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# Como a indústria de games vem se posicionado frente à diversidade
- URL: https://www.b9.com.br/como-industria-de-games-vem-se-posicionado-frente-diversidade/
- Published: 2017-07-21T20:02:44.000Z
- Updated: 2017-07-21T20:02:44.000Z
- Description: Número de lançamentos que valorizam a diversidade aumentou, mas preconceito ainda precisa ser combatido
- Author: Soraia Alves
- Tags: Cultura, Globo, PlayStation, Xbox, #wp, #wp-post

Um artigo do jornalista **Keith Stuart**, do [**The Guardian**](https://www.theguardian.com/technology/2017/jul/18/diversity-video-games-industry-playstation-xbox?ref=b9.com.br), levanta uma importante questão sobre a indústria de games: como ela vem se posicionando em relação à diversidade.

Embora há alguns anos já vemos personagens femininas em jogos de sucesso, como **Lara Croft**, o número desses produtos ainda é bem inferior aos lançamentos que seguem o padrão homem, branco e heterossexual.

No entanto, o evento **E3**, que aconteceu em junho, apontou bons exemplos de que as empresas de games já entenderam a importância da representatividade para os jogadores. Foi significante o número de lançamentos com personagens principais que fogem do padrão já citado, inclusive em jogos tradicionais, como **"Assassin's Creed Origins"**.

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A Microsoft também optou por avatares femininos para mostrar novos recursos de criação de personagem de **"Forza Motorports 7"**, enquanto o desenvolvedor **Sledgehammer Games** ressaltou o papel fundamental da francesa **Jeannie Rousseau**, líder feminina da resistência na narrativa de **"Call of Duty: WWII"**.

Mas, como sabemos, adotar a diversidade vai muito além de colocar personagens femininas nos jogos. A **PlayStation**, por exemplo, deu um passo importante ao patrocinar o **Pride London**, a Parada do Orgulho LGBT de Londres. A empresa, aliás, garante que tem planos ambiciosos para promover a inclusão e a igualdade no universo de games.

Olhando para a grande diversidade de sua própria equipe, a PlayStation enxergou a importância dos jogos na representação da diversidade. Muitos funcionários relatam, inclusive, o quanto a possibilidade de se enxergar como queriam em personagens de jogos foi importante no processo de aceitação para eles.

### Representação e acessibilidade

A experiência de sentir-se representado na tela engloba ainda fatores como a acessibilidade ao jogos, com equipamentos que possam ser utilizados por todos, incluindo pessoas com deficiência. Nesse quesito, o modo copiloto do **Xbox One**, que possibilita compartilhar o controle com outro jogador, já é um bom exemplo.

Parece simples, mas o recurso foi extremamente bem recebido entre crianças com paralisia cerebral, dando-lhes a oportunidade de jogar recebendo ajuda de outro player em trechos mais difíceis do percurso.

A preocupação em pensar em todas as formas de representação é fundamental. O jogo para Xbox One **"I, Hope"**, da **Arconyx**, traz a saga de uma garota chamada Hope que luta para sobreviver enquanto sua cidade é tomada por Câncer. Ele foi especialmente desenvolvido para crianças que estão passando pelo tratamento da doença, e ainda tem seu lucro revertido em ajuda à [**ONG Game Changer**](http://gamechangercharity.org/?ref=b9.com.br).

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### Mudança lenta

Embora a indústria de games venha avançando em prol do representação, a resistência encontrada entre os usuários, infelizmente, não é diferente de outros setores. Não são poucas as reclamações de mulheres que enfrentam [situações de preconceito e assédio](http://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/maioria-entre-gamers-no-brasil-mulheres-enfrentam-preconceito-e-assedio.ghtml?ref=b9.com.br) ao se mostrarem jogadoras de algum game.

Só para citar um caso (entre tantos), dia desses uma amiga compartilhou alguns dos comentários que recebeu ao entrar em um grupo no jogo **"Overwatch"**, do Xbox One. "Espero que não seja mulher" foi o primeiro deles. Não à toa, cresce o número de grupos como o **"Dawn of Pink"**, exclusivo para jogadoras.

Homofobia, racismo, machismo e tantos outros tipos de preconceitos ainda são bem presentes em fóruns e grupos de jogadores. Por isso mesmo o papel da empresas desenvolvedoras de jogos se torna tão importante para promover a inclusão de um pensamento igualitário e representativo dentro da indústria de games.

Inclusive, esse reposicionamento deve contemplar também a abertura de espaço para profissionais diversificados. Afinal, debates e avanços não podem ficar apenas no campo virtual.

Para se ter ideia, segundo a organização **Women in Games International**, apenas 18% dos desenvolvedores de jogos são mulheres, e não por falta de mão-de-obra qualificada para as posições.