural do tornozelo, aliviando o esforço e dando mais velocidade a cada passada.

A Nike define o Amplify como “uma e-bike para os pés”: um assistente de corrida pensado não para maratonistas, mas para corredores casuais e querem ir mais longe com menos esforço. A previsão de lançamento comercial é 2028, após uma longa fase de testes que já acumulou 2,4 milhões de passos e mais de 400 atletas experimentando o sistema.

“Project Amplify começou com uma pergunta: e se pudéssemos ajudar atletas a irem mais longe, com menos energia e muito mais diversão?”, disse Michael Donaghu, vice-presidente de inovação e esportes emergentes da Nike.

O projeto foi apresentado ao lado de outras três frentes que expandem a noção de performance:

  • Nike Mind, uma linha de calçados “neurocientíficos” projetados para ajudar atletas a focar e relaxar, com 22 nódulos de espuma que estimulam mecanorreceptores dos pés e simulam a sensação de caminhar descalço;
  • Aero-Fit, coleção de roupas esportivas feita 100% de resíduos têxteis reciclados, com o dobro de ventilação das versões anteriores;
  • Therma-Fit Air Milano, jaqueta inflável que regula o calor corporal em tempo real e será usada pela equipe dos EUA nos Jogos de Inverno de 2026.

A real: O Project Amplify não se trata apenas de correr mais rápido. E sim transformar o corpo humano em interface tecnológica, redefinindo o que significa desempenho físico num mundo de exoesqueletos, sensores e dados mentais. A Nike — que por décadas moldou a cultura do esporte — agora aposta em uma forma de biotecnologia pop, onde tênis, mente e movimento se fundem em um mesmo ecossistema. Mais do que uma nova linha de produtos, a marca parece estar desenhando um novo tipo de atleta: meio humano, meio máquina.

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Publicador por
Carlos Merigo

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