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EA desdenha de reações machistas a protagonista mulher em novo Battlefield

Diretor criativo diz que fãs podem apenas aceitar ou não jogar

por Matheus Fiore

Após anunciar “Battlefield V”, novo game de uma das principais franquias de tiro em primeira pessoa, a EA foi muito criticada por parte da comunidade gamer na internet, o que levou uma ala machista do meio nerd a criar a hashtag #NotMyBattlefield. O motivo? A protagonista do vindouro jogo ambientado na segunda guerra mundial é uma mulher.

A reação machista de parte dos jogadores não parece ter surtido efeito. Em uma entrevista para a Gamasutra, o diretor de criação da Eletronic Arts, Patrick Söderlund, disse não ter interesse em ouvir as críticas por incluir diversidade no ambiente gamer. “Nós estamos com a causa. Penso que as pessoas não entenderam bem que só há duas escolhas: ou você aceita ou não compra o jogo”, disse, antes de complementar com “estou tranquilo com qualquer uma das opções”.

Mesmo que não precise, escolha criativa tem respaldo histórico

Parte dos que critícam o protagonismo feminino alegam ter apego à fidelidade histórica, acreditando que a segunda guerra foi combatida apenas por homens. Esse argumento, porém, mostra-se frágil se lembrarmos que as mulheres tiveram participação ativa no conflito. A própria protagonista de “Battlefield V” é uma homenagem a combatentes como Lyudmila Pavlichenko, franco-atiradora soviética responsável pelo abate de mais de 300 soldados nazistas durante a guerra.

Diversidade em foco

Apesar de sempre trazer reações negativas de parte da comunidade gamer, a indústria vem se mostrando cada vez mais engajada em tornar-se inclusiva e diversificada. É um processo lento, porém. De acordo com a Women In Games International, apenas 18% dos desenvolvedores de jogos são mulheres. Por outro lado, o público feminino vem crescendo, e já é maioria entre os consumidores, com 52%, segundo pesquisa da Brasil Game 2016.