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SXSW 2018: 7 tendências nada óbvias que vão mudar o futuro
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SXSW 2018: 7 tendências nada óbvias que vão mudar o futuro

Especialista em marketing e inovação, Rohit Bhargava apresenta sete novas características sociais que em breve devem imperar em diferentes campos da tecnologia e da comunicação

por Felippe Motta / Diretor de Criação da Master Comunicação

Minutos antes de Rohit Bhargava subir no palco pra começar a sua palestra “7 Tendências Não-Óbvias Que Vão Mudar o Futuro”, o Ballroom D do Austin Convention Center tinha vindo abaixo com a aparição surpresa de Elon Musk. Recebido como popstar pela platéia, o CEO da Tesla Motors estava ali para divulgar o documentário sobre o Falcon Heavy – o foguete que causou um frisson mundial nos últimos meses.

A aparição inesperada de Musk poderia ter ofuscado qualquer pessoa que tivesse que falar na sequência. Mas o que não sabíamos é que Bhargava não estuda apenas as tendências não-óbvias, ele usa o não-óbvio como mantra de sua vida. E foi assim, de uma maneira completamente não óbvia, que ele começou sua palestra: “Vou colocar na minha biografia que o Elon Musk abriu uma palestra minha”. Xeque-mate: já na sua primeira frase, ele tinha a platéia em suas mãos.

Com um tom bem humorado e vibrante, Bhargava falou sobre a importância de se estar presente para viver o momento. E usou o tema para mostrar que só assim é possível mudar o nosso jeito de olhar para as coisas e enxergar novos padrões na sociedade.

Rohit Bhargava palestra na SXSW

Ele tem uma metodologia própria para encontrar essas tendências não-óbvias. Primeiro é feito uma grande pesquisa sobre os assuntos mais falados nas mídias, redes sociais, etc. Depois, ele agrupa as ideias por temas macros e, finalmente, faz uma curadoria que eleva estes temas a um relatório de tendências que publica anualmente (hora do merchan: tem na Amazon e vale a pena comprar o livro!). Entre as suas principais descobertas para 2018, seguem abaixo as 7 selecionadas por ele, para apresentar na palestra.

  • Indignação Manipulada: a mídia, os algoritmos e a publicidade combinam e criam fluxos contínuos de ruído, que muitas vezes despertam a raiva e a ira justificável em quem a recebe, uma revolta que na maioria das vezes é imediatamente compartilhada nas redes sociais. Por isso, precisamos entender e respeitar a indignação das pessoas, mas sem deixar de buscar uma maneira de nos elevarmos sobre ela.
  • Sem Gênero: definir os papéis do gênero binário tradicional leva as pessoas a se abrirem para uma nova noção de gênero complementar. Esse é o caminho onde algumas marcas vão reavaliar produtos, serviços e marketing que estejam segmentados por gênero.
  • Modo Humano: conforme a automação cresce, as pessoas ficam cada vez mais famintas por experiências autênticas. Achar soluções pensadas para atender as diferentes necessidades das pessoas e elaborar um atendimento cada vez mais personalizado vai ser inevitável. Um bom exemplo disso é o caso de um supermercado inglês que criou um caixa lento, específico para atender clientes que não tem pressa.
  • Aprendizado na Velocidade da Luz: Assim como a velocidade, a capacidade do aprendizado vem crescendo a cada dia, algo que vai fazer com que a gente repense as experiências que demandam mais tempo para adquirir conhecimento. Reduzindo isso em pílulas menores de informação, podemos deixar todo processo mais fácil de ser assimilado. Um dos exemplos citados por Bhargava foi o de um menino de 8 anos que um belo dia pegou o carro dos pais escondido, colocou sua irmã mais nova acomodada ao seu lado e foi ao McDonald’s comprar um cheeseburger. Quando questionaram o garoto sobre como ele havia aprendido a dirigir, ele respondeu “No Youtube”.
  • Consumidor Iluminado: os consumidores empoderados estão chegando a um outro nível de exigência. Eles já não querem apenas produtos bem feitos a um custo justo, eles querem que suas crenças sociais e a construção de um mundo melhor estejam contidos naquele produto. Para isso, cada vez mais as marcas vão ser obrigadas a se posicionar de acordo com os seus valores e repassar isso para os seus consumidores.
  • Distribuição disruptiva: os modelos tradicionais de distribuição estão sendo reinventados para deixar os mais diversos modelos de negócios mais eficientes. Temos que repensar modelos de negócios, promoção, parcerias e distribuição se quisermos nos tornar competitivos nos próximos anos.
  • Adorável Imperfeição: talvez este tenha sido o tópico que mais arrancou risadas do público pela sua não-obviedade. Com dois exemplos sensacionais, Bhargava fechou da melhor maneira possível a sua palestra. Mostrou através do Banana Slicer (clique aqui pra conhecer o produto) e o do pior hotel do mundo – em Amsterdã – que o público valoriza aqueles que sabem expor seus defeitos. E que sim, existe público para tudo nesta vida, desde que você seja honesto com sua audiência.

Por fim, gostaria de dividir com você uma dica da palestra: compre uma revista que não tem nada a ver com você e leia. Hoje, com o Facebook e o Google formando a sua percepção do mundo baseado em algoritmos, fica cada vez mais difícil, recebermos informações novas, que nos complementem como seres humanos.

Até a próxima palestra!

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