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A evolução da troca de mensagens entre casais

Depois que passam a morar na mesma casa, os assuntos deixam de ser “oi, amor” e passam a ser mais focados na hora que vai chegar em casa e no jantar

por Jacqueline Lafloufa

Se você é casado ou mora com o seu companheiro/a, provavelmente sentiu essa mudança no seu dia a dia, aos poucos, mas talvez nunca tivesse dados que comprovassem. Tudo ficava apenas na percepção, no feeling. No caso da cientista de dados Alice Zhao, essa sensação, depois de 6 anos de relacionamento, foi transformada em estatística. Ela analisou as mensagens trocadas entre ela e o seu agora marido, desde a época em que apenas flertavam até hoje, quando dividem o mesmo lar.

Com uma simples nuvem de palavras, já deu para sacar a mudança – ao invés de destacar palavras como ‘hey’, ‘noite’, ‘ver’, ‘vamos’, ‘amor’, ‘amanhã’, ou ‘ligação’, ‘em breve’, o destaque do relacionamento textual de Alice e seu marido fica com confirmações de recebimento de mensagens, no famoso ‘ok’, e diversas menções a casa e jantar.

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Os dados também evidenciaram que cada vez menos ela cumprimentava o seu par com um ‘oi’ ou ‘olá’, e nem mesmo citava o nome dele, gastando boa parte das mensagens trocadas confirmando ou concordando com as mensagens que ele mandava.

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O contexto de uso de palavras como ‘amor’, ‘casa’ e ‘jantar’ também mudou bastante. O que antes era uma declaração de amor, se transformou em uma exclamação, o desejo de um trajeto seguro se tornou um ‘vejo você em casa’ e até o convite para o jantar se tornou mais direto.

Ao invés de sugerir um jantar juntos durante a semana, a mensagem é direta para saber o que vai rolar na janta de hoje.

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Essas mudanças todas ficaram bem mais justificáveis quando Alice criou um gráfico dos momentos do dia em que ela trocava mensagens com seu marido. No início do relacionamento, as mensagens eram mais constantes no período da noite e madrugada; após o noivado, eles passavam basicamente o dia inteiro trocando mensagens; e depois de casados, bom, eles já passam a noite juntos, então as mensagens aconteciam durante o dia, basicamente para lidar com a logística do dia a dia e para fazer planos.

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E, no final, não é como se isso fosse ruim. Trata-se, na verdade, de uma espécie de retrato de como funciona uma vida juntos.

Quando se divide o lar e a cama, não há necessidade de enviar uma mensagem às 3 da manhã para lembrar o outro que você o/a ama – você pode simplesmente demonstrar isso, porque provavelmente aquela pessoa está logo ali, a passos de distância.

“De acordo com que nosso relacionamento foi progredindo, passamos mais tempo juntos, e ficamos confortáveis um com o outro. Nossas mensagens se tornaram mais previsíveis, mas só porque tudo que era imprevisível era dito ao vivo. Não precisamos mais mandar um “eu te amo” à distância no meio da noite. Eu posso apenas me virar, abraçar meu marido e sussurar isso no seu ouvido”, conclui Alice.

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