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# 64 anos depois de sua morte, James Dean será "revivido" digitalmente para atuar em novo filme
- URL: https://www.b9.com.br/64-anos-depois-de-sua-morte-james-dean-sera-revivido-digitalmente-para-atuar-em-novo-filme/
- Published: 2019-11-06T19:39:00.000Z
- Updated: 2019-11-06T19:39:00.000Z
- Description: Recriação em CGI será feita para o filme "Finding Jack", onde o falecido artista viverá um papel secundário em uma história sobre cães militares perdidos durante a Guerra do Vietnã
- Author: Pedro Strazza
- Tags: Cultura, Tech, Cinema, #wp, #wp-post

Um dos atores jovens mais famosos da história de Hollywood está voltando às telonas quase 60 anos após sua morte. De acordo com o [**Hollywood Reporter**](https://www.hollywoodreporter.com/news/afm-james-dean-reborn-cgi-vietnam-war-action-drama-1252703?ref=b9.com.br), **James Dean** será reconstruído digitalmente pela **Magic City Films** para viver o protagonista de **"Finding Jack"**, filme ambientado na época do Vietnã que está marcado para ser lançado em novembro do ano que vem, próximo do Dia dos Veteranos nos EUA.

Se você acha esquisitíssimo a decisão de "reviver" o celebrado ator para trabalhar em um novo projeto, é porque você ainda não leu a justificativa dada pela equipe criativa para a medida. *"Nós procuramos em todos os lugares pelo perfeito ator para interpretar o papel de Rogan* \[o papel\]*, que conta com um arco de personagem dos mais complexos, e após meses de pesquisa nós decidimos no James Dean*" declara Anton Ernst, que junto de Tati Golykh dirige e produz o filme.

A "complexidade" de "Finding Jack" citada pelos realizadores, no caso, se refere à trama do projeto, que é baseado num romance de mesmo nome do autor Gareth Crocker e é baseado na existência e abandono de mais de dez mil cães militares no fim da Guerra do Vietnã. O curioso é que o Rogan que Dean assumirá na história na verdade é um personagem secundário, ao invés de servir como protagonista.

Segundo Ernest e Golykh, a recriação de Dean teve autorização da família do ator e será realizada pela Imagine Engine, produtora de efeitos visuais canadense que junto da companhia sul-africana **MOI Worldwide** produzirá um ser humano de corpo inteiro em CGI a partir de fotos e filmagens do artista. *"A família vê isto como um quarto filme, um projeto que ele nunca conseguiu realizar. Nós não pretendemos decepcionar seus fãs"* declara Ernst, se referindo ao fato de que Dean faleceu aos 24 anos, vítima de um acidente de carro em 1955.

O verdadeiro horror, porém, é que "Finding Jack" é visto por empresas da indústria com bastante antecipação, em especial a **CMG Worldwide** que tem como cliente a família de Dean e lidou diretamente com as negociações. *"Este filme abre uma nova oportunidade para vários de nossos clientes que não estão mais entre nós"* afirma o CEO da companhia Mark Roesler, que é responsável pela imagem de figuras famosas da história como Christopher Reeve, Burt Reynolds, Ingrid Bergman, Neil Armstrong e Bette Davis.

A notícia obviamente volta a levantar a questão da recriação de artistas falecidos nas telonas, uma que ganhou bastante tração em 2016 quando [**"Rogue One: Uma História Star Wars"**](https://www.b9.com.br/68943/rogue-one-um-star-wars-unico-na-aparencia-e-familiar-no-conteudo/) trouxe à vida o ator **Peter Cushing** para viver mais uma vez o papel do general Tarkin. Com os avanços cada vez mais impressionantes desta tecnologia (vide [**"Projeto Gemini"**](https://www.b9.com.br/projeto-gemini-se-encanta-tanto-com-a-tecnologia-que-suprime-a-propria-narrativa/)), o tema deve dividir membros da indústria nas próximas semanas: enquanto o prelúdio da saga de George Lucas chegou a receber uma indicação ao **Oscar** de efeitos visuais daquele ano, atores como Andy Serkis [já expressaram preocupação](https://www.b9.com.br/para-andy-serkis-tecnologia-de-rejuvenescimento-digital-e-humanos-de-cgi-sao-motivos-de-preocupacao-a-atores/) sobre a responsabilidade ética e intrínseca a estes procedimentos.

Embora no caso de "Finding Jack" e de "Rogue One" exista a autorização das famílias para realizar esta reconstrução, a questão também não deixa de lembrar o debate sobre os deepfakes de membros de Hollywood, outro caso de manipulação da imagem que vem despertando preocupação na indústria por conta do uso para pornografia. Mas enquanto a tecnologia gerada por inteligência artificial já fez instituições [como o sindicato de atores](https://www.b9.com.br/89888/sindicato-de-atores-de-hollywood-cria-medidas-para-proteger-membros-de-deepfakes/) a criar medidas de proteção a seus membros, a recriação em CGI pelo visto ainda se mantém válido aos produtores.