SXSW 2018: Indústria farmacêutica, a nova fronteira da disrupção?

Painéis dedicados à área de saúde no evento mostram progresso de estudos dedicados a encontrar tratamentos alternativos para as mais diferentes doenças

por Juliana Vilhena Nascimento / Chief Business Officer da F.biz

Minha ultima sessão de ontem aqui no SXSW foi no mínimo interessante: um painel com representantes da IDEO, do Google e um cientista que estão criando tratamentos alternativos pra lidar com doenças da mente.

Alguns deles usam drogas ilícitas em ambiente controlado – caso da Psilocibina, principio ativo dos cogumelos, utilizada pra tratar doentes terminais de câncer (escrevi sobre isso no ano passado), alcoolismo e depressão. Segundo o pesquisador George Goldsmith, o uso da droga em testes clínicos já foi capaz de regular o sono e o humor dos pacientes, além de reorganizar a comunicação entre neurônios pra fazer o cérebro funcionar de forma diferente. Ele também contou sobre um teste clínico que está fazendo com a MDma e pacientes de estresse pós-traumático.

Em seguida, assisti Silvia Vergani e Danielle Schlosser contarem como estão usando devices e apps para lidar com depressão pós-parto e esquizofrenia. Schlosser comentou que durante os testes clínicos deles os pesquisadores conseguiram mapear pacientes de alto risco e pegar alguns deles quase no ato de tirar a própria vida.

O mais interessante, pra mim, foi perceber que os três não estavam apenas apresentando invencionices ou “tratamentos alternativos”. Eles estão trabalhando da mesma forma que a indústria farmacêutica: testes clínicos, cientificamente embasados e acompanhados por órgãos reguladores do governo.

Isso certamente vai fazer os grandes conglomerados farmacêuticos se moverem, já que estamos falando de novas modalidades de tratamento que podem substituir, no todo ou em parte, o tratamento por medicamentos.

Saí da sala esperançosa. Talvez possamos ver, no médio prazo, a democratização do acesso a tratamento médico em países como o nosso.

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