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# Com 32 milhões de views em 3 dias, "KONY 2012" redefine o conceito de ativismo digital
- URL: https://www.b9.com.br/com-32-milhoes-de-views-em-3-dias-kony-2012-redefiniu-o-conceito-de-ativismo-digital/
- Published: 2012-03-08T15:32:24.000Z
- Updated: 2012-03-08T15:32:24.000Z
- Author: Carlos Merigo
- Tags: Social Media, ong, uganda, #wp, #wp-post, YouTube, Tecnologia

[![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2012/03/kony.jpg "Kony 2012")](https://www.b9.com.br/content/files/s3-amazonaws-com/kony2012/kony%5F5.xml)

Eu já perdi a conta de quantos emails, tweets e facebooks de leitores do B9 pedindo pela publicação da campanha **"KONY 2012"** por aqui (obrigado a todos que entraram em contato). O vídeo, que já atingiu impressionantes 32 milhões de views no **YouTube** em apenas 3 dias, é provavelmente a maiorvelocidade viral que já testemunhamos em redes sociais.

Pra quem ainda não sabe, trata-se de um movimento de uma ONG americana chamada **[Invisible Children](http://www.invisiblechildren.com/?ref=b9.com.br)**. A intenção é fazer o mundo tomar conhecimento de Joseph Kony, líder do Lords Resistance Army (LRA), um grupo de guerrilha armada em Uganda.

Kony é acusado pela organização de sequestrar mais de 60 mil crianças no país durante os últimos 25 anos. Meninos são obrigados a converter-se em soldados, enquanto meninas se tornam escravas sexuais. Quem não aceita, morre.

Assisti o filme na segunda passada, mas, desconfiado do estilo Hollywoodiano e da proporção de uma campanha para uma ONG, decidi esperar antes de falar qualquer coisa, além de procurar saber o queria dizer também todo o criticismo em torno da denúncia.

Apesar do sucesso do vídeo, muitas pessoas o criticam por informações erradas - como a localização de Kony (que nem em Uganda está) e o suposto tamanho exagerado de seu exército - e principalmente por retratar Uganda de uma maneira equivocada.

Foi criado [até um **Tumblr**](http://visiblechildren.tumblr.com/?ref=b9.com.br) para reunir as críticas de "KONY 2012", e nessa manhã a própria Invisible Children [tratou de responder os questionamentos](http://www.invisiblechildren.com.s3-website-us-east-1.amazonaws.com/critiques.html?ref=b9.com.br), apresentando mais informações de pesquisa e inclusive um relatório financeiro depois de ter sido acusada de ter gasto quase 9 milhões de dólares no ano passado, e apenas 32% disso com serviços diretos.

Resumindo: A Invisible Children estaria gastando seu dinheiro de doações para fazer filmes com fatos distorcidos e dados exagerados, segundo a **[Foreign Affairs](http://www.foreignaffairs.com/articles/136673/mareike-schomerus-tim-allen-and-koen-vlassenroot/obama-takes-on-the-lra?ref=b9.com.br)**.

Outra versão é que "KONY 2012" não passe de *slacktivismo*, ou seja, a falsa ideia de que simplesmente compartilhar, dar like ou retuitar irá resolver o problema. Um termo que define o ativismo de sofá, muito popular em tempos de redes sociais.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2012/03/kony1.jpg "Kony")

É natural que uma campanha de tamanho sucesso encontre seus detratores, mas a verdade é que o cinismo acabou misturando duas coisas diferentes: a ação pretendida pelo vídeo, que é a de espalhar o conhecimento e cobrar atitude dos líderes de outras nações; e a maneira como a peça soa maniqueísta com sua produção

Poderia até ser julgado dessa maneira quando se tenta encaixar o filme na categoria *"documentário"*, mas - política à parte - a verdade é que como peça de comunicação "KONY 2012" é brilhante, principalmente por se tratar de ativismo digital. Não só pelo vídeo em si, mas também pela [interação](http://pinterest.com/invisibleinc?ref=b9.com.br), cartazes, [produtos](http://invisiblechildrenstore.myshopify.com/?ref=b9.com.br), etc.

Quanto as informações prestadas pela ONG e para onde vai o dinheiro doado, isso realmente precisa ser questionado e investigado. Mas e para aqueles em que o problema da campanha é parecer com roteiro e produção de Hollywood?

Basta lembrar que tem moleque de 14 anos fazendo vídeo em casa com muito mais audiência que produções profissionais. Faz tempo que a capacidade de gerar buzz e as ferramentas necessárias para um trabalho de comunicação não estão mais nas mãos de poucos e grandes.

Você pode até argumentar que não passa de um vídeo bem feito e emocional sobre um tema sensível, mas não é essa uma das ferramentas fundamentais da comunicação?

Jason Russell, CEO e co-fundador da Invisible Children, colocou um líder militar de guerra civil no mapa, mas também acaba de redefinir o conceito de trabalho humanitário e, principalmente, a maneira como mobilizar a mídia e as redes sociais em torno de uma causa. Só espero agora que de maneira honesta.