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# "Clube de publicidade antipublicidade" paga usuários do TikTok que fizerem sucesso com sons críticos ao capitalismo
- URL: https://www.b9.com.br/clube-de-publicidade-antipublicidade-paga-usuarios-do-tiktok-que-fizerem-sucesso-com-sons-criticos-ao-capitalismo/
- Published: 2020-10-13T14:18:34.000Z
- Updated: 2020-10-13T14:18:34.000Z
- Description: "Anti Ad Ad Club" promove pagamentos de até 20 mil dólares a quem publicar vídeos na plataforma falando mal de empresas como a Tesla, o Facebook e o próprio TikTok
- Author: Pedro Strazza
- Tags: Criatividade, Social Media, MSCHF, TikTok, #wp, #wp-post, Meta, Tecnologia, Tesla, Automóveis

É fato comum que a forma mais eficiente de se fazer dinheiro nas redes sociais hoje é apelando para os bons e velhos posts patrocinados, com marcas financiando fotos, vídeos e tweets de influenciadores em busca daquele palco digital que eles tocam diariamente. Até mesmo o **TikTok** está sendo envolvido nesta lógica, com empresas já apelando para a seção de sons da plataforma para bombar seus produtos na rede social.

Mas enquanto essas estratégias geralmente envolvem a divulgação e compra de itens, o que aconteceria se alguém apelasse a ela para justamente criticar o sistema? Este é o ponto do[ **"Anti Ad Ad Club"**](https://antiadvertisingadvertising.club/?ref=b9.com.br), novo projeto do **MSCHF** que literalmente está recompensando usuários que "explodirem" no TikTok com sons que criticam grandes conglomerados da indústria.

A premissa é bastante simples e permite a qualquer um que ganhe dinheiro em cima do projeto. O site oficial do "clube" conta com nove sons que satirizam diretamente empresas de diferentes áreas e podem ser "replicados" no TikTok, e quem obtiver determinadas taxas de visualizações dentro da plataforma poderá se candidatar a receber os montantes correspondentes oferecidos pelo MSCHF via **PayPal**. As ofertas de pagamento variam de US$ 10 a US$ 20 mil, com as recompensas maiores tendo limite de um "influenciador" por conquista - até porque a empresa não é nenhuma Netflix que pode arcar com uma dívida de bilhões.

*"Posts patrocinados são um mal vergonhoso e onipresente das redes sociais, um paradigma de conteúdo que se levante inexoravelmente das condições básicas do mundo: marcas querem aparecer ao público a qualquer custo, e o jovens nas redes sociais tem audiência"* escreve a MSCHF [no manifesto oficial da campanha](https://antiadvertisingadvertising.club/manifesto?ref=b9.com.br), onde define o "clube de propaganda antipropaganda" como um espaço *"dedicado a reverter o fluxo de economia de atenção pelo mesmo funil que ele é fornecido"*: *"Se o desejo de todo usuário é se vender, nós ficamos felizes em permitir este impulso se significa que nós podemos bater nas companhias que providenciam o dinheiro"*.

A parte mais legal são os áudios envolvidos na ação, porém. Cada empresa citada é criticada de forma direta no áudio por um caso problemático recente, incluindo o próprio TikTok (por eliminar do algoritmo [pessoas que não se adequam aos perfis de beleza](https://www.b9.com.br/sem-pobres-e-feios-novamente-tiktok-e-acusado-de-censurar-conteudos-para-atrair-mais-usuarios/)), a **Fashion Nova** (por utilizar design de terceiros sem o devido pagamento), a **Amazon** (por violações dos direitos humanos e sabotagem de uniões trabalhistas), a **NFL** (por seguir em frente com o torneio no meio da pandemia mesmo com casos de coronavírus entre os jogadores), a **Tesla** (por não fornecer plano de saúde a funcionários e também sabotar sindicatos), a **Comcast** (por "só ser babaca", segundo a ação), o **Facebook** (por todas as questões envolvendo discursos de ódio e desinformação), a **Purdue** (por lucrar com a crise de opioides nos EUA) e a **Palantir** (por fornecer informações privadas às forças policiais norte-americanas).

De acordo com a MSCHF, o projeto seguirá no ar por algum tempo mas não eternamente, incentivando que o público *"poste rápido"* seus vídeos no TikTok para ter tempo de acumular o número de visualizações necessário para garantir a grana - que é providenciado dos mesmos fundos financeiros que viabilizaram [o "streaming pirata" da companhia](https://www.b9.com.br/rede-pirata-de-streamings-brinca-com-dilema-atual-do-excesso-de-conteudo-disponivel/) e [a recriação de **"The Office"** no **Slack**](https://www.b9.com.br/resolveram-recriar-todos-os-episodios-de-the-office-em-um-grupo-de-slack/).