Quais implicações de uma futura versão paga do Facebook

Você estaria disposto a botar a mão no bolso pela garantia dos seus dados na rede social?

por Soraia Alves

Um dos pontos que mais chamaram a atenção nos depoimentos de Mark Zuckerberg ao Congresso dos Estados Unidos trata da possibilidade de uma futura versão paga do Facebook, que seria livre de anúncios.

Depois de conferir respostas de Zuckerberg que realmente levam a acreditar que teremos duas versões da rede social, o site TechCrunch fez uma análise dos impactos que isso podem gerar.

Além de implicações econômicas, como o preço da assinatura mensal ter que compensar os ganhos do anúncio do Facebook, cerca de US$ 19,9 bilhões (em 2017) nos Estados Unidos e no Canadá, o texto traz um importante destaque para as consequências de dizer às pessoas que elas só podem se livrar de anúncios se puderem pagar, a perda de alcance onipresente para os anunciantes e a realidade de quais usuários de fato desembolsariam o dinheiro.

O Facebook seria como uma versão premium da plataforma, e que muito provavelmente não teria apenas esse ponto como vantagem, como uma clareza maior sobre o quesito da privacidade de dados, tão discutida nas últimas semanas.

Mas o Facebook vê as redes sociais como um direito humano, e provavelmente gostaria de dar a todos os usuários quaisquer recursos extras que desenvolveu, como os filtros de notícias, também, provavelmente, não venderia recursos que violam a privacidade acrescentando recursos como o do LinkedIn, que mostra aos usuários pagantes quem visitou seus perfis.

Por outro lado, ao convencer as pessoas a pagarem mais para “terem regalias” dentro da rede, a plataforma iniciaria uma clara divisão classicista, ressaltando o discurso de que quem pode pagar mais, vale mais para a empresa.

E que sentimento isso causaria em quem não pode pagar? Uma possível rejeição à plataforma?

Mas, segundo o TechCrunch, o maior problema é que o Facebook é muito bom em gerar receita com anúncios, o que permite à plataforma ganhar dinheiro sem cobrar nada de seus usuários. A mudança nesse aspecto implicaria numa mensalidade, talvez, não tão simbólica para o usuário interessado em pagar pela conta premium.

Ser confrontado com um preço pode tornar os usuários mais conscientes da troca de informações que eles estão voluntariamente dando à plataforma, afinal, a rede social custa dinheiro para operar, e usuário a paga de alguma forma.

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