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Facebook convoca reunião de emergência para funcionários questionarem caso Cambridge Analytica

Caso envolve o roubo de dados de perfis de 50 milhões de usuários nos Estados Unidos

por Soraia Alves

O Facebook agendou uma reunião de emergência para essa terça-feira, 20/03. A reunião é aberta a todos os funcionários da empresa, a fim de que eles façam perguntas e tirem suas dúvidas sobre o escândalo de privacidade de dados do Cambridge Analytica.

De acordo com um convite interno que o site The Verge teve acesso, a reunião será liderada por Paul Grewal, principal advogado geral da empresa. A ideia é explicar os antecedentes do caso, que envolve perfis de até 50 milhões de usuários usados pela Cambridge Analytica como parte de suas “estratégias” de segmentação de anúncios durante as eleições de 2016.

A reunião representa a primeira vez que um grande grupo de funcionários terá a oportunidade de questionar a liderança da empresa pessoalmente e ao vivo – haverá transmissão para funcionários remotos em todo o mundo.

A medida também antecede a reunião semanal na sexta-feira, que conta com a presença e discurso de Mark Zuckerberg, que vem enfrentando críticas internas e externas por permanecer em silêncio sobre as revelações de Cambridge Analytica.

O caso Cambridge Analytica

A Cambridge Analytica é uma empresa que trabalha com análise de dados e comunicação estratégica para direcionar propagandas de marcas ou campanhas eleitorais ao público. Entre seus trabalhos mais importantes estão, por exemplo, as campanhas pró-Brexit, no Reino Unido, e da presidência de Donald Trump, nos Estados Unidos.

No último sábado, 17/03, relatórios publicados pelos jornais New York Times e The Guardian revelaram um esquema de coleta, venda e uso indevido de dados de perfis no Facebook de, aproximadamente, 50 milhões de americanos a fim de direcionar campanhas de votos a Trump.

As informações vieram à tona com o depoimento de um ex-funcionário da empresa, Christopher Wylie. Segundo ele, a Cambridge Analytica e suas “psyops” (operações psicológicas) usou de estratégias não persuasivas, mas sim de domínio informacional, utilizando, por exemplo, recursos como as fake news para moldar (e mudar) a opinião dos eleitores durante a eleição de 2016 nos Estados Unidos.

A Cambridge Analytica se associou à empresa Global Science Research, de Aleksandr Kogan, um pesquisador do departamento de psicologia da Universidade de Cambridge, que desenvolveu um método de conseguir informações pessoais dos usuários do Facebook através de questionários.

O funcionamento do questionário não era diferente do que estamos acostumados com testes e brincadeiras que pedem para logar com o Facebook, porém, ao fazer isso, o usuário dava acesso ao seu perfil pessoal no Facebook, com histórico de curtidas e informações pessoais de toda a sua rede de amigos.

Em entrevista ao The Guardian, Wylie afirmou que o experimento foi extremamente antiético e que eles “quebraram o Facebook”. 

Depois de todas essas revelações, as ações do Facebook chegaram a cair 8,1%. A empresa de Mark Zuckerberg negou que os dados tenham sido roubados de sua base de dados, e que removeram o aplicativo assim que souberam que havia qualquer tipo de violação nele, em 2015.

Em um comunicado publicado na última segunda-feira, 19/03, o Facebook diz ter contratado um especialista para fazer um auditoria na Cambridge Analytica para assegurar que os dados realmente foram excluídos.