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Com “Novos Mutantes” e “Maze Runner”, Fox se mostra em casa na CCXP 2017

Com “Novos Mutantes” e “Maze Runner”, Fox se mostra em casa na CCXP 2017

Em meio a fortes rumores de venda para Disney, estúdio soube usar evento para vender seu futuro dos próximos meses

por Pedro Strazza

O futuro da 20th Century Fox anda meio instável nos últimos tempos. Ainda que tenha tido um ano fiscal respeitável com lançamentos de bom retorno, o estúdio circula nas manchetes dos jornais de economia por causa dos fortes rumores de sua venda para a Disney junto da divisão de televisão, em uma ação que não só traria de volta os direitos de personagens como os X-Men e o Quarteto Fantástico à Marvel Comics como também aumentaria o poder de fogo da empresa do rato gigante no mercado, gerando um semi-monopólio criativo dos mais perigosos. De acordo com alguns jornalistas, o acordo de aquisição estaria inclusive já finalizado, restando um anúncio oficial em algum momento da próxima semana.

Esse clima de incerteza de certa forma circundava a apresentação do estúdio na Comic Con Experience deste ano, ainda mais com a data da confirmação da existência da venda estando tão próximo do evento. Mas bastou começar o painel para perceber que este sentimento de dúvida se suspenderia naquele ambiente, com a Fox mostrando estar no comando do show que se seguiria no auditório Cinemark pelas próximas duas horas e meia.

Foi uma firmeza conquistada não por ousadia contra os tempos instáveis, mas sim pelo tempo: mostrando alinhamento com a organização da CCXP desde a primeira edição, o estúdio vem aprimorando sua apresentação ao longo destes quatro anos, algo que fez valer o seu investimento na tarde deste segundo dia de feira. A Fox acima de tudo entendeu como os painéis funcionam a seu favor no evento, e aproveitou-se disso para apresentar e impulsionar o público de seus lançamentos do próximo ano dentro de uma lógica de um espetáculo de celebridades bem montado.

Anime de olhos grandes

Essa meta do estúdio já se fez notar na primeira parte da apresentação, quando o diretor Robert Rodríguez e o produtor Jon Landau subiram ao palco do auditório para falar de “Alita: Anjo de Combate”, adaptação do mangá homônimo de Yukito Kishiro que está em desenvolvimento há quase vinte anos. Assim como o trailer que debutaria na CCXP pouco antes de ir para a internet, os dois realizadores vieram acima de tudo introduzir a personagem e a obra ao grande público daqui, atribuindo todo tipo de nome conhecido capaz de servir de chafariz à milionária produção.

Não à toa, o primeiro nome mencionado no painel foi o de James Cameron, celebrado cineasta que estava programado para dirigir o longa até o momento em que ele resolveu seguir pelo caminho de “Avatar”. Rodríguez fez questão de comentar detalhes desta transição e de como ele conseguiu o posto, citando inclusive uma conversa que ele teve com Cameron antes de entrar à bordo: “Ele me disse ‘Eu nunca consegui terminar o roteiro, mas se você terminar você pode dirigir!’. Quando recebi o roteiro, haviam 180 páginas de roteiro e mais 600 de notas que poderiam me ajudar a finalizar o trabalho” disse ele no painel, rindo como se aquilo tratasse de uma anedota bem-humorada.

Também não faltaram comentários sobre como a adaptação se encaixaria no cinema característico de Rodríguez. Exaltando que a maioria das cenas foram filmadas em locação e que isso daria ao mundo retratado na produção uma maior tangibilidade, o diretor disse que “Alita” é seu primeiro filme com censura PG-13, o que o permitiria explorar alguns limites de violência em uma obra voltada a um público mais juvenil. Além disso, a tecnologia o teria permitido realizar uma adaptação visual mais próxima do mangá, permitindo que ele preservasse por exemplo os olhos grandes do desenho da protagonista – interpretada por Rosa Salazar, que segundo o próprio cineasta o fez se emocionar com uma fita de audição pela primeira vez na vida. Landau sintetizou tudo isso afirmando que a produção queria combinar “mangá e cinema e Robert Rodríguez com James Cameron, e esse foi o resultado que tivemos”.

Ao final da apresentação, a dupla lançou o primeiro trailer do longa na CCXP, que tem estreia prevista para meados de julho de 2018. Confira a prévia abaixo:

Descontração

Saindo dos mangás e com um rápido intervalo para a exibição de material de divulgação já lançado de “O Rei do Show”, o painel voltou seus olhos para as crianças com “O Touro Ferdinando”, que acabou servindo como leve momento de descontração da longa apresentação. Com Maísa e Thalita Carauta presentes no palco para falar da dublagem da animação, o trecho se tornou em um pequeno show para a pequena atriz de 15 anos, que monopolizou atenções com brincadeiras e gracejos divertidos ao público. Quando questionada pelo apresentador se jogava videogame, por exemplo, ela respondeu dizendo que “não jogava, apesar de ter dado muito Playstation ao longo dos anos”, o que gerou risos e um coro de “Playstation, Playstation!” do público; ela respondeu depois dizendo que aprenderia a jogar no próximo ano pra voltar “preparada” na próxima edição do evento.

Com Maísa extremamente feliz de estar ali e contagiando o público,  a tarefa de falar do filme ficou para Carauta, que entrosada com o clima da companheira mirim e do público afirmou entre uma e outra brincadeira que o longa trabalhava a diversidade e combatia as pré-definições que atingiam “principalmente a juventude”. O painel, um pouco estendido para acomodar o leve atraso do próximo convidado, teve ainda alguns clipes desencontrados da animação, um dos momentos em que se sentiu maior ruído da organização do painel.

O longa estreia no dia 11 de janeiro nos cinemas brasileiros.

Momento fã

De novo com um rápido intervalo para a exibição de material já divulgado de “A Forma da Água”, era chegada a hora de “Maze Runner: A Cura Mortal”, o momento sem dúvida mais aguardado pela maioria do público presente no auditório Cinemark. Recebido com ovações e gritos, o protagonista da franquia Dylan O’Brien veio ao palco para falar do último capítulo da franquia, mas terminou alegrando a vasta quantidade de fãs que tomaram as primeiras fileiras do salão apenas por estar ali: o ator recebeu a camisa da seleção brasileira dada de presente por um dos espectadores, conversou sobre o fim de “Teen Wolf” e ainda falou da banda que formou no set do filme (são quatro vocalistas!). Era uma figura no palco bastante distante daquela que sofreu um acidente sério durante as gravações do próprio “A Cura Mortal” no fim do ano passado, um evento que fez com que a estreia da produção fosse adiada em quase um ano.

Com uma passagem relativamente rápida no palco da CCXP, O’Brien encerrou o painel de “Maze Runner” soltando o novo trailer do terceiro capítulo – que você confere abaixo – e anunciando que nada menos que onze minutos do filme seriam exibidos com exclusividade para os presentes. Aos leigos da franquia, o prólogo do longa lembra bastante um “Mad Max” customizado para um público juvenil, trazendo o protagonista Thomas (O’Brien) e seu grupo de amigos em uma missão de resgate de um carregamento de jovens das mãos da organização CRUEL. São cenas de perseguição e tiroteio ágeis e divertidas, ainda mais por oferecerem um rápido vislumbre do ator Giancarlo Esposito como um Max com cara de paizão.

O último “Maze Runner” estreia no dia 25 de janeiro no Brasil.

Horror, super-poderes e puberdade

Enquanto o público de “Maze Runner” debandava em massa do auditório (um movimento impressionante para uma apresentação que ainda não havia terminado), a Fox se preparava para seu último painel do dia com o filme dos “X-Men: Novos Mutantes”. Foi o momento com maior número de participantes no palco: além do apresentador e os quatro convidados confirmados previamente – o diretor Josh Boone, o roteirista Knate Lee e os atores brasileiros Alice Braga e Henry Zaga – a “conversa” ainda teve a presença surpresa de Bill Sienkiewicz, desenhista que teve passagem célebre pelo título nos quadrinhos.

O painel serviu à Fox como uma maneira de explicar as decisões criativas ousadas da produção, que como bem definiu Lee em certo momento é um “filme de super-herói preso dentro de um filme de horror”. O roteirista, que serviu de cabeça nas questões envolvendo o lado criativo, relacionou muitas vezes durante a apresentação que a escolha pelo horror se deu naturalmente depois que foi escolhido qual arco dos quadrinhos se adaptar, com os personagens e poderes sendo escolhidos conforme eles parecessem mais assustadores. O vilão do longa, nas palavras de Lee, não é neste sentido um vilão propriamente dito no mesmo passo que a produção se concentra no lado emotivo de seus personagens, que passam na história pela puberdade dentro de uma instituição psiquiátrica voltada para mutantes.

Outra questão levantada na apresentação, é claro, foi a presença de brasileiros no elenco, um tema que sem surpresa despertou simpatia do público. Braga e Zaga falaram constantemente em português durante o painel e agradeceram o carinho do público, que a atriz definiu como o maior motivo para tê-la deixado empolgada quando soube da contratação (“o público de quadrinhos é muito fiel, lê os gibis até o filme estrear na telona”). Braga também afirmou que “Novos Mutantes” foi uma experiência de gênero diferente de tudo que ela já fez na carreira.

Em meio a tudo isso, foi curioso observar no painel as rachaduras no discurso dos atores e realizadores que permitiram ver parte da encenação por trás de todas as falas. Embora Boone e Lee tenham comentado bastante na apresentação sobre o entrosamento do elenco, Braga não deixou de falar que foi a última a entrar no elenco, um fato ocorrido por conta da substituição de última hora que ela fez no lugar de Rosario Dawson no papel de médica da instituição; em outro momento, Lee mencionou Bryan Singer como “diretor dos filmes dos X-Men antigos” enquanto tratava da paixão por quadrinhos que permeava o set, um movimento que sem muita surpresa buscava esconder o cineasta da propaganda do filme – recentemente demitido da cinebiografia de Freddie Mercury, Singer viu ressurgir na imprensa as acusações de assédio e estupro que circulam há anos na mídia.

Fechando o painel e a apresentação, os membros da produção apresentaram ao público um teaser ainda não divulgado na rede. Um pouco mais convencional que o primeiro trailer, a prévia mostra os cinco jovens protagonistas brincando com um antigo detector de mentiras em um dos quartos da instituição, revelando verdades maléficas sobre seus respectivos passados – que incluem pais querendo matar filhos, uma pessoa que não sabe dizer qual é o seu poder e a personagem de Anya Taylor-Joy revelando que foi parar naquele lugar porque matou dezoito pessoas. Entrecortado por rápidos vislumbres, o trailer se encerra com um dos pacientes do hospício revelando que o que o mal que a levou a estar ali não está chegando e sim já está lá, seguido por um rugido de urso (provavelmente o Urso Místico, grande vilão do longa) e o título da produção.

“X-Men: Novos Mutantes” estreia no dia 18 de abril.

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