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# Austrália vai taxar big tech que não negociar com jornais
- URL: https://www.b9.com.br/australia-taxa-big-tech-noticias-jornalismo/
- Published: 2026-08-20T14:14:26.000Z
- Updated: 2026-08-20T14:14:26.000Z
- Description: Meta, Google, TikTok e LinkedIn terão de fechar acordos com publishers ou pagar 2,5% da receita publicitária local
- Author: Carlos Merigo
- Tags: Tech, jornalismo

A Austrália [aprovou nesta quinta-feira (20)](https://www.reuters.com/legal/litigation/australia-passes-law-levy-tech-giants-that-fail-pay-local-news-2026-08-20/?ref=b9.com.br) uma nova tentativa de resolver uma conta que plataformas e publishers discutem há anos: quem paga pelo jornalismo que ajuda a alimentar busca, redes sociais e, cada vez mais, respostas prontas de IA?

O chamado *News Bargaining Incentive* funciona como um imposto, sim, mas desenhado para nunca ser recolhido. A regra mira plataformas com mais de A$ 250 milhões (quase R$ 1 bilhão) em receita publicitária local - pela configuração atual, **Meta**, **Google**, **TikTok** e **LinkedIn** \- e cria uma cobrança de 2,5% sobre essa receita. 

A conta pode zerada de um único jeito: investindo em acordos comerciais com veículos de imprensa. Na prática, é obrigar a big tech a sentar na mesa de negociação, já que a escolha de algumas vinha sendo, simplesmente, bloquear o jornalismo de suas plataformas.

### Como funciona

Cada dólar pago a um publisher vira crédito que abate a cobrança, e o desconto é maior quando o dinheiro vai para os publishers menores: A$ 1 em acordo com um grande grupo abate A$ 1,50 do imposto; o mesmo A$ 1 com um veículo pequeno ou médio abate A$ 2\. Se os créditos cobrirem tudo, a plataforma não paga nada. Se cobrirem parte, paga a diferença.

Duas condições impedem o atalho óbvio de resolver tudo com um cheque só: a plataforma precisa de acordos com pelo menos **oito publishers**, e nenhum deles pode responder sozinho por mais de 25% do valor abatido. Ignorar a imprensa passa a ser a opção mais cara da planilha.

### Round um: ameaça e bloqueio

Essa é a segunda rodada de uma briga que o **B9** acompanha desde 2021\. O Google [chegou a ameaçar retirar](https://www.b9.com.br/137740/google-x-australia-empresa-ameaca-remover-ferramenta-de-busca-gracas-a-projeto-de-lei-do-pais/) sua ferramenta de busca da Austrália, enquanto o Facebook foi além e [bloqueou o compartilhamento de notícias](https://www.b9.com.br/139119/com-nova-lei-facebook-vai-bloquear-compartilhamento-de-noticias-na-australia/) no país. Naquele ano, o país criou o *News Media Bargaining Code*, obrigando plataformas e veículos a negociarem remuneração pelo uso de notícias. O bloqueio durou poucos dias, e a Meta voltou à mesa depois que o governo alterou pontos da regra e abriu espaço para acordos diretos com os publishers.

O problema apareceu depois: aquele sistema ainda permitia que uma plataforma simplesmente deixasse de oferecer notícias ou encerrasse seus contratos para escapar da negociação. [Segundo o governo](https://www.pm.gov.au/media/consultation-news-bargaining-incentive-now-open?ref=b9.com.br), o novo incentivo existe justamente para fechar essa brecha. A própria Meta decidiu em 2024 não renovar os acordos australianos que havia firmado.

Há também uma tentativa explícita de não deixar todo o dinheiro concentrado nos maiores grupos. Além do crédito maior para acordos com publishers pequenos e médios, o modelo de distribuição dos valores eventualmente arrecadados favorece, [de acordo com o Tesouro australiano](https://ministers.treasury.gov.au/ministers/daniel-mulino-2025/media-releases/nbi-legislation-finalised?ref=b9.com.br), veículos regionais e publicações voltadas a comunidades sub-representadas.

### Se ninguém clica, quem paga?

A aprovação chega num momento especialmente interessante para a discussão que fizemos recentemente no **Braincast 644**, *"Google Zero: se ninguém clica, quem publica? "*.

[Google Zero: Se ninguém clica, quem publica?Como a busca por IA está desmontando o acordo que sustentou a web por 25 anos![](https://storage.ghost.io/c/b8/a4/b8a4ba23-e08d-42f7-b459-b1bcab5b8867/content/images/icon/B9_Marca_principal_RGB_Principal-positiva-1-036e68ab-fb7b-4b27-a70a-91f2215fbe68.png)B9Carlos Merigo![](https://storage.ghost.io/c/b8/a4/b8a4ba23-e08d-42f7-b459-b1bcab5b8867/content/images/thumbnail/bcast_template-YT644-97ebc068-0066-44f7-bac2-a662c35d40c6.png)](https://www.b9.com.br/braincast/braincast-google-zero/)

No episódio, partimos de um impasse que vai além da reclamação dos publishers por audiência perdida: ninguém tem direito adquirido ao clique do Google, certo? Porém, produzir a informação que abastece buscas, resumos e sistemas de IA continua custando dinheiro. Com AI Overviews e outras experiências diminuindo ainda mais a necessidade de visitar a fonte, essa relação fica mais difícil de sustentar. É um trabalho humano sendo raspado.

A Austrália escolheu atacar o problema pelo poder de negociação. Só que o *"não"* agora vem acompanhado de uma conta. A plataforma ainda pode decidir como distribui notícia, quanto tráfego envia e até se quer fazer acordos. Ela pode simplesmente achar mais fácil pagar e pronto.

Como resumimos naquele Braincast: o clique nunca foi patrimônio. Mas o conteúdo também nunca foi de graça. A Austrália acaba de transformar a segunda metade dessa frase em política pública.