Em busca do Oscar, Netflix estaria considerando lançar o novo filme de Alfonso Cuarón antes nos cinemas

Além de “Roma”, “22 July” de Paul Greengrass também é tema de debates entre Ted Sarandos e o chefe da divisão de filmes do estúdio

por Pedro Strazza

A Netflix atualmente tem uma relação difícil com o mercado cinematográfico. Ainda que lute com as redes de cinema com certa constância pela afirmação de seu formato de lançamento simultâneo em seu catálogo e nas telonas – algo que no circuito de festivais fez estourar uma briga com o Festival de Cannes que já se arrasta há dois anos -, a plataforma também mantém um desejo palpável de passar a frequentar as categorias principais do Oscar, uma ambição que já a fez considerar comprar alguns estabelecimentos estratégicos para alavancar a campanha de suas produções originais ao prêmio da Academia.

Este ano, porém, a empresa comandada por Reed Hastings vem preparada para a temporada de premiações, formando um elenco de grandes produções de celebrados cineastas que farão sua estreia no serviço neste segundo semestre e incluem nomes como os de Paul Greengrass, os irmãos Coen e Alfonso Cuarón. É do último, inclusive, que vem a maior esperança de prêmios da Netflix este ano, com seu “Roma” sendo um dos principais destaques da ampla participação do estúdio nesta edição do Festival de Veneza. A aposta é tão alta no projeto que a empresa está considerando fazer algo que até então era impensável: lançar um filme seu nos cinemas antes de debutá-lo na plataforma.

De acordo com o Hollywood Reporter, a questão vem pautando as discussões entre Scott Stuber, chefe da divisão de filmes do estúdio, e Ted Sarandos, CCO da Netflix. Enquanto Sarandos quer se manter firme na diretriz original da empresa, Stuber estaria pressionando seu superior para que ele abrisse a concessão a “Roma” e “22 July”, o filme que Greengrass preparou para o serviço. Além disso, os dois diretores por trás dos longas expressaram o desejo de ver seus novos projetos lançados nas telonas, o que só aumenta a temperatura do debate.

O tema também é difícil de ser resolvido por conta da atual má relação da Netflix com as redes de cinema. Nos últimos três anos, a empresa exibiu alguns filmes selecionados em estabelecimentos menores do território norte-americano para qualificar para a temporada de premiações, mas com “22 July” e especialmente “Roma” a ideia seria respeitar a janela de lançamento de três meses impostas pelos nomes maiores do mercado. A última vez que a Netflix tentou bater de frente com as grandes redes foi em 2015 com “Beasts of No Nation”, que depois de ter sido boicotado por várias cadeias de cinema gerou meros noventa mil dólares de bilheteria e terminou fora do Oscar.

Segundo o Hollywood Reporter, as negociações por enquanto envolvem lançar “Roma” em vinte cinemas da Landmark e da Alamo Drafthouse Cinemas espalhados pelos Estados Unidos em alguma data dos meses de novembro e dezembro, quando a corrida pelo Oscar está pulsando na mídia. No mercado global, o número por enquanto se restringe a parcas doze telas.

Enquanto tudo isso acontece, “Roma” se prepara para fazer sua premiere hoje (30) em Veneza, enquanto o longa de Greengrass fará sua participação no festival no dia 5 de setembro.

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