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# Como "Borat" se tornou uma das comédias mais marcantes do século 21
- URL: https://www.b9.com.br/como-borat-se-tornou-uma-das-comedias-mais-marcantes-do-seculo-21/
- Published: 2020-10-29T20:17:13.000Z
- Updated: 2020-10-29T20:17:13.000Z
- Description: 4 motivos que explicam o fenômeno cultural por trás do mocumentário “criado” pelo segundo maior jornalista do Cazaquistão
- Author: B9
- Tags: Publieditorial, Cinema, Fita de Cinema Seguinte, #wp, #wp-post

Num dos primeiros momentos “ambientados” nos Estados Unidos de **[“Borat: Fita de Cinema Seguinte”](https://www.primevideo.com/detail/amzn1.dv.gti.20ba5ecf-147f-7e41-81a6-f6b365ffce44/ref=dvm%5Fsoc%5FBR%5FBLDF2Q42020%5FB9BCONTSITE1%5F%5F;!!N96JrnIq8IfO5w!2LmWn%5Fdth9YnDg1kDDOkQWiYUf%5FIScc5fkNDdooQnBSBFLl3ukMc-uV5O2ePabDzUrHfmw$?ref=b9.com.br)**, o protagonista - vivido por **Sacha Baron Cohen** \- brinca com a presença dominante dos smartphones. Borat relata estar surpreso em perceber que, desde a última vez em que esteve presente no país, a população local ficou viciada *“em suas calculadoras”*. A intenção do humor é óbvia, mas denota uma passagem de tempo que pode soar inesperada ao espectador: há pouco mais de 14 anos o mundo era outro, a ponto do celular inteligente ainda existir como mero conceito de um futuro distante.

Esta constatação vale pra tudo, incluindo o cinema. É muito difícil imaginar hoje a comédia norte-americana do mainstream longe da produção independente, mas a verdade é que este paradigma é muito recente em Hollywood. Se nos anos 1980 e 1990 o gênero foi dominante dentro da indústria, a busca dos grandes estúdios por bilheterias cada vez maiores ou de máximo custo-benefício nos anos 2000 e 2010 eliminou virtualmente o médio orçamento que viabilizava essas produções, empurrando-as até mesmo do circuito de cinemas em direção ao nascente ecossistema do streaming.

Uma outra consequência importante, porém, é que a “derrocada” da comédia de estúdio também afastou estes projetos das “cidades-set” montadas pelas produtoras. Conforme se tornou mais barato filmar tudo em regiões locais, essas produções foram devolvidas à realidade do país. Um dos vários filmes que protagonizaram essa mudança foi justamente **“Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América”**, um dos fenômenos culturais do agora distante ano de 2006.

Aproveitando [o lançamento da continuação](https://www.primevideo.com/detail/amzn1.dv.gti.20ba5ecf-147f-7e41-81a6-f6b365ffce44/ref=dvm%5Fsoc%5FBR%5FBLDF2Q42020%5FB9BCONTSITE1%5F%5F;!!N96JrnIq8IfO5w!2LmWn%5Fdth9YnDg1kDDOkQWiYUf%5FIScc5fkNDdooQnBSBFLl3ukMc-uV5O2ePabDzUrHfmw$?ref=b9.com.br), o **B9** \- em parceria com **[Amazon Prime Video](https://www.primevideo.com/detail/amzn1.dv.gti.20ba5ecf-147f-7e41-81a6-f6b365ffce44/ref=dvm%5Fsoc%5FBR%5FBLDF2Q42020%5FB9BCONTSITE1%5F%5F;!!N96JrnIq8IfO5w!2LmWn%5Fdth9YnDg1kDDOkQWiYUf%5FIScc5fkNDdooQnBSBFLl3ukMc-uV5O2ePabDzUrHfmw$?ref=b9.com.br)** \- lista quatro motivos que levaram “Borat” a se tornar uma das comédias mais marcantes da história.

### 1\. À frente de seu tempo

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/10/fJgZJ5UwfiRSX15wNHjAC6IOCyh.jpg)

Quando o personagem de Borat Sagdiyev foi criado, Hollywood tinha acabado de vir de um ano que tornou **“Sr. e Sra. Smith”** na comédia de maior sucesso e ainda tinha nomes como **Judd Apatow** e **Steve Carell** como uma revelação. **“O Virgem de Quarenta Anos”** tinha acabado de fazer um ano de vida, inclusive, enquanto **“The Office”** ainda engatinhava na programação da **NBC**.

Nada indicava que um mocumentário - estrelado por um personagem satírico e ultrajante originário do Cazaquistão e nascido em outro projeto de Baron Cohen (o programa **“Da Ali G Show”**) - fosse se tornar o hit que foi, ainda mais com direito a indicação ao **Oscar** de roteiro adaptado e vitória no **Globo de Ouro** do ano seguinte.

As participações de Sacha Baron Cohen em programas de auditório certamente também contribuíram para criar uma espécie de sensação global. Isso porque, sendo um sujeito bastante reservado e até tímido, Baron Cohen só raramente dava entrevista como ele mesmo, preferindo aparecer na pele de seus personagens. Dessa forma, Borat dominou os *late shows* naquele período.

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### 2\. Contra tudo e contra todos

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2m9FVISmYnDpOgBKwHSCiKDHCx.jpg)

“Borat” surgiu para muitos naquele momento como uma antítese radical de tudo que o cinema norte-americano fazia até então no gênero, mesmo com o primeiro **“Jackass”** já tendo reintroduzido em 2002 o formato de “pegadinhas” nas telonas. Isso porque o filme satiriza o cidadão médio e seus preconceitos, extraindo um comportamento ofensivo que só um personagem igualmente ofensivo e preconceituoso seria capaz.

O “segundo maior jornalista do Cazaquistão” também faz críticas diretas à administração Bush e sua *“guerra ao terror”* e comete o ato impensável de brincar com uma nudez masculina que é distante dos ideais de beleza estereotipados do país - algo que ele também faz piada em cima, vide o esquete envolvendo **Pamela Anderson**.

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### 3\. "Na vida real"

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/10/borat11.jpg)

O longa dirigido por **Larry Charles** incorpora a lógica do documentário não apenas como estética, mas também de recurso narrativo crucial a toda a história. Borat e seu produtor Azamat Bagatov (Ken Davitian) são contratados pelo governo do Cazaquistão para fazer um documentário sobre a cultura e hábitos dos Estados Unidos a partir de Nova York, mas o plano logo é distorcido pela dupla conforme o repórter deseja conhecer e se casar com Pamela Anderson depois de “conhecê-la” assistindo **“S.O.S. Malibu”** no quarto do hotel - e dado que o orçamento é curto, ambos são obrigados a comprar um carro (de sorvete ainda) para atravessar o país em direção à Califórnia.

Embora existam esquetes marcantes no ponto de partida e final da jornada (do cocô na **Trump Tower** à tentativa de sequestro de Anderson na sessão de autógrafos), é na viagem dos personagens que “Borat” de fato ganha corpo porque é quando sua premissa de “aprender cultura americana com os americanos” passa a valer de fato.

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### 4\. Momentos "Very nice!"

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/10/borat12.jpg)

Os esquetes apresentam uma realidade que na época parecia enterrada pela produção cultural nacional e que fazia (e faz) sentido com os valores de orgulho patriótico eternamente reiterados por esta. O momento do protagonista no rodeio, quando ele incita o público cantando a melodia do hino norte-americano com a “letra do hino cazaque”, continua a mais marcante dentro desta lógica. Borat explora, inclusive, o total desconhecimento e preconceito das pessoas sobre o Cazaquistão e países que consideram exóticos. Isso também pode ser encontrado em cenas como da aula de etiqueta e do encontro com o grupo de jovens na estrada.

Neste sentido, não deixa de ser engraçado que a continuação - “Fita do Cinema Seguinte” - tenha despertado comentários e acusações de que Baron Cohen “politizou” o personagem e “abandonou” o discurso do politicamente incorreto para tratar de maneira direta do trumpismo nos EUA. A comédia sempre foi um gênero de subversão, algo que por si só já justifica que o segundo “Borat” trate, principalmente, dos apoiadores de primeira hora do (por enquanto) presidente norte-americano.

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![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Borat_1280x720.jpg)

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