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# “Como Treinar Seu Dragão 2” reforça a maior realização cinematográfica da DreamWorks
- URL: https://www.b9.com.br/como-treinar-seu-dragao-2-reforca-maior-realizacao-cinematografica-da-dreamworks/
- Published: 2014-06-25T16:56:07.000Z
- Updated: 2014-06-25T16:56:07.000Z
- Description: Com uma série de decisões corajosas, o estúdio mantém a qualidade estabelecida na primeira aventura de Soluço e Banguela
- Author: Fábio M. Barreto
- Tags: Cultura, Cinema, Dreamworks, filme, review, #wp, #wp-post

Uma das perguntas mais recorrentes de leitores e ouvintes dos podcasts dos quais participo é: o que falta à **DreamWorks** para alcançar a **Pixar** em qualidade?

A resposta imediata é a universalidade dos temas, porém, isso vem mudando ao longo dos últimos 5 anos, pois essa separação vem diminuindo absurdamente por conta de filmes como **“Kung Fu Panda”**, **“A Lenda dos Guardiões”** e, claro, a trilogia **“Como Treinar Seu Dragão,”** que ostenta o título de melhor realização cinematográfica do estúdio de Jeffrey Katzenberg. Depois de um primeiro filme impressionante, o canadense Dean DeBlois volta à carga repleto de decisões difíceis, reviravoltas audaciosas e mantém a qualidade estabelecida na primeira aventura de Soluço e Banguela.

“Como Treinar Seu Dragão” é uma das principais histórias de crescimento do cinema atual. A trama esconde todos os elementos da jornada do herói, das dificuldades da vida, do conflito familiar, da busca pela identidade, da amizade e da confiança sob a manta do relacionamento de vikings com dragões. Os paralelos sempre foram claros, mas, no segundo filme, a evolução é gritante. Cinco anos no futuro, DeBlois resolveu trazer uma ameaça externa para quebrar o balanço estabelecido por Soluço (Jay Baruchel) e impulsionar seu crescimento.

![Diretor e roteirisita Dean DeBlois](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2014/06/dragon4.jpg)

Diretor e roteirisita Dean DeBlois

![Dragon](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2014/06/dragonposter.jpg)

\[colunadireita\]*“Soluço está testando limites, vagando à procura de respostas, para perguntas que ele nem sabe; ele apenas sabe que precisa procurar”*, explica Dean DeBlois, que assina o roteiro e dirige a animação, em entrevista exclusiva ao **B9**.

*“Eles estão ‘independentemente juntos’, por assim dizer. Aquela relação é tão simbólica e pura que, mesmo com as deficiências de cada um, eles encontraram um balanço e um modo de viverem suas vidas sem que a ausência de um limitasse o outro”*.

A busca de Soluço ecoa profundamente dentro da DreamWorks. Tanto os protagonistas do último **“Shrek”** quanto do subestimado “A Lenda dos Guardiões” compartilham da necessidade de encontrar um lugar no mundo, seja transformando a realidade à sua volta ou alterando sua própria percepção de quem é ou o que faz.

É uma espécie de chacoalhão psicológico defendido por Katzenberg, que viveu sua cota de reinvenções pessoais e profissionais antes de ver a DreamWorks brilhar. E, claro, reflete inevitavelmente a necessidade de uma geração norte-americana norteada pelo trivial e óbvio no quesito heróis e heroínas modernos.\[/colunadireita\]

\[quoteesquerda\]“Como Treinar Seu Dragão” é uma das principais histórias de crescimento do cinema atual\[/quoteesquerda\]

\[colunadireita\]Ele se encaixa perfeitamente por atingir diversos públicos e, além de tudo, ter um dos aliados mais charmosos do cinema de animação. O dragão Banguela – criados por uma equipe apaixonada por cachorros, gatos e cavalos – mistura grandes qualidades de animais companheiros, tem personalidade humana e jornada própria, além de homenagear Hayao Miyasaki com uma referência a Totoro. Esse é um dos grandes diferenciais dessa franquia: Banguela é co-protagonista, mesmo sem dizer uma palavra.\[/colunadireita\]

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![Dragon](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2014/06/dragon3.jpg)

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![Dragon](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2014/06/dragon5.jpg)

Essa dinâmica permite que Soluço viva o drama familiar sem que a história fique arrastada, afinal, Banguela aparece para manter o bom ritmo. Numa das mais belas cenas do primeiro ato, a dupla promove um voo fantástico, cheio de significado e riscos que vão ameaçar a segurança dos personagens ao longo da trama.

Há liberdade por todos os lados e ela, inevitavelmente, provoca a discussão sobre controle, escolhas e força de vontade. É fácil ser livre, mas quais são as consequências das decisões unilaterais, por mais bem intencionadas que possam ser? Ação e reação andam juntas em **“Como Treinar Seu Dragão 2”** e daí vem o grande amadurecimento do texto do apaixonado DeBlois, um diretor extremamente efetivo em momentos dramáticos e grandioso quando necessário.

### Família (SPOILERS! a partir desse ponto)

Como mostrado em vários trailers e comerciais, um dos grandes momentos é o reencontro de Soluço com sua mãe, Valka, que todos davam como morta há 20 anos. Cate Blanchet foi uma bela adição ao elenco e, mesmo distantes fisicamente, o dueto com Gerard Butler é irresistível.

O reencontro do casal é maravilhoso, tocante e dirigido com uma delicadeza ímpar, tão impactante quanto o aperto de mão dos bonecos em direção à fornalha em **“Toy Story 3”**. *“Pensei em como me comportaria nessa situação, escrevi várias opções; usei a que mais me emocionou”*, comenta DeBlois, que conseguiu inserir uma micro-história de amor eterno dentro do filme. *“Muitos de nós nunca deixam a adolescência; quero sempre me apaixonar desse jeito, sempre que tiver uma chance ou uma razão”*.

![Obama zoeirão no set da DreamWorks](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2014/06/dragon2.jpg)

Obama zoeirão no set da DreamWorks

![Dragon](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2014/06/dragon6.jpg)

\[colunadireita\]O resultado é a reformação do núcleo familiar, com Soluço, Stoick e Valka. Seria simples e confortável apostar nisso, afinal, Stoick é a força bruta e a aventura, Valka é a sensibilidade e o carinho pelos dragões e Soluço fica no meio, aproveitdo o melhor de dois mundos. Mas é hora de amadurecer e como estamos falando da jornada do herói, o bastão precisa ser passado para a nova geração. Curiosamente, Stoick passa parte do filme tentando transformar Soluço no Chefe de Burke, mas ele recusa.

A transição acontece quer ele queira, quer não.

E aí a coragem de “Como Treinar Seu Dragão 2” surge como muito mais força que seu vilão, em boa atuação de Djimon Honsou – uma das pessoas mais belas e intensas que já pisaram nesse planeta. DeBlois forçou o rito de passagem de Soluço por meio do sacrifício supremo. Cada um entende a cena como pode: pais e mães sabem que se sacrificariam pelos filhos, filhos encaram seus pais como super-heróis, sempre prontos para o salvamento. Essa morte cai com a força do martelo de Thor e o ódio de Odin na história, com direito a um funeral épico e tocante.

Esse rompante de decisões difíceis é plenamente justificado e mostra a razão dessa franquia ser tão relevante. Ela emula a vida, respeita o passado e mostra o futuro como uma gigantesca porta aberta que cabe a cada um atravessar por meio das próprias realizações. E não há mensagem mais direta que o desfecho da história, com Banguela se transformando num Rei entre os dragões, enquanto Soluço assume sua própria liderança.

Soluço e Banguela já perderam muito em dois filmes, mas ganharam muito mais. O terceiro capítulo vai testá-los pela última vez, sabe-se lá a qual custo. Mas, com dois acertos, só é possível esperar uma conclusão fantástica para “Como Treinar Seu Dragão”! O tema é eterno. A execução é primorosa. E é bom saber que as próximas gerações terão um exemplo tão fantástico a seguir.\[/colunadireita\]

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**Fábio M. Barreto** é cineasta, autor de **“Filhos do Fim do Mundo”** e [visitou a DreamWorks](https://www.youtube.com/watch?v=WyndQysFoq4&ref=b9.com.br) para a realização dessa matéria.