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# Cannes Lions 2022: os seres humanos são o caminho - inclusive no metaverso
- URL: https://www.b9.com.br/cannes-lions-2022-os-seres-humanos-sao-o-caminho-inclusive-no-metaverso/
- Published: 2022-06-24T18:14:02.000Z
- Updated: 2022-06-24T18:14:02.000Z
- Description: As possibilidades que os espaços virtuais vão trazer para a expressão humana, segundo a R/GA
- Author: Juliana Vilhena Nascimento
- Tags: Criatividade, #wp, #wp-post

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2022/06/LIONS-logo-black-1-1-1.png)

***CANNES, FR -*** A **R/GA** veio ao palco do Palais trazer sua visão sobre o tema mais discutidos no universo da publicidade atualmente - e como sempre, ela trouxe uma perspectiva nova (e fundamental) sobre o tema: um olhar sobre identidade em tempos de metaverso.

Sim, identidade.

A palestra começou com uma citação do filme **“Jogador Nº 1”**:

> *As pessoas entram no Oasis (nome do metaverso do filme) pelas coisas que podem fazer. Mas elas ficam no Oasis por quem elas podem ser."*

Esta frase é uma ótima forma de articular as possibilidades que os espaços virtuais vão trazer para a expressão humana. Neles, vamos poder extrapolar nossa forma física, ter comportamentos e atitudes diferentes dos nossos, fazer coisas que o mundo real não possibilita. E é por isso que o nosso conceito de identidade e as premissas que ele usualmente traz será necessariamente impactado pelos metaversos. Quer ver por que? A R/GA explica.

**1\.** Porque a identidade deixará de ser fixa (ou restrita ao que conseguimos fazer no mundo real) para ser fluida. A gente pode ser humano, anjo, dragão, alienígena, tudo misturado...não há limite pra criatividade e para a expressão.

**2\.** Por que deixaremos de ter uma identidade (que hoje até tem nuances diferentes em plataformas diferentes, mas ainda é uma identidade) para termos múltiplas. A gente pode ser humano num jogo, anjo no outro, dragão num terceiro...

Pense nas implicações que isso traz pra quem trabalha com comunicação - por exemplo, como vai ficar mais difícil segmentar e conversar consumidores nestes ambientes (já que cada pessoa pode ser várias diferentes em vários lugares). Pense também que com o blockchain e as possibilidades que ele traz, os usuários dos metaversos tendem a deixar de ser "doadores" (de dados, de conteúdo) para serem acionistas - uma vez que elas terão a propriedade de deus dados, conteúdos e tokens garantidas por ele. E talvez decidam não revelar tanto sobre si apenas porque podem.

Por fim, Tiffany Rolfe e Tom Morton falaram sobre como isso impacta a vida das marcas e dos negócios que desejem ser parte destes ambientes. A primeira mudança que já se sente é a necessidade muito maior por parte das marcas de ser ágil e responder rápido - não há tempo pra ser perfeccionista. A segunda é que nestes espaços uma marca não precisa ser necessariamente como ela é na vida real. Ela pode ser um espaço, um ativador de habilidades especiais, um personagem, um skin...

E a última, e mais importante, é de que cada vez mais as marcas serão "geradas pelos consumidores". E por isso, elas precisam abrir mão da sua necessidade de controle e passar a criar, estimular e mobilizar comunidades. E com isso, a tentar construir espaços virtuais que melhorem nossa saúde mental, estimulem interações sociais e auto-expressão, e que inspirem as pessoas.

Já dizia Kevin Costner naquele filme do qual não lembro o nome: *"Build it, and they will come"* (construa, e eles virão).