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Série dos irmãos Coen pra Netflix virou filme (e vai competir no Festival de Veneza!)

“The Ballad of Buster Scruggs” vai manter a proposta de uma antologia de faroeste, mas se tornou mais um aposta da Netflix para a temporada de premiações

por Pedro Strazza

O Festival de Veneza divulgou hoje a lista de filmes que serão exibidos em suas diversas mostras e entre uma confirmação e outra de produções esperadas para serem exibidas no evento o “The Ballad of Buster Scruggs” acabou chamando a atenção por um motivo no mínimo peculiar: o novo projeto cinematográfico dos irmãos Joel e Ethan Coen era pra ser de início uma série de televisão, mas hoje se revelou um longa-metragem de pouco mais de duas horas de duração.

O programa, no caso, tinha sido confirmado em agosto de 2017, quando foi anunciado que a Netflix tinha adquirido os direitos de distribuição do seriado criado e comandado pela dupla de cineastas. Na época, a produção da Annapurna Television estava firmada para ser uma antologia de seis episódios ambientada no Velho Oeste que reunia diversas histórias situadas em um mesmo período de tempo na velha fronteira americana.

Os planos, porém, aparentemente mudaram absurdamente, ainda que o filme vá manter a estrutura serializada. Em uma declaração emitida à imprensa, os Coen afirmam de forma brincalhona que a inspiração para alterar a forma da produção veio da Itália: “Nós sempre amamos filmes de antologia, especialmente aqueles feitos na Itália nos anos 60 que colocavam lado a lado o trabalho de diferentes diretores em um tema comum. Tendo escrito uma antologia de histórias de faroeste, nós tentamos fazer o mesmo na esperança de se filiar aos melhores diretores de hoje. Foi uma grande sorte nossa que eles dois concordaram em participar”.

Estrelado por Tim Blake Nelson, “The Ballad of Buster Scruggs” terá sua première mundial na seção competitiva de Veneza e deve estrear no fim do ano no catálogo da Netflix e em alguns cinemas selecionados nos Estados Unidos, se unindo dessa forma à extremamente competitiva temporada de premiações deste ano. Aos olhos do serviço de streaming, o filme dos Coen é só mais uma boa aposta no extenso pacote de produções “nobres” que deve chegar forte na briga por um lugar no próximo Oscar e que tem lugar garantido no festival: além de “Buster Scruggs”, o evento ainda conta com os originais Netflix “Roma”, de Alfonso Cuarón, e “22 July” (anteriormente “Norway”), de Paul Greengrass, ambos envolvidos na polêmica exclusão da empresa da competição do Festival de Cannes deste ano.

Entre os “chutados” de Cannes que encontraram espaço em Veneza há também o “The Other Side of the Wind”, projeto inacabado de Orson Welles que foi finalizado no começo deste ano após 30 anos em desenvolvimento e será exibido na seção fora de competição.

No geral, o line-up do festival de Veneza deste ano manteve o tom do ano passado no que consta à constante disputa de espaço com as mostras de Toronto e Telluride para ser o ponto de partida para a temporada de prêmios, mas com “A Forma da Água” tendo se tornado este ano o primeiro vencedor do Leão de Ouro a levar o Oscar de Melhor Filme esta tendência do evento se intensificou. Além das produções da Netflix, longas americanos antecipados para a corrida pela estatueta como “First Man”, “The Favourite” e os remakes de “Suspiria” e “Nasce Uma Estrela” se avolumaram entre os selecionados, que conta ainda com novos trabalhos de Olivier Assayas, S. Craig Zahler e o celebrado documentarista Frederick Wiseman.

Com o júri principal presidido por Guilherme del Toro, a 75° edição do Festival de Veneza acontece entre os dias 29 de agosto e 8 de setembro.

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