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Com “Repense o Elogio”, Avon abre campanha para valorizar meninas além da aparência

Com “Repense o Elogio”, Avon abre campanha para valorizar meninas além da aparência

Documentário, dirigido por Estela Renner, lembra que inteligência, força e coragem não são exclusividades masculinas

por Agnes Guimarães Cruz

Fofa, delicada, linda. Deixe a inteligência, a força e a coragem aos garotos. Mais do que um senso comum, essa linha de raciocínio tem um impacto real no destino de milhares de garotas na nossa sociedade. O que aconteceria se essa barreira discursiva fosse quebrada? É a pergunta que o documentário “Repense o Elogio”, produzido pela Avon e pela Mutato, tenta responder.

O documentário é dirigido por Estela Renner, diretora que ficou conhecida por suas produções relacionadas à infância, como a aclamada “O Começo da Vida” e “Muito Além do Peso”. Em 46 minutos, o filme caminha por vários temas ligados à construção da autoestima de meninas.  “É importante aprofundarmos a discussão sobre a desigualdade de gêneros na infância se queremos que a igualdade venha na maior velocidade possível”, opina David Legher, presidente da Avon. “Este documentário é a nossa contribuição para que mais pessoas parem para refletir sobre a forma como todos nós, inconscientemente, limitamos as possibilidades da mulher ao elogiarmos nossas meninas na maior parte das vezes por seus atributos físicos, desde muito cedo”.

Disponível gratuitamente em repenseoelogio.com.br, o documentário é parte de um projeto global da Avon que começa pelo Brasil, a partir de uma pesquisa online em várias regiões que procurou descobrir os adjetivos que eram mais usados para elogiar meninas e menos. O resultado: quase 80% das palavras usadas para elogiar as garotas remetem a aparência, como linda e princesa. Meninos sempre são lembrados por suas habilidades.

“Na Avon, acreditamos que todas as garotas são lindas, mas também acreditamos que elas são muito mais do que isso. Por esse motivo, criamos esse projeto que visa incentivar a sociedade e os pais a refletirem sobre o impacto dos elogios na educação e autoestima das meninas desde a mais tenra idade. Afinal, o que dizemos para as meninas hoje influencia quem elas serão amanhã”, afirma Danielle Bibas, vice-presidente global de marcas, comunicação e conteúdo da Avon.

Para o documentário, foram ouvidas porta-vozes proeminentes da nova geração, como a MC Soffia e as as youtubers Carol Santina e Natália Correa. A produção durou 10 meses e foi rodada em várias cidades do Brasil, com a participação de mais de 80 pessoas entrevistadas. “Iniciamos o projeto para falar dos elogios e da importância que eles têm na infância, mas rapidamente concluímos que estávamos falando de algo muito mais complexo, pois o elogio é só mais um traço de uma cultura que reforça estereótipos”, conta a diretora do filme, Estela Renner.

A campanha da Avon conta com uma parceria com a ONU Mulheres, agência das Nações Unidas que trabalha com a promoção da igualdade de gênero como garantia de direitos humanos para mulheres de todas as idades.

“A sociedade reforça e perpetua a cultura de desigualdade de gênero também por meio da linguagem e da educação”, explica Nadine Gasman, Representante da ONU Mulheres no Brasil. “Projetos como este, que trazem o debate e propõem uma mudança nesses paradigmas, são fundamentais para que o processo para a igualdade de gênero seja acelerado e mulheres tenham mais oportunidades”, conclui.

A campanha entra para o rol de ações sociais da Avon que enfocam em questões de gênero. A Avon Foundation For Women, entidade da empresa que coordena as campanhas, é a maior instituição que cuida de temas voltados para a mulher dentro de um ambiente corporativo, já tendo realizado mais de U$ 1 bilhão em projetos voltados à mulher. Entre os temas trabalhados, destacam-se os esforços pela redução da violência contra a mulher, como a campanha Speak Out Against Domestic Violence (no Brasil, Fale sem Medo – não à violência contra a mulher).

Intolerância

O que chama a atenção, desde o lançamento do primeiro teaser do documentário, no começo da semana, é o empenho dos famosos haters para boicotar o documentário: até o fechamento da matéria, há 11 mil visualizações do vídeo no YouTube, com 547 likes contra 5 mil dislikes . Os comentários são desgastantes: pessoas pedem para que os produtos da Avon sejam boicotados e realizam comentários machistas e com conotações de ódio, algumas quase misóginas. Números e falas que apenas ilustram uma sociedade que ainda é extremamente violenta com as mulheres.

Uma pesquisa recente feita pelo Datafolha, encomendada pelo Fórum de Segurança Pública, conclui que, por hora, 503 mulheres sofreram agressão em 2016. Ao mesmo tempo, 22% das brasileiras entrevistadas sofreram ofensa verbal no ano passado, um total de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das mulheres sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo.  3% ou 1,4 milhões de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou ao menos um tiro.

Contrariar uma campanha que trabalha com o empoderamento de meninas e combate, de quebra, a sua erotização precoce e a submissão a papeis tradicionalmente destinados às mulheres também está diretamente ligado a vítimas reais dessa cultura. Nesta semana, o Fundo de População das Nações Unidas divulgou os resultados do seu Relatório de Situação  . Entre os dados ligados ao Brasil, um número alarmante sobre o casamento infantil:  uma em cada três jovens de 20 a 24 anos casou ou esteve em união no Brasil antes de completar 18 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto há uma proporção de 88% de mulheres  que se dedicam a afazeres domésticos, a taxa cai para 51% entre os homens, também havendo uma grande diferença entre as jornadas de trabalhos de ambos dentro de casa: entre os homens, são 10,5h semanais, e entre as mulheres, 23,3h, uma quantidade maior que o dobro.

CRÉDITOS
Idealização: Avon
Direção: Estela Renner
Produção: Estela Renner, Luana Lobo, Marcos Nisti, Fernanda Guimarães e Lara Kaletrianos (Mutato)
Produção executiva: Juliana Borges, Luciana Bobadilha e Mutato
Direção de fotografia: Carol Quintanilha
Montagem: Renata Terra
Trilha Sonora: Sound Design
Direção de arte: Guilherme Ávila
1ª Assistente de Direção: Carol Bretas
2ª Assistente de Direção: Bruna Bravo
1º Assistente de Câmera: Bruno Decc
Coordenação de Pós-Produção: Geisa França

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