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# Cannes Lions 2023: Estaríamos no limiar da era “Humanium”?
- URL: https://www.b9.com.br/cannes-lions-2023-estariamos-no-limiar-da-era-humanium/
- Published: 2023-06-19T14:07:36.000Z
- Updated: 2023-06-19T14:07:36.000Z
- Description: Viveremos uma era em que o valor da inteligência humana valerá mais e se contraporá ao valor da inteligência artificial?
- Author: Aloisio Pinto
- Tags: Criatividade, Cannes Lions, #wp, #wp-post, Tecnologia

Este será o ano da **Inteligência Artificial** em **Cannes**. O assunto do momento. Estão previstas diversas palestras e discussões sobre o assunto. Inúmeros trabalhos inscritos foram desenvolvidos com esse recurso. Prêmios certamente virão.

O tema também já é do dia a dia das empresas e agências. Senão de todas, de uma boa parte delas. Discute-se o uso da IA para gerar eficiência nos processos, agilizar etapas do trabalho e eliminar erros e desperdícios. Nós mesmos, da **Dentsu**, já estamos testando um conjunto grande de soluções com a ajuda de vários tipos de cérebros codificados.

Enquanto o uso da tecnologia se dissemina e se espalha feito vírus, surgem dados e informações com o objetivo de nos guiar por esse oceano ainda a se desbravar. Um desses dados me chamou a atenção. De acordo com uma pesquisa global, que inclui o Brasil, ***a maioria dos CMO’s estão dispostos a pagar um premium quando o trabalho é desenvolvido pelo cérebro de pessoas e não de algoritmos***.

Imediatamente minha mente foi provocada a desenhar cenários para o início de uma possível era que apelidei de ***“Humanium”.*** Uma era em que o valor da inteligência humana valerá mais e se contraporá ao valor da inteligência artificial. Divido com vocês algumas dessas especulações.

## Trabalhos poderão vir com Denominação de Origem Controlada (DOC)?

Tal qual existe hoje selos, garantias e certificados que distinguem produtos e bens feitos de forma industrializada dos que são feitos de forma manual, imagino que possa vir a existir um DOC para trabalhos feitos por cérebros humanos. Seria uma distinção qualificadora diante de uma profusão de trabalhos feitos por chips.

**Se tornaria o *“human brain made”* o definidor do novo luxo?**

Muitos textos já definiram o artesanal, a criação única e imperfeitamente diferente uma das outras como um dos signos do novo luxo. Transportando esse raciocínio para um contexto de predomínio das AI’s, viveríamos um momento em que a ausência total de interferência de máquinas criativas traria um status de luxo à obra criativa?

**Veríamos o advento de agências boutique 100% movidas a “*human brain power”*?**

Em busca de se diferenciar e agregar valor a seus serviços, poderíamos assistir à proliferação de agências que descartariam a AI’s em todo o seu processo criativo? Teríamos agências que preconizariam a superioridade do cérebro humano quando o assunto é criatividade e por isso se manteriam puristas?

**Desenvolveríamos um novo modelo de *pricing*?**

Considerando que o trabalho feito pela inteligência humana traz consigo um valor intangível precioso, será que passaríamos a adotar uma política comercial em que quanto mais criatividade 100% humana é empregada na entrega, maior seria o valor cobrado? Venderíamos módulos flexíveis de serviços combinando percentuais de criatividade humana com criatividade entregue por softwares?

**Clientes contariam com agência apenas para a inteligência 100% humana?**

Olhe agora para o médio prazo. Estimando que os clientes internalizaram qualquer serviço passível de ser automatizado devido à facilidade, eficiência e conveniência que trarão as soluções de AI’s. Para que eles contratariam agências?

Minha resposta é que eles nos buscariam toda vez quando a incrível imprevisibilidade da criatividade humana for requerida para levar sua marca e negócios a um novo futuro inesperadamente brilhante. Parto do pressuposto que as AI’s poderão gerar uma certa pasteurização das execuções. Na medida que os *inputs* se tornem similares, acredito que os *outputs* também tendem a se tornar bastante parecidos, levando às marcas e negócios a terem personalidade, imaginário, propósito e identidades pouco distintos.

Enfim, o tema que destaco aqui sobre o ***“Humanium”*** e o valor da inteligência humana versus a inteligência artificial me pareceu ainda pouco explorado. No entanto, acredito que ele terá que, mais dia menos dia, ser discutido com profundidade pelas agências. Junto com os infinitos outros questionamentos e desafios que as AI’s nos apresentam.