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# Comic-Con 2011: Mentes Brilhantes
- URL: https://www.b9.com.br/comic-con-2011-mentes-brilhantes/
- Published: 2011-07-23T19:09:29.000Z
- Updated: 2011-07-23T19:09:29.000Z
- Author: Fábio M. Barreto
- Tags: Cultura, comic-con, #wp, #wp-post

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2011/07/comiccon.jpg)

##### Ideias são sempre necessárias, mas até onde são realmente criativas e fruto da visão da elite da direção atual? Quem responde é Guillermo Del Toro, William Shatner e Shawn Levy!

**SAN DIEGO** \- No mundo do entretenimento, ideias acionam conexões interpessoais, que iniciam movimentos comerciais, que inspiram multidões e geram milhões. Esse processo, porém, só acontece de forma ideal quando parte de uma elite de diretores e produtores, como por exemplo, Guillermo Del Toro, JJ Abrams, Steven Spielberg e os "novatos" Jon Favreau, Nicolas Winding Refn e Shaw Levy entram em cena e conseguem mesclar qualidade com potencial comercial. Falamos com alguns deles ao longo dessa semana para entender um pouco mais sobre a alta criatividade da vanguarda hollywoodiana. Sobrou até para William Shatner, que assume cada vez mais seu papel de entrevistador e divulgador de ideias e mentes brilhantes.

Há alguns meses, em sua conta do **Twitter**, Kevin Smith declarou que *"para se fazer um filme, basta ter uma ideia e convencer outras pessoas a gostarem da sua ideia"*. Por mais simplista que pareça, essa é a força motriz da relização cinematográfica em Hollywood, algo originado por ideias, mas movido a infindáveis reuniões - uma das piadas mais recorrentes por aqui, aliás; [Danny Boyle foge de Hollywood](https://www.b9.com.br/entretenimento/b9-entrevista-danny-boyle-fazendo-muito-com-pouca-verba/) e dos grandes filmes por causa disso - e constante convencimento dos donos do dinheiro. É um sistema, fato; e todo sistema permite anomalias, que, assim como na Matrix, tendem a ser brilhantes, especialmente comparadas à uma massa praticamente uniforne de filmes feitos de acordo com fórmulas e para agradar públicos específicos.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2011/07/deltoro.jpg)

Essa estagnação encontrou um inimigo desbocado e, em tese, forte o suficiente para fazer algo a respeito: Guillermo Del Toro, diretor de **"O Labirinto do Fauno"** e **"Hellboy"**.

> *"O maior inimigo da criatividade é a segurança"* **Comic-Con** *"Fazer filmes é algo sempre perigoso e quando a segurança entra na frente, a criatividade voa pela janela"*

Talvez seja justamente essa exigência de liberdade criativa que o mantenha afastado da direção e cada vez mais envolvido com produção e suporte a outros cineastas. *"É nossa obrigação procurar e produzir novos diretores; manter sempre as mesmas vozes no comando é a pior coisa para a indústria"*. Nesse caso, Del Toro estava apoiando amplamente o trabalho de Nicolas Winding Refn, o dinamarquês no comando do surpreendente Drive, com Ryan Gosling e Carey Mulligan, enquanto divulgava o terror **"Don't Be Afraid of the Dark"**, que escreveu e produziu.

*"Existe uma ideia imbecil de que devemos aspirar a perfeição. Hollywood vive jogando isso na nossa cara. Por isso gosto de mostros, eles são a representação máxima da imperfeição"*, argumenta Del Toro. *"Imperfeição é algo que podemos replicar e, no processo, realizarmos algo em vez de ficar procurando a 'fórmula perfeita' e nunca tirar a bunda da cadeira. Mas sendo bem sincero, monstros são um verdadeiro 'foda-se' para essa busca pela perfeição, inclusive com repercussões líricas e extremente poderosas"*.

Com a língua menos afiada e nem tantos fãs espalhados pelo mundo, o diretor Shaw Levy (**"Uma Noite no Museu"**) pensa como Del Toro, entretanto, vê no realismo e nos efeitos práticos o caminho para fugir da "busca pela perfeição". Em seu novo filme, **"Gigantes de Aço"** (Real Steel), com Hugh Jackman, ele insere robôs lutadores no mundo real para, justamente, explorar suas deficiências. *"Michael Bay é um maestro no que faz e isso ninguém tira dele, mas seu mundo é indiscutivelmente o da fantasia, tudo pode acontecer. No caso de Gigantes de Aço, projetamos um futuro para a Humanidade e nossos robôs precisavam se encaixar, não chamar a atenção desnecessariamente"*.

A solução encontrada por Levy foi construir, de fato, os personagens cibernéticos e, nas cenas com humanos, movê-los até o limite permitido pela mecânica e, daí para a frente, inserir os efeitos especiais. *"Já ultrapassamos o ponto em que a tecnologia permite vazão a qualquer ideia visual. Visitei algumas empresas para discutir os detalhes de *'Viagem Fantástica'* (remake sob seu comando e produção de James Cameron) e não há mais barreiras; o grande desafio criativo hoje em dia é não exagerar e errar na dose"*.

Do outro lado do espectro, longe do calor da ascenção, William Shatner transformou seu documentário **"The Captains"** \- no qual entrevista todos os capitães da Enterprise - numa experiência definitiva em sua carreira. Shatner se diz homem interessado em pessoas e suas motivações, em suas ideias e de onde elas surgem. "*Precisamos entender o quão rara são as ideias, os verdadeiros atos criativos"*, comenta à reportagem do **Brainstorm9**.

> *"Muito do que fazemos é reflexo de nossas experiências ou recriações do que nos cerca, mas isso não é um problema. Dá para viver feliz desse jeito; é uma questão de procurar a criatividade no lugar certo. Cozinhar, por exemplo, pode ser um ato criativo e grandioso, entretanto, não damos atenção por se tratar de uma tarefa com duração curta e sem muita repercussão em longo prazo. A não ser que as pessoas envolvidas descubram o elemento mais fundamental a cada ideia, seja um prato novo ou um filme transformador: apreciar a criação. Isso a torna especial, única e, para quem quer que seja, eterna".*

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Embora os diretores levem boa parte dos méritos, é preciso reconhecer casos de criatividade extrema nas outras áreas e um desse nomes, inevitavelmente, é Andy Serkis. Extremamente centrado em sua profissão e ator a abraçar o sistema da captura de performance (diferente da captura de movimento) pelo trabalho em **"O Senhor dos Anéis"** e **"King Kong"**, Serkis reinventou a brincadeira toda em **"Rise of the Planet of the Apes"** ao interpetar o símeo César em locações reais; pela primeira vez, levando a tecnologia para longe da tela verde.

O diretor Rupert Wyatt explica a criação de Serkis: *"Além de ter sido o pioneiro nessa tecnologia, Andy é o ator que mais compreende a capacidade e as minúcias do que a captura de performance pode fazer, logo ele é capaz de atuar de modo eficaz e comovente e transmitir isso diretamente para o filme."*

Agora é hora de correr de volta para o San Diego Convention Center. A Comic-Con continua com força total!